Eficiência no processamento — Revista M&T
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M&T nº 198Fevereiro 2016 Matéria 3 de 15
Sumário
  1. EditorialInvestimentos são vitais para o setor
  2. Jumbos De PerfuraçãoSoluções robóticas para escavação de túneis
  3. PeneirasEficiência no processamento
  4. ReciclagemAs rainhas da sucata
  5. CabinesControle tátil
  6. GuindastesSolução caseira
  7. Comércio ExteriorAs regras do mercado global
  8. Oficinas MóveisNão para nunca
  9. A Era Das MáquinasA partida dos motores
  10. LeilõesBatendo o martelo
  11. Momento ExpoWorld of Concrete chega ao Brasil
  12. ManutençãoNo limite da capacidade
  13. Entrevista"As emissões englobam muito mais que a causa ambiental"
  14. Compactos & FerramentasConfiabilidade estrutural
  15. Coluna YoshioCuidar melhor das relações
  16. Painel15 notas e colunas
Peneiras

Eficiência no processamento

Além de manutenção adequada, escolha correta de telas é determinante para garantir a produtividade de peneiras vibratórias utilizadas na mineração e na construção

Exclusivo M&T 15 de fevereiro de 2016 · Edição 198

Usadas principalmente em mineração e na construção, as peneiras vibratórias são equipamentos com grande potencial de se autodestruir. Os impactos e a vibração constantes com material pesado e abrasivo geram desgaste estrutural que pode levar ao aparecimento de trincas e danificar os rolamentos. Por isso, os fabricantes têm investido em equipamentos com menor quantidade de soldas, pois é justamente em suas proximidades que as rachaduras aparecem. Definir o melhor tipo de movimento, a aceleração e o perfil do deck, além de unir numa mesma peneira telas de diferentes materiais, como aço e poliuretano, por exemplo, são outros avanços tecnológicos recentes nessa área.

Segundo André Iris de Oliveira, engenheiro de aplicação da Astec, a função das peneiras é a classificação de materiais, seja para garantir determinada granulometria ou para compor plantas de britagem em estágios intermediários. “A escolha dos modelos varia de acordo com a capacidade requerida no processo”, diz. “As menores são utilizadas em baixas produções e em estágios iniciais, ao passo que as maiores têm aplicação em altas produções e, principalmente, no estágio final de classificação.”

Em termos tecnológicos, muita coisa tem sido obtida. A Metso, por exemplo, desenvolveu uma peneira inovadora, que diminui o consumo de energia. “O equipamento processa o material na sua umidade natural, eliminando o uso de água, ou seja, a lavagem”, explica Ricardo Maerschner Ogawa, gerente de engenharia de aplicação da empresa. “Dessa forma, toda a planta terá o consumo de energia reduzido, pois se torna desnecessário o uso de equipamentos de processamento de água.”

Batizada de Ellipti Flo (EF), a peneira é resultado de um longo desenvolvimento. Após diversos testes no laboratório de Sorocaba (SP), foi verificado que o movimento elíptico – em conjunto com uma alta aceleração (5G) e o perfil de deck banana – é a melhor solução para o peneiramento com alta umidade natural. “Indicamos a sua utilização em aplicações de difícil processamento”, explica Ogawa. “No entanto, nem todas as aplicações são viáveis, por isso recomendamos sempre a realização de testes em laboratório.”

TELAS

Independentemente das configurações, as peneiras podem ter basicamente três tipos de tela: de aço, borracha ou poliuretano – um polímero que se caracteriza por flexibilidade, leveza e resistência à abrasão. Cada uma tem suas próprias características, dependendo da aplicação. “As sintéticas têm menor área útil de peneiramento, o que implica em equipamentos maiores para a mesma aplicação”, detalha Rogerio Coelho, gerente de equipamentos da Sandvik, explicando que sua vida útil costuma compensar o preço maior. “Elas são praticamente iguais, mas as de borracha não são indicadas para peneiramento com lavagem.”

Ogawa lembra outras vantagens, como a grande oferta de aberturas, a facilidade de manuseio (por serem modulares), o menor ruído e a vida útil até seis vezes maior que as de aço. “Além disso, o poliuretano tem grande resistência contra abrasão e a borracha, contra impacto e entupimentos”, acrescenta. Segundo ele, a facilidade de instalação também deve ser levada em consideração, pois um tempo menor de troca leva a uma maior disponibilidade do equipamento. “Boa parte das telas sintéticas possui instalação por encaixe rápido, facilitando a manutenção”, afirma.

Também existem algumas desvantagens. Segundo Ogawa, uma delas é a área aberta menor em relação às similares de aço. “Acrescente-se a isso, no caso do poliuretano, a menor capacidade de resistir a impactos e a tendência a entupir”, diz. “No caso da borracha, outra deficiência é a impossibilidade de se fabricar telas com aberturas menores que 3 mm.”

Assim como as sintéticas, as telas de metal também apresentam vantagens e desvantagens. “Elas têm maior área útil de peneiramento e são mais baratas, mas têm menor durabilidade e são mais suscetíveis ao entupimento”, resume Coelho. Entre as suas deficiências estão ainda o alto ruído, a dificuldade de manuseio, a necessidade de trocar toda a tela quando ocorre um desgaste localizado e mesmo problemas com tensionamento.

Para resolver parte dessas deficiências, a Metso desenvolveu uma tela de aço modular, com peças mais leves e menores, o que facilita o manuseio. Além disso, o novo equipamento possibilita a troca somente da parte com maior desgaste e tem deck reto, sem a curvatura das similares tradicionais, o que evita o problema de tensionamento. “O fato de ser modular abre a possibilidade de combinar, numa mesma peneira, telas de borracha ou poliuretano com as de aço”, conta Ogawa. “Por exemplo, usar sintéticas na alimentação, na qual o desgaste é maior, e de metal na descarga, para aumentar a capacidade de processamento com uma maior área aberta, otimiza significativamente o trabalho.”

BRITABILIDADE

Diante das características de cada tipo de tela, escolher a de melhor custo-benefício não é tarefa simples. “Depende da aplicação, método de trabalho e valores de custo de pessoal”, diz Coelho. “Porém, pode-se dizer que as de poliuretano e borracha têm melhor custo benefício do que as de aço.”

Já Ogawa enfatiza que isso depende do material a ser processado e da capacidade de operação. “De modo geral, para baixa capacidade e material de pouca abrasividade, as de metal são a melhor opção”, explica o especialista. “Já para capacidade e abrasividade altas, as sintéticas são mais indicadas.”

Quando fala em baixa capacidade, Ogawa se refere a taxas de alimentação da peneira menores que 300 t/h (dependendo da abertura da tela). Quanto à baixa abrasividade (capacidade de desgastar), é característica de materiais como, por exemplo, calcário, dolomita, carvão e bauxita. Entre os mais abrasivos estão geralmente aqueles com alto teor de sílica, como o granito e quartzito. Para determinar o grau de abrasividade de um material, o correto é fazer uma caracterização. “Para ajudar a definir a característica do que vai ser processado, a Metso recomenda a execução do teste de britabilidade, que define as características necessárias para o projeto de uma planta de britagem e inclui o teste de abrasividade”, explica.

De acordo com Ogawa, o que muda no projeto da uma peneira – conforme a severidade da operação – são a robustez do projeto, a vida dos rolamentos dos mecanismos vibratórios e o tipo e espessura de revestimentos. Ou seja, quanto maior o rigor da aplicação, também serão maiores a robustez e as vidas dos rolamentos, ao passo que os revestimentos são mais espessos e de materiais de melhor qualidade. “As telas de borracha são usadas quando há alto impacto e problemas de entupimento (peneiramentro secundário e final a seco), e as de poliuretano em aplicações de alta abrasão, como processamento com lavagem”, diz. “Já as de aço têm aplicações nas quais a vida útil não é um problema, sendo economicamente mais viável.”

CONFIGURAÇÃO

Assim como ocorre com o tipo de tela, a escolha por uma peneira móvel ou fixa também depende da aplicação. “Em termos de eficiência de processamento, nada muda entre um modelo móvel e um estacionário de mesmo tamanho e aplicação”, informa Coelho. “O que se altera fundamentalmente é a facilidade de montagem, maior nas móveis, e de manutenção, maior nas fixas.”

Para Oliveira, outro ponto importante é a duração prevista da obra e a necessidade de deslocamento da peneira. “Equipamentos móveis são ideais para plantas com previsão de vida curta ou necessidade de movimentação, tanto pela mobilidade quanto pela rápida mobilização e minimização de obras. Entretanto, os modelos móveis tendem a ser menos flexíveis, justamente por sua configuração compacta”, explica. “As fixas, por sua vez, são recomendadas para instalações com longa vida e diversidade de produtos e granulometrias.”

A opinião é corroborada por Ogawa, que acrescenta um ponto. Segundo ele, soluções móveis com esteiras são indicadas para aplicações nas quais o deslocamento do equipamento é constante. A vantagem nesse caso é que não há necessidade de preparação do terreno para operar e, além disso, o equipamento é autopropelido, com gerador a diesel. “A desvantagem de conjuntos sobre esteira é que não podem trafegar diretamente nas estradas”, lembra. “Para aplicações em que o deslocamento é necessário, um equipamento sobre rodas é mais vantajoso, pois o custo do investimento é menor e é possível transportá-lo diretamente em rodovias.”

A desvantagem do conjunto móvel em relação ao de esteira é que ele não pode operar diretamente nas rodas. Portanto, é preciso patolá-lo, sendo necessária uma preparação prévia do terreno. Se não há necessidade de movimentação, a melhor solução é a estacionária. “A grande diferença em relação às soluções móveis é que ela é projetada com amplo espaço para manutenção”, diz Ogawa. “Como as plantas móveis necessitam ser compactas, esse espaço é mais restrito.”

Como lembra Coelho, as peneiras vibratórias são fundamentais na produção de agregados para garantir a qualidade (faixa granulométrica). “Este é um dos motivos pelos quais elas devem ser sempre um pouco ‘superdimensionadas’, pois não devem ser o gargalo do sistema”, alerta. “Quando isso ocorre, o controle da operação é mais sensível e há um risco elevado de produzir materiais fora da especificação.”

O mesmo pode ocorrer quando se decide mudar de telas. Com esta troca, haverá a redução da área útil de peneiramento. Além disso, um equipamento que antes atendia à produção com telas de metal poderá não mais atender se forem trocadas pelas de borracha ou poliuretano.

Oliveira insiste que os pontos mais importantes para aumento da vida útil e operação das peneiras são um correto dimensionamento das telas para cada aplicação. Ou seja, uma seleção criteriosa do tipo de tela a ser aplicado, de acordo com o material e a produção desejada. “Também não se pode esquecer a manutenção preventiva e corretiva, sempre de acordo com o manual”, adverte. “Isso é importante para ajudar a evitar danos ao equipamento e garantir a produtividade, sem esforços extras causados por má operação ou dimensionamento incorreto.”

CDE atualiza portfólio de peneiras

Projetadas para realizar a entrada de materiais nas unidades de classificação e reduzir a necessidade de um operador específico para alimentar a unidade de processamento, a nova linha de peneiras primárias da Série R inclui duas novas máquinas: a R1500 (com capacidade de alimentação de 250 tm/h) e a R2500 (com capacidade de 500 tm/h). Segundo a fabricante, a novidade combina tremonha de alimentação, peneira e transportadores em uma variedade de configurações. “A Série R permite o fornecimento de um fluxo constante e uniforme de material à peneira integrada, antes de ser enviado para peneiramento adicional, classificação e separação por tamanho”, explica Stewart Cusick, engenheiro de desenvolvimento de produtos da CDE Global.

 

 

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