Análise de vibrações — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 230 ← Voltar à edição
M&T nº 230Dez/Jan 2019 Matéria 13 de 16
Sumário
  1. EditorialO farol da indústria na América Latina
  2. M&T Expo 2018De volta para o futuro
  3. M&T Expo 2018Farol da tecnologia
  4. M&T Expo 2018Setor em perspectiva
  5. SustentabilidadeVolta com novo conceito
  6. InovaçãoA nova revolução industrial
  7. TopografiaMapeamento top
  8. BritagemNa “boca” do britador
  9. Implementos RodoviáriosEspaço para crescer
  10. InsumosResistência de aço
  11. EmpresaAgronegócio movimenta o mercado
  12. A Era Das MáquinasOs primeiros equipamentos de pavimentação
  13. ManutençãoAnálise de vibrações
  14. EntrevistaLUIZ MARCELO DANIEL
  15. Especial InfraestruturaPoder de superação
  16. Coluna Do YoshioO ano que nos espreita
  17. Painel16 notas e colunas
Manutenção

Análise de vibrações

Máquinas com componentes rotativos e outros equipamentos informam continuamente o seu estado, mas é preciso estar atento para perceber e utilizar as ferramentas certas

Exclusivo M&T 15 de janeiro de 2019 · Edição 230

Todo equipamento mecânico vibra quando está em operação. Tecnicamente, a vibração é definida como um movimento que gera oscilações em uma máquina ou em suas peças e componentes, em torno de um ponto de referência. Dentro de um limite tolerável, são consideradas normais e até mesmo necessárias para o bom funcionamento dos equipamentos. Quando esse limite é ultrapassado, no entanto, é sinal de que há problemas. Por isso, a técnica de análise de vibrações é fundamental na gestão de manutenções preditivas, principalmente em equipamentos industriais, mas não apenas. Atualmente, inclusive, é um dos principais métodos utilizados.

A chamada manutenção preditiva é o método usado com a finalidade de gerar uma ação ou correção de uma falha baseando-se nas condições reais de funcionamento das máquinas, ou seja, é feita com base em inspeções gerais realizadas em intervalos de tempo regulares, definidos por meio de estudos e histórico de cada componente, de modo a proporcionar uma visão clara do estado. Isso possibilita uma operação contínua pelo maior tempo possível, otimizando a aplicação de recursos e reduzindo os custos de manutenção.

PREDITIVA

Segundo Rodrigo Rodrigues, coordenador de vendas da Pruftechnik CM, a manutenção preditiva a ser aplicada deve ser baseada em procedimentos e Normas Regulamentadoras. “Há várias delas, como a ISO 17359 (Procedimento para Condição de Monitoramento), BNT NBR 10719 (Estrutura de Relatórios), ISO 10816 (Análise de Vibração), ISO 14694, ISO 7919, entre outras”, enumera.

O especialista explica que as normas são utilizadas como parâmetros de aceitação do funcionamento ideal da máquina. Contudo, sabe-se que cada uma possui um modo potencial de falha, de acordo com características construtivas e de operação. “Por isso, o conhecimento da equipe de manutenção interna referente aos componentes é de fundamental importância para o complemento de informações e tomadas de decisões sobre níveis de alerta e alarme dos equipamentos”, acresce Rodrigues.

A análise de vibração em máquinas pesadas – e outros equipamentos – como forma de verificar a necessidade de manutenção preditiva começou a ganhar espaço no mercado por ser um ensaio não destrutivo. Além disso, pode ser realizada mesmo com o maquinário em operação, isto é, sem que o trabalho e a produção sejam interrompidos. Isso torna possível identificar em tempo hábil alterações na condição da máquina e realizar a programação de reparos e consertos para o momento certo, nem antecipadamente, nem tarde demais.

Outro fator que tem contribuído para uma aceitação cada vez maior da análise de vibrações pelo mercado é o fato de estar se tornando mais acessível, graças aos desenvolvimentos recentes de novas tecnologias aplicadas aos sensores de vibração e na sistemática de aquisição e avaliação de dados, que aumentam a sua disponibilidade e a tornam mais fácil de ser usada.

SAÚDE MECÂNICA

Conhecimento da equipe de manutenção é fundamental para o complemento de informações e tomadas de decisões

Avaliar como (e em que nível) as peças e componentes vibram pode dizer muito sobre o estado e a saúde mecânica de uma máquina. Ademais, vibrações anormais e além do limite tolerável podem ter várias causas. Entre as mais comuns estão falhas em polias e correias, eixos empenados, lubrificação ineficiente ou inexistente, folgas mecânicas, desalinhamento, desbalanceamento, defeitos em rolamentos ou problemas em engrenagens. Ou seja, as máquinas com componentes rotativos e outros equipamentos informam continuamente o seu estado. Basta estar atento para perceber.

Segundo Rodrigues, a análise de vibrações para avaliar a condição de funcionamento das maquinas é uma técnica amplamente utilizada, principalmente por ser de fácil aplicação. “Por meio de um coletor ou analisador de dados é realizado o monitoramento dos parâmetros de vibração em pleno funcionamento dos equipamentos e, posteriormente, a sua avaliação”, explica.

De acordo com ele, atualmente essas técnicas são as mais avançadas na filosofia de monitoramento no sentido de se obter uma personalização mais rápida dos níveis e conteúdos de espectro da máquina, assim como para aumentar a confiabilidade dos alarmes gerados. “A análise dos dados das vibrações possibilita identificar e acompanhar diversos tipos de falhas, como, por exemplo, desalinhamento, desbalanceamento, folga mecânica, rolamento, engrenamento, entre outras”, enumera.

Atualmente, o monitoramento de vibrações é realizado em equipamentos com componentes rotativos em diversos segmentos de mercado, desde que a curva de investimento na aplicação da técnica versus o retorno obtido seja favorável. “Dessa maneira, utiliza-se a classificação de prioridade de máquinas, geralmente entre três tipos delas: críticas, com médio potencial de falha e médio custo na perda de produção e as que não têm tanta relevância no custo de manutenção ou no impacto da produção”, explica Rodrigues. “Com essa matriz de criticidade da empresa, cria-se um plano voltado ao atendimento dos dois primeiros tipos.”

O monitoramento dos parâmetros de vibração é feito em pleno funcionamento dos equipamentos

Para o coordenador de vendas, hoje muitos segmentos do mercado adotam a prática de análise de vibração em seu plano de monitoramento de condição operacional, como, por exemplo, mineração, cimenteiras, alimentício, siderúrgica, óleo e gás, papel e celulose, grandes edificações, energia e transporte, que são grandes usuários da tecnologia. “Dentro do parque de máquinas, é realizado o monitoramento vibracional em motores, bombas, compressores, redutores de velocidades, multiplicadores, aerogeradores, moinhos, fornos, peneiras vibratórias, rotores, cilindros e demais componentes rotativos”, diz ele.

PARÂMETROS

Em linguagem mais técnica, Rodrigues esclarece que há alguns parâmetros que normalmente são utilizados na análise de vibrações. Um deles é o Espectro de Frequência (FFT), a decomposição de um sinal vibratório periódico complexo em suas diferentes componentes senoidais, cada uma delas representadas por sua amplitude e frequência.

Espectro de Frequência decompõe o sinal vibratório em componentes senoidais, representados por amplitude e frequência

“Essa função matemática faz a transposição do sinal de domínio temporal para o frequencial e pode ser observada em aceleração, velocidade ou deslocamento”, explica. “A medição de espectro também possibilita determinar mais facilmente quais componentes ou partes da máquina estão gerando vibração e comparar medições ao longo do tempo para observar o que mudou.”

Outro parâmetro usado na análise de vibrações é a Detecção Seletiva de Envelope. De acordo com Rodrigues, é apropriada para a detecção de excitação de impulso e modulação em um sinal de ruído. “Com esta ferramenta, o usuário tem a opção de selecionar filtros para concentrar o processo do sinal em uma área de frequência específica do sensor”, detalha. “Esta medição pode informar problemas relacionados à lubrificação, rolamentos, engrenagens e cavitação, entre outros.”

O terceiro parâmetro é a Forma de Onda no Tempo, que – como o nome diz – é a representação gráfica da forma com que uma onda evolui ao longo do tempo. “Para cada função, a evolução da sua amplitude é diferente e define uma forma específica dela”, diz Rodrigues. “Esta característica é importante principalmente para a determinação de modulação e impactos, em especial em redutores e rolamentos, principalmente de baixa rotação.”

Há ainda um quarto parâmetro, que é o Monitoramento por Nível Global. Esse indicador de vibração utiliza uma extensa faixa de frequência baseada em normas e padrões aplicáveis. “Nesse caso, temos uma resultante da ação total de todas as frequências presentes no sinal de vibração, dentro da faixa considerada”, informa o especialista. “As medições são comparadas com padrões gerais (normas) ou valores de referências estabelecidos para cada máquina.”

PLANO DE TRABALHO

Antes de se realizar uma análise de vibrações, é necessário estabelecer um plano de trabalho. Para começar, é preciso identificar e listar as máquinas que podem passar pelo método. Rodrigues dá mais detalhes de um bom plano de trabalho.

Após a coleta com um sensor de vibração, os dados são analisados por um software dedicado

Segundo ele, uma etapa importante é a montagem de um banco de dados, contendo o maior número possível de informações sobre os equipamentos em que se pretende aplicar a técnica. “Em seguida, é preciso definir a prioridade de máquina e periodicidade de medição de cada grupo”, diz. “Na sequência, realiza-se a coleta de dados em campo com um sensor de vibração e sua análise por software dedicado.”

Os próximos passos são a elaboração de um relatório, contendo as informações dos dados analisados, a abertura de uma ordem de serviço para as máquinas que precisam de intervenção, a avaliação de causa-raiz e a execução de manutenção preditiva. “Por fim, deve-se fazer uma reavaliação periódica do plano de monitoramento – pelo menos de seis em seis meses – e executar treinamentos e reciclagem da equipe encarregada do serviço”, recomenda Rodrigues.

Evidentemente, para realizar todo esse trabalho são necessários recursos materiais, ou seja, equipamentos apropriados. Entre eles, aparelhos eletrônicos com acelerômetros acoplados para a medição das vibrações. “Existem no mercado várias tecnologias com o mesmo princípio de medição, com algumas técnicas e funcionalidades semelhantes, mas com qualidades distintas”, alerta o especialista.

De acordo com ele, os coletores de dados vibracionais estão divididos em dois grupos. O primeiro é off-line, representado por equipamentos portáteis, utilizados para avaliação pontual de acordo com o plano de periodicidade previamente estabelecido. Neste caso, um técnico de coleta é responsável pelas medições nas máquinas. O outro grupo é formado pelos sistemas de monitoramento on-line de vibrações e parâmetros de processos.

Esse sistema requer um investimento maior do que os coletores portáteis, mas gera mais informações para tomada de decisão. “O sistema on-line é composto por vários tipos de sensores (de vibração, temperatura, carga etc.) instalados nos equipamentos”, explica Rodrigues. “Os dados são coletados durante todo o período de operação da máquina (24 horas), sendo possível o seu acompanhamento operacional em tempo real.”

Para as empresas, é preciso ressaltar que os benefícios trazidos pela análise de vibração como parte da uma gestão de manutenção preditiva vão além do aumento da vida útil das máquinas e de sua produtividade. Mais que isso, a técnica possibilita a melhoria do planejamento das operações, reduzindo os gastos com manutenções emergenciais e corretivas. “Com ela, também se aumenta a disponibilidade dos equipamentos e da mão de obra, pois as paradas para avaliações e manutenções são programadas previamente para não interferir no dia a dia do trabalho, o que garante ainda o cumprimento do cronograma das obras”, conclui Rodrigues.

QUAIS OS BENEFÍCIOS DA ANÁLISE DE VIBRAÇÕES PARA A EMPRESA?

De acordo com um estudo realizado pelo Plant Performance Group – avaliando 500 fábricas dos Estados Unidos, Canadá Grã-Bretanha, França e Austrália – concluiu-se que a manutenção preditiva aumenta os lucros de 25% a 60%, a produtividade de 20% a 30% e a vida útil das máquinas em até 40%, além de reduzir em até 50% as horas extras para manutenção e em até 80% o tempo em paradas das máquinas e custos gerais. “Portanto, em um mercado cada vez mais competitivo, a manutenção preditiva e, consequentemente, a análise de vibração, acaba sendo uma poderosa ferramenta para o monitoramento da condição operacional”, diz Rodrigo Rodrigues, coordenador de vendas da Pruftechnik CM.

Saiba mais:

Pruftechnik: www.pruftechnik.com

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →