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Revista M&T - Ed.306 - Agosto de 2026
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ENTREVISTA – JERE PITKÄNEN

Estamos criando um mercado no Brasil

Diretor geral da Avant Tecno no país discorre sobre o momento do mercado brasileiro, destacando que a subsidiária cresce sobre uma base ainda em construção
Por Redação


Imagens: Avant Tecno


Buscando disseminar a utilização de soluções multifuncionais no país, a Avant Tecno do Brasil aposta em equipamentos capazes de gerar ganho real de produtividade nas operações de diferentes setores produtivos.

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o diretor geral da empresa no país, Jere Pitkänen, discorre sobre o momento do mercado brasileiro, destacando que a subsidiária – mesmo com presença ainda recente em solo brasileiro – cresce sobre uma base ainda em construção, o que traz um potencial relevante para o futuro.

Residente no Brasil há mais de 20 anos, o executivo da marca finlandesa é responsável pela implantação e pelo desenvolvimento da operação no país, liderando a expansão local da Avant Tecno com foco na estruturação da rede de distribuidores, fortalecimento



Imagens: Avant Tecno


Buscando disseminar a utilização de soluções multifuncionais no país, a Avant Tecno do Brasil aposta em equipamentos capazes de gerar ganho real de produtividade nas operações de diferentes setores produtivos.

Em entrevista exclusiva à Revista M&T, o diretor geral da empresa no país, Jere Pitkänen, discorre sobre o momento do mercado brasileiro, destacando que a subsidiária – mesmo com presença ainda recente em solo brasileiro – cresce sobre uma base ainda em construção, o que traz um potencial relevante para o futuro.

Residente no Brasil há mais de 20 anos, o executivo da marca finlandesa é responsável pela implantação e pelo desenvolvimento da operação no país, liderando a expansão local da Avant Tecno com foco na estruturação da rede de distribuidores, fortalecimento do pós-venda e desenvolvimento de novos segmentos de aplicação.

Com ampla experiência internacional em desenvolvimento de novos negócios e operações industriais, Pitkänen já atuou tanto no setor privado quanto na promoção de relações comerciais bilaterais entre Brasil e Finlândia, com passagem inclusive pela embaixada do país nórdico em solo nacional.

Graduado em Administração de Empresas e Comércio Exterior pela Universidade de Taubaté (Unitau), com pós-graduação em engenharia industrial pelo Uninter (Centro Universitário Internacional) e especialização em tecnologia pela Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), o executivo acumula sólida experiência profissional voltada à interface entre mercados internacionais e ao desenvolvimento de negócios na América Latina.

Combinando conhecimento técnico e visão estratégica de mercado, sua trajetória é marcada pela atuação em ambientes em crescimento e pela estruturação de operações em novos mercados.

“Mais do que vender equipamento, nosso foco é apresentar novas possibilidades de uso e ajudar o cliente a enxergar como uma única máquina pode assumir diferentes funções na operação”, ele comenta.

Acompanhe a seguir os principais trechos.

  • Qual é a estrutura atual e o foco da Avant Tecno no Brasil?

Hoje, a Avant Tecno do Brasil conta com uma estrutura completa em Jacareí (SP), preparada para suportar a operação no país. A empresa faz parte do Grupo Avant Tecno, fabricante finlandês com atuação global em carregadeiras compactas articuladas, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia e pela produção dos equipamentos. A unidade brasileira funciona como base para importação, distribuição, suporte técnico e treinamento da rede, além de ser um ponto estratégico para o desenvolvimento do mercado local.


A estrutura em Jacareí (SP) funciona como base para importação, distribuição, suporte técnico e treinamento da rede


  • Como avalia a operação brasileira em comparação às demais subsidiárias globais?

A operação brasileira ainda é relativamente nova dentro do grupo, mas apresenta uma característica importante, que é crescer sobre uma base ainda em construção, o que traz um potencial relevante. Enquanto mercados europeus já estão consolidados, o Brasil ainda está em fase de desenvolvimento nesse tipo de solução. Isso faz com que o crescimento seja menos estável, porém mais acelerado em termos relativos. Basicamente, estamos criando um mercado dentro do mercado. Além disso, é importante considerar que, ao trazer a operação para o Brasil, não estamos partindo de uma base zero em termos de produto.

  • A partir disso, como pretendem aumentar a presença no mercado brasileiro?

A nossa estratégia passa por um ponto central: o mercado ainda não conhece completamente o conceito da máquina. Assim, parte do nosso trabalho também passa por mostrar ao mercado brasileiro a consistência e o histórico da marca em outros países. A Avant ocupa posição de destaque em diversos mercados desenvolvidos dentro de seu segmento de atuação. Mais do que posicionamento, isso demonstra capacidade de investimento contínuo em desenvolvimento de produto e evolução tecnológica, o que é fundamental em um mercado onde o cliente busca previsibilidade e confiabilidade no longo prazo.


Segundo o executivo, o mercado brasileiro ainda não conhece inteiramente o conceito da máquina


  • E como é possível propagar esse diferencial conceitual do produto?

Mais do que vender equipamento, nosso foco é apresentar novas possibilidades de uso e ajudar o cliente a enxergar como uma única máquina pode assumir diferentes funções na operação. Isso envolve demonstrações práticas, presença em campo e desenvolvimento de distribuidores que realmente entendam o produto. Ao mesmo tempo, estamos construindo uma rede de forma estruturada, com foco em qualidade e não apenas em cobertura geográfica. Crescer rápido sem suporte técnico adequado é um erro comum no Brasil – e evitamos esse caminho.

  • Os produtos da empresa atendem diversas aplicações. Quais setores têm demonstrado maior demanda?

Um dos principais diferenciais da Avant é justamente não estar limitada a um único segmento. As máquinas, juntamente com a gama de mais de 200 tipos de implementos, atendem desde agricultura e construção até indústria, paisagismo e manutenção urbana. Na prática, trata-se de uma plataforma multifuncional, capaz de substituir diferentes equipamentos dentro de uma mesma operação. Esse conceito, que ainda está sendo assimilado pelo mercado brasileiro, é um dos principais fatores de mudança no setor.

  • Qual é a proposta em relação à revenda e assistência técnica para cobrir a vasta extensão territorial do Brasil?

No Brasil, o desafio logístico é evidente. Por isso, optamos por um modelo de crescimento controlado, com distribuidores preparados para atender suas regiões com qualidade. Mais importante que a venda é o pós-venda. Disponibilidade de peças, suporte técnico e treinamento são fatores críticos para a adoção do produto. Outro ponto relevante é que essa estrutura não é construída de forma isolada no Brasil. A Avant já opera globalmente com uma rede de distribuidores e suporte técnico em diversos países, o que permite replicar boas práticas de treinamento, disponibilidade de peças e atendimento ao cliente. Sem isso, a expansão não se sustenta.

  • Como o mercado brasileiro, tradicionalmente voltado ao diesel, tem recebido a introdução de máquinas elétricas?

O Brasil ainda é um mercado fortemente baseado em motores a diesel, e essa realidade não deve mudar no curto prazo. No entanto, a adoção de máquinas elétricas já está acontecendo de forma consistente em aplicações específicas, principalmente em ambientes onde há restrições de emissão, como indústrias, armazéns, operações internas e setores com exigências ambientais mais rigorosas. Diferentemente de outros segmentos, no caso das máquinas compactas o argumento não está centrado no custo operacional, uma vez que o consumo dessas máquinas já é naturalmente baixo. O principal fator de mudança passa a ser a viabilidade de operação em locais onde o uso de motores a combustão é limitado ou simplesmente não permitido. Nesse contexto, a eletrificação tende a avançar de forma gradual, puxada muito mais por restrições de uso do que por substituição direta baseada em custo.


Para Pitkänen, a principal fator de mudança é a viabilidade de operação em locais onde o uso de motores a combustão é limitado ou não permitido


  • Em que medida a autonomia das máquinas elétricas garante vantagem competitiva?

Na Europa, a Avant vem desenvolvendo e comercializando máquinas elétricas há anos, mas historicamente o principal limitador desse tipo de equipamento sempre foi a autonomia – especialmente em aplicações que exigem jornada completa. Essa barreira começou a ser superada com o desenvolvimento da tecnologia própria OptiTemp, baseada em baterias de íon-lítio, projetadas especificamente para as carregadeiras compactas da Avant. O diferencial não está apenas na química da bateria, mas no sistema de gerenciamento térmico.

  • Como funciona essa tecnologia?

As células são imersas em um líquido dentro da bateria, em um sistema de “immersion cooling”, que controla a temperatura de forma uniforme em toda a estrutura. Na prática, isso resolve um dos principais problemas das baterias convencionais, que é a variação de desempenho e desgaste em condições extremas. A bateria opera sempre na faixa ideal de temperatura, mesmo em ambientes muito quentes ou frios, além de contar com pré-aquecimento automático e proteção contra superaquecimento. O resultado é uma combinação de maior densidade de energia, segurança e durabilidade, permitindo cobrir uma jornada diária completa, algo que até pouco tempo atrás era um gargalo real nesse tipo de equipamento.

  • E quais são os avanços mais recentes na recarga de elétricos?

Um avanço relevante é o desenvolvimento de soluções complementares como o OptiTemp Cube, que funciona como um powerbank móvel de alta capacidade. Essa unidade permite recarregar as máquinas – e outros equipamentos elétricos – diretamente em campo, sem depender de infraestrutura de rede elétrica. Isso muda a lógica de operação. Em vez de depender de retorno à base para recarga, é possível manter a máquina em atividade contínua mesmo em áreas remotas, como obras, mineração leve, florestas ou eventos temporários.


Soluções complementares como o OptiTemp Cube funcionam como um powerbank móvel de alta capacidade, diz Pitkänen


  • Como a empresa “educa” o mercado sobre a possibilidade de uma única máquina realizar diferentes tarefas?

Talvez esse seja o nosso maior desafio hoje. O conceito de uma máquina que substitui várias ainda não é intuitivo para muitos clientes. Por isso, o trabalho passa por demonstração prática e casos reais. Quando o cliente vê a aplicação, a mudança de percepção acontece de forma natural.

  • Quais são as principais tendências tecnológicas e de mercado desse segmento?

O setor passa por uma transição relevante, alinhada a movimentos globais, como a digitalização, a eletrificação e, principalmente, a busca por maior eficiência operacional. No Brasil, essa evolução vem acontecendo de forma consistente, acompanhando tendências já observadas em outros mercados ao longo dos últimos anos. Mas é importante destacar que aqui existem fatores específicos que aceleram essa transformação. Um dos principais é a disponibilidade de mão de obra. Cada vez mais, clientes relatam dificuldades em encontrar operadores e equipes para executar atividades operacionais no dia a dia. Esse cenário acaba direcionando naturalmente o investimento em mecanização. Nesse contexto, a busca não é apenas por máquinas maiores, mas por equipamentos mais versáteis, que consigam executar diferentes funções com menos pessoas e maior produtividade.


Saiba mais:
Avant Tecno do Brasil: avanttecno.com/br

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