A consolidação dos caminhões fora de estrada — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 283Maio 2024 Matéria 9 de 12
Sumário
  1. EditorialA importância da tecnologia para a construção
  2. EscavadeirasOlhar diferenciado sobre a segurança
  3. Manipuladores TelescópicosEstabilidade essencial para a segurança
  4. Especial InfraestruturaModal fluvial pede passagem no país
  5. MineraçãoImpacto direto nos indicadores
  6. TecnologiaA pegada ecológica em plantas de britagem
  7. LançamentoTalhada para ambientes severos
  8. CombustívelGarantia de consumo avança no país
  9. A Era Das MáquinasA consolidação dos caminhões fora de estrada
  10. ManutençãoAs técnicas para economizar combustível
  11. Entrevista – Ana Helena De Andrade“Os produtores estão reconhecendo a importância da conectividade”
  12. Coluna Do YoshioComo agregar valor ao trabalho
  13. Painel19 notas e colunas
A Era Das Máquinas

A consolidação dos caminhões fora de estrada

Os primeiros projetos de caminhões fora de estrada foram desenvolvidos no final da década de 1930 pela Euclid e Dart, entre outras marcas

Exclusivo M&T 9 de maio de 2024 · Edição 283


Lançado em 1937, o modelo 75-TA foi o primeiro fora de estrada produzido pela Dart

Os primeiros projetos de caminhões fora de estrada, desenvolvidos pela Euclid e Dart, entre outras marcas, remetem ao final da década de 1930, mas tiveram de ser suspensos devido à Segunda Guerra Mundial.

Após o final da guerra, a demanda de materiais levou a projetos cada vez maiores, desenvolvidos por empresas como Autocar, Caterpillar, Dart, Euclid (depois também Terex), Faun, JCB, John Deere, Kenworth, Komatsu, Krupp, LeTourneau, LiuGong, Mack, Oshkosh, SDLG, Volvo, XCMG e outras, algumas das quais já abordadas anteriormente neste espaço.

Inicialmente, foram usados chassis rodoviários reforçados. Na Alemanha, foi possível obter chassis Diamond e Mack como sobras de guerra por algum tempo, mas havia necessidade de produção local.

O primeiro lançamento foi feito pela Faun em 1950, com um modelo de 20 ton de capacidade. Em 1968, e a empresa lançou o K40, com peso total de 71 ton, o maior modelo produzido no país na época.

No final dos anos 1940, o maior caminhão disponível era o Euclid 1FFD, com capacidade de 31 ton. Em 1951, essa empresa produzia o maior veículo do mercado (o R-45), de 45 ton, mantendo-se como um fabricante importante durante os anos 1960, quando oferecia uma linha que ia do modelo R-10 ao R-62.

Dez anos depois, a linha ia até o R-210, com capacidade de 210 ton e 1.810 hp.

A venda da marca para a White deu origem à Terex na GM, que passou a fabricar uma linha com 7 modelos, desde o 33-03, de 22 ton, até o diesel-elétrico 33-19 Titan, com 3.300 hp e capacidade de 320 ton.

AVELING-BARFORD

A Aveling-Barford foi constituída a partir da entrada da Barford & Perkins (atual Perkins Engines) no mercado. Naquela época, Frank Perkins trabalhava para a Barford & Perkins e para a Aveling & Porter, dois importantes fabricantes ingleses de equipamentos de compactação.

Mas a Aveling & Porter adquiriu os ativos da Barford & Perkins em 1932, alterando o nome da empresa para Aveling-Barford em 1934.

Em 1967, a empresa passou a fazer parte do grupo British-Leyland, lançando uma linha de caminhões basculantes com capacidades de 30 ton (RD30) a 50 ton (RD50). Posteriormente, lançou os modelos RD55 e RD65.

Em 1980, a marca passou para o grupo Thomson, que incluía o fabricante norueguês Moxy, agregando três modelos de caminhões à marca. Em 1988, foi adquirida pela Wordsworth Holdings, permanecendo no grupo até 2010, quando o controle passou para a Doosan.

DART

A Dart foi fundada em 1903, inicialmente como fabricante de caminhões rodoviários. Produziu seu primeiro fora de estrada em 1937, quando lançou o 75-TA, de 75 ton. Projetado por Ralph Kress, o modelo era muito superior aos veículos até então disponíveis, seja em capacidade, dimensões ou desempenho.

Com capacidade de 68 ton, posteriormente aumentada para 75 ton, o veículo trazia três eixos com dois conjuntos de 300 hp, cada um deles acionando um dos eixos traseiros. Apesar da expectativa, foi produzida somente uma unidade desse modelo.


Em 1968, a Faun lançou o modelo K40, com peso total de 71 ton e
que se tornaria o maior caminhão produzido na Alemanha no final dos anos 1960

Os demais modelos lançados pela empresa, contudo, tiveram bastante sucesso, inclusive o primeiro veículo de dois eixos a bater a capacidade de 100 ton. Também foram produzidas versões elétricas de diversas capacidades.

Em 1958, a empresa foi adquirida pela Pacific Car and Foundry (mais conhecida como Paccar), mudando o nome para KW-Dart (KW é uma abreviatura de Kenworth), que permaneceu por algum tempo no mercado.

Após diversas trocas de controle, a companhia acabou por ser comprada pela Unit Rig em 1984, cujo controle passou para a Terex em 1988 e para a Bucyrus em 2010.

WABCO

O nome Haulpak nasceu com a compra da R. G. LeTourneau pela Westinghouse Air Brake (Wabco).

Em 1956, Ralph Kress passou da Dart para a Wabco, onde criou a linha Haulpak, um conceito totalmente revolucionário para veículos OTR, com chassi em V, cabine elevada e deslocada para um dos lados, distância entre eixos mais curta e suspensão hidropneumática, que passaram a caracterizar o projeto moderno desses equipamentos.

Nessa linha, foram lançados modelos com as capacidades de 20, 24 e 29 ton. Em 1966, surgiu o Haulpak LW120, de 95 ton. A linha Haulpak era a mais rentável da empresa que, com o passar do tempo, deixou de produzir outros equipamentos e concentrou-se em caminhões.

Em 1984, a Wabco passou a fazer parte do grupo Dresser e, após uma curta joint-venture, a Komatsu assumiu o controle da empresa em 1994. O nome Haulpak foi descontinuado por volta de 1998, sendo que os caminhões passaram a se chamar Komatsu.

Os modelos menores são de projeto próprio da empresa, mas as raízes dos maiores ainda hoje podem ser traçadas até a origem dos Haulpaks.

CATERPILLAR

Em 1962, a Caterpillar entrou na competição, lançando o modelo 769, de 32 ton e, em 1970, o 773, de 50 ton e 600 hp. Com a ida de Ralph Kress para a Cat, em 1964, foram lançados o 779 (capacidade de 68 ton) e o 783, com capacidade de 91 ton, além de um projeto diesel-elétrico, o 774, de 75 ton, desenvolvido para serviços pesados de mineração e lançado em 1980.


Introduzido pela Aveling-Barford, o modelo basculante
RD55 se destacava pela capacidade de 55 ton

Quando o 779 foi descontinuado, a empresa lançou o 777, com capacidade de 85 ton. Um dos mais bem-sucedidos projetos da marca, o modelo trazia motor de 870 hp, freios refrigerados a óleo e cabine ROPS totalmente nova, além de um visual de linhas retas que é usado até hoje.

O desempenho do 777 tornou o equipamento dominante no mercado na faixa de 85 a 100 ton.

Já Ralph Kress terminou sua carreira trabalhando para a companhia de seu filho, a Kress Corp.

FINAL DOS ANOS 60

Em 1961, foi lançado na Suécia o Kockum LT-2A (posteriormente, 425) de 22,5 ton, com motor Scania de 287 hp, que teve ótima reputação nos anos seguintes e veio inclusive a ser produzido no Brasil pela Randon.

Em 1965, a International lançou a linha Payhauler, com modelos de 36 e 45 ton, com tração em todos os eixos e distribuição de peso de 50% em cada eixo.

A conceituação era tão eficiente que vem sendo usada até hoje, enquanto diversos fabricantes lançaram modelos diesel-elétricos com mais de 100 ton: KW-Dart D-2772 (100 ton), Unit Rig Lectra-Haul M100 (91 ton) e M-200, com 1.650 hp e peso carregado total de 310 ton.

A situação começou a mudar no final da década de 60, quando a Volvo lançou seus primeiros caminhões articulados, o D631 4x4 e o DRB860, cuja versatilidade e robustez logo os colocaram à frente dos veículos de chassi rígido.

Aos poucos, esses antigos modelos passaram a ser usados apenas em algumas aplicações específicas e na mineração.

E os demais fabricantes também seguiram essa tendência.

Leia na próxima edição:
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