Novos requisitos para a liderança — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 295Julho de 2025 Matéria 11 de 11
Sumário
  1. EditorialCombustíveis alternativos avançam na transição
  2. BetoneirasMuito além do transporte
  3. MotoniveladorasA sobrevida da transmissão direta
  4. InfraestruturaA modernização dos portos brasileiros
  5. TreinamentoPorta de entrada para o setor
  6. RentalEquilíbrio nos investimentos
  7. MineraçãoPegada sustentável na britagem
  8. A Era Das MáquinasA história das soluções de dragagem
  9. ManutençãoOs sistemas auxiliares de frenagem
  10. Entrevista – Edward Mason Ii“Dívida é o beijo da morte para as empresas”
  11. Coluna Do YoshioNovos requisitos para a liderança
  12. Painel21 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

Novos requisitos para a liderança

O imediatismo traz a necessidade de lideranças mais maduras e abrangentes, capazes de resgatar o curso evolutivo da sociedade por meio de um pensamento coletivo de longo prazo

Exclusivo M&T 11 de julho de 2025 · Edição 295


O que acontece com as pessoas em tempos de incertezas, polarização, guerras, crises geopolíticas, conflitos comerciais, rupturas de alianças, aumento da criminalidade e escalada generalizada da violência? Parece exagero, mas é exatamente o que estamos experimentando na atualidade.

A falta de perspectivas visíveis e a dificuldade de estabelecer um plano de longo prazo para a vida pessoal, para os negócios e para a própria sociedade faz com que, cada vez mais, as pessoas busquem uma zona de conforto própria, em um “espaço” cada vez menor e mais individualizado.

Na prática, os ideais globalistas já foram descartados, com aumento das desigualdades e retorno ao nacionalismo e ao protecionismo econômico, sacrificando as propostas mais nobres de resolver os problemas globais e proteger os recursos naturais, que mais uma vez já se esfarelam no tempo.

No mundo dos negócios, os empresários se tornam mais realistas e objetivos, mirando maior concretude nos negócios em uma visão imediatista, que se encerra num raio de visibilidade curta.

Profissionais e executivos tornam-se mais cautelosos e individualistas, preservando as próprias carreiras no curto prazo e procurando se blindar dos riscos iminentes.

Políticos reforçam a sobrevivência eleitoral por meio de um “curto-prazismo” pragmático e populista. A nova regra é o jogo individual, que desarticula a sociedade e promove a luta entre as “facções” em todos os setores.

Nesse cenário, os setores com evolução mais rápida e disruptiva muitas vezes são associados e explicados em termos de dominação e poder econômico, ao invés de propostas concretas para a sociedade global.

Aparentemente, ninguém mais é ingênuo, pois tudo se faz unicamente para controlar. Isso traz a necessidade de lideranças mais maduras e abrangentes, capazes de resgatar o curso evolutivo da sociedade por meio de pensamento coletivo, restabelecimento da confiança e propostas estratégicas de longo prazo.

Para um alívio imediato das ansiedades e incertezas, o foco está em acreditar em uma sequência de concepções e ações espontâneas e minimalistas, que se acumulem para formar uma proposta mais grandiosa de sociedade.

Com o tempo, as percepções humanas mais aguçadas identificarão essas oportunidades e voltarão a investir no futuro, com soluções mais abrangentes.

O sucesso individual num ambiente já comprometido pelo imediatismo e individualismo não será capaz de propiciar a segurança e a liberdade que o ser humano constantemente busca. Como em qualquer atividade humana, pensamentos mais amplos e abrangentes também são requisitos da liderança corporativa.


*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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