Vida longa aos eixos cardan — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 161 ← Voltar à edição
M&T nº 161Setembro 2012 Matéria 13 de 22
Sumário
  1. EditorialSoluções para a infraestrutura
  2. Obras SuspensasTecnologias aceleram construção de obras de arte
  3. Rodoanel LesteSolução adaptada diminui impacto ambiental
  4. Rodoanel LesteObras avançam além das pistas suspensas
  5. PavimentaçãoVibroacabadoras compactas ganham espaço em obras urbanas
  6. PavimentaçãoSegunda geração de rolos tandem incorpora novos conceitos
  7. MineraçãoProjeto de ampliação da Ferrous inclui aquisição de equipamentos móveis
  8. Mercado InternacionalIndústria de equipamentos da China desacelera
  9. EmpresaDe distribuidora a fabricante
  10. EmpresaOrguel prepara-se para expansão global
  11. Momento ConstructionEvento confirma salão temático sobre construção seca
  12. AlcooldutoObras avançam no interior paulista
  13. ManutençãoVida longa aos eixos cardan
  14. Concrete ShowExpositores destacam investimentos
  15. Espaço AbertoRecurso potencializa içamento de cargas
  16. Espaço AbertoBate-estacas oferece maior resistência
  17. Espaço AbertoSistema para grupos geradores tem interface intuitiva
  18. Espaço AbertoKit hidráulico facilita manutenção
  19. Espaço AbertoEscavadeira simple tech atende nichos específicos
  20. Espaço AbertoDiscos de corte rendem até 40% a mais
  21. Espaço AbertoCompactadores vedados são indicados para aterros sanitários
  22. Espaço AbertoGuindaste hidráulico para espaços restritos
  23. Painel7 notas e colunas
Manutenção

Vida longa aos eixos cardan

Cuidados com lubrificação e o devido dimensionamento do conjunto encabeçam uma série de verificações que podem levar esses sistemas a diversas horas a mais de operações ininterruptas

Exclusivo M&T 28 de setembro de 2012 · Edição 161

Quando o assunto é equipamento móvel, o eixo cardan não pode ser esquecido. O sistema é responsável pela transmissão da força gerada pelo motor para as rodas, sendo um componente essencial para caminhões e muitos equipamentos da Linha Amarela. A vida útil do eixo cardan pode ser bastante longa, mas isso dependerá de uma série de atividades de manutenção, a começar pela lubrificação correta e pela operação adequada da máquina, o que requer treinamento do operador em aspectos como o próprio componente, problemas potenciais e cuidados que devem ser tomados durante a execução dos serviços.

No caso da lubrificação, o tipo de graxa e o modo como ela é aplicada corresponde a mais de 90% das exigências de durabilidade do eixo cardan. De acordo com especialistas, a ausência de graxa pode resultar em componentes desgastados rapidamente, além de elevar o sistema a temperaturas acima dos 130 °C, que é o limite de componentes como as cruzetas. Por isso, em operações fora de estrada, o cuidado com a lubrificação deve ser ainda maior. A indicação é que, além das verificações de rotina, seja realizada a verificação da quantidade e qualidade de graxa nos componentes do eixo cardan toda vez que o veículo entrar em contato com níveis altos de água ou de lama, como acontece em enchentes e atolamentos.

A aplicação da graxa correta é outro ponto de atenção para caminhões pesados e máquinas da Linha Amarela de construção. Geralmente, esses equipamentos utilizam lubrificantes para eixos do tipo EP-1 ou EP-2, feitos à base de sabão de lítio. Já o modo de aplicação pode ser permanente ou não permanente, dependendo da preferência do usuário (saiba mais sobre lubrificação no quadro da página 73).

Do mesmo modo que é essencial elaborar um plano de verificação do lubrificante, também é indicado criar um plano adequado de prevenção para todo o conjunto do eixo cardan. Para um caminhão pesado em condições rodoviárias (ou “moderadas”), especialistas indicam inspeção nos cardans a cada 150 h de operação. Nos casos mais severos, principalmente em terrenos irregulares, a inspeção deve ser feita a cada 50 h.

Índícios de avarias

Como o eixo cardan se encontra na parte inferior da máquina, exposto diretamente ao atrito com solos irregulares e substâncias contaminantes, é recomendado que o operador se mantenha atento aos indicadores de avaria. Qualquer alteração no funcionamento normal do eixo cardan pode ser detectada por meio de ruídos e vibrações anormais. A vibração, mesmo que leve, é um dos principais indícios da necessidade de reaperto, troca de um componente de desgaste ou alinhamento no eixo.  No caso de ruídos, é mais difícil identificar a peça que está com problemas, porém é um indicador de que componentes do eixo estão gastos, desalinhados ou até fundidos. A cruzeta, por exemplo, responsável pela transmissão do torque e angulação do sistema, é uma peça de desgaste que – quando danificada – pode apresentar ruídos e resíduos de pó de ferro. Ao se notar alguma avaria nesse componente, é necessário levar a máquina a uma oficina ou estacioná-la em um local seguro, até que um técnico especializado retire e verifique o componente.

Além de ser uma peça pesada, o eixo cardan pode atingir temperaturas altíssimas em operação inadequada. Portanto, não é indicado manuseá-lo sem o conhecimento técnico necessário ou mesmo sem a utilização de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual), como luvas, capacete e óculos de proteção. Mesmo na ausência de problemas, é aconselhável criar um plano de manutenção do eixo, juntamente com os outros componentes da máquina que dependam dele.

Em casos mais críticos, como quebra ou reforma da peça para adequação, é necessário substituir o cardan. Porém, especialistas afirmam que em 95% dos casos a substituição do conjunto acaba não ocorrendo, pois os clientes invariavelmente optam por sua manutenção/recuperação, que chega a custar até 60% menos que um conjunto novo. Para efeito de comparação, eixos cardan para equipamentos da Linha Amarela podem custar até R$ 9 mil.

Por isso, quando a opção for pela manutenção do conjunto danificado, será necessário que a oficina escolhida tenha estrutura e maquinário adequados para efetuar todos os processos de inspeção, manutenção, alinhamento e balanceamento dos eixos, além de mecânicos treinados, que executem o trabalho de acordo com os requisitos de qualidade, de preferência certificados por selos como o ISO 9001. Outra questão que precisa ser levada em consideração é o tempo de manutenção, já que uma máquina ociosa acaba trazendo prejuízos também à operação do usuário. De acordo com as fontes consultadas por esta reportagem, o tempo médio de permanência da peça na manutenção é de 3 a 24 h de serviço (veja as etapas de manutenção no quadro da pág. 72).

Procedimento padrão

O eixo cardan deve ser cuidadosamente transportado sobre dois calços, para não encostar diretamente no chão ao chegar à oficina especializada. O primeiro passo da manutenção consiste em desmontar a peça em uma bancada limpa e apropriada, soltando os parafusos e retirando os componentes do eixo, incluindo flanges, ponteiras, mancais, luvas, garfos, yokes, rolamentos, retentores, peças de suporte e cruzetas. Esses itens devem ser cuidadosamente medidos e comparados com peças novas, selecionando as que serão substituídas ou recuperadas.

Durante a inspeção, as cruzetas não podem estar espelhadas, o que indica desgaste por rotação. É preciso verificar também a folga nas cruzetas e entre os entalhados das ponteiras e luvas.  Nos garfos, mancais e terminações deve-se verificar a existência de trincas ou folgas, além das condições gerais, balanceamento e possíveis impactos no eixo. Ao final do processo, deve-se testar o cardan na rotação de trabalho para verificar se não há ruídos no rolamento ou outros problemas.

A etapa seguinte é a solda das peças danificadas, que pode recuperar garfos, ponteiros e tubos. Na solda do tubo, por exemplo, é utilizada uma máquina de soldagem que efetua o trabalho com precisão. Após a operação, deve ser verificada a qualidade do caldeamento, ou seja, a fundição entre o tubo, o componente e o arame de solda. Para garantir a integridade da operação, o voltímetro e o amperímetro do aparelho de soldagem devem ser regularmente calibrados.

Após a peça esfriar, o tubo passa por um processo de alinhamento em prensas do tipo ‘C’, para correção de eventuais empenos, uma vez que a tolerância de alinhamento é de até 0,02 mm (dois centésimos de milímetro) nas extremidades e 0,05 mm (cinco centésimos de milímetro) no centro. Por ser uma peça difícil de ser corrigida, é raro que o alinhamento chegue a valores muito próximos de zero.

O usuário ainda pode optar pelo processo de balanceamento eletrônico do eixo, que realiza a distribuição correta de massa e não permite irregularidade dos componentes, garantindo com isso que a vibração dos eixos esteja dentro dos limites especificados. As qualidades dessa operação são definidas pela NBR 8008/83, classe G-16.

Após os testes de qualidade, os componentes são reacoplados, prensados e inspecionados.  Com a peça aprovada, é feita a lubrificação do sistema.

Lubrificação do sistema

A montagem do eixo cardan exige um exame cuidadoso de possíveis folgas no conjunto deslizante, assim como o aperto dos parafusos dos flanges. Executa-se a lubrificação em todos os pontos, aplicando-se a nova graxa até que a antiga saia totalmente pelos anéis de vedação e respiros. As peças mais importantes nesse processo são as luvas deslizantes e a cruzeta, na qual a reaplicação deve ser feita em todas as quatro capas. É importante lembrar que o canal de lubrificação não deve ser retirado ou limpo.

Há ainda oficinas que utilizam equipamentos especiais para lubrificação, como as ferramentas pneumáticas, que devem ter seus sistemas de drenagem e filtragem vistoriados regularmente, uma vez que a contaminação da graxa por água e resíduos abrasivos pode encurtar sensivelmente a vida útil das cruzetas.

Após executar a lubrificação adequadamente, o eixo é cuidadosamente montado, já que pequenos erros podem afetar a integridade de todos os processos anteriores. Os garfos, por exemplo, devem estar totalmente alinhados.

Após a montagem, o eixo passa por uma pintura e pode ser reaplicado no equipamento. Para armazenamento por longos períodos na oficina ou mesmo com o cliente, é importante que a peça fique na posição vertical e seja lubrificada duas vezes ao ano, mesmo que permaneça fora de operação.

Como escolher o eixo adequado

A aplicação de um eixo inadequado resultará em desgastes prematuros e perda de desempenho da máquina. Se o eixo é alterado em tamanho, ele poderá funcionar em condições fora do padrão, o que provocará ruídos e quebra de componentes. A primeira definição deve ser feita em relação ao tipo de equipamento. Os caminhões pesados possuem um eixo muito semelhante aos de equipamentos da Linha Amarela. A única diferença é que a Linha Amarela utiliza sistemas de rolamentos articulados, com cruzeta mancalizada e uma angulação maior, enquanto os caminhões utilizam eixos duplos, com rolamento central fixo.

Para escolher corretamente o tipo de eixo cardan indicado para determinado equipamento e que esteja de acordo com a operação designada, é sempre aconselhado antes de tudo consultar o fabricante. Mas alguns aspectos podem adiantar essa definição, como: fatores de serviço, potência do motor, rotação de trabalho, ângulo máximo de trabalho e comprimento do cardan.

Aplicando corretamente a lubrificação

A lubrificação é o ponto-chave para obter vida longa dos eixos cardan. Ela é aplicada nas cruzetas, rolamentos, luvas e ponteiros deslizantes. Esses componentes utilizam a mesma graxa à base de sabão de lítio, do tipo EP (Extrema Pressão), com graus de consistência 1 ou 2. Outros lubrificantes, como os que possuem base de silicone, não devem ser utilizados, pois não asseguram proteção suficiente ao sistema.

Em relação às aplicações do material lubrificante, o usuário pode optar pela graxa permanente ou não permanente. O primeiro tipo é uma tecnologia nova no Brasil e permite autonomias de 3 mil a 5 mil km de operações severas com caminhões ou de 15 a 30 dias até a próxima troca, sempre dependendo das condições em que o equipamento opera. O problema do tipo permanente é que o usuário acaba por não vistoriar regularmente o sistema, o que resulta em maiores chances de a peça apresentar problemas ao longo da operação. Já o lubrificante temporário “obriga” o operador a fazer vistoria e manutenção preventiva, tanto na graxa quanto no sistema cardan como um todo.

 

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →