Investimentos são vitais para o setor — Revista M&T
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M&T nº 198Fevereiro 2016 Matéria 1 de 15
Sumário
  1. EditorialInvestimentos são vitais para o setor
  2. Jumbos De PerfuraçãoSoluções robóticas para escavação de túneis
  3. PeneirasEficiência no processamento
  4. ReciclagemAs rainhas da sucata
  5. CabinesControle tátil
  6. GuindastesSolução caseira
  7. Comércio ExteriorAs regras do mercado global
  8. Oficinas MóveisNão para nunca
  9. A Era Das MáquinasA partida dos motores
  10. LeilõesBatendo o martelo
  11. Momento ExpoWorld of Concrete chega ao Brasil
  12. ManutençãoNo limite da capacidade
  13. Entrevista"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental"
  14. Compactos & FerramentasConfiabilidade estrutural
  15. Coluna YoshioCuidar melhor das relações
  16. Painel15 notas e colunas
Editorial

Investimentos são vitais para o setor

"Com os investimentos para grandes obras travados, a tendência é que a conclusão dos projetos seja novamente adiada, aumentando os custos e alimentando um ciclo vicioso que castiga a economia"

Exclusivo M&T 15 de fevereiro de 2016 · Edição 198

Nesta altura dos acontecimentos, já não é novidade que o setor de construção – e, consequentemente, de bens de capital – vive um dos momentos mais desafiadores de sua série histórica no país. Como se sabe, o setor viu-se enredado em um cenário de atrasos e abandono de obras, restrições de orçamento, corte na força de trabalho e, o que para muitos fabricantes é ainda mais vital, queda na demanda por produtos.

Para aplacar o desânimo, já nos primeiros dias do ano, o governo acenou com uma nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, no entanto, foi recebida com cautela pelos players. E há bons motivos para isso, pois muito do que recentemente foi anunciado não se concretizou, mostrando um hiato entre o discurso e a prática.

Basta olhar os números. Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), por exemplo, mostram que os aportes do PAC no ano passado recuaram 40% em relação a 2014. Mas há mais. De acordo com estudo da Inter.B Consultoria, no primeiro semestre do ano passado apenas 0,33% do PIB foram destinados à realização de grandes obras. Um dos piores percentuais já registrados no país, o montante representa apenas 0,45% do total gasto pelo governo no período.

E a falta de investimentos, é claro, atinge diretamente a construção. Segundo dados apresentados no “Balanço do PAC 2015”, relativo ao primeiro semestre do ano passado, menos de 9% das obras previstas chegaram ao término. Ainda mais desalentadora mostrou-se a segunda parte do Programa de Investimentos em Logística (PIL), um “programa estratégico para a retomada do crescimento” que previa investimentos de R$ 198,4 bilhões até 2018, mas que sequer saiu do papel. Dos diversos leilões previstos, apenas um se concretizou, no setor de portos.

Com os investimentos para grandes obras travados, a tendência é que a conclusão dos projetos seja novamente adiada, aumentando os custos e alimentando um ciclo vicioso que castiga a economia. É por isso que o “novo PAC” não anima o setor, ao menos enquanto resumir-se apenas a anúncios oficiais.

Afinal, tal situação exige medidas efetivas, a começar pelo cumprimento dos compromissos assumidos. Como mostram reportagens do jornal “O Estado de S.Paulo”, o setor anseia pelo pagamento de quase R$ 7 bilhões em atraso relativos a obras públicas, o que já seria um alento para começar a recuperar o ambiente de negócios. Mas é preciso ir além, avançando ainda na flexibilização da execução orçamentária, na criação de novas práticas de políticas públicas e na rediscussão da política industrial, o que – aí sim – possibilitaria a retomada da confiança de um setor tão crucial como é o da construção, sempre preparado para impulsionar o crescimento, como o leitor confere nas reportagens desta edição.

Permínio Alves Maia de Amorim Neto

Presidente do Conselho Editorial

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