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10 de setembro de 2021
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Geração de Energia

Eficiência nos picos de demanda

Sob o risco de apagão e ainda em meio aos abalos da pandemia, demanda de geradores no país pende para o lado de conjuntos de equipamentos conectados em paralelo
Por Antonio Santomauro

À primeira vista, a iminência de uma crise no abastecimento de energia poderia significar um boom na demanda por grupos geradores, com os quais as empresas poderiam tanto abastecer-se desse insumo vital em caso de interrupção da oferta pela rede pública, quanto otimizar seus custos, usando esses equipamentos como alternativas de geração nos horários em que a energia é mais cara.

Ao menos por enquanto, todavia, a demanda parece evoluir em ritmo ainda inferior ao que se poderia imaginar, considerando-se a extensão do risco relacionado à crise, do qual não estão excluídas hipóteses como racionamento e apagões. Mas não é por falta de opções tecnológicas no mercado.

No Brasil, a demanda atual parece pender para o lado de conjuntos de equipamentos conectados em paralelo, em detrimento da opção por um único grupo gerador de maior capacidade (ou “grupo gerador singelo”, como diz o jargão dessa indústria). Especialmente quando há a necessidade de oferta de um patamar mínimo de energia, pois o limite máximo de capacidade dos equipamentos produzidos no mercado nacional é de cerca de 750 ou 800 kVA.

ANÁLISE

Obviamente, antes da escolha por uma ou outra dessas opções alguns fatores devem ser considerados. Para o diretor da unidade de negócios de motores e geradores da MWM, Cristian Malevic, a lista começa pelo espaço físico total disponível para a instalação, passa pela instalação em si (permanente ou temporária) até chegar à análise da necessidade de carga constante ou variável. Além, é claro, dos custos. “Também é importante considerar a redundância necessária em operações críticas – em hospitais, por exemplo –, onde grupos geradores menores em paralelo podem significar maior disponibilidade no caso de falha do equipamento”, ressalta Malevic.

Geralmente, ele observa, um gerador singelo de grande porte é mais eficiente quando a carga é constante ou pouco variável. Como o dimen


À primeira vista, a iminência de uma crise no abastecimento de energia poderia significar um boom na demanda por grupos geradores, com os quais as empresas poderiam tanto abastecer-se desse insumo vital em caso de interrupção da oferta pela rede pública, quanto otimizar seus custos, usando esses equipamentos como alternativas de geração nos horários em que a energia é mais cara.

Ao menos por enquanto, todavia, a demanda parece evoluir em ritmo ainda inferior ao que se poderia imaginar, considerando-se a extensão do risco relacionado à crise, do qual não estão excluídas hipóteses como racionamento e apagões. Mas não é por falta de opções tecnológicas no mercado.

No Brasil, a demanda atual parece pender para o lado de conjuntos de equipamentos conectados em paralelo, em detrimento da opção por um único grupo gerador de maior capacidade (ou “grupo gerador singelo”, como diz o jargão dessa indústria). Especialmente quando há a necessidade de oferta de um patamar mínimo de energia, pois o limite máximo de capacidade dos equipamentos produzidos no mercado nacional é de cerca de 750 ou 800 kVA.

ANÁLISE

Obviamente, antes da escolha por uma ou outra dessas opções alguns fatores devem ser considerados. Para o diretor da unidade de negócios de motores e geradores da MWM, Cristian Malevic, a lista começa pelo espaço físico total disponível para a instalação, passa pela instalação em si (permanente ou temporária) até chegar à análise da necessidade de carga constante ou variável. Além, é claro, dos custos. “Também é importante considerar a redundância necessária em operações críticas – em hospitais, por exemplo –, onde grupos geradores menores em paralelo podem significar maior disponibilidade no caso de falha do equipamento”, ressalta Malevic.

Geralmente, ele observa, um gerador singelo de grande porte é mais eficiente quando a carga é constante ou pouco variável. Como o dimensionamento considera o pico da demanda, essa eficiência cai bastante se a carga variar ao longo do tempo, pois motores de grande porte são menos eficientes quando operam em carga parcial.

“Nesse caso, grupos geradores em paralelo proporcionam ganho significativo de eficiência, pois somente operam os equipamentos necessários para gerar a energia elétrica suficiente para a carga do momento”, explica o profissional da MWM, empresa que produz geradores a diesel (com capacidade entre 12,5 e 1.250 kVA) e a gás (na faixa entre 60 e 450 kVA).

Na análise específica dos custos, um fator bastante desfavorável à opção por um único equipamento – ao menos no Brasil – é a ausência de produção local de modelos de maior capacidade, que são necessariamente importados, com preços impactados por fatores como câmbio, fretes e taxas de importação, entre outros.

Indústria local ainda não produz modelos de maior capacidade, acima de 750 kVA

Como relata Eric Tomin, gerente de produto para a linha de geradores, torres de iluminação e bombas da Atlas Copco, ainda não são produzidos motores com capacidade superior a 550 kVA para os equipamentos do segmento. “Até existem geradores maiores nacionalizados – de 750 kVA –, mas com motor importado”, ele ressalta. “Assim, não atendem aos índices de nacionalização das linhas oficiais de crédito e têm seus custos e pós-venda atrelados às moedas internacionais.”

Tudo isso favorece à opção pelos conjuntos em paralelo. Insumos como filtros de ar, combustível e óleo, destaca Tomin, também são mais caros no caso de geradores maiores. “Mesmo somando-se dois geradores conectados em paralelo, consegue-se reduzir o custo com esses insumos em até 40%, comparativamente a um único gerador com a mesma capacidade”, dimensiona.

Comparativamente a um equipamento único com a mesma capacidade, prossegue Tomin, os geradores em paralelo são “mais versáteis” no consumo, pois os motores diesel atingem eficiência máxima quando operam na faixa entre 70-75% de sua capacidade, sendo menos eficientes em patamares superiores, mesmo quando fornecem cargas constantes. “O único fator que justifica a escolha por um gerador único é o espaço: se houver espaço para um conjunto em paralelo, não há porque não optar”, diz Tomin. “Mesmo essa questão vem perdendo relevância, com novos equipamentos como o QAC1100 TwinPower, composto por dois geradores de 550 kVA em paralelo e que cabe no mesmo contêiner ocupado por um gerador único de 1.100 kVA”, complementa.

PREDOMÍNIO

A atual predominância dos grupos geradores conectados em paralelo é reiterada por Felipe Bighetti, gerente comercial da Himoinsa, que mantém uma fábrica em Betim (MG), onde produz geradores nas faixas de 22 a 800 kVA (globalmente, o portfólio vai de 3 a 3.000 kVA).

Com capacidade idêntica, geradores em paralelo cabem no mesmo contêiner que um singelo

Segundo ele, mesmo empresas que anteriormente trabalhavam com um grupo gerador único – por exemplo, no setor alimentício ou em datacenters – hoje destinam mais recursos para os grupos em paralelo. “E não apenas pelo custo, mas pela questão da segurança e da necessidade de manter continuamente as operações”, pondera Bhigetti.

No Brasil, exemplifica o profissional, duas máquinas de 500 kVA produzidas localmente custam a metade do valor necessário à importação de um único gerador com a mesma capacidade. O custo de manutenção desse conjunto de dois geradores também é inferior, não apenas pela maior disponibilidade de peças de reposição, mas ainda pela maior oferta de mão de obra capacitada.

“Mesmo com custo de operação um pouco superior, especialmente nas capacidades acima de 800 kVA, a opção das máquinas em paralelo é geralmente a mais vantajosa, sendo a mais buscada atualmente no mercado brasileiro”, destaca.

Embora qualifique como “raras” as aplicações nas quais não seja possível utilizar equipamentos conectados em paralelo (ademais obrigatórios no caso de demandas superiores à capacidade de um único grupo, como acontece em usinas), Malevic também visualiza a possibilidade de ampliação do interesse pelos grupos geradores singelos, ao menos momentânea.

“A crise energética incentivará o uso como substitutos da rede nos horários de pico”, justifica. “E isso deve estimular a demanda por grandes geradores singelos, capazes de suprir toda a demanda de uma empresa.”

DEMANDA

Atentos à possibilidade de problemas no abastecimento de energia, alguns segmentos de mercado já incrementam suas compras de grupos geradores. Porém, de acordo com Malevic, ainda não em volumes proporcionais à dimensão do risco de ruptura no fornecimento energético ou do movimento de aumento das tarifas.

Empresários brasileiros estão mais atentos à necessidade de back-up de energia

Além do risco de apagão, ele cita outros motivos que devem estimular as empresas a programar com antecipação a compra de geradores. “Paralelamente à crise hídrica, a cadeia de fornecimento de peças para motores e grupos geradores passa por um momento de restrição de material”, lembra o profissional da MWM.

Independentemente da possibilidade de crise, já há algum tempo se estabeleceu uma demanda mais constante por geradores capazes de fornecer energia no caso de falta desse insumo, diz Bighetti, da Himoinsa. “A mentalidade dos empresários mudou muito, pois estão muito mais atentos à necessidade de manter um back-up de energia”, diz.

O que também vem se expandindo, prossegue Bighetti, é a procura por equipamentos que possam ser utilizados nos horários de pico de consumo – entre o final de tarde e o início da noite –, quando os custos da energia proveniente da rede são mais elevados. “Esse tipo de demanda já esteve forte há uns cinco ou seis anos, depois arrefeceu”, ele relata, destacando que a quantidade de consultas – e de vendas – para a aquisição de geradores cresceu significativamente nos últimos meses. “Com o encarecimento do preço da energia e mesmo a possibilidade de apagão, a demanda aqueceu-se novamente.”

Mas o encarecimento do preço da energia não deve estimular a demanda por geradores necessariamente, ressalva Tomin, da Atlas Copco, pelo menos não de maneira uniforme. “O preço do diesel também está bastante elevado e a conta precisa ser feita região a região”, pondera. “No Sudeste, por exemplo, talvez ainda compense mais usar a energia elétrica mesmo no horário de pico”, comenta Tomin. “Já no Nordeste, onde o preço da energia elétrica é bem maior, o gerador pode ser mais interessante.”

RUÍDO

Há ainda uma questão de tecnologia a considerar que transcende o fornecimento de energia. Especialmente em ambientes abertos, ainda são comuns no Brasil grupos geradores sem qualquer tipo de sistema para reduzir seus níveis de emissão de ruídos. Porém, o mercado já conta com modelos dotados de tecnologias destinadas a minimizar o problema.

De acordo com Tomin, essas soluções podem ser agrupadas em três categorias. Nesse rol, os geradores ‘silenciados’ podem emitir um máximo de 85 dB de ruídos a um raio de 1 m de distância, sendo utilizados em locais como indústrias, construção civil, postos de gasolina e outros. Já nos geradores do tipo ‘hospitalar’, a emissão máxima baixa para 75 dB no mesmo raio.

Por fim, o terceiro tipo (‘residencial’) traz proteção acústica para atender aos limites das legislações referentes a ruídos em áreas urbanas. “Há quem se refira a esse tipo de gerador como hiper silenciado, pois emite no máximo 65 dB a 1 m”, destaca Tomin. “Mas a única opção de prateleira são os silenciados, pois os demais são construídos para demandas específicas”, esclarece o especialista.

Segundo Malevic, a principal referência para o assunto está nas normas internacionais ISO 9614-1 – nível de potência sonora – e ANSI S1.13-1971 – níveis de pressão sonora. “Cada tipo de aplicação e demanda exige diferentes configurações de isolamento acústico”, ele ressalta.

Na Himoinsa, Bighetti relata que a linha de geradores insonorizados é composta inteiramente por equipamentos do tipo super silenciados: “No caso de capacidade até 500 kVA, os equipamentos emitem no máximo 68 dB a 7 m”, afirma. “Acima dessa capacidade, esse nível sobe para 73 dB a 7 m.”

Pandemia acelerou consumo mais que a ameaça de crise

A perspectiva de crise energética ainda não impactou significativamente a demanda por geradores da Yanmar, cujo portfólio é composto por modelos com capacidades entre 4 e 75 kVA. “A demanda deve aumentar à medida que a possibilidade de crise no fornecimento de energia fique mais evidente”, projeta Sergio Luiz Scarton, supervisor de vendas da empresa.

Impulsionados pela pandemia, home office e delivery aquecem a demanda de geradores

Se a perspectiva de crise no abastecimento ainda não ampliou a procura pelos geradores da Yanmar, a demanda iniciou uma trajetória ascendente após o início da pandemia.

“Talvez isso tenha ocorrido por conta do home office – quem passou a trabalhar em casa tende a preocupar-se mais com a energia no domicílio – e dos estabelecimentos de varejo, que passaram a vender mais por delivery”, pondera Scarton, destacando a tendência de locação de geradores residenciais (para casas fora de condomínios) e para comércios.

MWM lança grupos geradores com motorização eletrônica

A empresa, que recentemente duplicou a capacidade produtiva na fábrica de Santo Amaro (SP), reforça a oferta de grupos geradores compactos com modelos de 200 kVA em 60 Hz e 175 kVA em 50 Hz.

Equipados com motorização eletrônica de quatro cilindros, os equipamentos prometem menor tempo de partida e menos ruído no motor, além de trazerem sistema de proteção para temperaturas e pressão de óleo integrado ao motor.

Grupos geradores de 200 kVA em 60 Hz e 175 kVA em 50 Hz ampliam oferta no país

“Os novos grupos geradores ampliam o portfólio da empresa, que é caracterizado por produtos compactos, com avançada tecnologia aplicada tanto nos grupos geradores, como na linha exclusiva de motores para geração de energia, garantindo aos clientes segurança energética, robustez, baixo custo operacional e alta produtividade”, diz Cristian Malevic, diretor da unidade de motores e geradores da MWM, que, além do mercado brasileiro, vem exportando seus geradores para países da América Latina, África, Europa e Oriente Médio.

Gerador a gás de 1 MW é novidade da Himoinsa

Lançamento internacional da marca, o modelo móvel HGS-1030 NG/LPG é capaz de operar tanto com gás natural quanto com GLP, sem perda de energia. A unidade é instalada em um contêiner HC ISO de 40 pés a prova de som e com abertura de ambos os lados, dando prioridade à operação e manutenção, com intervalos de até 1.500 horas.

Modelo HGS-1030 NG/LPG opera tanto com gás natural quanto com GLP

De acordo com a fabricante, o usuário pode selecionar o tipo de gás em uma tela de toque e obter a máxima potência, independentemente do gás utilizado. Projetado para se adaptar a qualquer tipo de condição climática, o motor Siemens a gás tem capacidade de 56 l e promete reduzir significativamente as emissões, ajudando a reduzir a pegada de carbono sem sacrificar a potência ou a disponibilidade.

“Enquanto desenvolviam esse produto, os projetistas sempre tiveram em mente a facilidade de transporte, instalação e operação da unidade”, comenta a empresa.

Saiba mais:
Atlas Copco: www.atlascopco.com/pt-br
Himoinsa: www.himoinsa.com.br
MWM: www.geradoresmwm.com.br
Yanmar: www.yanmar.com/br/powerproducts/products/generator

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