“Os produtores estão reconhecendo a importância da conectividade” — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 283Maio 2024 Matéria 11 de 12
Sumário
  1. EditorialA importância da tecnologia para a construção
  2. EscavadeirasOlhar diferenciado sobre a segurança
  3. Manipuladores TelescópicosEstabilidade essencial para a segurança
  4. Especial InfraestruturaModal fluvial pede passagem no país
  5. MineraçãoImpacto direto nos indicadores
  6. TecnologiaA pegada ecológica em plantas de britagem
  7. LançamentoTalhada para ambientes severos
  8. CombustívelGarantia de consumo avança no país
  9. A Era Das MáquinasA consolidação dos caminhões fora de estrada
  10. ManutençãoAs técnicas para economizar combustível
  11. Entrevista – Ana Helena De Andrade“Os produtores estão reconhecendo a importância da conectividade”
  12. Coluna Do YoshioComo agregar valor ao trabalho
  13. Painel19 notas e colunas
Entrevista – Ana Helena De Andrade

“Os produtores estão reconhecendo a importância da conectividade”

Exclusivo M&T 9 de maio de 2024 · Edição 283

Ao conectar pessoas, máquinas e instrumentos, a utilização da tecnologia no campo vem se tornando uma das principais aliadas para o agronegócio, contribuindo de forma efetiva para a produtividade, redução de custos, crescimento sustentável e melhoria no desempenho das frotas, além de beneficiar propriedades rurais, cidades, unidades de saúde e escolas públicas.

Porém, para Ana Helena de Andrade, presidente da ConectarAGRO, associação civil sem fins lucrativos que visa fomentar a expansão do acesso à internet em áreas remotas, a conectividade no campo ainda é restrita no país, exigindo a estruturação de iniciativas colaborativas que atuem para expandir a conexão no campo.

Graduada e pós-graduada em economia e administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-graduada em comunicação empresarial pela Fundação Cásper Líbero (SP), a executiva – que assumiu a presidência da associação em 2022 para um mandato de dois anos,sendo recém-substituída por Paolla Campiello, gerente de novos negócios em conectividade da CNH Industrial– também é diretora de assuntos governamentais da AGCO para a América do Sul e vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Anteriormente, atuou na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) como gerente de financiamentos e na coordenação de diferentes câmaras setoriais, além de ter trabalhado na Agência Paulista de Promoção de Investimentos (Investe São Paulo), onde exerceu a gerência de administração e finanças da agência.

Em sua sólida trajetória profissional, foi ainda gerente de relações institucionais da Caterpillar, respondendo pelas áreas de comunicação, responsabilidade social e assuntos governamentais da fabricante. Antes de assumir a posição atual, foi líder do Comitê Institucional da ConectarAGRO, que reúne empresas de diferentes setores.

“A conectividade permite a integração de tecnologias digitais nas máquinas agrícolas, facilitando a agricultura de precisão e a gestão mais eficiente das operações agrícolas”, diz ela nesta entrevista exclusiva à Revista M&T. Acompanhe.

• Qual é a realidade atual do país em termos de conectividade no campo?

Atualmente, a conectividade no campo no Brasil ainda enfrenta desafios significativos. Apenas 15% das propriedades rurais têm alta conectividade, enquanto 70% delas carecem de acesso à internet. A predominância de tecnologias como rádio, satélite ou fibra ótica indica uma diversidade de meios de acesso. Porém, a qualidade e a disponibilidade são questões relevantes – com 27% das conexões apresentando baixa qualidade e 42% das propriedades sem internet via rádio em suas sedes.

• Nesse aspecto, quais foram os principais avanços da associação na área?

A ConectarAGRO existe como associação desde 2020, promovendo a conectividade em áreas rurais e remotas do Brasil, beneficiando propriedades rurais, cidades, unidades de saúde e escolas públicas. Também colaborou com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) para criar o Indicador de Conectividade Rural (ICR).


Atualmente, a ConectarAGRo conta com oito associadas, dez apoiadoras e cinco parceiros institucionais

• Pode detalhar essa parceria com a UFV? Qual é o escopo?

Como disse, a parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) permitiu criar o Indicador de Conectividade Rural (ICR), lançado oficialmente na Agrishow 2024, aprofundando o entendimento da relação entre internet e áreas rurais. Mas desde outubro do ano passado já estamos trabalhando com essa ferramenta, que irá fornecer números mais completos sobre a conectividade em áreas rurais. O ICR considera tecnologia e valor da produção agrícola e pecuária, utilizando dados do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ou de Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avaliando o uso de tecnologias como 2G, 3G, 4G e NB-IoT.

• Em relação à Internet das Coisas (IoT), de que maneira a iniciativa funciona e qual é o seu objetivo?

A Internet das Coisas (IoT) também integra o escopo das atividades da associação e desempenha um papel importante ao auxiliar na cobertura para soluções dedicadas em áreas rurais extensas. Para isso, a iniciativa utiliza tecnologias como NB-IoT (Narrowband Internet of Things, ou Banda Estreita para Internet das Coisas, em tradução livre), visando conectar máquinas e sensores, melhorando assim a eficiência e a produtividade no agronegócio brasileiro.

• Há projetos na área social, buscando beneficiar as localidades?

Sim. Em parceria com a Fundação André e Lucia Maggi (FALM), a iniciativa Formação Conectada busca promover o desenvolvimento social humano por meio de soluções tecnológicas. Isso é feito com a oferta de cursos de educação tecnológica para trabalhadores, educadores e estudantes rurais, capacitando-os em tecnologias agrícolas e melhorando a educação tecnológica para professores do ensino fundamental e médio, além de garantir infraestrutura de alta qualidade para alavancar a conectividade digital em áreas rurais.

• O que explica a opção preferencial pela conectividade 4G LTE de 700 MHz?

A opção pelo 4G LTE de 700 MHz deve-se à sua capacidade de oferecer uma conectividade estável em toda a área de produção, atendendo às demandas dos produtores rurais e conectando as pessoas nas áreas rurais, proporcionando as mesmas facilidades disponíveis nas áreas urbanas.

• Quantas empresas formam a associação atualmente? Onde a ação pretende chegar no que tange à cobertura e abrangência?

Atualmente, a ConectarAGRO possui oito associadas, incluindo AGCO (que controla as marcas Massey Ferguson, Valtra e Fendt), CNH Industrial (com as marcas Case IH e New Holland Agriculture), AWS, Nokia, Solinftec, TIM, Vivo e Yara. Também conta com o suporte de dez apoiadoras em seu quadro, além de cinco parceiros institucionais. A associação busca promover uma conectividade aberta, simples e acessível em áreas rurais, utilizando tecnologias como as já citadas 4G LTE de 700 MHz e NB-IoT. Como disse, o objetivo é alcançar cobertura e abrangência amplas, beneficiando propriedades rurais, instituições de saúde, escolas e comunidades em áreas remotas.


Conectividade permite a integração de tecnologias digitais em máquinas agrícolas

• Por que a iniciativa é tão importante para a indústria OEM de máquinas? E como impacta a manutenção em potencial?

De maneira geral, a conectividade permite a integração de tecnologias digitais nas máquinas agrícolas, facilitando a agricultura de precisão e a gestão mais eficiente das operações agrícolas. A conectividade também permite a implementação de sistemas de monitoramento remoto e manutenção preditiva em máquinas agrícolas, o que pode aumentar a eficiência da manutenção ao detectar problemas antes que ocorram falhas graves, reduzindo o tempo de inatividade (máquina parada) e os custos onerosos de reparo.

• Aliás, como o produtor rural brasileiro se relaciona com a conectividade em suas frotas?

Cada vez mais, os produtores rurais brasileiros estão reconhecendo a importância da conectividade em suas operações, especialmente em relação à gestão de frotas, como citado acima. Afinal, a conectividade permite o monitoramento em tempo real das máquinas agrícolas, com a otimização das rotas e da manutenção preditiva, melhorando assim a eficiência e reduzindo as despesas operacionais das frotas do agricultor.


Segundo a executiva, 70% das propriedades rurais no país carecem de acesso à internet

• A propósito, como funciona o simulador de benefícios no que se refere ao desempenho dos equipamentos agrícolas?

Disponibilizado gratuitamente no site da associação, o simulador de benefícios ConectarAGRO quantifica o impacto da conectividade e das tecnologias digitais na agricultura, incluindo a redução de custos, o aumento de produtividade e o uso de recursos como a agricultura de precisão. Em outras palavras, o simulador permite que os usuários simulem os potenciais benefícios em suas operações agrícolas. Recentemente, a ConectarA

• GRO atualizou o simulador, aprimorando os demonstrativos dos ganhos potenciais da conectividade e das tecnologias digitais na agricultura.Quais são os maiores desafios que a associação enfrenta e como superá-los?

Alguns dos desafios enfrentados pela associação incluem a garantia de uma cobertura abrangente em áreas rurais remotas, da qualidade e da estabilidade da conectividade, assim como a conscientização dos produtores rurais sobre os benefícios das tecnologias digitais. Pela nossa própria experiência, esses desafios somente podem ser superados por meio de parcerias estratégicas com universidades e instituições de pesquisa, investimentos em infraestrutura de telecomunicações e programas de educação e capacitação para os agricultores.


Desafios somente serão superados por meio de parcerias estratégicas, diz Ana Helena

• Quais são os próximos passos nesse sentido?

Eventualmente, os próximos passos da associação podem incluir uma expansão ainda maior da cobertura de conectividade em áreas rurais, o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções para atender às necessidades dos produtores agrícolas e o fortalecimento das parcerias com instituições acadêmicas e governamentais. Também é possível trabalhar para aumentar a conscientização sobre os benefícios da conectividade e tecnologias digitais entre os produtores rurais, além do aprimoramento do já citado ICR (Indicador de Conectividade Rural), nossa nova iniciativa para aprofundar o entendimento da relação entre internet, equipamentos e áreas rurais.


Saiba mais:
ConectarAGRO:
www.conectaragro.com.br

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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