Novos rumos — Revista M&T
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M&T nº 72Ago/Set 2002 Matéria 2 de 11
Sumário
  1. EditorialNovos passos na atualização tecnológica
  2. EntrevistaNovos rumos
  3. Atividade Da SobratemaWalter Barelli
  4. FerramentaEstudantes visitam centro demonstrações da Volvo
  5. ObraO desafio de domar rios no fundo de vales
  6. MercadoOs ingleses chegaram (para ficar)
  7. LocaçãoA afirmação de uma nova ferramenta de trabalho
  8. TreinamentoInstituto Opus ganha simulador operacional
  9. PeçasOs valores agregados do mercado de reposição
  10. ArtigoIndignação
  11. Espaço AbertoNova "powershuttle" é compatível com linha "powershift"
Entrevista

Novos rumos

Exclusivo M&T 1 de agosto de 2002 · Edição 72
Novos  rumos

Em uma empreiteira com 80 anos de tradição

Quem não se lembra da cena do filme "Assim Caminha a Humanidade" em que Jett Rink (James Dean), peão de fazenda de um rancho texano, vê jorrar petróleo em suas terras. Renato de Almeida Pimentel Mendes, atual diretor-presidente da Azevedo & Travassos se lembra bem, porque é ainda hoje um dos poucos brasileiros que vivenciaram esse sonho, quando contava pouco mais de dezesseis anos. Mais precisamente no início dos anos 80, quando a empreiteira dirigida por seu pai, Bernardino Pimentel Mendes, decidiu diversificar as atividades assinando um contrato de risco com a Petrobrás e, através da Azevedo & Travassos Petróleo, investir na exploração de um campo na Bacia Potiguar, Rio Grande do Norte.
A perfuração do primeiro poço foi iniciada em dezembro de 1983 e, sua operação, com até 12 barris/dia, em novembro de 1984. Outros poços, com maior produção, chegaram a atingir 100 barris de petróleo e 50 mil m3 de gás ao dia. "Brincávamos, na época, que éramos o segundo maior produtor de petróleo do Brasil e realmente fomos a única empresa privada a realizar todo o ciclo de upstream e a produzir petróleo", lembra Mendes.
Esse ciclo envolveu desde o estudo geológico da área, a definição dos locais de perfuração dos poços, a própria perfuração e descoberta do petróleo, até a otimização da produção, desenvolvendo o campo de exploração com o aumento do número de poços e a construção de todas as instalações necessárias. Mesmo a partir daí, quando o contrato previa que a operação passasse à Petrobrás, a A&T continuou com a extração, passando pelo tratamento do óleo, descarte da água, separação de óleo/gás e transporte e entrega do produto final para a estatal chegando, inclusive, a construir um gasoduto só para comercializar o gás produzido.
A experiência, desenvolvida com o Grupo Paranapanema, durou até o final de 1 998, consumiu US$ 40 milhões e, embora não rendendo o retorno financeiro projetado, foi o que deu à construtora o know-how e os equipamentos necessários para conquistar a qualificação em um segmento emergente e que lhe abriria novas oportunidades no futuro.
Grupo seleto - A Azevedo & Travassos que em 2002, completa 80 anos, faz parte de um grupo seleto de empresas credenciadas para a instalação, completação (revestimento) e manutenção de dutos de petróleo e gás e, além da certificação ISO 9002 nessa área, possui a famosa "carteirinha" da ANP (Agência Nacional de Petróleo), que lhe dá a condição de convidada vip em qualquer leilão de novos campos de petróleo. Hoje, Mendes avalia positivamente a experiência: "Nossa qualificação atual vem do know-how adquirido e dos equipamentos que mantivemos, como as sete sondas - seis delas operando para a Petrobrás - capazes de perfurar poços com até 4 mil m de profundidade". Para ele, há boas perspectivas tanto no setor de petróleo, agora aberto ao capital privado, quanto no mercado de gás, em plena evolução. "A privatização da área de gás, somada à construção dos gasodutos e térmicas, deve fazer com que seu uso como matriz energética passe de 2 para 12%", estima.
Só para a Comgás, com quem começou a trabalhar em 1972, a A&T já realizou, entre outras obras, a implantação das redes de Cubatão, na Baixada Santista (SP), a adequação da rede da capital, quando foi feita a conversão do gás de nafta para o gás natural, a instalação de toda a rede de Jundiaí-Itatiba e do trecho Mogi Mirim-Jaguariúna, no interior do Estado e a recuperação de 1000 ramais domiciliares e comerciais na região oeste da cidade, através da substituição dos tubos galvanizados por uma rede nova de Polietileno (PE), além de 11 km novos de rede na região sul, 90% deles executados por MND (Método Não Destrutivo). Neste semestre inicia o prolongamento da rede de Jundiaí, a partir de Campinas, ao longo da via Anhanguera e continua as ligações dos postos de GNV (Gás Natural Veicular) e os contratos fechados com a concessionária carioca de gás.
Para a Petrobras, explica Mendes, "entramos na fase de perfuração dos poços, na fase de completação - revestimento - desses poços e, também na manutenção dos poços já existentes. A empresa participou da instalação de dutos no Gasoduto Brasil-Bolívia e, atualmente, através da CNO - Construtora Norberto Odebrecht, está executando a recuperação de uma linha no píer de Angra dos Reis (RJ) e a adequação dos lançadores e recebedores da estação de Barra do Furado, com a recuperação de trechos da tubulação, sem paralisar o fluxo de petróleo.
Capacitação - Os contratos com a Comgás - Companhia de Gás de São Paulo - e a Petrobrás, também levaram à formação de uma nova filosofia na A&T para atender a exigências severas em segurança, saúde e meio ambiente. Cumprir esses procedimentos rigorosos, explica o diretor- presidente Renato de Almeida Pimentel Mendes, pode implicar num acréscimo de custos da ordem de 30% para a contratante. "A Comgás e a Petrobras assumem isso, mas isso não é comum em muitos órgãos públicos. Por outro lado, as normas já integram nossa rotina e é impossível trabalhar de outra forma", diz. Depois de obter, em 2000, a certificação ISO 9002 para a área de Dutos, a empresa está finalizando a implantação de um segundo sistema de gerenciamento, o SSM (Segurança, Saúde e Meio Ambiente), que envolve toda uma estrutura de engenheiros e técnicos de segurança, atendimento médico e procedimentos de limpeza dos canteiros e descarte de materiais, entre outros. Como exemplo, Mendes cita uma obra recém-contratada pela Petrobrás, onde cada uma das 10 equipes de 20 funcionários terá um técnico de segurança, treinamentos, atuação padronizada e monitoramento contínuo por uma gerência específica. "Hoje, se preciso, paralisamos uma obra pela falta de um equipamento de segurança, o que seria considerado loucura em outros tempos", lembra. Também a concepção administrativa da empresa foi mudando nos últimos anos e se refletiu na transferência de sua sede para as instalações de sua central operacional e no enxugamento da frota de equipamentos, hoje reduzida a um "básico", como define Mendes, de 67 máquinas. "A aquisição é interessante dentro de uma continuidade, por 150 horas/mês e durante o ano todo. Do contrário, os custos da ociosidade do equipamento e do operador são muito altos e acabam gerando uma situação de patrimônio sem liquidez", afirma.

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