
EDUARDO DEFILIPPI
No ano passado, um cenário de desafios e investimentos impulsionou a atuação da Terraverde no estado de São Paulo. O aspecto mais impactante foi a extensão da parceria com a John Deere, que de quem a distribuidora é parceira há 21 anos no mercado agrícola, passando a representar também a linha de construção da marca na região.
O movimento estratégico resultou na ampliação da atuação, com a criação da Terraverde Máquinas, uma divisão dedicada exclusivamente ao segmento de construção da fabricante norte-americana. Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o CEO do grupo, Eduardo Defilippi, destaca que a empresa teve um ano sólido, porém marcado por esforços de execução, disciplina operacional e fortalecimento de bases. “Compreendemos esse momento e atuamos com visão de longo pr


EDUARDO DEFILIPPI
No ano passado, um cenário de desafios e investimentos impulsionou a atuação da Terraverde no estado de São Paulo. O aspecto mais impactante foi a extensão da parceria com a John Deere, que de quem a distribuidora é parceira há 21 anos no mercado agrícola, passando a representar também a linha de construção da marca na região.
O movimento estratégico resultou na ampliação da atuação, com a criação da Terraverde Máquinas, uma divisão dedicada exclusivamente ao segmento de construção da fabricante norte-americana. Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o CEO do grupo, Eduardo Defilippi, destaca que a empresa teve um ano sólido, porém marcado por esforços de execução, disciplina operacional e fortalecimento de bases. “Compreendemos esse momento e atuamos com visão de longo prazo, o que nos preparou para um potencial ciclo de crescimento em 2026”, comenta.
Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), construiu uma sólida carreira no setor sucroenergético, atuando tanto em usinas quanto em multinacionais do agronegócio. Sua trajetória executiva inclui experiências internacionais e programas avançados de desenvolvimento de lideranças, experiências que consolidaram sua expertise em gestão, processos e governança.
O executivo ingressou no Grupo Terraverde em 2014, integrando-se aos negócios em um momento de transição e sucessão geracional da companhia. Inicialmente à frente da área comercial, Defilippi posteriormente migrou para a gerência-geral, conduzindo um processo de avanços estruturais, profissionalização e fortalecimento institucional na empresa.
Entre 2023 e 2025, presidiu a Associação Brasileira dos Concessionários John Deere (AssoDeere), contribuindo para o fortalecimento dos distribuidores da marca e ampliando a representatividade do setor no país. Atualmente, lidera o Grupo Terraverde em um processo de expansão acelerada, buscando consolidar a presença da companhia nos segmentos de máquinas agrícolas, construção e pavimentação, irrigação, seminovos e locação, com unidades distribuídas em 10 localidades. “Observa-se um processo de profissionalização dos segmentos de construção e de toda a cadeia ligada aos equipamentos de Linha Amarela”, diz ele. Acompanhe os principais trechos da entrevista.
Qual foi o desafio em assumir a representação da John Deere também na construção?
Desde abril de 2025, quando o grupo assumiu oficialmente a distribuição de produtos para construção da John Deere e de pavimentação da Wirtgen no estado, o desafio tem sido escalar rapidamente a estrutura de atendimento, unindo a nossa expertise no agro à complexidade técnica da Linha Amarela e da pavimentação. Com esse propósito, a Terraverde montou uma operação especializada e dedicada, com equipes técnicas, peças, logística e pós-venda, buscando garantir o padrão global dessas marcas.
Segundo Defilippi, atuação na construção exigiu escalar rapidamente a estrutura de atendimento da empresa.
Quais foram os esforços que isso exigiu da empresa e seus resultados?
Esse fortalecimento estrutural demanda treinamento intensivo, ampliação física e integração entre os negócios, o que naturalmente pressiona os processos internos. Mesmo diante desses desafios, no ano passado tivemos alguns marcos positivos, como a reativação de clientes estratégicos, a consolidação como principal dealer em vendas de consórcios e a estruturação das equipes comercial e técnica em todas as regiões do estado.
Como a empresa avalia os resultados desses mercados em 2025?
O mercado de Linha Amarela e de pavimentação viveu um ano de consolidação em 2025, após o ciclo de recuperação observado em 2024. Não foi um ano de crescimento acelerado em volume, mas de decisões mais criteriosas de compra, guiadas por produtividade, custo total de operação e confiabilidade dos equipamentos. A infraestrutura permaneceu como o principal vetor de sustentação do setor. Projetos rodoviários, obras urbanas e investimentos em logística mantiveram a demanda por equipamentos, ainda que em um ritmo mais equilibrado. Em síntese, 2025 foi um ano sólido, com execução, disciplina operacional e fortalecimento de bases. Compreendemos esse momento e atuamos com visão de longo prazo, o que nos preparou para um potencial ciclo de crescimento em 2026.
A propósito, quais são as projeções para este ano?
O cenário é otimista. Estudos do setor indicam que cerca de 66% das empresas projetam crescimento no mercado de máquinas, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados, o que aponta para uma expansão gradual e consistente. A Terraverde inicia o ano preparada para esse contexto, com equipe completa, processos estruturados e programas de treinamento e integração em fase final de consolidação, o que fortalece nossa capacidade operacional e amplia a eficiência no atendimento ao cliente.
Para o CEO, as operações de Linha Amarela são sensíveis à disponibilidade mecânica e agilidade no suporte.
Nesse sentido, qual é a estrutura atual da empresa no estado?
A Terraverde Máquinas conta com unidades em Araras, Bragança Paulista, Piracicaba, Casa Branca, Jaú, Lençóis Paulista, Mogi Mirim, Taubaté e São José do Rio Preto, além de equipes técnicas que ampliam a cobertura e permitem atendimento em todo o estado. Essa estrutura garante capilaridade tanto em vendas quanto em pós-venda, assegurando presença regional consistente e resposta rápida às demandas dos clientes. Estar fisicamente próxima das operações dos clientes permite entender melhor cada realidade, agir com agilidade e oferecer soluções mais precisas.
Em relação aos seminovos, o que tem impulsionado esse mercado?
O mercado de seminovos vem crescendo de forma mais estruturada, impulsionado por um público cada vez mais amplo e uma busca maior por soluções com melhor relação de custo-benefício. Paralelamente, observa-se um processo de profissionalização dos segmentos de construção e de toda a cadeia ligada aos equipamentos de Linha Amarela. Esse movimento é acompanhado por um aumento natural da concorrência, o que eleva o nível de exigência em relação à qualidade, procedência e rastreabilidade dos equipamentos.
Como essa concorrência crescente é saudável para o setor?
A maior mecanização da mão de obra, aliada à necessidade de ganhos de produtividade e controle operacional, tem ampliado a demanda por máquinas como porta de entrada para muitas operações, inclusive no mercado de seminovos. Nesse contexto, embora a concorrência seja maior, o crescimento da demanda cria espaço para diferentes players. O diferencial passa a estar na capacidade de oferecer equipamentos bem-selecionados, com histórico conhecido, rastreabilidade e condições comerciais adequadas. Mais do que um mercado saturado, o cenário aponta para um setor em expansão e mais profissional, no qual há espaço para quem entrega confiança, transparência e suporte ao cliente.
Como tem sido o desempenho da locação de máquinas agrícolas no país?
Está claro que 2025 foi um ano de consolidação, com crescimento dentro do esperado para o setor, que teve desempenho consistente tanto na venda de máquinas quanto no avanço do modelo de locação. No entanto, observo o fortalecimento da locação como pilar estratégico do setor de maquinário agrícola. Em muitos casos, a locação deixou de ser apenas uma solução pontual e passou a integrar o planejamento operacional das safras. Nesse contexto, a locação se mostrou vital para a dinâmica do setor.
Quais movimentos foram feitos para acompanhar essa evolução do rental?
O grupo consolidou sua atuação por meio da Terraverde Rental, uma operação dedicada a oferecer maquinários com alto nível de rastreabilidade, suporte técnico especializado e planos flexíveis, ajustados à realidade de cada produtor e janela operacional. Esse modelo permite que os clientes mantenham produtividade elevada, previsibilidade de custos e acesso contínuo à tecnologia, mesmo em um cenário de maior cautela nos investimentos.
Como o atendimento pós-venda se encaixa nessa proposta?
O pós-venda ocupa um papel central na estratégia e na operação. Desde o início, o foco da Terraverde sempre esteve na estruturação de uma rede técnica robusta, preparada para oferecer peças e serviços com padrão de fábrica, garantindo agilidade, confiabilidade e cobertura. Esse modelo, validado na prática, serve como base e referência para a atuação nos segmentos de Linha Amarela, cujas operações são igualmente ou até mais sensíveis à disponibilidade mecânica e à agilidade no suporte em campo.
Quais tendências de evolução tecnológica estão se consolidando no setor?
Na pavimentação, tornou-se evidente a influência de tendências globais como maior interesse por máquinas mais eficientes, conectadas e alinhadas a requisitos ambientais, especialmente entre grandes construtoras e locadoras. E essa busca por conectividade fortalece a presença das marcas distribuídas pela Terraverde Máquinas, que são líderes em tecnologia.
Como as soluções conectadas podem contribuir para a fidelização do cliente?
As soluções de tecnologia embarcada são fundamentais para extrair o máximo potencial operacional dos equipamentos. Nossos Centros de Soluções Conectadas oferecem monitoramento em tempo real, diagnósticos remotos e alertas preventivos sobre cada máquina, além do suporte de uma equipe de profissionais especializados. Diante de prazos reduzidos e cargas de trabalho crescentes, o acesso a essas informações é essencial para reduzir o tempo de máquina parada e, consequentemente, promover maior disponibilidade em campo.
Na sua visão, o Brasil está pronto para máquinas autônomas na Linha Amarela?
O país está em uma jornada acelerada e consistente rumo a esse cenário. Nos últimos anos, o setor de construção avançou significativamente na adoção de tecnologias digitais, com destaque para o uso cada vez mais difundido de telemetria de ponta, monitoramento remoto e gestão inteligente de frotas. Esse movimento é um passo fundamental para a evolução em direção à autonomia. A John Deere, que é referência em inovação, já disponibiliza equipamentos com telemetria embarcada e soluções conectadas, além de acesso remoto às informações operacionais. Essas ferramentas aumentam a eficiência, reduzem paradas não planejadas e criam uma base sólida de dados, que contribui para a evolução rumo às novas tecnologias.
O que pode destravar o mercado brasileiro nos próximos anos?
A queda dos juros e a maior oferta de crédito podem contribuir para o crescimento do mercado, assim como a expansão do PAC e das concessões de infraestrutura. Outro fator positivo é o interesse crescente por soluções tecnológicas em telemetria, automação e sustentabilidade. A profissionalização dos canteiros aumenta naturalmente a demanda por equipamentos com tecnologias embarcadas.

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