Mudança de paradigma — Revista M&T
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M&T nº 181Julho 2014 Matéria 11 de 16
Sumário
  1. EditorialMotivos para manter a confiança
  2. EscavadeirasAs mais desejadas
  3. GuindastesBola para frente
  4. TreinamentoUm caminho sem volta
  5. Seguros De EquipamentosSempre em boas mãos
  6. Pás CarregadeirasTerra de gigantes
  7. FabricanteAposta de internacionalização
  8. Mtps 2014Atendimento de alto nível
  9. Momento M&T Expo 2015Vem aí a maior feira de equipamentos da América Latina
  10. DiagnósticoPrecisão na antecipação de falhas
  11. GestãoMudança de paradigma
  12. A Era Das MáquinasOs pioneiros do ar comprimido
  13. ManutençãoAgentes contra o desgaste
  14. Entrevista"O mercado mais enxuto ‘purifica’ a concorrência"
  15. Compactos & FerramentasOpções para um acabamento perfeito
  16. Coluna YoshioEnfim, um legado da Copa
  17. Painel14 notas e colunas
Gestão

Mudança de paradigma

Implantação do novo sistema de escrituração digital e Social traz mudanças culturais consideráveis para o setor, mas algumas empresas ainda não perceberam o desafio

Exclusivo M&T 24 de julho de 2014 · Edição 181

A partir de 2015, todas as empresas do país sofrerão importantes mudanças organizacionais e terão de atualizar a forma como gerenciam suas informações. Isso porque a partir desta data entrará em vigor o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas), o novo sistema para emissão e controle de folhas de pagamento que unificará em um ambiente on-line todas as informações fiscais, previdenciárias e trabalhistas que as empresas são obrigadas a enviar ao governo. Neste rol, dentre outros documentos estão incluídos Folha de Pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), por exemplo.

Segundo projeções da Receita Federal, com a implantação do eSocial a arrecadação terá um incremento de R$ 20 bilhões por ano, graças ao aumento da fiscalização que será possível com um cruzamento de dados mais eficiente. Com maior segurança, o envio dos dados poderá ser feito pelo site do programa, sendo que a Receita prevê que as organizações enviem cerca de 200 milhões de arquivos por mês.

Mas tal mudança não é nada simples e, consequentemente, a implantação do sistema tem enfrentado muitas idas e vindas. Em 17 de julho de 2013, o Ato Declaratório Executivo nº 5 aprovou as regras para funcionamento do sistema, instituindo a data de janeiro de 2014 para a adesão ao sistema. Posteriormente, a data foi adiada para abril, depois outubro e, finalmente, para o meio do ano que vem (leia Box na pág. 61).

Até o momento, o governo já publicou o leiaute para qualificação cadastral dos trabalhadores, uma das etapas de preparação para o eSocial que permite identificar possíveis divergências entre os cadastros internos das empresas (Cadastro CPF e CNIS), a fim de não comprometer o cadastramento inicial ou admissões de trabalhadores. “A principal novidade em relação a versão on-line que já estava disponível é que agora o nome do trabalhador faz parte das informações que serão verificadas”, afirma Marli Vitória Ruaro, coordenadora de projetos da Sispro, empresa especializada em softwares de gestão empresarial. “E a qualificação do cadastro dos trabalhadores é um dos pontos críticos que as empresas devem observar dentro de seus projetos para atender ao eSocial.”

DESAFIO

O fato é que o eSocial vem gerando muita polêmica no mercado, pois se trata de um audacioso projeto de inteligência fiscal e que, desse modo, implica em um grande desafio para os gestores e empreendedores. “O desafio é muito grande, por isso, é muito importante que os gestores não deixem para diagnosticar e adequar seus processos na última hora”, avalia Ricardo Kremer, gerente de produto da Senior, desenvolvedora de softwares para recursos humanos.

Certamente, o eSocial terá um impacto significativo no setor da construção, que emprega mão de obra intensiva e terceirizados informais nas obras. De saída, vai ficar mais complicado transferir funcionários de seu local de trabalho. Mas essa é só a ponta do iceberg, pois as mudanças tendem a ser mais profundas. “Centralizar a informação vai provocar uma profunda mudança de paradigmas nas empresas, sendo necessário um grande esforço coletivo de seus trabalhadores para a criação de uma estratégia para implementá-lo”, avalia Armando Augusto Martins Campos, engenheiro de segurança no trabalho. “Por isso, deve ser definido um passo a passo sob a Coordenação de um Controller, que deve estabelecer um plano de ação para seleção e definição de quem será o responsável em cada leiaute.”

Outro aspecto importante diz respeito à segurança empresarial. O ProSub/EBN (Programa de Desenvolvimento de Submarinos/Estaleiro e Base Naval), por exemplo, avalia que a principal mudança será em relação à rotina de trabalho, principalmente envolvendo admissões, demissões, férias e afastamentos. “O eSocial não muda a legislação”, diz Sérgio Faber, responsável por pessoas e organização. “O que muda são os procedimentos, a nossa forma de fazer.”

Segundo o informativo “Mar Aberto”, o empreendimento vem realizando reuniões de engajamento com suas equipes para conscientizá-las sobre os riscos de exposição da empresa trazidos pela maior complexidade do novo sistema de escrituração digital. “A maioria dos riscos relacionados com a gestão de integrantes e terceiros nasce quando tomamos decisões equivocadas”, afirma Paulo Lacerda, VP Operações do ProSub/EBN.

EQUIPAMENTOS

No setor de equipamentos, uma das fabricantes que já se preparam para a adesão ao eSocial é a Ciber, empresa especializada em construção rodoviária controlada pelo Grupo Wirtgen. Segundo informações de sua assessoria de imprensa, a empresa gaúcha começou a implantar um novo modelo de sistema de TI em março, com previsão de conclusão em dezembro de 2014.

O projeto contempla a implantação de diversos módulos do software de gestão de pessoas fornecidos pela Senior, incluindo administração de pessoal, recrutamento, seleção, treinamento, cargos, salários, benefícios e pesquisas. Aliás, a partir da obrigação legal do eSocial, a empresa decidiu modernizar todos os processos de recursos humanos. “O principal diferencial do projeto é auxiliar na gestão da companhia, por integrar as informações geradas pelos colaboradores, garantindo segurança e confiabilidade para a tomada de decisões estratégicas, em tempo real”, diz Paulo Borba, gerente de TI e processos corporativos da Ciber. “Uma grande vantagem do novo sistema é a redução das consultas dos colaboradores ao departamento de recursos humanos, uma vez que a solução alerta os usuários sobre os procedimentos a seguir e disponibiliza dados atualizados a todos.”

Segundo o executivo, a solução permite a criação de relatórios, telas de consulta e cubos de decisão, além do desenvolvimento de análises próprias. O mais importante, diz ele, é que os colaboradores adquiram conhecimento e experiência ao longo da implantação do eSocial. “É necessário haver uma troca intensa de informações para que as necessidades sejam identificadas e devidamente supridas”, ressalta.

Na área de locação, empresas como a Estaf Equipamentos também já se preparam para a migração. Segundo Ketty Cavalcanti, gerente de recursos humanos, a empresa vê a mudança de forma bastante positiva, desde que exista estrutura para que as informações sejam transmitidas. “O grande problema na implantação de tais projetos é o suporte dados aos usuários na implantação”, diz ela. “Mas temos acompanhado, junto à empresa fornecedora do sistema integrado, a data de liberação da nova versão e também estamos participando de vários cursos.”

Sistema exige mudança cultural nas empresas

O eSocial exige que todas as áreas estejam alinhadas, desde o setor de informática até a administração da empresa. Mas muitas empresas ainda estão titubeando para iniciar seus processos de revisão e adaptação, em uma postura reativa que pode comprometer todo o sucesso da adequação ao novo sistema. “De fato, ainda é baixo o número de empresas que têm uma visão completa e assertiva dos reais impactos do eSocial”, diz Victória Sanchez, especialista em soluções de Tax & Accounting da Thomson Reuters no Brasil. “Mas o eSocial não se limita a uma obrigação que se resolve com o sistema de folha de pagamento ou gerenciamento de pessoas e recursos humanos, como muitos acreditam.”

Segundo ela, é preciso lembrar que, como arquitetura de inteligência fiscal, o projeto do eSocial terá a capacidade de relacionar as informações, apurar as inconsistências e inconformidades, além de registrar e aplicar as penalidades fundamentadas na legislação fiscal, trabalhista e previdenciária. “Trata-se de um caso excepcional de Big Data e, por isso, exige toda uma mudança cultural e de governança corporativa”, finaliza.

Adesão ao sistema é adiada para 2015

Pela 5ª vez, o governo mudou o cronograma de adesão ao eSocial. Com isso, o sistema será adotado de maneira gradual e – desde que não haja novas mudanças – só deve ser obrigatório a partir de junho do ano que vem. Além disso, inicialmente o eSocial será válido apenas as grandes empresas, enquanto o cronograma e as regras para as demais empresas ainda estão em discussão. Segundo o governo, até o final de 2014 será disponibilizado um ambiente de testes para que as grandes empresas comecem a inserir seus dados. “Pedimos mais tempo e o governo atendeu”, diz Valdir Pietrobon, diretor da Fenacon (Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços Contábeis).

 

 

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