Soluções sob medida — Revista M&T
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M&T nº 208Dez/Jan 2017 Matéria 4 de 18
Sumário
  1. EditorialSinais de mudança para o setor
  2. Estudo De MercadoChegamos ao fundo?
  3. CenárioPonto de inflexão
  4. Bauma China 2016Soluções sob medida
  5. Bauma China 2016Em busca da nova rota da seda
  6. LançamentoPortfólio dinâmico
  7. TúneisFaçanha carioca
  8. FabricanteRefinamento integrado
  9. CaminhõesSacode a poeira
  10. EmpresaÀ espera de um novo ciclo de expansão
  11. M&T Momento Peças E ServiçosFator estratégico para o sucesso
  12. A Era Das MáquinasA maior hidrelétrica do mundo
  13. ManutençãoCuidando da interface entre a roda e o chassi
  14. Entrevista"Vemos oportunidades onde outros só enxergam medo"
  15. InternacionalA tendência do momento
  16. Compactos & FerramentasUnião perfeita de materiais
  17. Coluna YoshioA nova revolução industrial
  18. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  19. Painel16 notas e colunas
Bauma China 2016

Soluções sob medida

Público de 170 mil visitantes confere de perto os destaques de quase 3 mil expositores, que apresentam um portfólio de soluções específicas para o mercado asiático

Exclusivo M&T 16 de dezembro de 2016 · Edição 208

Realizada entre os dias 22 e 25 de novembro no Shanghai New International Expo Centre (SNIEC), a 8a edição da bauma China (International Trade Fair for Construction Machinery, Building Material Machines, Mining Machines and Construction Vehicles) ocorre em um momento em que o setor de máquinas – assim como no Brasil – luta para recuperar a vitalidade de outrora (leia reportagem neste link).

Tal contexto inevitavelmente refletiu-se no evento, que recebeu aproximadamente 170 mil visitantes de 149 países, em uma redução de 10,5% em relação à edição recorde de 2014, que recebera um público de 190 mil visitantes. Isso, contudo, não ofuscou o brilho da feira, que novamente ocupou quase totalmente a área de 300 mil m² do centro de exposições da maior cidade do país e atraiu 2.953 expositores, sendo 70% deles da própria China, com os demais 30% provenientes de outros países e regiões. Um percentual significativo se deu em novos expositores, que nesta edição chegaram a 45% do total, denotando uma renovação acentuada dos estandes em relação à última edição.

Após a China, os países que mais enviaram visitantes foram a Coreia do Sul, Rússia, Malásia, Tailândia, Índia, Japão, Cingapura, Taiwan, Indonésia e Austrália, nesta ordem. O evento também apresentou sete pavilhões nacionais (Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, EUA, Itália, Reino Unido e Turquia), garantindo sua abrangência internacional e diversidade tecnológica e conceitual.

Para os organizadores, a bauma China mais uma vez trouxe resultados satisfatórios, tanto em relação à resposta do público quanto à qualidade da exposição. Na abertura, o diretor da Messe München, Stefan Rummel, citou “tempos desafiadores” no mercado chinês, mas prometeu “desenvolver cada vez mais a plataforma da feira nos próximos anos”. “Com 14 anos de desenvolvimento, a bauma China mais uma vez sublinha seu papel de liderança na Ásia”, comentou. “A despeito da situação de incerteza atual, o evento tem trazido aos participantes da indústria boas oportunidades de divulgação e exploração das inovações tecnológicas, assim como das novas tendências de mercado.”

O chairman da Associação Chinesa de Equipamentos para Construção (CCM, da sigla em inglês), Jun Qi, também apontou a importância para a indústria global de equipamentos representada pelo evento, cuja próxima edição ocorre entre 27 e 30 de novembro de 2018. “O sucesso da feira reflete a confiança dos expositores de todo o mundo na economia chinesa, assim como na economia mundial”, disse. “E isto é benéfico para o crescimento mais rápido e saudável da indústria de máquinas para construção.”

PAVIMENTAÇÃO

Mesmo sob uma intensa pressão (ou talvez até por isso), a indústria trouxe ao pavilhão de exposições de Xangai o que de melhor produz para o mercado chinês e região da Ásia-Pacífico. De modo geral, privilegiam-se tecnologias que atendam às regulações menos rígidas da região, como é o caso da China, claro, em que a atual norma GOU III equivale ao Stage II / Tier 2. Mas nem sempre isso é a regra.

Desenvolvida para o mercado chinês, a nova fresadora W 215, por exemplo, foi apresentada como uma máquina de alto desempenho com design específico para o mercado local. Em edição limitada fabricada em Langfan, a solução de 2 m de largura promete produtividade 25% maior, comparada com a geração anterior usada na China. “Antes de projetar este produto, fizemos visitas aos canteiros, pesquisas e consultas para saber o que o cliente realmente precisa aqui”, contou Boris Galic, especialista de produto da Wirtgen. “É um mercado de 250 unidades ao ano.”

A marca também destacou a fresadora de pequeno porte W 55 H e duas recicladoras/estabilizadoras de solo, WR 200 e WR 240. Das demais marcas que compõem o grupo, a Vögele mostrou produtos da geração Dash 3 como a pavimentadora de rodas Super 1603-3 com mesa extensível, a pavimentadora Super 1880 L (com largura de 9,5 m) e a minipavimentadora Super 700-3 (larguras de trabalho de 0,5 a 3,2 m). Da série “made in Langfang”, a Hamm mostrou o rolo de pneus HD14 TT (de 3,5 ton), o rolo tandem HD O 138V (de 13 ton) com cilindro vibratório e oscilatório e o compactador heavy-duty 3625 HT VC, que realiza duas tarefas simultaneamente: tritura e compacta. A Kleemann exibiu a nova peneira classificadora móvel Mobiscreen MS 953 EVO, enquanto a Benninghoven divulgou a misturadora de asfalto poroso GKL, além de tecnologias para queimadores, um dos componentes mais importantes do mercado de reforma de usinas misturadoras.

Também com produção local, a Bomag ressaltou a pavimentadora de asfalto BF 800 C com mesa fixa, apresentada pela marca como “um dos produtos mais importantes para a marca neste ano”. “Não é exatamente o mesmo produto comercializado no Ocidente, porém atende aos requisitos locais e não têm diferenças substanciais em qualidade. E qualidade é o argumento mais importante para nós, seja aqui, nos EUA, no Brasil ou em qualquer outro mercado”, comentou Tim Eisfeld, gerente de produto da Bomag para a Ásia, explicando que o mercado chinês absorve 10 mil rolos de asfalto por ano e tem características próprias. “Claro que certos produtos não têm produção na Alemanha, como alguns rolos compactadores, mas porque não são necessários na Europa nesta configuração.”

Também marca do Grupo Fayat, a Marini expôs uma nova usina de asfalto com capacidade de 320 a 360 t/h e tecnologia de reciclagem. De acordo com a empresa, a solução apresenta até 70% em taxa de RAP. Já o modelo MAT440 alcança 440 t/h e traz opções em espuma, reciclagem a frio e reciclagem a quente.

A Ammann marcou presença com tecnologias que dão suporte às operações de usinas de asfalto e concreto, como o sistema de proteção Amdurit e o sistema de controle as1, o “cérebro” das plantas que se propõe a reduzir a perda de material e o consumo de energia. “Disponível para usinas novas e retrofit, o sistema monitora consumo de energia, uso de materiais, fluxo e outros fatores”, disse Massimo Mezzofanti, diretor de marketing global da Ammann, que também mostrou rolos compactadores compactos e pesados, pavimentadoras e as próprias usinas misturadoras de asfalto, como a SCC 400 (mistura a frio) e a ABP 320 HRT, que – segundo a empresa – incorpora altas proporções de asfalto reciclado (RAP). “Isso sem comprometer a capacidade de produção e a qualidade final do produto”, complementa.

ELEVAÇÃO

Além das plataformas 100 VJR, 170 AETJL e 200 ATJ, a Manitou mostrou na China o manipulador telescópico rotativo MRT-X2150+ Privilège, um equipamento que oferece 21 m de altura de trabalho e 5 toneladas de capacidade de elevação. Produzida em Castelfranco, a solução oferece transmissão hidrostática e é equipada motor Mercedes-Benz de 150 hp, com torque máximo de 580 Nm (1200 a 1600 rpm). “Trata-se de uma máquina muita bem-sucedida em nosso portfólio na Europa”, frisou Cédric Augereau, gerente de vendas global da Manitou. “É um conceito adaptado especialmente para o mercado chinês, onde é desafiador competir, pois requer encarar os fabricantes locais, especialmente em relação à tabela de preços.”

Marcas-irmãs, a Gehl e a Mustang exibiram as minicarregadeiras R165 e 4000V, respectivamente. Já a Haulotte lançou sua linha Star de mastros verticais e divulgou a nova lança telescópica HT28, projetada para se movimentar com mais facilidade em qualquer terreno. Segundo a fabricante, a plataforma é equipada com eixo oscilatório para maior adesão ao terreno, com diferencial que distribui potência para as rodas e permite uma escalabilidade de até 45%. Equipada com motor Kubota, a PTA produz até 20% a menos de ruído, permitindo trabalhar em áreas mais sensíveis como hospitais, escolas e escritórios. “O mercado asiático está crescendo de forma interessante, principalmente no segmento de locação”, disse à M&T o diretor da Haulotte, Alexandre Saubot. “Mas definitivamente está mais desafiador nos últimos anos, com mais e mais máquinas a serem vendidas, mais e mais competição.”

BRITAGEM

Apostando em equipamentos diesel-elétricos, a Keestrack introduziu sua classificadora C6, com capacidade de até 400 ton/h. Destinada a trabalhos com areia e cascalho, separação de agregados, demolição, carvão e peneiras pós-britagem, dentre outros, a solução possui alimentador de 8 m³ e peneira (de duplo ou triplo deck) de 4.500 x 1.800 mm. Fabricado na China, o produto promete um aumento de 60% na eficiência energética, o que representa 80 mil dólares por ano de economia com combustível. “O mercado é de 500 unidades por ano para esta categoria, sendo que estamos com 9% de market share”, destacou Paul Fox, gerente de vendas da Keestrack. “Enquanto o mercado geral caiu, de fato nós crescemos.”

Novata no evento, a Powerscreen fez sua estreia no mercado chinês justamente na bauma China 2016. “Trazemos nossa ponderosa reputação global e expertise para ingressar no mercado chinês”, avisou Colin Clements, diretor global de linha de produtos da Powerscreen, representada por vários equipamentos de britagem e peneiramento.

RECICLAGEM

A caçamba trituradora BF 120.4 S2 foi a vedete do estande da italiana MB Crusher. Ao lado dos modelos BF90.3 e BF135.10, as soluções refletem o mais atualizado conceito para canteiros de demolição e reciclagem em países em desenvolvimento como a China, como garantiu o gerente regional de vendas da MB Crusher para o mercado internacional, Carlo Vincenzi. Segundo ele, as caçambas trituradoras representam o produto número 1 da gama da marca, sendo que a BF 120.4 S2 é a mais vendida e com melhor desempenho. “Podemos dizer que somos líderes mundiais nesse nicho”, aventou, complementando que o mercado mundial gira em torno de mil máquinas/ano.

Dois modelos de peneiras, a MB-S14 e a MB-S18, também foram exibidos no estande, ambos equipados com caçambas formadas por painéis modulares intercambiáveis, além do cortador de tambor MB-R800, para concreto, perfilamento, escavação e demolição em espaços restritos. “São soluções que prometem mudar radicalmente os métodos de trabalho nos canteiros na China”, enfatizou o executivo. “Afinal, em termos de tecnologia, a diferença ainda é muito grande. Na Europa, as pessoas não aceitam maquinários que ofereçam pouco tempo de uso. Os equipamentos têm de durar 10, 20 anos, e continuar trabalhando.”

Guindastes ganham destaque

Um dos segmentos mais servidos de opções na bauma China 2016 sem dúvida foi o de guindastes. A Sany, por exemplo, perfilou modelos como o SCC6500A (Foto 1), um gigante de 650 t e motor de 1.800 kW, com torque com superlift de 8.600 Nm.m. A Potain mostrou o guindaste MCR295 (Foto 2), disponível em três versões (H16, H20 e H25). Segundo a empresa, a extensão de jib pode ser de 30 a 60 m (com intervalos de 5 m), com altura livre de içamento de 52,5 m, jib de 30 m em ângulos fixos e 2 m de mastros. Com sistema modular e em duas versões (12 e 18 ton), o guindaste de torre Comansa CML190 (Foto 3) traz luffing-jib com alcance de 60 m e permite diferentes configurações de jib a cada 5 m. A solução integra a nova série CML da marca, que será completada nos próximos meses com mais modelos, como antecipa a fabricante.

Já a Zoomlion expôs equipamentos como os guindastes ZTC800V (Foto 4), ZTF550V, ZCC2600CR, ZAT1500 e ZTC250V (todo terreno de três eixos, com lança principal de 42 m em “U”), além de revelar detalhes sobre o novo LCL700, que será lançado no mercado mundial em março, com duas capacidades (50 e 64 ton).

Oportunidades da China

No setor de plataformas de trabalho aéreo, o crescimento do mercado chinês vinha a um ritmo de 35% por ano, com 200 fabricantes estimados no país. E o potencial continua grande. “Na China, segundo estimativas, há apenas uma unidade para cada grupo de 100 mil pessoas, enquanto nos EUA essa proporção é de 165 máquinas para cada 100 mil”, destacou a Messe München em comunicado à imprensa antes da feira.

TENDÊNCIAS NO IMPÉRIO DO MEIO

Confira mais lançamentos realizados na feira

A joint venture Deutz Dalian promoveu o lançamento mundial de seu novo motor TCD 9.0 (foto), um propulsor de quatro cilindros com capacidade de 9 l, o primeiro da nova geração que integra a parceria com a Liebherr, que prevê ainda o desenvolvimento de motores de seis cilindros. O propulsor tem potência de 300 kW com torque de 1.700 Nm e traz design compacto que – segundo a empresa – facilita a instalação em uma série de aplicações com escavadeiras e pás carregadeiras de rodas. Os novos motores atendem aos padrões Tier 4 e estarão prontos para comercialização a partir de 2019. “Aperfeiçoamos nosso portfólio, passando a cobrir um espectro maior de faixas de potência e aplicações”, disse o gerente de vendas, marketing e serviços Michael Wellenzohn. “Vemos um grande potencial de crescimento neste mercado, desde que se entregue uma tecnologia cada vez mais avançada.”

A Liebherr deu destaque à carregadeira de rodas L 550 (foto), um dos cinco modelos para o mercado chinês produzidos em Dalian. Equipada com motor de 200 hp, a máquina traz caçamba de 3 a 5 m³ e obtém carga de basculamento de 12,3 t, com peso operacional de 17,3 t. Com driveline hidrostático, o modelo promete entregar maior eficiência, consumindo até 25% menos de combustível, em comparação aos equipamentos convencionais nas mesmas condições. As caçambas maiores podem ser usadas para manusear mais material em cada ciclo, garante a empresa, que destacou ainda o guindaste LTM 1300-6.2 (de 300 ton), um gigante de seis eixos com lança telescópica de 78 m, indicado para elevar guindastes de torre, e a bomba média de pressão LH30VO, de 45 cm³ e pressão máxima de 320 bar. “Ao lado de componentes, as escavadeiras de esteira R 966 e R 920 também integraram a lista de produtos mostrados pela marca no evento chinês”, disse a empresa.

Marca da Terex, a Genie exibiu três plataformas tesoura (GS-1932, GS-4047 e GS-5390RT), duas telescópicas (SX-135XC e SX-150) e uma articulada (Z-6037DC), além do manipulador telescópico GTH 844. Equipada com motor a diesel Deutz TD2.9 L4v (Tier 4), de 74 hp, a plataforma telescópica de longo alcance SX-135XC (foto) oferece altura de trabalho de até 43,15 m, com extensão horizontal de 27,4 m, raio de giro de 1,14 m e capacidade de carga irrestrita de 300 kg. “O equipamento é ultra-compacto, com apenas 3,9 m por 4,1 m”, descreveu o diretor de produto Adam Hailey. “Ela traz um novo design, com capacidade de carga 32% maior, ideal para clientes de locação que enfrentam condições difíceis de operação na construção.”

Em um estande de 4 mil m2, a Zoomlion mostrou 20 produtos da nova linha 4.0 da marca, divididos em oito categorias, muitos produzidos em Hangzhou. Dentre as estreias, a bomba de concreto ZLJ5440THBB 56X-6RZ, de 56 m, e o caminhão betoneira de quatro eixos ZLJ5318GJBLE, com 8 m3 (foto). No extenso portfólio, destaque também para a pavimentadora ZPS3880RE, o dozer de esteiras ZD220-6, a escavadeira hidráulica ZE230E-9 e a escavadeira hidráulica de esteiras ZE360E-9.

A Himoinsa China celebrou na bauma o 10o aniversario da fábrica em Changzhou, que atende a 22 países da região Ásia-Pacífico. No estande, destaques para a nova linha de torres de iluminação LPG e geradores (foto) a diesel e a gás. “Esta região está se desenvolvendo muito rápido e a demanda por grupos geradores é crescente”, comentou Marco Perillo, gerente geral da Himoinsa para o Extremo Oriente. “Nossa fábrica na China produz equipamentos adequados às necessidades de cada mercado e que consolidam nossa posição como fabricantes.”

 

 

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