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29 de abril de 2010
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Sustentabilidade

Conciliando progresso e qualidade de vida

As preocupações com sustentabilidade não se limitaram aos debates e lançamentos apresentados pelos expositores da M&T Expo 2009. Elas nortearam toda a realização da feira

a hora de planejar uma obra, não basta mais se fixar apenas nas questões relacionadas à eficiência do projeto ou da execução. As preocupações com a sustentabilidade do empreendimento se consolidaram definitivamente no setor e já não se restringem apenas ao mero cumprimento da legislação ambiental, algo a que todos os projetos de engenharia estão sujeitos, mas ao real comprometimento com o mínimo impacto no espaço e nas comunidades em torno da construção.

Essas preocupações, de tão candentes no setor, marcaram a realização da M&T Expo 2009 por meio dos muitos debates relacionados ao assunto durante o Elacom 2009 (2º Encontro Latino-Americano da Construção e Mineração). Além disso, os visitantes da feira travaram contato com tecnologias voltadas à sustentabilidade, como equipamentos para a reciclagem de entulho no canteiro e motores adequados às etapas futuras das normas internacionais de controle de emissão de poluentes. “Esse conceito deve nortear a obra desde o projeto, sob pena de ela apresentar custo e prazo de execução maiores”, afirma Roberto Kochen, diretor técnico da Geocompany.

Os especialistas ressaltam que ações voltadas à sustentabilidade não representam custo quando integradas ao projeto e planejamento da obra. Obviamente, os programas para mitigar o impacto de um empreendimento implicam gastos antes não contemplados numa obra, mas também agregam valor a ela. “Os edifícios ambientalmente corretos, os green building, que coletam água da chuva e usam energia solar, já são uma realidade, mas as construtoras precisam avançar no conceito do mínimo impacto durante a obra, seja no consumo de energia ou na emissões de gases poluentes”, diz Kochen.

Reciclagem de entulho

Ele cita diversas obras já adequadas a esse princípio, como a construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas, das usinas hidrelétricas do rio Madeira e da segunda pista da rodovia dos Imigrantes. Esta última, segundo o especialista, provocou um impacto ambiental 40 vezes menor que o da pista antiga, construída na década de 1970. Além das adequações do projeto e da adoção de procedimentos específicos, uma obra sustentável se caracteriza pelo uso de equipamentos modernos, que são mais eficientes em termos de energia e produzem baixa emissão de poluentes.

Entre as ações envolvidas se incluem os cuidados com vazamentos e contaminação do solo durante a lubrificação das máquinas, assim como a coleta seletiva de lixo, especialmen


a hora de planejar uma obra, não basta mais se fixar apenas nas questões relacionadas à eficiência do projeto ou da execução. As preocupações com a sustentabilidade do empreendimento se consolidaram definitivamente no setor e já não se restringem apenas ao mero cumprimento da legislação ambiental, algo a que todos os projetos de engenharia estão sujeitos, mas ao real comprometimento com o mínimo impacto no espaço e nas comunidades em torno da construção.

Essas preocupações, de tão candentes no setor, marcaram a realização da M&T Expo 2009 por meio dos muitos debates relacionados ao assunto durante o Elacom 2009 (2º Encontro Latino-Americano da Construção e Mineração). Além disso, os visitantes da feira travaram contato com tecnologias voltadas à sustentabilidade, como equipamentos para a reciclagem de entulho no canteiro e motores adequados às etapas futuras das normas internacionais de controle de emissão de poluentes. “Esse conceito deve nortear a obra desde o projeto, sob pena de ela apresentar custo e prazo de execução maiores”, afirma Roberto Kochen, diretor técnico da Geocompany.

Os especialistas ressaltam que ações voltadas à sustentabilidade não representam custo quando integradas ao projeto e planejamento da obra. Obviamente, os programas para mitigar o impacto de um empreendimento implicam gastos antes não contemplados numa obra, mas também agregam valor a ela. “Os edifícios ambientalmente corretos, os green building, que coletam água da chuva e usam energia solar, já são uma realidade, mas as construtoras precisam avançar no conceito do mínimo impacto durante a obra, seja no consumo de energia ou na emissões de gases poluentes”, diz Kochen.

Reciclagem de entulho

Ele cita diversas obras já adequadas a esse princípio, como a construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas, das usinas hidrelétricas do rio Madeira e da segunda pista da rodovia dos Imigrantes. Esta última, segundo o especialista, provocou um impacto ambiental 40 vezes menor que o da pista antiga, construída na década de 1970. Além das adequações do projeto e da adoção de procedimentos específicos, uma obra sustentável se caracteriza pelo uso de equipamentos modernos, que são mais eficientes em termos de energia e produzem baixa emissão de poluentes.

Entre as ações envolvidas se incluem os cuidados com vazamentos e contaminação do solo durante a lubrificação das máquinas, assim como a coleta seletiva de lixo, especialmente no caso de componentes como filtros e óleos, que são recolhidos para o fornecedor. “Em obras de túneis e de terraplenagem, é preciso até mesmo instalar sistemas de coleta de efluentes para o seu tratamento antes de lançá-los nos cursos d’água naturais.”

Na opinião de Artur Granato, diretor da Nortec, a reciclagem de entulhos gerados no canteiro representa uma alternativa diante dos elevados custos para a disposição de resíduos da construção em botafora. Ele reconhece a dificuldade na implantação desse procedimento, devido à complexidade na classificação e seleção dos materiais demolidos – muitas vezes sujeitos a contaminação – mas ressalta que a solução é viável diante das novas tecnologias de recicladores que permitem realizar o serviço no próprio canteiro.

Além disso, a formação de um mercado de empresas especializadas em serviços de demolição e no transporte de resíduos da construção (caçambeiros) ajuda a estruturar um sistema de reciclagem no mercado brasileiro. Segundo Granato, os resíduos gerados no canteiro (classe 2) permitem grande diversidade de aplicações, como o reforço ou remediação de solos, a execução de aterros, drenagem e fabricação de artefatos como blocos, tijolos e outros.

Bons exemplos

No Rio de Janeiro, a Craft Engenharia já constatou os ganhos proporcionados pela reciclagem de entulhos, reduzindo custos de transporte com o material demolido para bota-fora e com a aquisição de brita para a execução de aterros. Com o uso de tesoura hidráulica acoplada a escavadeira e de um britador móvel compacto, que tem acesso até mesmo a pequenos espaços, ela adota essa estratégia em obras públicas e industriais.

Quem visitou a M&T Expo 2009 teve a oportunidade de conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos fabricantes para a sustentabilidade das operações no canteiro de obras. Praticamente todos os grandes fabricantes de equipamentos apresentaram os novos modelos de suas respectivas linha com motores emissionados e de baixo ruído. O destaque, entretanto, coube à Cummins, que aproveitou o evento para anunciar que já desenvolveu motores adequados à próxima etapa das normas internacionais de controle de emissões (Tier 4), que entram em vigor a partir de 2011.

No estande da Getefer, o destaque era a caçamba processadora da finlandesa Allu, indicada para triturar entulhos leves, como tijolos, argila e concreto leve. Segundo José Luiz Trottenberg, diretor da Getefer, ela encontra aplicação em serviços de remediação de solos contaminados, obras de gasoduto, operação de portos de areia, produção de celulose e biomassa (trituração de casca de madeira). Acoplada a uma máquina hidráulica portadora – uma escavadeira, pá carregadeira ou retroecavadeira – a caçamba tritura o material recolhido e promove a aeração do solo, possibilitando até mesmo a adição
de aglutinantes e o peneiramento do material para sua classificação.

Feira verde

A preocupação com a sustentabilidade, entretanto, não se limitou aos debates técnicos e aos lançamentos apresentado pelos expositores da M&T Expo 2009. Seguindo a filosofia adotada pela Sobratema, que elegeu esse assunto como o tema do ano em seus workshops e encontros técnicos, toda a montagem e realização da feira foram concebidas dentro dos princípios da sustentabilidade.

Para minimizar o impacto do evento no ambiente urbano – um desafio para o porte da feira, que reuniu equipamentos grandes e um público de mais de 41.000 pessoas – a administração da M&T Expo adotou uma série de ações, em conjunto com os expositores, determinadas pela consultoria ambiental Key Associados. Entre elas estavam o uso de energia elétrica fornecida exclusivamente pela concessionária pública, sem a mobilização de geradores acionados por combustíveis fósseis, e a adoção de coleta seletiva de lixo, com a destinação do material a uma cooperativa de catadores de lixo de São Paulo.

Outra iniciativa envolveu o estímulo ao uso de transporte público para visitas à feira. Para isso, a administração do evento organizou uma linha de ônibus que operou regularmente durante os dias da feira entre a estação Conceição do metrô e o Centro de Exposições Imigrantes, facilitando o transporte de visitantes e dos funcionários que trabalharam nos estandes dos expositores.

Os expositores também foram convidados a colaborar e receberam selos de acordo com a sua contribuição na redução do impacto ambiental, como o uso de lâmpadas econômicas nos estandes e de papel reciclado em seus materiais de divulgação. Nesse quesito, aliás, o destaque ficou com a Volvo, que recebeu a máxima graduação (selo platina) e tornou-se a primeira empresa da América Latina a montar um estande dentro de todos os conceitos de green build.

Ao final do evento, uma auditoria levantou o volume de gases de efeito estufa (GEE) gerados pelo evento, como os poluentes emitidos pelos carros dos visitantes, para uma compensação ambiental. Com base nesse resultado, em fase de conclusão, a direção da M&T Expo 2009 irá plantar árvores como uma medida de compensação,por meio de parceria com a organização não-governamental (ONG) SOS Mata-Atlântica.