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Revista M&T - Ed.304 - Junho de 2026
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AGRISHOW 2026

A vitrine do agronegócio brasileiro

Por Melina Fogaça
Foto:DIVULGAÇÃO

Principal mostra agrícola do país reúne soluções que prometem facilitar a vida do produtor, agregando produtividade e eficiência à lavoura, além de sustentabilidade

Promovida em um cenário paradoxal, que mescla safras recordes e desaceleração no crescimento do PIB agropecuário, a 31ª edição da Agrishow, realizada em Ribeirão Preto (SP) de 27 de abril a 1º de maio, trouxe resultados relevantes para o setor, movimentando R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios. Esse montante, no entanto, é 22% menor que o da edição do ano passado.

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/Abimaq), os números refletem a situação do mercado


Foto:DIVULGAÇÃO

Principal mostra agrícola do país reúne soluções que prometem facilitar a vida do produtor, agregando produtividade e eficiência à lavoura, além de sustentabilidade

Promovida em um cenário paradoxal, que mescla safras recordes e desaceleração no crescimento do PIB agropecuário, a 31ª edição da Agrishow, realizada em Ribeirão Preto (SP) de 27 de abril a 1º de maio, trouxe resultados relevantes para o setor, movimentando R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios. Esse montante, no entanto, é 22% menor que o da edição do ano passado.

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/Abimaq), os números refletem a situação do mercado interno, que no 1º trimestre registrou queda de quase 20% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas na comparação com o mesmo período do ano passado. “A alta taxa de juros, a variação cambial e, por fim, os preços desfavoráveis das commodities resultaram nesse cenário”, afirmou Estevão.

Anunciados na feira, programas preveem redução dos juros na compra de máquinas agrícolas. Foto:DIVULGAÇÃO

Para tentar garantir o investimento em máquinas agrícolas, foram anunciados programas de financiamento com a promessa de reduzir os juros pagos pelos agricultores. Iniciativa do Governo Federal, o “Move Agrícola” prevê a liberação de R$ 10 bilhões, com taxa de “um dígito” – o percentual não foi especificado. Os recursos serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com instituições financeiras.

No âmbito estadual, o governo de São Paulo anunciou um pacote de R$ 455 milhões em investimentos e medidas para o agronegócio paulista. Os recursos incluem a ampliação do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), com linhas de financiamento para produção, investimento e seguro rural, além de modalidades como o Feap Mulher e o programa Pró-Trator. De acordo com o governo, R$ 400 milhões serão destinados à ampliação do crédito rural, à expansão do seguro agrícola e à regularização fundiária. Outros R$ 55 milhões contemplarão a entrega de máquinas agrícolas.

Mesmo em um contexto econômico instável, a Agrishow 2026 obteve um resultado positivo de público, registrando a presença de 197 mil visitantes durante os cinco dias de realização, volume semelhante ao registrado na edição anterior, em 2025. Em mais de 520 mil m² de área expositiva, cerca de 800 marcas mostraram o resultado de seus recentes investimentos em tecnologia, exibindo soluções de mecanização, IA e conectividade, além de maquinários de diversos portes, visando atender tanto ao pequeno quanto ao médio e grande produtor em todas as etapas do processo produtivo. Confira a seguir alguns destaques.

AGRÍCOLAS

A CASE IH apresentou na feira um ecossistema integrado de produtos, soluções digitais e serviços. Segundo Leandro Conde, diretor de marketing de varejo para a América Latina, o enfoque para garantir alta performance no campo não é mais apenas o produto, mas também a tecnologia embarcada. “O produtor precisa produzir mais e, para manter o negócio sustentável, a tecnologia deixa de ser opcional, tornando-se parte integrante da máquina”, disse.

A nova Austoft 9000 Model Year 2026, destaque da Case IH na Agrishow 2026. Foto:CASE IH

Essa proposta, afirmou, envolve soluções de conectividade capazes de administrar as informações geradas pela máquina, como o sistema de monitoramento FieldOps, por meio do qual o produtor consegue – segundo Conde – “gerir as imensas quantidades de informação fornecidas durante a operação”.

Em relação aos maquinários, a empresa exibiu na Agrishow a nova Austoft 9000 Model Year 2026. Disponível em três modelos, com motor Cursor 11 de 420 cv, conectividade embarcada de fábrica e Controle Inteligente de Alimentação, a colheitadeira ganhou atualizações importantes para oferecer mais performance e confiabilidade operacional. “Para nós, a Agrishow é a principal feira na América Latina, pois é nela que apresentamos o que há de mais tecnológico e vanguardista tanto para o agro de agora quanto do futuro”, comentou Paulo Arabian, vice-presidente de vendas da CNH para a América Latina.

Seguindo a linha de no porte e potência de seus produtos, a FENDT exibiu novidades como as novas séries de tratores 1000 Vario Gen4, além de inovações da plantadeira Momentum 30 e 40 linhas, dentre outros produtos. Segundo Marcelo Traldi, gerente-geral da AGCO na América Latina, uma das principais atrações no evento foi a 5ª geração do trator 800 Vario, “completamente renovada, com foco em produtividade”.

A Fendt exibiu no evento a 5ª geração do trator 800 Vario com projeto atualizado. Foto:FENDT

Desenvolvido para médias e grandes propriedades, o novo modelo conta com tecnologias inéditas na série, como sistema VarioDrive, conceito de baixa rotação Fendt iD e filtro de ar autolimpante. A linha chega ao mercado com duas versões, incluindo os modelos Fendt 829 e 832 Vario, que entregam potência de 290 a 320 cv fornecida pelo motor Core80, de 8 litros, desenvolvido pela AGCO Power especialmente para o projeto. “A nova geração de tratores, disponibilizada em dois níveis de potência, é a conexão ideal para atuação com a plantadeira Momentum”, complementa Traldi. “Pensamos na interação do agricultor, tanto no preparo quanto no plantio.”

A JOHN DEERE apresentou equipamentos para todo o ciclo agrícola, como os novos tratores de alta potência da série 8R, assim como as plantadeiras 3100FT e DB transportável, além de pulverizadores e distribuidores da série 400R. O portfólio também conta com soluções para propriedades de menor porte, como a linha de tratores 5M, o trator 3041E e os pulverizadores 1025E, além da colheitadeira S4.

Nova geração de colhedoras de cana CH7 e CH9 é a aposta da John Deere em biocombustíveis. Foto:JOHN DEERE

Já a nova plataforma de milho CR, de acordo com Valério Wagner, diretor de marketing da John Deere para a América Latina, busca atender ao avanço dos biocombustíveis no país. Fabricada em Horizontina (RS), a plataforma foi desenvolvida para acompanhar a expansão do etanol, “ampliando a eficiência na colheita, automatizando ajustes em tempo real e melhorando o fluxo de alimentação das máquinas”.

Atualizadas, as colheitadeiras CH7 e CH9 chegam ao mercado com foco em produtividade e redução de custos operacionais, trazendo avanços em limpeza, consumo de combustível, tecnologia embarcada e conforto ao operador. “Essas máquinas foram projetadas para otimizar a qualidade da colheita, a eficiência no uso dos recursos e a rentabilidade por tonelada produzida”, comentou Wagner. “Para isso, trazem um novo sistema de limpeza que reduz em até 20% as impurezas vegetais sem aumentar as perdas.”

Atração da Massey Ferguson, o trator MF 6M sai defábrica com tecnologias como piloto automático e conectividade. Foto:MASSEY FERGUSON

O modelo CH7, especificamente, promete economia de até 10% no consumo de combustível, reduzindo o custo operacional de forma imediata. “Quando analisamos esses fatores, o impacto aparece com muita clareza”, ressaltou o executivo. “Afinal, isso representa mais eficiência na colheita, melhor aproveitamento da matéria-prima e maior controle sobre os resultados dos produtores.”

TECNOLOGIAS

A ampliação do acesso à agricultura de precisão foi principal destaque da MASSEY FERGUSON no evento, materializado com os tratores das séries MF 5M e MF 6M, modelos de menor potência que agora podem sair de fábrica com tecnologias como piloto automático e conectividade. “O objetivo é levar mais eficiência operacional para pequenos e médios produtores, contribuindo para redução de custos e maior previsibilidade nas operações”, disse Luis Felli, líder global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO no Brasil.

Além disso, a fabricante destacou a chegada da nova colheitadeira Gleaner ao mercado brasileiro, com uma proposta baseada em simplificação mecânica e versatilidade para diferentes sistemas produtivos. Produzida na cidade de Hesston, nos EUA, a colheitadeira traz diferenciais como capacidade de atuar em diferentes culturas com alta eficiência, sem a necessidade de trocas complexas de configuração.

Desenvolvida para sistemas multiculturas, a colheitadeira permite ao produtor alternar entre culturas com mais agilidade, reduzindo o tempo de máquina parada. “Começamos a trazer os equipamentos no 3º trimestre de 2025, em um trabalho bem próximo ao cliente, com o objetivo de ampliar a presença desse maquinário em território nacional”, complementou Felli.

Em uma mostra composta por soluções digitais e maquinários, a NEW HOLLAND levou ao evento uma nova gama de tratores, que amplia as opções voltadas para produtores de todos os portes. Entre os destaques, o estande exibiu os novos modelos T8 e T7.300 Auto Command CVT e a nova família T5 e T6.140, além do trator T6.180 Methane Power, o primeiro movido a biometano do mundo, já disponível comercialmente no Brasil.

No estande da New Holland, o modelo T8 se destacou com sistemas de telemetria e piloto automático. Foto:NEW HOLLAND

O modelo T8, como ressaltou o diretor de produto e portfólio da New Holland para a América Latina, Flávio Mazetto, é um trator 100% conectado, com telemetria gratuita e vitalícia, sistema Isobus e piloto automático, que promete “monitoramento em tempo real e controle total para a tomada de decisões mais assertivas”. Outro produto destacado por Mazetto foi o trator T5, que completa a linha de baixa potência com os modelos T5.100 e T5.110. “O T5 passa a ser um produto comercial a partir da Agrishow”, explicou o diretor. “Na verdade, esse equipamento já atende demandas do segmento de 100 a 110 cv.”

A nacionalização da linha de plataformas de corte Draper FD2 by MacDon também foi destacada no estande, com ênfase em seu papel fundamental para se obter uma colheita mais eficiente. “Fizemos um investimento de R$ 100 milhões na planta de Curitiba, praticamente reformulando a fábrica, que passará a fabricar plataformas de 25, 50 e 61 pés para toda a América Latina”, revelou Eduardo Kerbauy, vice-presidente de marketing da CNH para a América Latina.

As plataformas são indicadas para as principais culturas de grãos do país, como soja, trigo, feijão e sorgo, trazendo diferenciais como chassi articulado com sistema de flexão em três seções, ângulo de ataque ajustável e velocidade regulável de esteira. “As plataformas de corte também atenderão aos maquinários da Case IH”, ressaltou a empresa.

Na linha de tratores, a VALTRA mostrou a nova série M5, uma evolução da tradicional família BH, representada pelos modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para alavancar a produtividade em lavouras de grãos e arroz, mas também capaz de atender outras culturas. “O trator BH tem uma história representativa, caminhando lado a lado com o segmento canavieiro”, comentou Claudio Esteves, diretor comercial da Valtra.

Inovação de IA exibida pela Valtra transforma máquinas agrícolas em assistentes interativos. Foto:VALTRA

Segundo ele, com a atual reformulação, a família BH – lançada no ano 2000 – chegou a seu ápice tecnológico. “Hoje, entregamos um trator que honra a história de força das gerações anteriores da linha BH, mas que também olha para o futuro com maior inteligência operacional e conforto”, sublinhou.

Além de tratores, a Valtra apresentou ainda a mais nova versão da plantadeira Momentum, com modelos de 30 e 40 linhas, além de destacar o uso crescente de IA para aumentar a eficiência no agronegócio, com o sistema Talking Tractor, apresentado pela primeira vez no Brasil. Segundo Marcelo Traldi, vice-presidente Valtra, a inovação de IA consiste na transformação das máquinas agrícolas em assistentes interativos.

Por meio de comandos de voz e texto, entre várias interações possíveis, o produtor rural pode perguntar à máquina sobre métricas de desempenho, economia de combustível ou emissões de carbono, recebendo insights imediatos para melhorar a gestão financeira e operacional da fazenda. “A inteligência artificial trabalha em conjunto com o produtor, visando entregar a melhor experiência e produtividade, ajudando o cliente a tomar a melhor decisão”, salientou.

LINHA AMARELA

Em mais uma participação na Agrishow, a CATERPILLAR exibiu um amplo portfólio de produtos voltado para o agro, com destaque para a recém-lançada motoniveladora Cat 140 de nova geração. Segundo Artur Bullio, diretor de vendas da marca para a América Latina, “a máquina tem se destacado pela robustez e versatilidade operacional”.

A motoniveladora 140 conta com configuração Cat Grade 3D, sistema de controle de nivelamento que permite realizar o trabalho com mais precisão, eficiência e produtividade. “Uma das novidades do modelo é a configuração com a tradicional cabine quadrada de alavancas, mas agora maior, mais envidraçada, confortável e totalmente adaptada para as tecnologias mais modernas, proporcionando melhor visibilidade durante a operação”, descreveu.

Outro destaque da marca foi a apresentação da miniescavadeira Cat 307, que conta com projeto padrão de lança fixa e traseira, prometendo alto desempenho e baixo consumo de combustível. “A versatilidade desses equipamentos ajuda o produtor rural em suas operações mais essenciais, como nivelamento para plantio, manutenção de curvas de nível e abertura de canais de irrigação”, assinalou Bullio. “Ou seja, operações fundamentais para o agricultor que são realizadas com equipamentos de Linha Amarela.”

Destaque da Caterpillar, a motoniveladora 140 conta com o sistema de controle de nivelamento Cat Grade 3D. Foto:CATERPILLAR

Para a JCB, os equipamentos de construção já são presença constante na Agrishow, refletindo seu papel essencial nas atividades de rotina em propriedades rurais. Segundo Adriano Merigli, presidente da marca na América Latina, o agronegócio já representa 15% dos negócios da fabricante, seguindo a tendência do mercado. “Para nós, o agro é mais que um segmento, pois faz parte da origem da fabricante e, por isso, recebe atenção prioritária na estratégia”, atestou.

Estrela da JCB na feira, a carregadeira 437ZX AGRI vêm se consolidando no campo. Foto:JCB

Segundo Rafael Cardoso, diretor comercial da JCB para o agronegócio na América Latina, o agro brasileiro vem intensificando investimentos em infraestrutura, com as escavadeiras, por exemplo, registrando crescimento de vendas de 200% no 1º bimestre de 2026, triplicando o volume da marca em relação ao ano passado. “A carregadeira 437ZX AGRI se consolidou como uma solução de alta performance para movimentação de carga pesada no campo”, exemplificou o executivo da JCB, que durante o evento entregou 36 retroescavadeiras 3CX e 167 manipuladores Loadall 530/70 à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. “É a primeira vez que esse modelo de manipulador é comercializado via processo licitatório”, destacou Merigli.

A KOMATSU, por sua vez, aproveitou a vitrine da Agrishow para fazer o pré-lançamento da carregadeira de rodas WA320-8M1 Sugarcane Application, com peso operacional de 15 toneladas, motor de 170 hp e sistema de transmissão hidrostática. Segundo a fabricante, a versão é voltada especialmente para o agronegócio, reforçando o avanço das máquinas da Linha Amarela em operações no campo.

A Komatsu realizou o pré-lançamento da carregadeira WA320-8M1 Sugarcane Application. Foto:KOMATSU

Como explicou Welington Mitsuda, diretor de vendas da Komatsu, o modelo chega ao mercado com configuração específica para o segmento, incluindo caçamba de 6 m³, pneus agrícolas, hélice reversível e pré-filtro de ar ciclone, itens relevantes para ambientes com alta concentração de poeira e materiais suspensos. “Desenvolvida para aplicações como movimentação de bagaço de cana, biomassa, grãos e insumos, essa máquina também atende operações em armazéns, pátios agrícolas e preparo de solo, atividades que vêm ganhando relevância na rotina das propriedades rurais”, afirmou.

De acordo com o executivo, a presença desse tipo de máquina já é comum em operações do setor sucroenergético, nas quais as carregadeiras são utilizadas na movimentação de bagaço e no preparo de áreas. “Em rotinas com alta intensidade de uso, fatores como capacidade de carga, agilidade nos ciclos e disponibilidade impactam diretamente o andamento das atividades”, destacou Mitsuda.

Saiba mais:
Agrishow: www.agrishow.com.br


Sustentabilidade impulsiona combustíveis alternativos

Conceito inédito da carregadeira a etanol 721E reforçaa estratégia de inovação e sustentabilidade da Case CE. Foto:CASE CE

No que se refere à motorização, a maioria das fabricantes de máquinas agrícolas vem apostando em propostas capazes de reduzir a emissão de poluentes e que, simultaneamente, sejam uma alternativa para a alta de custos dos combustíveis, em especial derivados de petróleo. Os motores a etanol apresentados na Agrishow 2026, por exemplo, alguns ainda protótipos, podem ser utilizados em diferentes maquinários, tanto da Linha Verde quanto da Amarela.

De acordo com as empresas do GRUPO CNH, a escolha desse combustível se deve especialmente à vocação do país para a produção da cana, além do aumento de produção de etanol a partir do milho. A Case IH, por exemplo, mostrou os avanços das suas máquinas agrícolas movidas a etanol, com destaque para o início de testes em campo da colhedora de uma linha Austoft 9000, além da fase de validação do trator Puma 230 a etanol, prevista para o 2º semestre em uma usina de etanol de milho.

Já no segmento de construção, a Case CE divulgou o conceito da carregadeira 721E movida a etanol, ainda em fase de testes, sem previsão de comercialização. Iniciado em 2024, o projeto com etanol começou com o motor Cursor 13 Etanol da FPT Industrial, com 12,9 litros e seis cilindros, representando uma alternativa de baixo impacto ambiental para operações mecanizadas no campo. Atualmente, a oferta de soluções de descarbonização das marcas do Grupo CNH para o campo também é sustentada pela Case IH com o motor N67 Etanol.

Por sua vez, as empresas do GRUPO AGCO apresentaram o motor AGCO Power movido a etanol. De acordo com Breno Cavalcanti, diretor de marketing da Massey Ferguson, o motor foi concebido integralmente com engenharia brasileira, resultado de três anos de desenvolvimento, desde a concepção até a validação. “A solução foi amplamente testada em culturas de cana-de-açúcar e grãos por uma equipe de engenharia em parceria com usinas, produtores rurais e concessionários”, explicou Cavalcanti, antecipando que a tecnologia a etanol deve chegar ao mercado em 2028. “Do ponto de vista técnico, o motor garante performance semelhante ao diesel e atende à potência entre 200 cv e 300 cv para combustíveis alternativos.”

Na Valtra, os motores foram desenvolvidos e testados na nova plataforma de tratores M5, que substitui a linha BH. “Foram mais de 10.000 horas de testes rigorosos em produtores e clientes, fazendo todo o processo de entendimento da performance e do comportamento do motor”, conta Marcelo Traldi, vice-presidente das marcas Valtra e Fendt. “Estamos no processo de validação e aperfeiçoamento que, neste momento, consiste em alguns ajustes que visam melhorar a potência.”


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