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Revista M&T - Ed.207 - Novembro 2016
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Agronegócio

Tecnologia embarcada reinventa a lavoura

Com a tecnologia de ponta em seu favor, setor agrícola toma a frente de todos os segmentos no país e já se prepara para assumir a liderança global em produtividade
Por Camila Waddington

Os seguidos recordes brasileiros na produção de grãos são um reflexo direto do uso intensivo e crescente da tecnologia na agricultura. Com este comentário, o executivo Niumar Aurélio, supervisor de marketing de produto na área de ATS (Advanced Technology Solutions) da AGCO para a América do Sul, resume o que – já há pelo menos uma década – vem acontecendo ano após ano no Brasil.

Após essa década de avanços, esse processo vem culminando em uma das agriculturas mais evoluídas – e produtivas – do mundo. Ainda que a estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas seja 9,8% inferior à obtida em 2015, variando de 209,4 milhões no ano passado para 189 milhões de toneladas neste ano, a alta produtividade permanece sendo a definição máxima para a área agrícola do país.

Um estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), inclusive, nos coloca à frente dos Estados Unidos em volume de produção dentro de pouco tempo. Afinal, avalia a entidade, “a produção total agrícola mais do que dobrou em volume comparada ao regist


Os seguidos recordes brasileiros na produção de grãos são um reflexo direto do uso intensivo e crescente da tecnologia na agricultura. Com este comentário, o executivo Niumar Aurélio, supervisor de marketing de produto na área de ATS (Advanced Technology Solutions) da AGCO para a América do Sul, resume o que – já há pelo menos uma década – vem acontecendo ano após ano no Brasil.

Após essa década de avanços, esse processo vem culminando em uma das agriculturas mais evoluídas – e produtivas – do mundo. Ainda que a estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas seja 9,8% inferior à obtida em 2015, variando de 209,4 milhões no ano passado para 189 milhões de toneladas neste ano, a alta produtividade permanece sendo a definição máxima para a área agrícola do país.

Um estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), inclusive, nos coloca à frente dos Estados Unidos em volume de produção dentro de pouco tempo. Afinal, avalia a entidade, “a produção total agrícola mais do que dobrou em volume comparada ao registrado em 1990, sendo que a produção pecuária praticamente triplicou”.

As razões para tamanho crescimento resvalam, antes de tudo, na diversidade climática do Brasil, que proporciona uma agricultura bastante variada, tanto com produtos temperados como tropicais. Nesse sentido, a possibilidade de ultrapassarmos a maior potência agrícola do mundo se baseia, de acordo com o estudo da FAO, no fato de a região central do país conter “áreas substanciais de pasto degradado com potencial para produção agrícola”, além de “grande disponibilidade de terra para produzir soja, enquanto que os Estados Unidos são mais competitivos na produção de trigo, o que limita o potencial para transformar grandes áreas em soja para atender à demanda futura de oleaginosas”.

Mas isso não garante, por si, a produtividade. Um aliado de suma importância nessa tarefa é a tecnologia adotada nas lavouras, principalmente os sofisticados equipamentos e seus mecanismos de geoposicionamento atualmente disponíveis aos agricultores, que fazem da agricultura a principal atividade econômica baseada em ciência desenvolvida hoje no país.

PILARES

São esses recursos que têm permitido que nossos recordes de produção baseiem-se não em maior área plantada, mas em aumento real de produtividade. É o que observa Aurélio, da AGCO Corporation, expandindo a análise. “A tecnologia é um dos pilares da agricultura e tem evoluído, mas não deve ser encarada como valor isolado. Há ainda o melhoramento genético, o uso da biotecnologia, as técnicas de manejo, fitossanidade, gestão, entre outras”, pondera. “Tudo isso em conjunto levou a uma revolução no agronegócio nos últimos anos. O conhecimento agronômico aliado a processos inovadores fez a diferença.”

Até por congregar marcas distintas, como Valtra, Massey-Ferguson, Fendt, GSI e Challenger, em termos de tecnologia a AGCO concentra-se atualmente no desenvolvimento de uma plataforma comum a todas, chamada Fuse Connected Services. Lançada no primeiro semestre no Brasil, a solução é composta por um programa de monitoramento e suporte aos diversos tipos de equipamentos produzidos pelas marcas, que permite ao produtor rural aprimorar a gestão de sua frota fixa e móvel por meio de ferramentas de telemetria.

Assim, o usuário pode optar por analisar os dados resultantes por conta própria ou, ainda, contar com a consultoria das concessionárias de cada marca. “Primeiro de seu tipo no Brasil, o Fuse Connected Services proporciona uma nova perspectiva de relacionamento entre concessionária e cliente, pois dá suporte remoto ao agricultor por meio do sistema de telemetria AgCommand”, diz Aurélio. “Com o Fuse, é possível enxergar o processo como um todo, detectando o posicionamento, a atividade e a necessidade de manutenção preventiva de cada equipamento.”

A tecnologia prevê três níveis de serviços, independentemente do tamanho da frota. No primeiro, o produtor adquire apenas a ferramenta e interpreta as informações por conta própria; no segundo, além do sistema, contrata também a consultoria de especialistas alocados nas concessionárias das marcas AGCO, que transmitem recomendações de ajustes e manutenção preventiva; no terceiro, o agricultor opta pela terceirização integral do gerenciamento das manutenções da frota para a concessionária.

A exemplo do conglomerado de Duluth, a Auteq – uma empresa controlada pela John Deere – também está apostando na oferta de um pacote mais completo de serviços, que abarque a operação como um todo. Segundo Santiago Larroux, diretor da concessionária, após o boom da transmissão de dados operacionais do campo para o escritório, a tendência agora é de crescimento da demanda por alertas, emitidos em tempo real em caso de situações anormais ocorridas no campo. “Neste estágio do gerenciamento das tecnologias embarcadas, os equipamentos começam a ser menos ‘ferro’ e se convertem em mais ‘inteligência’, conversando e interagindo entre si”, explica. “Aqui já não se requer somente uma solução simples de telemetria. Suporte e parceria entre o cliente e o fornecedor de equipamentos começam a ser a chave fundamental do negócio.”

INTEGRAÇÃO

O executivo enxerga a gestão de frotas como um “ícone”, especialmente nos estados localizados na nova fronteira agrícola brasileira, conhecidos como MaPiToBa (juntando as iniciais de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), nos quais a celeridade entre o plantio e a colheita é premente, por conta do regime climático da região. O mesmo vale para a indústria canavieira, em função da longa sazonalidade e intensidade da operação. “O setor canavieiro liderou este movimento por instituir uma gestão de frotas profissionalizada”, comenta Larroux. “Toda a logística envolvida no processo de colheita da cana, com carregamento e transporte, demanda uma operação em conjunto e sincronizada, com planejamento prévio do campo até a usina.”

Este tipo de cliente, continua o especialista, em geral possui uma extensa frota operando no campo, na qual eficiência operacional, produtividade das máquinas e otimização de custos constituem os drivers da atividade. A esta demanda exacerbada, a Auteq responde com a capacitação contínua da rede de atendimento – segundo o executivo, a de maior capilaridade do país, com 250 pontos – para atender ao cliente remotamente e lhe prestar não apenas assessoria operacional, como também agronômica. “São soluções integradas que visam a garantir maior disponibilidade do equipamento, produtividade por meio da eficiência operacional e, com isso, rápido retorno do investimento”, frisa.

Quanto a isso, Larroux crê na capacidade de reconhecimento do produtor sobre a tecnologia como investimento, cujo custo se dilui conforme se obtém melhor rendimento de sua produção. De opinião similar partilha Aurélio, da AGCO, e acrescenta: “O perfil do cliente de equipamentos agrícolas de precisão mudou. Há alguns anos era mais o grande produtor o principal consumidor destas máquinas. Hoje, os produtores de pequenas e médias propriedades também passaram a demandar e investir em tecnologia embarcada. O produtor não quer apenas o equipamento, mas sim uma solução completa, que envolva produto, tecnologia e serviços diferenciados – e entende que isto tem um custo, mas proporciona um rápido retorno ao investimento”.

DEMANDA

Que os recursos tecnológicos constituem hoje uma realidade no campo, já não restam dúvidas. Em uma disputa acirrada pelo posto de melhor custo-benefício, contudo, algumas ferramentas têm alcançado uma maior demanda. Para Bruno Lúcio, gerente de vendas da Topcon para a América do Sul, em geral os sistemas de direcionamento e recursos como pilotos manuais e automáticos são os que mais saem “embarcados de fábrica ou vendidos posteriormente em distribuidores autorizados ou concessionárias”.

Mesmo porque, somente com estes mecanismos e o sistema de geoposicionamento, estima-se um ganho de mais de 15% em produtividade. Diante disso, José Carlos Bueno, gerente regional de distribuição na divisão de agricultura da Trimble, tem boas razões para emendar seus próprios êxitos. Em sua análise, com o piloto automático os produtores buscam “maior padronização da operação no campo, o que impacta diretamente no aumento de produtividade, uma vez que com ele é possível aproveitar ao máximo a área”. “Isso ocorre, por exemplo, com o plantio de uma quantidade maior de linhas por talhão”, afirma. “E, aliado a outras soluções de orientação, o produtor pode obter economia de até 20% na operação.”

A fabricante garante, ainda, redução de gastos com sementes, fertilizantes e defensivos na ordem de até 10% com o sistema de controle de taxa Field-IQ. Aplicando a quantidade exata de materiais recomendada, defende Bueno, é possível evitar problemas de falhas, sobreposições e competição por nutrientes, otimizando assim os recursos e aumentando a produtividade. “É importante lembrar que, quanto maior o controle da operação, maiores serão o aproveitamento, a produtividade e a economia a cada safra”, sublinha Bueno, destacando ainda que, além de controlar a taxa de aplicação dos materiais, o aplicativo monitora a distribuição de sementes e a obstrução dos fertilizantes, controlando a altura das barras de pulverização. “Na maioria das vezes, o agricultor já tem o retorno sobre o investimento apenas com a redução de custos gerada pela tecnologia, sem contar o aumento na rentabilidade por colocar as sementes e insumos nos lugares e quantidades corretas”, conclui.

Case IH inova com trator autônomo

Durante a feira Farm Progress Show, nos EUA, a fabricante apresentou um trator conceito sem cabine que pode inaugurar uma nova era na agricultura de precisão. Desenvolvido pelo Grupo de Inovação da CNH Industrial em parceria com a ASI (Soluções Autônomas Incorporadas), o trator Magnum autônomo é dotado de uma interface interativa, permitindo o monitoramento remoto de operações pré-programadas via computador ou tablet.

Segundo a fabricante, o trator autônomo une novas tecnologias em orientação, telemetria, compartilhamento de dados e gerenciamento agrônomo para oferecer maior controle, capacidade de monitoramento e redução de custos às operações. Por meio do uso de radar e câmeras de vídeo a bordo, o veículo identifica os obstáculos no caminho e para sozinho até que o operador – notificado por alertas sonoros e visuais – especifique um novo percurso. As tarefas da máquina também podem ser modificadas em tempo real pela interface remota ou por avisos meteorológicos automáticos. “Quem administra a propriedade pode supervisionar as atividades de várias máquinas por uma interface móvel, enquanto cuida de outras tarefas ou, até mesmo, opera outro veículo”, comenta Rob Zemenchik, gerente de marketing de produto global de Agricultura de Precisão (AFS) da Case IH.

 

 

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