"O Brasil continua melhor do que os outros mercados" — Revista M&T
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M&T nº 165Fevereiro 2013 Matéria 13 de 14
Sumário
  1. EditorialUm marco para os 25 anos da Sobratema
  2. SucroalcooleiroUsinas preparam a frota para a próxima safra
  3. Mão De ObraA inadiável tarefa da qualificação
  4. TerceirizaçãoQuando vale a pena repassar a manutenção
  5. DragagemA tecnologia mais adequada para cada tipo de projeto
  6. EmpresaCorrespondendo às expectativas
  7. Proconve 7Um avanço necessário, mas difícil
  8. EmpresaLições da crise
  9. Sobratema 25 AnosOs primeiros passos
  10. Momento ConstructionSalões exclusivos ganham destaque em evento
  11. A Era Das MáquinasA história dos equipamentos de construção
  12. ManutençãoGarantindo a força do equipamento
  13. Entrevista"O Brasil continua melhor do que os outros mercados"
  14. Suplemento - Compactos & FerramentasMercado em alta
  15. Painel15 notas e colunas
Entrevista

"O Brasil continua melhor do que os outros mercados"

Exclusivo M&T 6 de fevereiro de 2013 · Edição 165

Entevistado: Carlos Hexse, presidente da empresa Weber Maschinentechnik (MT) para a América Latina e Sul da África.

Fundada em 1952 na cidade de Bad Laasphe, na Alemanha, atualmente a Weber Maschinentechnik (MT) é um dos principais fornecedores internacionais de máquinas para concreto e compactação de solo. Símbolo da sofisticação tecnológica alemã, os produtos da marca estão disponíveis em mais de 150 países e a empresa possui filiais em locais como Polônia, Holanda, França, Áustria, EUA e Brasil, no qual o grupo chegou em 1994.

Surgida no imediato pós-guerra, a evolução da empresa é representativa do cenário de desenvolvimento da própria indústria alemã de equipamentos no período, quando o país encontrava-se completamente destruído pela II Guerra Mundial o maior conflito armado da história da humanidade, que ceifou a vida de mais de 50 milhões de pessoas e começou sua reconstrução praticamente a partir do zero.

Em um cenário desolador, os alemães decidiram virar a página mais negra de sua história e passaram a empregar esforços no desenvolvimento de novas tecnologias de alta produtividade, principalmente na área de equipamentos para construção, que se tornaram absolutamente indispensáveis para a reedificação do país. E a Weber MT é um dos resultados desse processo, como conta nesta entrevista exclusiva o presidente da empresa para a América Latina e Sul da África, Carlos Hexsel.

M&T – Como o período pós-guerra na Alemanha estimulou o desenvolvimento do setor e a criação da Weber MT?

Carlos Hexsel: A empresa foi criada em 1952, quando houve um boom de construção (ou reconstrução) na Alemanha, exigindo grande quantidade de equipamentos. Como a maioria dos ativos havia sido destruída ou levada pelos Aliados, restou à engenharia alemã “apenas” a criatividade para desenvolver novas máquinas com alta capacidade de produção. Isso, aliás, explica o nível de qualidade atingido pela indústria de equipamentos da Alemanha atualmente, cenário no qual a Weber MT felizmente se inclui.

M&T – Em qual nicho ela se inclui, especificamente?

Carlos Hexsel: No de equipamentos auxiliares com alto nível de tecnologia, inclusive eletrônica embarcada. Somos uma empresa familiar, de porte médio, com faturamento mundial de cerca de R$ 150 milhões, na qual Wolfgang Weber, filho do sócio fundador Günter Weber, lidera as operações mundiais, com sede na Alemanha e filiais na Polônia, Holanda, França, Áustria, Estados Unidos e Brasil. Aqui, a filial de Itatiba (SP) foi estabelecida em 1997 para a fabricação e/ou comercialização de cortadores de pisos, acabadoras de superfície, rolos compactadores e torres de iluminação, todos com tecnologia alemã.

M&T – Quando menciona equipamentos auxiliares, a que modelos se refere?

Carlos Hexsel: A Weber MT fabrica equipamentos menores para obras de infraestrutura, que atuam em espaços onde os grandes não conseguem. É o caso dos rolos compactadores o maior da nossa linha tem 1,5 tonelada, que são aplicados para compactação em trechos estreitos. Em uma cabeceira de ponte, por exemplo, o compactador de grande porte atua até certo ponto, mas não alcança os cantos. É aí que o nosso compactador entra, oferecendo a mesma qualidade de compactação do modelo maior. A nossa linha de equipamentos inclui ainda compactadores de percussão, placas vibratórias, cortadores de concreto e de asfalto, vibradores de concreto, bombas submersíveis, motores acionadores, alisadoras de superfície, réguas vibratórias e torres de iluminação, que são uma novidade em nosso portfólio.

M&T – Uma novidade? Como assim?

Carlos Hexsel: Exatamente. Definimos que, nesta época de freada internacional, o foco deve estar voltado para a consolidação da operação brasileira da empresa. E para aumentar nossa atuação nesse mercado, lançamos inclusive novos produtos. As torres de iluminação são um exemplo da estratégia de incremento da nossa linha, sendo que já estamos estudando a possibilidade de sua fabricação nacional. Isso, obviamente, não nos afasta do foco principal do nosso negócio, que é a compactação. Devo destacar, aliás, que a compactação de solos é nossa maior expertise, mas também temos forte atuação em compactação de asfalto para obras urbanas, principalmente nas operações tapa-buraco. Assim, o setor de infraestrutura é o nosso principal cliente. Em grandes obras, como as do Linhão do Madeira, por exemplo, a Toshiba e a Abengoa possuem mais de 200 equipamentos produzidos por nós.

M&T – Hoje, qual é a posição da operação brasileira para o grupo, principalmente considerando o cenário internacional desfavorável?

Carlos Hexsel: É central, sem dúvida. Isso porque, atualmente, o principal mercado mundial da Weber MT é o Brasil, onde faturamos R$ 50 milhões por ano, o que corresponde a um terço do total que a empresa fatura no mundo. Isso demonstra a importância desse mercado para a empresa, motivo pelo qual temos instalações locais nas quais fabricamos 70% dos produtos que vendemos para o país e para a América Latina.

M&T – Mas o mercado brasileiro de infraestrutura, principalmente para compactação, não desacelerou em 2012?

Carlos Hexsel: Sim, mas mesmo assim continua melhor do que os outros onde atuamos. Não podemos deixar de lembrar, contudo, que o mercado efetivamente está bem parado. Inclusive, soube pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) que o mercado para grandes equipamentos está ainda pior que o nosso. No caso dos equipamentos auxiliares, conseguimos resultados um pouco melhores, pois os investimentos na compra de máquinas são menores, o que permite ao locador arriscar um pouco mais. Digo “locador” porque esse setor representa 90% dos nossos clientes, já que as grandes empreiteiras preferem locar equipamentos de pequeno porte, em lugar de comprá-los.

M&T – Há projeções de melhora no mercado de equipamentos auxiliares para 2013?

Carlos Hexsel: Há. Mas temos de ter o pé no chão e lembrar-nos de um detalhe importante: atualmente, o parque de máquinas das empreiteiras e locadoras está grande, o que não nos permite afirmar que haverá demanda por novas compras em 2013. Porém, acredito que os programas de investimentos como o de logística (PAC das Concessões), lançado recentemente pelo governo federal podem sim movimentar o mercado neste ano.  Resta saber se o parque de máquinas obsoletas que temos no mercado será suficiente ou não para atender a demanda.

 

 

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