Como recuperar os elementos estruturais — Revista M&T
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M&T nº 129Outubro 2009 Matéria 18 de 21
Sumário
  1. EditorialSegurança é coisa séria
  2. NotasJCB produzirá escavadeiras no Brasil
  3. NotasBrasif em ritmo de expansão
  4. NotasCuidados ao contratar um curso de treinamento
  5. NotasUm operador presidencial no comando do guindaste
  6. NotasMWM renova dois contratos de fornecimento de motores
  7. NotasNos bastidores do GP Brasil
  8. NotasTracbel avança para o Centro-Oeste
  9. DragagemUm equipamento para cada necessidade
  10. Aterro SanitarioAdaptados para o serviço pesado
  11. SegurançaComo prevenir acidentes no canteiro
  12. PneusNo limite da capacidade
  13. FenatranFeira reflete o otimismo do mercado
  14. InternacionalSobratema debate o futuro do setor na Europa
  15. EmpresaDez anos de pioneirismo
  16. EmpresaTecnologia japonesa com sotaque brasileiro
  17. PerfilObsessão pelo equipamento incomparável
  18. ManutençãoComo recuperar os elementos estruturais
  19. Espaço AbertoRapidez nos trabalhos em alturas elevadas
  20. Espaço AbertoNivelamento com menor esforço
  21. Espaço AbertoEngate reduz tempo de montagem do andaime
Manutenção

Como recuperar os elementos estruturais

Por desgaste natural ou por falhas na operação, as articulações e os elementos estruturais dos equipamentos, como lanças e braços, precisam ser submetidos a recuperação, um processo que exige conhecimento e cuidados especiais

Exclusivo M&T 18 de março de 2010 · Edição 129

Na maioria dos casos, as articulações dos elementos estruturais dos equipamentos fora-de-estrada – como braços e lanças – são formadas por pinos e buchas. Nos modelos de alguns fabricantes, entretanto, elas podem contar somente com os pinos, como no caso da articulação da caçamba de escavadeiras. Seja qual for o sistema adotado, esses componentes devem ser submetidos a um rigoroso programa de manutenção, já que desempenham papel fundamental na movimentação dos equipamentos. Nas máquinas expostas a trabalhos severos ou a longa carga horária de serviço, recomenda-se que a inspeção seja realizada semanalmente, sempre por um técnico especializado.

Essa verificação costuma ser feita com base nas folgas excessivas durante a movimentação dos braços. Como exemplo, tomemos o elemento estrutural de uma escavadeira de 20 t, na qual há quatro articulações na lança e mais a articulação da caçamba – essa última realizada somente pelo pino. Nesse caso, a recuperação sempre deverá ser feita com deposição de solda e a usinagem do furo de ligação, de forma a se restabelecer as especificações iniciais das paredes internas de aço da articulação.

Em compensação, nas demais articulações da lança é possível evitar a usinagem e a recuperação prematura dos componentes com a simples troca das buchas no momento certo. Para isso, basta monitorar o desgaste de suas paredes, de forma a evitar que ele atinja a parede do alojamento da bucha. Vale ressaltar que as buchas ficam contidas em orifícios dotados de uma parede protetora, usinada em fábrica com a espessura necessária para o correto funcionamento das articulações. Numa situação de desgaste, a bucha começa a girar nesse orifício, acarretando o contato direto entre as peças de aço o resultando no desgaste excessivo das paredes. Nesse caso, a recuperação só poderá ser feita por deposição de solda e usinagem.

Para a execução desses serviços, os profissionais envolvidos devem se cercar de cuidados especiais. O serviço de soldagem, por exemplo, precisa ser executado em áreas com pouca ventilação, de forma a se evitar a formação de porosidade nas paredes recuperadas. A regulagem da máquina de solda e sua correta voltagem também influenciam no resultado final da recuperação. Por esse motivo, o serviço só deverá ser realizado por operadores capacitados.

Seja nas soldagens com eletrodos ou nas feitas pelo sistema MIG, a recuperação precisa contemplar todas as articulações da lança, uma prática que evitará o futuro desalinhamento do elemento estrutural. A forma mais usual de executar o serviço é proceder ao revestimento de três articulações simultaneamente, ficando a quarta como base de referência para ser recuperada posteriormente, de forma a manter o alinhamento da lança. Nas escavadeiras, geralmente a última articulação a ser recuperada é a que fixa o cilindro no braço do equipamento.

Recuperação em carregadeiras
No caso das pás carregadeiras, nas quais a fixação dos elementos se dá por duas articulações, a recuperação requer práticas ainda mais específicas. A principal delas é o posicionamento da fixação para usinagem dos furos, de forma que o serviço seja realizado simultaneamente, evitando o desalinhamento do elemento “H”. Algumas empresas realizam essa recuperação separadamente, ou seja, usinam ou soldam uma articulação de cada vez. Tal procedimento não é recomendável, pois se um furo estiver desalinhado em relação ao outro, isto pode resultar no empenamento das hastes dos cilindros e até na contaminação de todo o sistema hidráulico do equipamento.

Vários fatores podem comprometer os elementos estruturais dos equipamentos, desde o descuido com a manutenção – como o desrespeito aos prazos de troca das buchas – até os problemas ocasionados por falhas na operação. Nas carregadeiras, por exemplo, é comum o operador realizar o carregamento com a máquina articulada em relação ao eixo traseiro. O resultado dessa prática incorreta pode ser uma trinca no meio do crossmember (elemento que une as duas longarinas do H do equipamento) ou na solda entre o crossmember e as longarinas do H. Se isso ocorrer, o crossmember precisará ser trocado, acarretando um alto custo de manutenção.

A reforma da caçamba das carregadeiras ou a substituição da sua borda da base, necessárias em casos de trinca ou empenamento desses componentes, também exige procedimentos adequados (veja mais detalhes sobre trincas no quadro ao lado). Nesses casos, a condição básica é trocar as chapas desgastadas por outras com as mesmas especificações indicadas pelo fabricante. Manter a geometria original da caçamba também ajudará a preservar o desempenho do equipamento na nova vida desse componente.

A substituição da borda da base deve ser precedida pelo travamento da caçamba, por meio de tirantes de aço, para evitar o empenamento do conjunto. Além disso, antes de soldar a nova borda, é preciso pré-aquecer a área, pois, como se trata de aço de alta dureza, a execução de solda sem pré-aquecimento poderá gerar trincas em todo o elemento. Após esse procedimento, corta-se a borda da base antiga e solda-se a nova. Durante todo o processo, a caçamba deve continuar travada com os tirantes, até que a nova solda esteja totalmente fria.

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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