Momento de reinvenção — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 212 ← Voltar à edição
M&T nº 212Maio 2017 Matéria 9 de 24
Sumário
  1. EditorialA importância dos serviços para o setor de máquinas
  2. ServiçosO desafio da excelência
  3. ServiçosA nova realidade do mercado
  4. MotoniveladorasUm clássico dos canteiros
  5. Intermodal 2017Sumidade em transporte
  6. FabricanteVolvo CE projeta estabilidade em 2017
  7. TúneisCorreções em plena ação
  8. TúneisDinamismo tecnológico
  9. PlataformasMomento de reinvenção
  10. EmpresaInício promissor
  11. LançamentoA família cresceu
  12. MomentoDesafios fortalecem segmento de compactos no Brasil
  13. EmpresaHora de acelerar
  14. A Era Das MáquinasA evolução do transporte de material
  15. ManutençãoA influência da gestão na disponibilidade da frota
  16. EntrevistaMALCOLM EARLY
  17. Compactos & FerramentasNovas ideias para o varejo
  18. RadarBetoneira ganha versão de 200 litros
  19. RadarFerramenta a bateria oferece maior versatilidade
  20. RadarLinha promete praticidade para sistemas de aquecimento solar
  21. RadarTecnologia de revestimento evita transtornos na instalação
  22. RadarRevestimentos acústicos ganham espaço no país
  23. RadarLinha de tomadas e interruptores aposta na conectividade
  24. Coluna Do YoshioA felicidade em tempos difíceis
  25. Painel18 notas e colunas
Plataformas

Momento de reinvenção

Embora não possa mais ser considerado um hot spot global, mercado nacional de plataformas aproveitou anos de crescimento para consolidar SEU processo de normatização

Exclusivo M&T 12 de maio de 2017 · Edição 212

Nos últimos dois anos, o segmento de plataformas de trabalho aéreo (PTA) vem passando por importantes transformações no Brasil, tanto no que diz respeito a questões mercadológicas quanto tecnológicas e normativas.

Para o especialista Marcelo Bracco – que conhece profundamente este mercado, pois foi diretor das operações da Haulotte no Brasil por quatro anos, posteriormente estruturou a Socage do Brasil e atualmente é diretor geral da Manitou para a América Latina –, o Brasil deixou de ser visto como um hot spot global no segmento de plataformas em função de alguns fatores-chave.

O primeiro é o fato de o mercado da construção – o principal para esta família de máquinas – ter entrado em uma profunda crise a partir de 2014, após anos seguidos de sólido crescimento e expectativas positivas. “E, segundo, porque diversas empresas entraram no mercado ao mesmo tempo, fazendo com que o preço de locação, vetor da demanda das soluções, não acompanhasse a evolução do preço das máquinas”, complementa Bracco.

REVISÃO

Desta forma, o especialista acredita que atualmente “o setor de locação de plataformas está com valores muito baixos, se comparado com a mesma relação preço da máquina/valor de locação de sete anos atrás”.

Segundo Bracco, o segmento está passando por um momento de reestruturação e deve ser repensado. “O nosso mercado de plataformas não pode mais ser considerado um hot spot global, mas sim um mercado que necessita se reinventar e rever seus valores e players”, comenta o executivo.

Tanto é verdade que, segundo ele, muitos players atuantes com venda e locação estão perdendo o interesse pelo setor, em função da queda abrupta de rentabilidade. Entretanto, as empresas mais estruturadas, organizadas e com produtos bem desenvolvidos devem continuar nesse mercado. “Com a retomada da economia, o setor também deverá crescer no Brasil, mas de forma mais lenta e gradativa, sem contar mais com as bolhas de consumo do passado”, projeta o executivo da Manitou, que – talvez por uma questão de estratégia – tem no Brasil uma penetração maior de manipuladores telescópicos do que de plataformas, ainda praticamente ausentes por aqui.

NORMATIZAÇÃO

Se no âmbito dos negócios o mercado esfriou (e muito) para as plataformas, o mesmo não pode ser dito em relação às normatizações, que se aproveitaram dos anos de crescimento para consolidar-se em requisitos de segurança e confiabilidade. Trata-se de um ganho que evidentemente não pode ser minimizado, tendo em vista sua importância para o setor.

De acordo com Sérgio Yassui, gerente de peças e serviços da Terex Latin America, “as normas que regulamentam o setor de plataformas aéreas visam a garantir um equipamento seguro, para uso do operador e das pessoas próximas à área de operação da plataforma”. No que diz respeito aos fabricantes, malgrado o fato de que nenhum modelo seja produzido no Brasil, Yassui explica que as regras passaram a exigir que o equipamento seja produzido conforme as normas técnicas validadas por organismos como o American National Standards Institute (ANSI, ou Instituto Nacional Americano de Padronização, em tradução livre do inglês) ou a marcação CE (Certificação Europeia) para máquinas e equipamentos.

Além disso, no caso específico do Brasil, as normas passaram a exigir que toda a comunicação visual com o operador seja de fácil compreensão, com o uso de adesivos com simbologia, indicações de comandos/controles, manuais em português e, ainda, um sistema de segurança para carga das baterias (no caso de equipamentos elétricos).

Mais que isso, os sistemas normativos também estabeleceram que os operadores devem ser treinados pelo fabricante, para que conheçam a capacidade do equipamento e suas limitações. “Conhecendo o equipamento, os operadores terão condições de fazer a pré-inspeção de operação e as manutenções periódicas”, destaca o gerente da Terex, complementando que, para a segurança das pessoas próximas ao local de trabalho, tornou-se obrigatório, por exemplo, o uso de sirene/giroflex e isolamento da área de trabalho. “Abrangente, a norma trata também de todos os equipamentos de proteção individual obrigatórios para o operador, que deve ter consciência para não utilizar o equipamento em caso de qualquer anormalidade.”

SISTEMAS

Nada mal para um setor que, há bem poucos anos, não contava com qualquer tipo de normatização. Contudo, essa adequação tecnológica e conceitual, obtida a duras penas no país, está ameaçada pela retração do mercado. Segundo Yassui, com a atualização da norma ANSI, novos sistemas de segurança, como sensores de carga na plataforma, já estão sendo introduzidos nas fábricas ao redor do mundo.

No entanto, como destaca o gerente da Terex, “devido à retração do mercado brasileiro, essas plataformas podem demorar a chegar ao Brasil”. “A nova norma ANSI obriga, por exemplo, os fabricantes a investirem mais em tecnologia, tanto no controle como na manutenção dos equipamentos”, comenta.

Mais que isso, a persistente retração do mercado também pode ser responsabilizada pelo fato de muitos locadores de equipamentos não investirem no treinamento de suas equipes. Mas as fabricantes têm se esforçado para suprir também esta necessidade. “Indo ao encontro das necessidades do mercado, a Terex adaptou sua matriz em competências do treinamento, aumentando a quantidade de cursos customizados no site do cliente”, destaca Yassui. “Com isso, a empresa está pronta para ministrar treinamentos da nova ANSI no Brasil, por exemplo.”

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →