Mercado em mutação — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 139 ← Voltar à edição
M&T nº 139Setembro 2010 Matéria 13 de 16
Sumário
  1. EditorialA vitrine pode virar vidraça
  2. Copa 2014O preço do mau planejamento
  3. Copa 2014Uma lista de obras em atraso
  4. Copa 2014Infraestrutura uma corrida contra o tempo
  5. Dimensionamento Da FrotaNão existe "receita de bolo"
  6. Peças & ServiçosAs vantagens do estoque "zero"
  7. TransmissãoO que as leva à inteligência
  8. MercadoUma aposta em equipamentos mais simples
  9. EmpresaSexagenária com fôlego de adolescente
  10. EmpresaAtenta às oportunidades
  11. EmpresaSany inicia a montagem de equipamentos no país
  12. EmpresaCom nova fábrica, Terex reforça aposta no Brasil
  13. PerfilMercado em mutação
  14. ManutençãoMisturadores de duplo eixo
  15. Espaço AbertoProdutividade na varrição de grandes áreas
  16. Espaço AbertoSistema otimiza a irrigação
  17. Painel9 notas e colunas
Perfil

Mercado em mutação

Exclusivo M&T 19 de outubro de 2010 · Edição 139

Para o presidente da Terex Corporation, Ron DeFeo, os grandes fabricantes globais de equipamentos podem ser parceiros e concorrentes ao mesmo tempo

A geopolítica mundial do mercado de equipamentos para construção não é um processo estanque. É o que mostra o CEO e chairman da Terex Corporation, Ron DeFeo, nessa entrevista. Ele ilustra como a empresa pode ser concorrente e, ao mesmo tempo, parceira de outros fabricantes do setor, como é o caso da Caterpillar. Ao apontar a rápida recuperação das vendas nos mercados emergentes, como o Brasil, China e Índia, ele explica porque a companhia vem dedicando maior atenção a segmentos como os de movimentação portuária e de equipamentos compactos.

A forte demanda por guindastes de grande porte, para a instalação de turbinas em parques eólicos, impulsiona a introdução de modelos maiores no Brasil. DeFeo indica ainda outras tendências que pautam as estratégias da Terex: a modernização e expansão dos portos, que exige equipamentos apropriados para essa atividade, e a construção industrial, que pode se beneficiar ao adotar equipamentos compactos, mais apropriados para operações em áreas com pouco espaço. Nas três fábricas em implantação pela empresa, localizadas na China, Brasil e Índia, a estratégia segue a mesma diretriz: fabricar o que o mercado local demanda, mas com flexibilidade para mudanças no mix.

M&T: O senhor comentou ser um viajante ativo e que já esteve no Brasil outras vezes. Que diferenças nota no país desde sua última visita?

DeFeo: O que eu tenho visto no Brasil na última década é o grande aumento de oportunidades para os cidadãos. As melhorias na infraestrutura de transporte são evidentes e o país tem ocupado um papel importante no cenário mundial, em função do tamanho de sua população, da geografia e recursos naturais. O Brasil também vem se tornando um líder natural na comunidade internacional, demonstrando como os investimentos em infraestrutura podem melhorar a qualidade da vida das pessoas.

M&T: Qual o papel da nova fábrica da Terex no Brasil?

DeFeo: Ela vai continuar fabricando equipamentos para construção rodoviária, a mesma linha que já produzimos em outra unidade no país, com foco nos clientes brasileiros e dos demais países latino-americanos, além dos africanos.  Nós estamos satisfeitos e animados com a recente mudança nas operações brasileiras e certamente há a oportunidade de aumentarmos a produção local no Rio Grande do Sul, não necessariamente apenas na área de equipamentos rodoviários, mas em outros segmentos de negócios. Mas isso vai depender da demanda local.

M&T: A Terex também faz investimentos atualmente em fábricas na China e na Índia. Qual é a diferença?

DeFeo: Na China, vamos abrir em breve uma nova fábrica de plataformas aéreas e, na Índia, estamos instalando uma unidade para a produção de equip amentos de processamento de materiais. Assim como no caso da nova fábrica brasileira, cada unidade está focada em produzir equipamentos que melhor atendam as necessidades dos clientes locais e com capacidade para absorver produção adicional, diante de uma pressão de demanda por equipamentos de outras divisões.

M&T: Mas há diferenças de atuação em cada local?

DeFeo: Sim. Cada mercado tem a necessidade de diferentes tipos de equipamentos e de escala de produção. Isso nos obriga a ser flexíveis. Na China, por exemplo, ao mesmo tempo em que estamos abrindo uma fábrica de plataformas autopropelidas, também anunciamos recentemente a aquisição de uma companhia local que se dedica à fabricação de guindastes e formamos uma joint-venture com outra empresa, já estabelecida, na área de equipamentos para construção rodoviária.

M&T: A empresa tem uma participação de cerca de 50% na área de equipamentos de movimentação portuária no Brasil. Como avalia esse mercado?

DeFeo: Como a economia mundial continua a se recuperar e o comércio tende a aumentar, há uma perspectiva de crescimento acelerado na indústria de equipamentos portuários, assim como a expansão na demanda de contêineres. Nossa atuação é justamente na produção de equipamentos que movimentam esses contêineres das ferrovias ou do modal rodoviário para os navios e vice-versa. Além da experiência nessa área, tivemos aquisições recentes de marcas como a Fantuzzi e Noell. No Brasil, acreditamos numa tendência de aumento nas vendas de reach stackers.

M&T: Como o senhor avalia a demanda por equipamentos compactos de construção?

DeFeo: O mercado brasileiro está conhecendo os benefícios de usar equipamentos apropriados para cada tipo de aplicação. Esse é o caso das máquinas compactas, onde vemos um potencial enorme de aplicação na área de construção industrial. Embora elas ainda tenham uma participação pequena no mercado do Brasil, acreditamos no desenvolvimento desse segmento. Também há o fato de esses equipamentos serem complementares a nossa linha de plataformas aéreas, o que facilita a venda conjunta dos dois modelos, especialmente no mercado de locação.

M&T: A Terex deixou o segmento de grandes escavadeiras. Poderia explicar o porquê dessa decisão?

DeFeo: Tomamos a decisão de sair desse mercado, com a venda da operação da Atlas, concluída no começo desse ano. Continuamos a fabricar miniescavadeiras e os modelos de médio porte, na Alemanha. Resumidamente, não vamos tentar produzir todos os tipos de equipamentos de construção para todos os tipos de clientes. Há muitos fabricantes de escavadeiras no mundo e nós não temos expectativa de voltar a esse mercado.

M&T: Como está a reação dos mercados globais à crise?

DeFeo: Um terço de nossos negócios é feito na América do Norte e outro terço na Europa e notamos que a recuperação nessas regiões tem sido mais lenta. Avaliamos que esses dois mercados devem começar a reagir entre 2011 e 2012, o que torna mais importantes as operações nos países em desenvolvimento.

M&T: O senhor comentou que a estratégia de competição com outros fabricantes globais de equipamentos mudou, como no caso da Caterpillar. O que mudou?

DeFeo: Os setores em que competimos diretamente com a Caterpillar são limitados. Nossos competidores são outros e a maior parte deles é composta por empresas menores do que nós. Além do fato de sermos líderes em áreas como britagem móvel e plataformas aéreas, segmentos nos quais a Caterpillar não atua, eles têm uma área de locação muito sólida, a Cat Rental, que é um canal importante de vendas para os nossos produtos. Por outro lado, compramos alguns motores deles, de forma que nossas companhias realmente competem, mas também são complementares em diversas áreas.

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →