Sacode a poeira — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 208Dez/Jan 2017 Matéria 9 de 18
Sumário
  1. EditorialSinais de mudança para o setor
  2. Estudo De MercadoChegamos ao fundo?
  3. CenárioPonto de inflexão
  4. Bauma China 2016Soluções sob medida
  5. Bauma China 2016Em busca da nova rota da seda
  6. LançamentoPortfólio dinâmico
  7. TúneisFaçanha carioca
  8. FabricanteRefinamento integrado
  9. CaminhõesSacode a poeira
  10. EmpresaÀ espera de um novo ciclo de expansão
  11. M&T Momento Peças E ServiçosFator estratégico para o sucesso
  12. A Era Das MáquinasA maior hidrelétrica do mundo
  13. ManutençãoCuidando da interface entre a roda e o chassi
  14. Entrevista"Vemos oportunidades onde outros só enxergam medo"
  15. InternacionalA tendência do momento
  16. Compactos & FerramentasUnião perfeita de materiais
  17. Coluna YoshioA nova revolução industrial
  18. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  19. Painel16 notas e colunas
Caminhões

Sacode a poeira

Confiantes na retomada, players da indústria de veículos pesados trazem ao país tecnologias e ferramentas antes disponíveis somente em seus mercados de origem

Exclusivo M&T 16 de dezembro de 2016 · Edição 208

As montadoras de caminhões pesados com presença no Brasil estão determinadas a deixar o biênio 2015-2016 para trás. Após amargar queda sobre queda na demanda de veículos – só em 2015, o recuo na categoria de pesados (o mais importante do país) foi de exorbitantes 60,6%, caindo para a casa de 70 mil unidades anuais, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) –, alguns dos principais players da indústria renovam o arsenal de produtos e serviços disponibilizados pelas matrizes para brigar com mais força em um eventual cenário de retomada dos negócios.

É o caso da Scania, que entra 2017 reforçada com o lançamento do programa Serviços Conectados, mas também o da Mercedes-Benz, que promove seu novo câmbio PowerShift para extrapesados, ou ainda da Volvo Trucks, que nacionaliza a novíssima caixa I-Shift Crawler Gears e aperfeiçoa o sistema de gestão Dynafleet.

A Scania, inclusive, tem nova liderança para o mercado brasileiro. Com 21 anos de casa, o executivo Roberto Barral assumiu o cargo de diretor-geral das operações no Brasil em junho, mas foi apresentado à imprensa no final de outubro. “O momento econômico é desafiador, mas o Brasil sabe passar por isso. Não ficamos parados, pois eficiência é entender em profundidade o processo logístico, gerir as informações de forma mais inteligente e precisa”, disse Barral. “Com os Serviços Conectados, superamos a barreira da telemetria para oferecer uma alternativa completa ao transportador, que é beneficiado com a disponibilização dos dados do veículo, o uso inteligente dessas informações e consultoria customizada prestada pela rede de concessionárias, conforme as suas demandas de negócios e logística.”

ANÁLISE DE DADOS

Disponibilizado no dia 1º de janeiro, o novo recurso online promete “uso de dados alinhado à inteligência” para tornar a gestão mais “sustentável, eficiente e rentável”. Para isso, utiliza quatro ferramentas: planejamento de serviços, diagnóstico remoto, relatório de tendências (em um portal online) e gestor de frota. Lançado há cinco anos na Suécia, o sistema é composto por um módulo instalado no veículo – chamado Communicator –, que basicamente recolhe e envia os dados de desempenho (categorizado por parâmetros como marcha lenta, freadas, velocidade etc.), gerando um relatório periódico de tendências (semanal ou mensal) com os códigos de falhas. Assim, o dispositivo acompanha a frota em tempo real, controlando os fatores que mais impactam na rentabilidade, como consumo de combustível, desempenho do motorista e manutenção. “Pela integração de recursos que promove, esse serviço representa uma forma nova de fazer gestão de frota, agora conectada com o veículo”, diz Alex Barucco, gerente de conectividade da Scania Brasil. “Os dados sozinhos não fazem nada, por isso a proposta é atuar em parceria, ajudando na diminuição do consumo, de acidentes, desgastes, custos de manutenção e paradas indesejadas.”

Os veículos produzidos a partir de 2012 já saem de fábrica com a unidade eletrônica, que fica adormecida até a autorização do proprietário para envio das informações. Uma vez autorizado, o veículo passa a enviar dados automaticamente via satélite, por rede GPRS (Vivo), tanto para o sistema como para a central e o cliente. Já o Portal de Gestão de Frotas dá acesso ao posicionamento e à trajetória dos veículos, apresentando indicadores em tempo real e pontos de melhoria para orientar o motorista. “Não há interferência no veículo ou alertas ao condutor durante a operação, tudo é feito posteriormente com base nos dados coletados”, explica Barucco.

A partir daí, o serviço apresenta dois pacotes distintos: Análise e Desempenho. Sem custos, o primeiro é válido por dez anos e permite planejamento de serviços, acesso ao portal, diagnóstico remoto e processamento das informações, incluindo consultoria de análise do relatório de tendências. Se o usuário quiser ir mais fundo, pode contratar uma assinatura mensal do segundo, que traz funcionalidades adicionais customizadas. “Este pacote permite uma leitura mais completa sobre o estilo de condução, ajudando a identificar dados de operação de forma detalhada, tanto para informações operacionais dos veículos quanto individualmente, por motorista”, comenta Barucco, acrescentando um terceiro nível, que inclui o gestor de frota, um especialista colocado dentro da operação do cliente para coordenar as intervenções. “Nesse sentido, o serviço desenha a solução caso a caso, pois não há um padrão, a intervenção é de acordo com a necessidade.”

OFF-ROAD

Na Mercedes-Benz a mais recente novidade para o mercado brasileiro de extrapesados é a segunda geração do câmbio automatizado PowerShift G330-12K, de 12 marchas, que equipa os caminhões Axor 3344 e 4144, modelos que integram uma das principais famílias de pesados da marca.

Sem pedal de embreagem, o novo câmbio permite trocas de marchas mais precisas e foi desenvolvido especialmente para o segmento fora de estrada, incorporando um sensor de inclinação que identifica a situação do caminhão e seleciona a marcha mais adequada, de acordo com o ângulo. Em produção desde outubro, a tecnologia foi desenvolvida sem requerer mudanças no motor, na caixa de transmissão ou mesmo na curva de torque. “Não é apenas o câmbio, mas um casamento perfeito entre motor, caixa e eixos, resultando em um trem de força totalmente adequado ao fora de estrada”, atesta Ari de Carvalho, diretor de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.

A manopla do PowerShift está localizada num console rebatível junto ao apoio de braço do banco do motorista, sendo que o recurso pode ser operado no modo automático ou manual, dependendo da preferência do motorista. “Antes de chegar ao mercado, a tecnologia passou mais de um ano em testes, tanto em bancadas de prova como em operações de clientes de mineração, cana-de-açúcar e madeira”, diz Helio Ribeiro, engenheiro de marketing de produto para o segmento de extrapesados da Mercedes-Benz do Brasil.

Em três teclas exclusivas, o câmbio reúne funções inteligentes que prometem agregar maior desempenho, economia e conforto às operações. Acionada automaticamente, a tecla “Power Mode Off-Road” altera a parametrização do veículo de modo a trabalhar com altas rotações, imprimindo mais torque e potência e evitando a troca desnecessária de marchas. Esta função pode ser desabilitada no painel quando o veículo acessa rodovias. Nesta circunstância, entra em operação a função “EcoRoll”, que ajusta a faixa de velocidade para rotações mais baixas e coloca a transmissão do veículo em neutro quando não há demanda de torque, sem a intervenção do motorista.

Já a função “Manobra” propicia um controle mais preciso do veículo na movimentação em pátios e manobras em canteiros. “Com o novo software, parametrização e câmbio, o tempo de acoplagem diminui em 40%, conferindo maior segurança em subidas íngremes e elevando a produtividade”, comenta Ribeiro, acrescentando que a tecnologia também equipa o modelo 4844 8x4 da marca, mas com outra parametrização.

Além do câmbio automatizado, a Mercedes fez dez modificações nas duas versões do modelo Axor, desde o cavalo mecânico até o basculante. Com base em solicitações de clientes, a montadora posicionou os filtros e tomada de ar atrás da cabine, instalou espelho frontal no para-brisa para impedir ponto cego na dianteira e incorporou um “peito de aço” para proteção do cárter. Os modelos fora de estrada também ganharam novos bancos, que agora contam com 10 mm a mais na espessura de espuma, acabamento em vinil, recursos de regulagem expandidos e cintos de segurança integrados.

Com uma rede de 181 pontos de atendimento, a montadora também não descuida da manutenção, reforçando a atuação de seus “Serviços Dedicados”, um programa de atendimento pós-venda que – dentre outros – inclui três linhas de peças de reposição e o sistema de monitoramento Fleetboard, que leva a diagnose para as instalações do cliente. “Tão importante quanto a execução da manutenção é identificar as ocorrências, características de consumo e desgaste dos principais componentes”, afirma Silvio Renan, diretor de peças e serviços da Mercedes-Benz do Brasil. “A operação off-road é a que mais demanda dos conjuntos mecânicos e isso faz com que a questão de previsibilidade e controle seja ainda mais importante neste segmento.”

GESTÃO DE FROTAS

Assim como a Mercedes, a Volvo Trucks também aposta suas fichas na atualização tecnológica dos produtos oferecidos no Brasil, sem abrir mão do monitoramento das frotas. Apresentada na Suécia em maio (como M&T publicou em primeira mão na edição no 203), a caixa de câmbio eletrônica I-Shift Crawler Gears ganha versão nacional menos de um ano após seu lançamento.

Direcionada para a Linha F (modelos FH, FMX e FM), a sexta geração da caixa eletrônica conta com 12 marchas à frente e quatro à ré, gerenciando melhor a relação com o motor e proporcionando um maior aproveitamento da potência. Opcionalmente, o componente pode sair de fábrica com 13 ou 14 marchas. Segundo Álvaro Menoncin, gerente de engenharia de vendas da Volvo no Brasil, a I-Shift superreduzida abre possibilidades de transporte para os caminhões da linha F, permitindo operar com velocidades mais baixas em topografias adversas. “Na caixa reduzida de 13 marchas, a última marcha é em Overdrive, uma opção voltada principalmente para aplicações em rodovias com uma topografia mais acidentada ou de serra”, comenta.

Segundo a montadora, 100% dos caminhões FH já saem de fábrica equipados com a caixa, enquanto 99% dos veículos FM e FMX trazem a nova I-Shift. “Com suas mudanças e revoluções ao longo do tempo, a caixa I-Shift consegue entregar ao operador um bom desempenho, além de uma ótima eficiência energética”, diz Wilson Lirmann, novo presidente do Grupo Volvo na América Latina, que assumiu o posto em julho de 2016.

Além da caixa eletrônica, a empresa reforça a divulgação do Driver Coaching, novo recurso do sistema de gestão de frotas Dynafleet, lançado no país em 2015 e disponível nos caminhões que saem de fábrica com a central multimídia. Ao se contratar o Dynafleet, as empresas só precisam ativar os recursos da ferramenta, que orienta o motorista em tempo real com dicas de condução e possibilita ao gestor verificar se o condutor requer mais treinamento.

De acordo com Vanio Albino, instrutor de treinamento da Volvo Brasil, o recurso oferece instruções de como conduzir o caminhão, inclusive conferindo notas ao desempenho do motorista, que são apresentadas no display instalado no painel. “Com o Driver Coaching, podemos acompanhar como o motorista está conduzindo, verificando a média do consumo de combustível, o uso da caixa I-Shift, se o freio está sendo utilizado nos tempos corretos e qual o tempo de parada do condutor”, exemplifica. “Assim, abre-se a possibilidade de influenciar nos resultados, agindo nos comportamentos de condução identificados pela ferramenta.”

Avaliado de imediato, o relatório é enviado por meio do Drive ID, uma ferramenta de análise que integra o Dynafleet e permite a identificação individualizada do motorista. “A atualização é feita a cada um minuto e meio”, diz Albino. “E as informações oferecidas pelo Driver Coaching ao motorista durante a viagem também estão disponíveis no portal e no aplicativo do Dynafleet.”

De forma didática, as informações de desempenho dos condutores são apresentadas por meio de sinalizações: verde para uma operação correta, amarelo para atenção e vermelho para o que precisa mudar. “Quanto maior a integração da parte eletrônica do veiculo com o ser humano, mais fácil se torna gerenciar os custos da operação”, arremata Menoncin.

Montadoras têm boas perspectivas para o ano

Após fechar o ano com um resultado total em torno de 50 mil unidades, as montadoras de caminhões estão esperançosas para 2017. A Scania, por exemplo, projeta uma recuperação por volta de 15%. Com uma frota nacional de 115 mil veículos, a empresa espera um nível de desempenho distinto em cada segmento, além de manter o bom ritmo na demanda de serviços pós-venda. “De 2015 para 2016, o aumento na venda de peças foi de 7%”, diz Roberto Barral, diretor-geral das operações da Scania no Brasil, acrescentando que a empresa pretende expandir a rede de atendimento de 122 para 139 pontos até 2020. “Em 2016, houve um aumento de 11% na venda do nosso Programa de Manutenção Premium, fazendo com que os serviços avançassem para 26% de share no portfólio da marca.”

Na Mercedes-Benz, a expectativa é semelhante. De janeiro a setembro, a marca comercializou 3.306 unidades de veículos extrapesados (+10% sobre 2015), o que – segunda a empresa – garantiu um share de quase de 50% no segmento. Com isso, a frota de veículos OTR da marca chegou a 1.200 unidades no país. Agora, a Mercedes quer “surfar a onda do crescimento”, avançando mais 10% neste ano. “Estamos confiantes, pois tudo indica que a cana vai aumentar as atividades, além da construção, na qual temos uma demanda reprimida que deve voltar”, diz Ari de Carvalho, diretor de vendas e marketing caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, ponderando que o processo será gradual. “Temos de pensar no passo a passo, até porque o mercado não tem condições de suprir uma demanda maior no momento, uma vez que todo mundo reduziu a estrutura para se adequar ao mercado. Mas esse até que seria um problema bom.” (Colaborou Melina Fogaça)

 

 

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