FECHAR
28 de abril de 2010
Voltar
Demolição

Por que aproveitamos tão pouco os resíduos da construção?

Algumas demolidoras já adotam a reciclagem como um diferencial para suas operações, mas a maior parte dos resíduos de construção ainda segue para bota-foras e, o pior, para destinações irregulares, embora existam tecnologias economicamente viáveis para se
Por Melina Fogaça

Os números são impressionantes e revelam o nível de desperdício registrado nos canteiros de obras do Brasil. Segundo um levantamento do professor Arthur Pinto Chaves, titular do departamento de Engenharia de Minas e Petróleo da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), o país gera 68,5 milhões t/ ano de resíduos de construção e demolição, dos quais apenas uma parcela insignificante é reaproveitada em novas obras. “Ao contrário dos países industrializados, que adotam a reciclagem em larga escala, nós desperdiçamos esse material e consumimos recursos naturais que poderiam ser economizados com seu reaproveitamento, como brita e areia”, diz ele.

O agravante é que grande parte do entulho produzido em pequenas reformas e construções imobiliárias, que respondem pela maior parcela desses resíduos, acaba sendo disposta de forma irregular em terrenos baldios e leitos de rios e lagoas, gerando impacto ambiental e degradação urbana. “Não se trata de um problema de legislação, mas da dificuldade que os municípios têm de fiscalizar a destinação dada aos materiais recolhidos em caçamba”, explica Artur Granato, diretor da Nortec.

Diante de uma situação que facilita a destinação irregular desses resíduos, a indústria de reciclagem de entulho encontra dificuldades para prosperar. Algumas prefeituras investiram na instalação de usinas de reciclagem, além das unidades privadas existentes, totalizando pouco mais de uma dúzia de instalações em operação no país. Todas se caracterizam pela baixa capacidade instalada - geralmente abaixo de 100 t/h - e a maioria delas se concentra em municípios paulistas, além de unidades instaladas em Belo Horizonte (MG), Londrina (PR) e Macaé (RJ).

Ganhos de custo

Muitas dessas usinas operam apenas com o estágio primário de britagem, por meio de um britador de mandíbulas, produzindo somente bica corrida para uso em obras de pavimentação urbana. Algumas delas, entretanto, já adotam a etapa secundária de britagem, com a produção de brita e de materiais mais nobres, como blocos, tijolos e demais artefatos de concreto

O professor Chaves ressalta o potencial econômico dessa atividade. Afinal, a coleta de entulho em caçambas tem um custo médio de US$ 15/m3 e sua disposição legal representa mais um gasto de US$ 10 a US$ 30/m3. Em contrapartida, o investimento numa usina de reciclagem não ultrapassa a faixa de US$ 1 milhão e, devido ao seu baixo custo operacional, proporciona rápido retorno ao capital. “O custo de produção de blocos a partir de entulho é 30% inferior ao dos artefatos convencionais”, ele afirma.