No limite da capacidade — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
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M&T nº 129Outubro 2009 Matéria 12 de 21
Sumário
  1. EditorialSegurança é coisa séria
  2. NotasJCB produzirá escavadeiras no Brasil
  3. NotasBrasif em ritmo de expansão
  4. NotasCuidados ao contratar um curso de treinamento
  5. NotasUm operador presidencial no comando do guindaste
  6. NotasMWM renova dois contratos de fornecimento de motores
  7. NotasNos bastidores do GP Brasil
  8. NotasTracbel avança para o Centro-Oeste
  9. DragagemUm equipamento para cada necessidade
  10. Aterro SanitarioAdaptados para o serviço pesado
  11. SegurançaComo prevenir acidentes no canteiro
  12. PneusNo limite da capacidade
  13. FenatranFeira reflete o otimismo do mercado
  14. InternacionalSobratema debate o futuro do setor na Europa
  15. EmpresaDez anos de pioneirismo
  16. EmpresaTecnologia japonesa com sotaque brasileiro
  17. PerfilObsessão pelo equipamento incomparável
  18. ManutençãoComo recuperar os elementos estruturais
  19. Espaço AbertoRapidez nos trabalhos em alturas elevadas
  20. Espaço AbertoNivelamento com menor esforço
  21. Espaço AbertoEngate reduz tempo de montagem do andaime
Pneus

No limite da capacidade

O uso de pneus de aro 20 ou 22, que equipam a maioria dos caminhões extrapesados, figura como um dos principais gargalos nas aplicações fora-de-estrada, comprometendo a produtividade e os custos da operação

Exclusivo M&T 18 de março de 2010 · Edição 129

Nos últimos anos, os caminhões rodoviários de grande porte, como os modelos 8x4 e 10x4, popularizaram-se nos canteiros de obras e mineradoras como uma alternativa ao uso dos tradicionais fora-de-estrada. Em busca de menores custos de operação e manutenção ou simplesmente para uma melhor adequação a determinadas operações, as empresas desses setores passaram a contemplar o emprego dos caminhões traçados maiores, mas se depararam com outro tipo de problema. Como esses veículos saem de fábrica com pneus de aro 20 ou 22, a limitação nos serviços pesados não está mais na capacidade de carga do caminhão e sim na do pneu, o que reduz a produtividade do usuário e aumenta os riscos de acidentes.

Fernando Christofe Garrafa, gerente de aquisição de equipamentos da Construtora Norberto Odebrecht, explica que os caminhões 8x4 se situam na faixa de 50 t de peso bruto total (PBT), mas muitos modelos dessa categoria são equipados com pneus do tipo 11.00 R22 ou 12.00 R20. “Na soma dos eixos, a capacidade de carga dos pneus não ultrapassa as 40 t, criando uma incompatibilidade em relação à maior capacidade de carga do caminhão”, ele afirma.

A opinião é compartilhada por Hécton Silva Rodrigues, técnico de operação e estruturas de minas da Petrobras. Como exemplo, ele cita uma operação de mineração de xisto da companhia, onde a solução foi trocar todos os pneus dos 23 caminhões adquiridos pela empresa responsável pelo transporte de minério, a Gel Engenharia. “Adquirimos caminhões Axor, da Mercedes-Benz, e todos vieram com adaptações de fábrica para suportar o serviço na mina, como reforço do quarto eixo e da caçamba, mas os pneus eram do tipo 12.00 R20 e precisaram ser substituídos pelo modelo 12.00 R24. Foram mais de 300 conjuntos novos e um investimento que ultrapassou os R$ 2 milhões”, complementa Adayr Cabral Filho, superintendente de obras da Gel Engenharia.

O especialista explica que a decisão pela troca dos pneus se baseou em estudos de outras empresas do setor que já tinham seguido o mesmo caminho. A empresa também confrontou os dados de capacidade de carga dos fabricantes de caminhões com os dos fabricantes de pneus, o que resultou na conclusão de que as condições de segurança na operação e até mesmo a durabilidade dos pneus de aro maior justificavam o investimento. “Quatro vertentes direcionaram essa escolha: a durabilidade, a aderência ao solo, resistência e segurança”, diz ele.

Ganhos com a troca
Rodrigues acrescenta que os modelos de aro 20 ou 22 proporcionam baixa aderência nos serviços de transporte na mina, principalmente em locais com maior afloramento de calcário no solo, que exigem melhor ataque dos pneus. Cabral Filho destaca ainda sua menor resistência nas operações com minérios em forma de lâmina, como o xisto, o que aumenta a incidência de cortes nos pneus e reduz sua durabilidade. “Além disso, os novos pneus adquiridos podem ser recauchutados até três vezes, o que proporciona o dobro de vida útil em relação aos modelos menores.”

Nas contas de Rodrigues, da Petrobras, há de se considerar ainda que os pneus representam cerca de 30% do custo total de manutenção dos caminhões. “Utilizando os modelos 12.00 R24, deveremos reduzir esse custo pela metade ao longo dos próximos cinco anos de operação, o que justifica ainda mais o investimento.”

Fernando Garrafa, da Odebrecht, concorda que a alternativa para essa situação é a troca dos pneus por modelos de aro 24, mas alerta que tal iniciativa pode representar um alto custo para empresas que operam com grandes frotas, acima de 50 caminhões. “Esse pneu é muito caro é não é fabricado no Brasil, o que reduz a disponibilidade do produto no mercado.” Como exemplo, ele cita o passado recente, marcado pelo desabastecimento de pneus, uma situação que pode voltar a repetir em breve diante do volume de obras previsto no País.

Por esse motivo, o especialista avalia que já seria viável o investimento na fabricação desses modelos de pneus no Brasil, em função da projeção de demanda existente. Enquanto isso não acontece, muitos usuários continuam operando seus caminhões extrapesados com pneus de aro 20 ou 22, submetidos à sobrecarga. “Não é o ideal, mas em construção pesada isso é possível, com exceção dos serviços em regiões muito quentes, como o norte do País, onde os pneus podem estourar e a segurança da operação ficaria comprometida.” Garrafa concorda que tal opção resulta em maior gasto com pneus, mas pelo menos ela não prejudica a produtividade.

Nas operações em mineradoras, entretanto, a situação pode ser bem diferente em função da maior severidade a que são submetidos os equipamentos. Esse é o caso da mina de xisto da Petrobras, conforme explica Rodrigues. “Se rodarmos com os caminhões 8x4 com os pneus que eles vêm equipados, a redução na velocidade de transporte irá comprometer nosso tempo de ciclo e a produtividade.” Ele diz que, nas mesmas condições de segurança e de carga, um veículo equipado com modelo de aro 24 trafega na mina a uma velocidade de até 40 km/h, enquanto os pneus menores permitem atingir uma velocidade máxima de 10 ou 20 km/h.

Resposta dos fabricantes
De acordo com Newton Amorin, gerente de marketing da divisão de mineração da Michelin para a América do Sul, o dimensionamento do pneu pela sua capacidade de carga a uma certa velocidade, o cálculo conhecido como TKPH (tonelada por quilômetro hora), não se aplica aos pneus rodoviários. “Os modelos com aro 20 ou 22 têm uma construção menos protegida e não foram desenvolvidos para serviços fora-de-estrada.” Nesse caso, ele ressalta que diversas variáveis envolvidas na produção do pneu, como o tipo de borracha, o perfil, a profundidade de escultura e o reforço na banda de rodagem e no talão, acabam determinando a que tipo de aplicação ele se destina. “Os compostos duros são mais imunes a cortes, mas dissipam menos o calor.”

Com base nesses dados, os fabricantes de pneus trabalham em conjunto com as montadoras de caminhões no desenvolvimento do modelo mais adequado para cada veículo e para o tipo de serviço que ele deverá realizar. “Mas o projeto é das montadoras, que determinam como será a distribuição da carga pelos eixos”, complementa Amorim.

Roberto Leoncini, diretor de vendas da Scania, confirma que todos os modelos extrapesados da marca fornecidos para mineradoras, como os caminhões 10x4 e 8x4, já saem de fábrica com pneus do tipo 12.00 R24. O detalhe é que os modelos maiores, com cinco eixos, acrescentam mais 10 t ao PBT em relação aos caminhões 8x4 e se situam na faixa de 60 t de peso bruto. “Nas aplicações mais severas, a tendência não é fornecermos apenas o caminhão e sim a solução completa, pois só podemos garantir seu desempenho e disponibilidade se ele atender as especificações indicadas por nós, incluindo a implementação da caçamba, o modelo de pneu e até o respeito aos limites de carga e velocidade”, ele conclui.

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