"O mercado mais enxuto ‘purifica’ a concorrência" — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 181 ← Voltar à edição
M&T nº 181Julho 2014 Matéria 14 de 16
Sumário
  1. EditorialMotivos para manter a confiança
  2. EscavadeirasAs mais desejadas
  3. GuindastesBola para frente
  4. TreinamentoUm caminho sem volta
  5. Seguros De EquipamentosSempre em boas mãos
  6. Pás CarregadeirasTerra de gigantes
  7. FabricanteAposta de internacionalização
  8. Mtps 2014Atendimento de alto nível
  9. Momento M&T Expo 2015Vem aí a maior feira de equipamentos da América Latina
  10. DiagnósticoPrecisão na antecipação de falhas
  11. GestãoMudança de paradigma
  12. A Era Das MáquinasOs pioneiros do ar comprimido
  13. ManutençãoAgentes contra o desgaste
  14. Entrevista"O mercado mais enxuto ‘purifica’ a concorrência"
  15. Compactos & FerramentasOpções para um acabamento perfeito
  16. Coluna YoshioEnfim, um legado da Copa
  17. Painel14 notas e colunas
Entrevista

"O mercado mais enxuto ‘purifica’ a concorrência"

Exclusivo M&T 24 de julho de 2014 · Edição 181

Atual gerente geral da Manitowoc no Brasil, Mauro Nunes é responsável pela operação fabril e administrativa da empresa na América Latina. Com formação acadêmica em contabilidade e administração de empresas, no passado o executivo já trabalhou em outros setores produtivos, como alimentício e químico, mas sempre ligado a departamentos diretamente relacionados à administração e afins.

Há oito anos na Manitowoc, Nunes atuou anteriormente em outra fabricante de guindastes, na qual teve o primeiro contato direto com a área de equipamentos pesados para construção. Em sua atual companhia, por uma questão de estrutura empresarial, a área de vendas está sob a coordenação de outro executivo, com quem Nunes trabalha alinhado para manter a fabricante norte-americana atuante e competitiva em toda a região.

Nesta entrevista, o executivo relata alguns aspectos da operação da fábrica brasileira da Manitowoc, além de avaliar o mercado para esse tipo de produto e revelar as expectativas do grupo com as operações comerciais em território nacional.

M&T – Como avalia o mercado de guindastes na atualidade?

Mauro Nunes – Em 2013, diria que apresentou pouco crescimento, sendo que o mesmo se repetiu no primeiro semestre deste ano. Aliás, até agora, o ano está mais fraco do que o mesmo período do ano anterior. Por isso, a nossa estratégia tem se voltado mais à exportação, que já representa 70% das vendas dos guindastes que produzimos na fábrica brasileira. Exportamos principalmente para a América Latina, mas também já registramos casos de envio de equipamentos para África e Oriente Médio.

M&T – Em relação à fábrica local, o baixo crescimento do mercado brasileiro surpreendeu negativamente a empresa?

Mauro Nunes – No Brasil, vendemos guindastes há 10 anos, sendo que em 2008 iniciamos o projeto da unidade fabril no país para atender ao mercado local e à América Latina. Logo, trata-se de um projeto de longo prazo e, por isso, ainda não houve tempo de ocorrer qualquer “decepção”. Além disso, com a nossa estratégia de exportação, estamos conseguindo manter as projeções de vendas estabelecidas. Atualmente, produzimos 150 unidades e esse é exatamente o volume que foi programado para o período. Então, novamente, posso dizer que não há decepção porque a nossa produção estimada está sendo cumprida. Mas creditamos o sucesso às exportações e certamente esperamos maior participação das vendas brasileiras nos próximos anos.

M&T – A propósito, qual é a capacidade produtiva instalada da fábrica?

Mauro Nunes – A fábrica brasileira da Manitowoc comporta até três pavilhões industriais e atualmente utilizamos apenas um, com 30 mil m². No local, a capacidade produtiva é de até 300 guindastes ao ano e, até 2017, esperamos atingir esse nível de produtividade, sempre seguindo o planejamento inicial para a fábrica. Para os períodos posteriores, devemos ampliar a produção com a ativação dos outros dois pavilhões, podendo produzir até 900 guindastes e gruas ao ano.

M&T – Isso indica uma grande confiança de retomada no mercado local?

Mauro Nunes – Claro. Em 2008, a projeção era de que teríamos mais de 500 bilhões de dólares em investimentos no setor da infraestrutura até 2022. E essa expectativa continua, pois há muita obra represada. Por isso, continuamos acreditando no Brasil e esperamos que as vendas para o mercado local superem as realizadas para outros países, invertendo a proporção de 30% e 70%.

M&T – Como a matriz tem avaliado o desempenho da fábrica brasileira?

Mauro Nunes – Como eu disse anteriormente, com as exportações atuais a projeção de produção e vendas da unidade se mantém dentro das expectativas iniciais. Então, para efeito global, a fábrica é um projeto bem-sucedido.

M&T – Quais produtos podem ajudar a aumentar a representatividade das vendas brasileiras em relação à América Latina?

Mauro Nunes – De modo geral, o Brasil tem mercado para todos os tipos de guindastes. É óbvio que, quanto maior é o crescimento, mais oportunidades aparecem para todas as linhas de equipamentos, tornando a competitividade mais agressiva. Nesse cenário, diria que os modelos Rough Terrain (RT) são um destaque, pois têm encontrado o seu espaço no mercado. Há cinco anos, praticamente não havia esse tipo de guindaste operando no país e hoje as grandes empresas de petróleo, o setor de mineração e as obras de infraestrutura de longa duração estão aceitando bem esses produtos, que são especialmente indicados para operar em terrenos acidentados.

M&T – Como avalia a concorrência, principalmente com a entrada de um grande número de empresas chinesas nos últimos cinco anos?

Mauro Nunes – Da mesma forma que o mercado crescente amplia a competitividade – pois o que se põe à venda acaba sendo consumido –, o mercado mais enxuto “purifica” a concorrência. E vejo que isso está acontecendo nesses dois últimos anos. Avalio também que os fabricantes nacionais, assim como os europeus e norte-americanos, se prepararam em termos de fabricação para lidar com a concorrência chinesa. E, hoje, acho que a disputa é mais leal do que era no começo dessa “invasão”. De todo modo, pelo tipo de produto que comercializamos, mantenho a avaliação de que os nossos maiores concorrentes ainda são os fabricantes europeus que atuam no Brasil.

M&T – Quais são os tipos de guindastes que a Manitowoc fabrica no Brasil?

Mauro Nunes – Com índice de nacionalização acima de 60%, são fabricados guindastes RT de 25 a 80 toneladas. Com isso, esses equipamentos podem ser comprados com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Finame. Mas também montamos gruas de cinco toneladas e, no ano que vem, devemos iniciar sua fabricação também com componentes locais. Como disse, há planos de expandirmos a capacidade produtiva começando justamente pelas gruas. Também não descartamos a fabricação de outros tipos de guindastes, mas isso, obviamente, é avaliado em segredo pela matriz.

M&T – Como é a estrutura da Manitowoc?

Mauro Nunes – Globalmente, a empresa faturou R$ 4 bilhões de dólares no último ano. No entanto, por ser uma companhia de capital aberto, não divulgamos faturamento por operações isoladas, como a brasileira ou a latino-americana. No Brasil, temos uma fábrica em Passo Fundo (RS), a matriz administrativa em São Paulo e as filiais de Pernambuco, Rio de Janeiro e Pará. Atualmente, contamos com um quadro de aproximadamente 220 funcionários distribuídos nessas regiões, mas a maioria (140, em média) fica em Passo Fundo. A Manitowoc é uma empresa matricial e a área de operações de Passo Fundo – assim como todos os departamentos diretos e indiretos (recursos humanos, tecnologia da informação, engenharia, desenvolvimento de componentes, compras etc.) – fica sob a minha gerência. A área de vendas fica sob a gerência de outro executivo, com o qual trabalho alinhado para conquistar os bons resultados anunciados.

 

 

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →