Lições da crise — Revista M&T
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M&T nº 165Fevereiro 2013 Matéria 8 de 14
Sumário
  1. EditorialUm marco para os 25 anos da Sobratema
  2. SucroalcooleiroUsinas preparam a frota para a próxima safra
  3. Mão De ObraA inadiável tarefa da qualificação
  4. TerceirizaçãoQuando vale a pena repassar a manutenção
  5. DragagemA tecnologia mais adequada para cada tipo de projeto
  6. EmpresaCorrespondendo às expectativas
  7. Proconve 7Um avanço necessário, mas difícil
  8. EmpresaLições da crise
  9. Sobratema 25 AnosOs primeiros passos
  10. Momento ConstructionSalões exclusivos ganham destaque em evento
  11. A Era Das MáquinasA história dos equipamentos de construção
  12. ManutençãoGarantindo a força do equipamento
  13. Entrevista"O Brasil continua melhor do que os outros mercados"
  14. Suplemento - Compactos & FerramentasMercado em alta
  15. Painel15 notas e colunas
Empresa

Lições da crise

Mesmo em meio a condições econômicas por vezes adversas, a Brasil Máquinas de Construção conquistou espaço no mercado brasileiro de equipamentos com parcerias estratégicas

Exclusivo M&T 6 de fevereiro de 2013 · Edição 165

Desde a sua fundação em 2007, a Brasil Máquinas de Construção (BMC) já superou diversas adversidades em momentos que o mercado não se mostrava nada favorável aos dealers de equipamentos para construção e mineração. Para superá-las, a empresa lançou mão de uma estratégia agressiva, que inclui o abastecimento do mercado brasileiro com equipamentos de diferentes marcas e países.

Como é de conhecimento geral, o ano passado foi difícil para muitas empresas, pois além de a economia brasileira estancar com um decepcionante crescimento de 1%, houve segundo a Pesquisa de Mercado da Sobratema uma impactante redução de 19% na venda de equipamentos para o setor da construção. “Pelo fato de sermos importadores e ainda não termos fábrica no Brasil, 2012 foi sim um ano complicado”, corrobora Felipe Cavalieri, CEO da BMC. “Tivemos ainda problemas com a variação do dólar, que tirou muito a competitividade de quem era importador, mas também com o aumento de impostos da importação, por pressão das empresas locais, que subiram para 25%.”

Além desses fatores, como lembra o empresário, também contribuíram para travar o mercado a queda do Finame-PSI (Programa de Sustentação do Investimento) a patamares “inacreditáveis” e os “gastos fabulosos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para subsidiar juros de máquinas, ao invés de usar esses recursos para financiar o desenvolvimento do setor”.

Desempenho

Mesmo com tantas turbulências, a BMC registrou um volume de venda de aproximadamente três mil máquinas no ano. Antes que o interlocutor assimile a cifra, Cavalieri já avisa que a previsão para 2013 é de superar esse número, totalizando uma venda mensal de 300 máquinas e crescendo 20%. Com tais números, diz ele, a empresa busca manter-se no primeiro lugar em vendas de escavadeiras no Brasil, posto obtido em 2010 e que, ao menos no curto prazo, tende a permanecer com a empresa.

“A BMC mostra sim a que veio, pois, mesmo em meio às dificuldades enfrentadas em 2012, ela conseguiu fechar novas parcerias com grandes empresas””

Felipe Cavalieri

Mas o ano de 2012 foi também marcado pelo início do projeto de construção da nova fábrica da BMC/Hyundai no município de Itatiaia, no Rio de Janeiro, resultado de uma joint venture com a fabricante coreana que deve ser aberta agora em março. “A BMC mostra sim a que veio, pois, mesmo em meio às dificuldades enfrentadas em 2012, ela conseguiu fechar novas parcerias com grandes empresas como Link-Belt, Ammann e Terex Finlay, além de manter as parcerias de sucesso com as empresas Daemo, Hyundai, Merlo, Shantui e a XCMG”, afirma o executivo (leia Box na pág. 53).

Filosofia

Segundo Cavalieri, a filosofia que norteia a empresa é viabilizar que os parceiros que ainda atuam como importadores montem suas próprias fábricas no país, ao passo que conquistem uma participação cada vez mais expressiva no mercado brasileiro, com garantias e condições que justifiquem sua vinda para o Brasil.

É o caso da BMC/Hyundai. Como revela Armando Mantuano, seu diretor regional, a empresa já detém cerca de 20% de market share em escavadeiras hidráulicas acima de 12 toneladas no estado do Rio, sendo que grande parte das obras de construção em território fluminense contam com a operação de equipamentos da marca.

Só na construção da fábrica, a BMC investiu cerca de R$ 400 milhões. Além disso, em dezembro a empresa inaugurou uma nova sede administrativa, localizada em Duque de Caxias (RJ), principalmente para dar suporte ao projeto de produção local. Com a fábrica em solo brasileiro, a BMC espera se tornar ainda mais competitiva, pois, como fabricante local, terá acesso a financiamentos do governo e menos motivos de preocupação com fantasmas como a variação cambial e impostos de importação.

Uma vez instalada como fabricante, a BMC/Hyundai sem dúvida terá muitos incentivos e oportunidades de crescimento. Mas, vacinada pelos obstáculos abruptamente surgidos nos últimos anos, a empresa já sabe que enfrentará as mesmas dificuldades que as empresas locais, como o impasse do governo em dar andamento aos projetos de infraestrutura, só para ficar em um exemplo para lá de crítico.

Para o CEO da BMC, a propósito, a solução para que as obras no Brasil finalmente caminhem é transferir para a iniciativa privada a responsabilidade de gerir os projetos de reestruturação e logística de aeroportos, ferrovias, saneamento, energia e demais setores estratégicos do país. Fica dado o recado de quem superou muita coisa para crescer.

Trajetória é marcada por superação

Em 2003, o atual CEO da Brasil Máquinas, Felipe Cavalieri, atuava na Comexport (antiga sócia da BMC) quando iniciou a operação de importação de maquinários pesados da Hyundai Heavy Industries (empilhadeiras). Segundo ele, essa foi a primeira grande prova de superação que teve de enfrentar: trazer ao país maquinários da Ásia fabricados por uma empresa até então desconhecida, encarando as dificuldades de distância, língua e, evidentemente, preconceitos de mercado.

Como importadora, durante a turbulência econômica de 2008 a empresa enfrentou dificuldades de financiamentos por ter uma estrutura ainda muito frágil. Fora isso, Cavalieri conta que a empresa teve ainda de brigar com os fabricantes locais ligados a multinacionais pelo pouco espaço que sobrou no mercado naquela época. Mas, mesmo em meio à crise e para surpresa de muitos, a BMC alcançou rapidamente o segundo lugar em market share de vendas de escavadeiras no Brasil (hoje é a primeira). “Para nós, uma empresa nova, ingressar em um mercado tão competitivo e conquistar o segundo lugar em tão pouco tempo foi realmente gratificante”, relembra o CEO.

Depois disso, a ascensão foi meteórica, com a empresa comprando as ações da Comexport ainda em 2009 e assinando a joint venture com a Hyunday – com quem estabeleceu parceira há uma década, inicialmente para a importação de empilhadeiras – em 2011. Hoje, sua estrutura de pós-venda conta com mais de 33 pontos de vendas no Brasil e um Centro de Distribuição de Peças em Santana de Parnaíba (SP), composto por 18 mil itens e aproximadamente 130 mil peças em estoque.

Empresa expande portfólio multimarcas

BMC Multimarcas é a denominação para a divisão da empresa que representa diversas marcas, como a fabricante de tratores de esteira Shantui. Outra empresa que há anos integra a divisão é a coreana Daemo Engineering, fabricante de acessórios para escavadeira como rompedores hidráulicos e de mandíbula. Já a XCMG, uma das maiores fabricantes chinesas de equipamentos de construção, integra a divisão de concreto da empresa desde 2006 e tem no Brasil seu terceiro maior mercado fora da China.

De olho no mercado europeu, há dois anos a empresa passou a representar a empresa italiana Merlo, fabricante de manipuladores telescópicos, betoneiras autocarregáveis, coletores e plataformas. Em 2012, a BMC juntou aos seus parceiros a suíça Ammann (linhas de compactação de solo e asfalto, pavimentações e usinas de asfalto), a irlandesa Terex Finlay (britadores de mandíbulas, britadores de cones, britadores de impacto, peneiras inclinadas e peneiras horizontais) e a norte-americana Link-Belt (guindastes).

 

 

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