Inimigo invisível — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 81Fev/Mar 2004 Matéria 13 de 14
Sumário
  1. EditorialUma via de duas mãos com o leitor
  2. NotasLark é a nova distribuidora JBC em São Paulo
  3. EntrevistaAfonso Mamede: o usuário fala mais alto
  4. QualificaçãoOpus deve treinar batalhões de engenharia do exército
  5. ArtigoDa necessidade da engenharia militar no Brasil
  6. ObraCapim Branco: duas hidrelétricas em ritmo acelerado
  7. DealersDCML comemora certificação ISO 9001/2000
  8. MercadoVolvo CE descentraliza operações.
  9. Carregadeiras"TOP" de linha da case entra no bagaço da cana
  10. LançamentoLiebherr antecipa novidades de Bauma
  11. BiogeraçãoProjeto bandeirantes converte gás de aterro em energia
  12. TecnologiaNovidades que virão embarcadas
  13. LubrificaçãoInimigo invisível
  14. Espaço AbertoATLAS COPCO ADQUIRE A INGERSOLL-RAND DRILLING SOLUTIONS
Lubrificação

Inimigo invisível

Exclusivo M&T 1 de março de 2004 · Edição 81

75 a 80 % das falhas em equipamentos podem ser resultantes diretas de contaminação por partículas sólidas, gases ou por água

Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, as questões ligadas à manutenção, e em especial à lubrificação, nunca estiveram tão destacadas como no início deste século. Aos poucos, todos os segmentos da mecânica, vão incorporando novas técnicas e produtos voltados para a lubrificação e sistemas hidráulicos.

A preocupação em maximizar a disponibilidade dos equipamentos, reduzir as paradas não programadas, e também as programadas, além de diminuir a reposição de peças e impactos ambientais, são desafios e objetivos de todos.

O progresso constante na tecnologia da engenharia e o maior uso de sistemas hidráulicos tornaram os equipamentos para construção mais eficientes e versáteis. O uso de modernos sistemas e materiais de maior resistência aumentaram consideravelmente as capacidades operacionais.

O gráfico demonstra como acontece a degradação de máquinas em geral. A grande experiência de projetistas e usuários de sistemas hidráulicos e lubrificantes demonstram que 75 a 80 % das falhas são resultantes diretas de contaminação, sejam elas por partículas sólidas, gases ou por água. É sabido ainda, que são consequências diretas dessa ocorrência o aumento do número de paradas dos equipamentos, levando a perdas na produção, a redução da vida útil dos componentes e necessidade de reposições mais constantes, o aumento dos custos de manutenção e do índice de material de sucata.

CONTAMINAÇÃO POR GASES:

A contaminação por gases ocorre quando há ingestão de ar pelo sistema ou quando o nitrogênio de um acumulador é perdido pelo rompimento do elemento separador.

O gás pode estar presente em bolsas ou dissolvido, causando perda de potência, diminuindo o poder de sucção, provocando ruído, reduzindo a capacidade de lubrificação e aumentando a temperatura. Além disso, também acelera a degradação do fluido por oxidação, diminui a rigidez do sistema e, com isso, a precisão de ajuste e causa reações químicas e espuma no reservatório. O trabalho desempenhado em um sistema hidráulico baseia- se no princípio de que não se pode comprimir o fluido. No entanto, o ar reduz o módulo de elasticidade do fluido, já que é até 20 mil vezes mais compressível do que o líquido onde está dissolvido. Assim, quando há presença de ar, a bomba trabalha mais para comprimir esse ar e menos para o sistema, nessa situação chamado de sistema “esponjoso”.

A entrada de ar pode ser causada por vazamentos no sistema, pela aeração da bomba ou por turbulências do fluido no reservatório. São formas de prevenção ao problema a utilização de sistemas de sangramento do ar, a lubrificação das linhas de sucção, o desenvolvimento de projetos apropriados para o reservatório e a implantação de difusores na linha de retorno.

CONTAMINAÇÃO POR ÁGUA

A água é virtualmente um contaminante universal e está sempre presente no sistema hidráulico, livre ou emulsionada, causando a formação de óxidos, limos e resinas e a ruptura de aditivos gerando ácidos que corroem a superfície. Levando-se em conta a existência de partículas sólidas, aparece um efeito combinado onde a abrasão causada por estas, expõe as superfícies à ação de corrosão provocada pela água, acelerando ainda mais o processo de sua degradação. A água livre ou emulsionada é definida como a água acima do ponto de saturação de um fluido especifico, em que esse fluido não pode nem dissolver nem reter mais água.

A água livre é geralmente percebida como uma coloração “leitosa” do fluido.São causas desse tipo de contaminação o desgaste da vedação do atuador, vazamentos na abertura do reservatório, condensação e vazamentos no trocador de calor. Cuidados especiais devem ser tomados no armazenamento de fluidos, já que a água também pode ficar assentada no topo dos tambores e vir ao fundo com a variação da temperatura.

As mesmas medidas preventivas para minimizar a inserção de partículas sólidas nos sistemas podem ser aplicadas para a remoção de quantidades significativas de água. No entanto, uma vez detectado o excesso, sua eliminação pode ser realizada pelos métodos de absorção, centrifugação e desidratação a vácuo. A absorção é feita através da utilização de elementos de filtros projetados para a remoção de água livre, desde que os volumes envolvidos sejam pequenos. O método consiste de um material laminado que transforma a água livre em gel, acondicionando-o dentro dos elementos que, por sua vez, são fixados dentro de carcaças padrão.

No segundo método, indicado para grandes volumes, a água livre é separada por centrifugação, enquanto no terceiro, de desidratação a vácuo, a água é separada do óleo por um processo a vácuo e secante. Eficiente também para grandes volumes, este método também é bastante eficaz para água em estado livre e dissolvida.

CONTAMINAÇÃO MICROBIOLÓGICA

A contaminação microbiológica depende da presença de água no sistema hidráulico. Fluidos isentos de água possuem poucos microrganismos, mas a presença da água possibilita o seu crescimento. Como a água é um dos produtos de quebra de hidrocarbonetos, o processo fica autossustentado. Esta contaminação causa a formação de limo e verniz, evidenciados por odores e turbidez, além de provocar a diminuição da vida útil do fluido. Em consequência, degrada o acabamento superficial, provocando o travamento ou a obstrução das válvulas.

COMO OS CONTAMINANTES INGRESSAM NO FLUIDO?

O que se espera do fluido hidráulico é que ele crie um filme lubrificante que, além de manter as peças de precisão separadas, esteja livre de contaminantes. Assim, é fundamental conhecer as formas de entradas destes contaminantes, nunca sendo demais lembrar que “Óleo novo não significa óleo limpo”.

São essas formas:

1- Externas, através das hastes dos cilindros, da entrada de ar pelo reservatório, do eixo de bombas e motores e do acionamento de válvulas.
2- Através de resíduos de montagem como limalha, resultante do corte de tubos, cavacos de usinagem de roscas, montagem de mangueiras e resíduos de tinta, vedante e cola.

3- Contaminação inicial através de areia de fundição e estocagem.

4-Resíduos de desgaste, seja no “start-up”, seja pelo atrito entre as peças móveis.

5- Contaminação do fluido: o abastecimento do reservatório deve ser feito com a unidade de filtragem, para evitar a entrada de contaminantes presentes no fluido novo e também no ambiente.

6- Negligência da manutenção como, por exemplo, a existência de um depósito de contaminantes em máquinas antigas. Nestes casos, recomenda-se a limpeza completa do sistema, com a utilização de filtros adequados ao controle da contaminação.

Os equipamentos modernos para construção são grandes, complexos e representam um investimento significativo. Para proporcionar o retorno esperado sobre este capital investido, eles devem ser confiáveis e operar com um mínimo tempo parado. Portanto, deve-se estabelecer e cumprir programas de manutenção e controle da contaminação.

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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