O prefeito é quem tem que dar um jeito. — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 77Jun/Jul 2003 Matéria 5 de 18
Sumário
  1. EditorialConhecimento para gerar riqueza
  2. NotasPeter Karlsten assume Volvo trucks nos EUA
  3. EntrevistaJÜRGEN FLEMMING, o alemão que saiu do frio.
  4. M&Texpo’2003O evento do ano no mercado de equipamentos.
  5. MunicípiosO prefeito é quem tem que dar um jeito.
  6. SaneamentoMunicípios tentam diminuir déficit.
  7. TransportesSão Paulo enfim terá o seu “fura fila”
  8. Meio AmbienteEm meio a lixôes, surgem novos modelos de gestão de resíduos.
  9. TecnologiaUm novo golpe nas emissões
  10. EquipamentosUm novo padrão em equipamentos
  11. GlobalizaçãoCNH mostra sua força em paris
  12. CaminhõesFora da estrada ou dentro da cidade
  13. SinergiaQualidade Liebbherr na indústria aeroespacial.
  14. ComponentesTrem de força: novas opções da DANA
  15. TreinamentoInstituo Opus lança curso para operadores de caminhão, em parceria com a Scania.
  16. InformáticaRedes sem fio vieram para ficar.
  17. DicasConheça melhor o chamado " Pneu de terraplenagem"
  18. Espaço AbertoSemi-trailer cometto transporta cat de 110 t
Municípios

O prefeito é quem tem que dar um jeito.

Exclusivo M&T 1 de julho de 2003 · Edição 77

Cerca de 82% da população brasileira vive hoje em cidades. Com uma população de 170 milhões de habitantes, o Brasil abriga mais de 139 milhões de pessoas em seus municípios. Nove metrópoles brasileiras concentram 55 milhões de pessoas e somente a população de São Paulo equivale a um Chile e meio. Os fluxos migratórios que “esvaziaram” o campo, especialmente após a segunda metade do século XX - e o próprio crescimento vegetativo da população, não só incharam as cidades brasileiras como trouxeram inúmeros problemas de infraestrutura urbana. No Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, quase metade dos domicílios está em favelas ou loteamentos irregulares. O déficit habitacional é de aproximadamente 6,5 milhões de moradias, o que tem levado as populações a ocuparem beiras de córregos, encostas, vales inundáveis e especialmente áreas de proteção ambiental, como mangues, florestas e mananciais de água.

Mais de 8% dos lares urbanos não possuem sistema de abastecimento de água potável e outros 47% não contam com redes de esgotamento sanitário. De todo o esgoto coletado no país, 90% é jogado diretamente nos rios, lagos e praias, sem qualquer tratamento de despoluição. Deficiências nos sistemas de energia elétrica e gás combustível, transportes. sistemas viários, educação e proteção ao meio ambiente completam o enorme e alarmante passivo social das zonas urbanas brasileiras.

O recém-criado Ministério das Cidades, sob o comando de Olívio Dutra, terá muito trabalho pela frente para reverter esse quadro. Segundo estudos realizados pelo Conselho de Infra- estrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil precisa investir anualmente R$ 50 bilhões durante os próximos quatro anos para acabar com o déficit de infraestrutura. Para a CNI, as principais carências estão nos setores de saneamento básico, energia elétrica, ferrovias, hidrovias, petróleo e gás.

Frentes múltiplas - Em seus sete primeiros meses de existência, o Ministério das Cidades já atua em várias frentes de trabalho para melhorar os números do Brasil urbano. Uma delas é o apoio às ações do gabinete do ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome na construção de cisternas, unidades sanitárias, melhorias habitacionais e barragens no semiárido nordestino com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

A pasta de Olívio Dutra também coordena a implantação de programas como o PASS BID. que prevê ações com o objetivo de universalizar a água e o saneamento básico em cidades com índice de Desenvolvimento Humano (TDH) abaixo da média e população entre 15 mil e 75 mil habitantes. A primeira fase desse programa abrange 60 municípios. Outro programa do Ministério das Cidades é o Habitar Brasil/BID (HBB), que tem como meta a extensão das obras de urbanização de favelas dos atuais 28 municípios para 105 municípios.
E muito pouco ainda. Por sorte, as autoridades locais não estão paradas. Pelo contrário, através de parcerias, linhas de financiamento externo e interno e sobretudo muita criatividade, prefeitos de norte a sul do país tem sabido driblar a falta de recursos para atender as demandas mais imediatas que batem à sua porta. Algumas dessas iniciativas estão registradas aqui, nesta edição da revista M&T.

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