São Paulo enfim terá o seu “fura fila” — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 77Jun/Jul 2003 Matéria 7 de 18
Sumário
  1. EditorialConhecimento para gerar riqueza
  2. NotasPeter Karlsten assume Volvo trucks nos EUA
  3. EntrevistaJÜRGEN FLEMMING, o alemão que saiu do frio.
  4. M&Texpo’2003O evento do ano no mercado de equipamentos.
  5. MunicípiosO prefeito é quem tem que dar um jeito.
  6. SaneamentoMunicípios tentam diminuir déficit.
  7. TransportesSão Paulo enfim terá o seu “fura fila”
  8. Meio AmbienteEm meio a lixôes, surgem novos modelos de gestão de resíduos.
  9. TecnologiaUm novo golpe nas emissões
  10. EquipamentosUm novo padrão em equipamentos
  11. GlobalizaçãoCNH mostra sua força em paris
  12. CaminhõesFora da estrada ou dentro da cidade
  13. SinergiaQualidade Liebbherr na indústria aeroespacial.
  14. ComponentesTrem de força: novas opções da DANA
  15. TreinamentoInstituo Opus lança curso para operadores de caminhão, em parceria com a Scania.
  16. InformáticaRedes sem fio vieram para ficar.
  17. DicasConheça melhor o chamado " Pneu de terraplenagem"
  18. Espaço AbertoSemi-trailer cometto transporta cat de 110 t
Transportes

São Paulo enfim terá o seu “fura fila”

Exclusivo M&T 1 de julho de 2003 · Edição 77

Obra do corredor de transporte com via elevada é retomada pela prefeitura de São Paulo, tem recursos assegurados e deve ser concluída em dezembro.

O Fura-Fila, como todo paulistano sabe, foi uma grande jogada de marketing criada pelo publicitário Duda Mendonça, e uma das promessas de campanha em 1996 na área de transportes com que o então prefeito Paulo Maluf fez de Celso Pitta, seu sucessor na cidade de São Paulo. Marketing ou não, a obra ganhou contornos reais, criou grandes expectativas na população e depois foi paralisada quando minguaram os recursos prometidos pelo BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Sucessora de Pitta, a atual prefeita. Marta Suplicy, e seu partido (PT), a princípio críticos do “Fura-Fila”, encamparam o projeto, com marketing político próprio é claro, rebatizando-o de “VLP-Paulistão”, ou simplesmente “Paulistão”. A prefeita promete concluir a obra ainda neste ano, e tem um grande trunfo a seu favor, já que os tais recursos do BNDES foram finalmente liberados. O projeto, orçado em janeiro de 1997 em R$183 milhões, foi remodelado, mas permanece essencialmente o mesmo. Trata-se de uma via segregada com oito quilômetros de extensão — cinco dos quais em trecho elevado — ligando o terminal de ônibus e a estação de metrô do Parque Dom Pedro, no centro de São Paulo, ao Sacomã, importante entroncamento viário, onde flui por exemplo, o trânsito com origem e destino na região industrial do ABC e de acesso ao litoral paulista pela Via Anchieta. Em uma segunda fase da obra, também está prevista a extensão de um ramal, em direção à zona leste da cidade.

O VLP Paulistão está mais para um corredor de ônibus do que para um transporte de massa como o metrô. Mas é uma alternativa de menor custo em relação ao sistema sobre trilhos e de média capacidade de transporte. A estimativa é que todo o sistema de VLP atenda 350 mil pessoas por dia, ou faixas de demanda de 12 a 30 mil passageiros por hora e por sentido. Ele contará com ônibus articulados diesel-elétricos sobre pneus em fase final de desenvolvimento (ver box), com capacidade para 270 passageiros. No primeiro trecho, entre o Parque Dom Pedro e o Sacomã, o sistema contará com nove estações intermediárias entre os dois terminais.

Desde que foram retomadas, em agosto do ano passado, as obras seguem em ritmo acelerado, sob fiscalização e supervisão do consórcio Lenc/Tekhnites, contratado pela SPTrans. As obras estão a cargo do Consórcio Paulistão (Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Constran), Consórcio São Paulo (liderado pela ETI, com mais 6 empresas), além da Construcap, Mendes Jr., Estacon e Vila Nova. Na primeira fase da obra, já havia sido executado o trecho em nível de pavimento rígido de 2,5 quilômetros, a partir do parque Dom Pedro. O outro extremo em nível, próximo ao Sacomã, também já havia sido concluído em parte.

Obras aceleradas —
De agosto para cá, o maior volume de atividades, segundo o gerente da obra, Marc André Chamounton, do consórcio Lenc/Tekhnites, concentra-se na execução dos dois terminais e na conclusão dos 150 pilares, seguida do lançamento de vigas travessas, que sustentarão o pavimento rígido. no trecho intermediário e elevado de aproximadamente cinco quilômetros. "Neste momento, já temos as fundações praticamente terminadas, 80% dos blocos, pilares e travessas executados e 25% de um total de 650 vigas já lançadas, diz ele. A conclusão dessa fase, segundo Chamounton, é um dos maiores desafios do projeto. Na parte em elevado, após a execução das fundações (com método estação e estaca raiz), são executados os blocos, em seguida os pilares e, por fim, as vigas travessas, sendo todas em concreto armado. O primeiro complicador são os volumes envolvidos. Cada conjunto (bloco de fundação, pilar e travessa) soma 100 m3 de concreto aproximadamente. Além disso, a maioria está sendo executada na calçada da avenida do Estado, uma das mais movimentadas da capital paulista, que teve que ser interditada em função das dimensões das fundações.” E uma área urbana, onde tivemos que superar também muitas interferências de redes subterrâneas de serviços, nem sempre cadastradas, e proceder ao remanejamento da rede aérea”. Executado o conjunto (bloco de fundação, pilar e travessa), a logística não é menor para o lançamento das vigas metálicas aonde serão assentadas posteriormente lajes pré-moldadas de concreto e finalmente o pavimento rígido, com 10 cm de espessura. A seção transversal do tabuleiro, que terá uma largura total de 8,90 metros para as duas vias, prevê, apoiadas sobre as travessas, quatro vigas de aço, de 15 a 45 metros, para superar a distância entre pilares, com peso variando entre 13 e 50 toneladas.

Fornecedor monta fábrica —Nessa operação, estão envolvidas duas empresas especializadas. Uma delas é a Metasa, fabricante das vigas, sediada em Marau, no Rio Grande do Sul, que inclusive instalou uma fábrica em um galpão de 12 mil m2 em Santo André (SP), a uma distância de 15 quilômetros da obra. Diariamente, essa fábrica recebe de três a quatro carretas com vigas, de material cortenho anticorrosivo (COS-ar- cor 500) fabricadas em segmentos na fábrica em Marau. Em Santo André, as vigas são montadas, segundo especificações e projetos da Figueiredo Ferraz para a obra. "No total, diz Ibê Loyola Jr., gerente técnico da Metasa, incluindo-se as vigas da via elevada, estruturas para estações, terminais1 e passarelas o VLP Paulistão consumirá 10.500 t de aço.

Outra empresa contratada é a Guindastec, que assumiu a responsabilidade pela descarga e lançamento de todas as vigas do projeto. ” Seguimos um rígido planejamento de montagem, estabelecido em parceria com a Metasa e o consórcio construtor, levando em conta o processo de fabricação e o cronograma da obra”, diz Luís Carlos Rocha, diretor da Guindastec. Quatro guindastes de sua frota participam regularmente da operação: dois Tadano (de 501 e 1201), um CT (90t) e o maior de todos, um Demag, com capacidade para 120 toneladas.

Em paralelo ao trabalho na via, também estão sendo executados os dois terminais e as fundações das rampas que darão acesso às estações - seis delas na pista elevada. As estações contarão com elevadores para deficientes e passarelas. As passarelas e os níveis das estações são em estrutura metálica com lajes pré moldadas de concreto. "Estamos atacando todas as frentes ao mesmo tempo, em função do prazo”, resume Marc André Chamounton.

A obra, onde estão mobilizadas atualmente cerca de 700 pessoas, conta com a estrutura de um canteiro central no Parque Dom Pedro e um segundo canteiro no Terminal Sacomã. Foram montados também canteiros de apoio ao longo do trecho, onde funcionam um pátio para pré lajes moldadas (3.200 peças vão ser executadas) e um pátio de armação. Há também um controle tecnológico, por parte do consórcio construtor com ensaios de campo feitos pela Concremat, e da própria fiscalização, que faz seus próprios ensaios no laboratório da Lenc.

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