"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental" — Revista M&T
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M&T nº 198Fevereiro 2016 Matéria 13 de 15
Sumário
  1. EditorialInvestimentos são vitais para o setor
  2. Jumbos De PerfuraçãoSoluções robóticas para escavação de túneis
  3. PeneirasEficiência no processamento
  4. ReciclagemAs rainhas da sucata
  5. CabinesControle tátil
  6. GuindastesSolução caseira
  7. Comércio ExteriorAs regras do mercado global
  8. Oficinas MóveisNão para nunca
  9. A Era Das MáquinasA partida dos motores
  10. LeilõesBatendo o martelo
  11. Momento ExpoWorld of Concrete chega ao Brasil
  12. ManutençãoNo limite da capacidade
  13. Entrevista"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental"
  14. Compactos & FerramentasConfiabilidade estrutural
  15. Coluna YoshioCuidar melhor das relações
  16. Painel15 notas e colunas
Entrevista

"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental"

Exclusivo M&T 15 de fevereiro de 2016 · Edição 198

Gestora global de sustentabilidade da Atlas Copco desde 2013, a executiva Mala Chakraborti veio ao Brasil no final do ano para falar sobre os projetos da empresa nesta área cada vez mais importante para o setor. Durante palestra realizada na Câmara Sueca, em São Paulo, a especialista detalhou as principais iniciativas da fabricante para reduzir o impacto ambiental nas unidades produtivas, além do desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e dos projetos sociais que a empresa apoia pelo mundo.

De origem indiana, Chakraborti é bacharel em biotecnologia pela Faculdade de Medicina de Kasturba, em seu país, além de possuir mestrados em bioquímica na Faculdade de Dartmouth (EUA) e em administração pela Stockholm School of Economics (Suécia). A executiva ingressou na Atlas Copco em 2012 na posição de coordenadora de responsabilidade corporativa, com a incumbência de realizar treinamentos, elaborar relatórios de acordo com as diretrizes de GRI (Global Reporting Initiative) e ainda atuar com gerenciamento de conflitos.

Durante esta entrevista exclusiva, Chakraborti destaca as estratégias utilizadas para tornar os produtos da marca mais eficientes, principalmente em relação ao consumo energético. Para a executiva, as metas ambientais são fundamentais para os negócios da empresa, que em 2015 galgou a 11ª posição (a mais alta no segmento industrial) no ranking das empresas mais sustentáveis do mundo elaborado anualmente pela revista norte-americana Newsweek. Acompanhe.

Em termos globais, como a empresa contribui para reduzir as emissões?

A Atlas Copco investe pesado na área de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento, criando maneiras de tornar os produtos mais eficientes em relação ao consumo de energia nas diversas áreas em que atua, incluindo mineração e construção. Como trabalhamos com grandes equipamentos, que causam impactos ambientais igualmente relevantes, criamos soluções para que nossas perfuratrizes, por exemplo, possam trabalhar 24 horas por dia, com uma eficiência 50% superior à concorrência, evitando um aumento na emissão de poluentes.

Por que isso é importante?

Se não reduzirmos a emissão de poluentes como o CO2, por exemplo, provavelmente não teremos mais planeta no futuro. Nesse sentido, nosso objetivo como empresa é fazer a conexão entre a emissão de poluentes e o impacto que isso pode causar em nossos clientes, pensando também na parte econômica. Afinal, as emissões provêm basicamente do uso de energia que, dependendo da forma que é utilizada, pode causar impactos não só no meio ambiente, mas também nos custos do cliente. Ou seja, a escolha criteriosa da energia aplicada pode tornar a empresa mais competitiva. Já aquela que é mais poluente pode resultar em um maior impacto nos custos.

Isso também inclui a obtenção de um maior índice de reciclagem dos produtos?

Certamente. A maior parte dos nossos equipamentos de mineração é modular, o que significa que podem ser reciclados mais facilmente. Ao produzir e projetar um equipamento, a empresa precisa visualizar, além de seu funcionamento e aplicação, o que fazer com o produto no final da sua vida útil.

Como avalia a utilização de combustíveis alternativos e renováveis?

A Atlas Copco não investe diretamente na produção de combustíveis renováveis, mas busca criar soluções para evitar a emissão de poluentes, como, por exemplo, torres de iluminação que funcionem por meio de energia solar. Além disso, para a área de mineração subterrânea, a empresa desenvolveu novos caminhões e carregadeiras elétricos, que integram a linha verde do nosso portfólio. Esses equipamentos visam reduzir a emissão de poluentes e contribuir para o aumento da produtividade, oferecendo um custo mais baixo de energia por tonelada em comparação a outras soluções de transporte. Também garantem uma maior eficiência energética, sendo capazes de reduzir o consumo de energia em até 70% em relação a um veículo a diesel, por exemplo.

Qual a perspectiva da empresa em relação ao aquecimento global? É possível atingir as metas estabelecidas pela Conferência do Clima (COP-21)?

Acredito que sim. Mas depende essencialmente do planejamento que os governos pretendem adotar em relação ao tema. A China, por exemplo, é o país que mais emite gases nocivos na atmosfera, mas apresentou um plano que visa reduzir a emissão dos poluentes em 65% até 2030, diminuindo principalmente a incidência de CO2. E, para obter esse resultado, o país tem uma estratégia a ser estabelecida em cinco anos, que consiste em um planejamento para aferir o quanto precisam investir em energia renovável e quais tipos de tecnologia limpa são mais viáveis, em suma, que tipo de país eles querem construir para o futuro. E, de fato, os primeiros resultados desses esforços começam a surgir. Os chineses já conseguiram reduzir a emissão de poluentes decorrente do uso de carvão mineral, sua maior fonte de energia e a pior forma de combustível para o clima. E assim como os chineses, acredito que os demais países conseguirão encontrar um ponto de equilíbrio para atingir o objetivo.

O que falta para isso?

É preciso diálogo, mas acima de tudo os países têm de ter um comprometimento com os projetos estabelecidos. É necessário muito mais do que apenas palavras. Acredito que os países da Europa, assim como o Brasil, possam atingir os objetivos estabelecidos, mas para isso é preciso mudar a forma de pensar, estabelecer leis fortes, investir na educação da população. Ou seja, engloba muito mais do que a causa ambiental. É preciso querer mudar.

Como a tecnologia pode contribuir em relação ao tema?

Sabemos que a tecnologia leva tempo para se desenvolver, mas acredito que vivemos em um período no qual podemos fazer grandes avanços, pois temos acesso a informações e materiais que antigamente não conhecíamos ou não tínhamos acesso. Posso citar o exemplo dos compressores que consomem uma grande quantidade de energia elétrica e são utilizados em todas as indústrias, incluindo mineração e construção. Um compressor com unidade de velocidade variável, por exemplo, pode reduzir o consumo de energia do cliente e as respectivas emissões de carbono em até 50%, poupando o meio ambiente e reduzindo os custos de energia. E a Atlas Copco é pioneira nesse tipo de tecnologia, permitindo aos compressores executarem suas tarefas na velocidade necessária. Além disso, a empresa conta com compressores com sistemas de recuperação, em que a entrada de energia pode ser recuperada em forma de água quente, reduzindo significativamente as despesas com energia.

E no campo social, quais programas a empresa desenvolve?

No âmbito institucional, as diversas áreas de negócios da empresa implantam iniciativas de longo prazo para melhorar o desempenho de segurança e saúde dentro de suas operações. Em um plano mais geral, há projetos sociais que a Atlas Copco apoia pelo mundo que incluem o desenvolvimento de ações relacionadas à AIDS e ao bem-estar em países onde as doenças têm impacto deletério profundo na comunidade local. Na África, por exemplo, nosso premiado programa de prevenção à AIDS alcança nove países por meio de colaborações com o Programa Sueco de HIV/AIDS no Local de Trabalho (Swedish Workplace HIV/AIDS Programme, em inglês). Enfocando testes confidenciais, tratamento e aconselhamento, este programa alcançou resultados excelentes, pois todos os que aderiram obtiveram resultados negativos em testes posteriores para detecção de HIV. É uma amostra de nosso senso de responsabilidade como empresa.

 

 

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