Os primeiros equipamentos de pavimentação — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

Assinar newsletter Mais de 42 mil profissionais recebem a newsletter
Início› Exclusivo› Edição 230 ← Voltar à edição
M&T nº 230Dez/Jan 2019 Matéria 12 de 16
Sumário
  1. EditorialO farol da indústria na América Latina
  2. M&T Expo 2018De volta para o futuro
  3. M&T Expo 2018Farol da tecnologia
  4. M&T Expo 2018Setor em perspectiva
  5. SustentabilidadeVolta com novo conceito
  6. InovaçãoA nova revolução industrial
  7. TopografiaMapeamento top
  8. BritagemNa “boca” do britador
  9. Implementos RodoviáriosEspaço para crescer
  10. InsumosResistência de aço
  11. EmpresaAgronegócio movimenta o mercado
  12. A Era Das MáquinasOs primeiros equipamentos de pavimentação
  13. ManutençãoAnálise de vibrações
  14. EntrevistaLUIZ MARCELO DANIEL
  15. Especial InfraestruturaPoder de superação
  16. Coluna Do YoshioO ano que nos espreita
  17. Painel16 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Os primeiros equipamentos de pavimentação

Exclusivo M&T 15 de janeiro de 2019 · Edição 230

Montado sobre um caminhão Renault, este espargidor de asfalto foi construído por Sirius-Rincheval no início dos anos 30

Desde o início, o aumento do tráfego motorizado nas estradas deixou clara a necessidade de desenvolvimento de revestimentos que reduzissem a poeira e, ao mesmo tempo, oferecessem uma boa superfície de rolamento para os pneus. Nesse sentido, as duas principais categorias de materiais criadas à época foram os asfálticos (revestimento betuminoso sobre uma base de macadame) e o concreto. Ambos demandavam equipamentos bastante específicos para sua aplicação.

O desenvolvimento de novas tecnologias para motores e o tratamento dos metais possibilitaram a produção de britadores cada vez maiores, muitos dos quais sobre rodas. Contudo, o conceito básico de britadores cônicos e de mandíbulas permaneceu inalterado até os anos 20, quando começaram a surgir os primeiros britadores de impacto. Concomitantemente, o uso de aços de alta resistência e de peças substituíveis de desgaste aumentou significativamente a confiabilidade dessas máquinas.

Desde aquela época, a produção de agregados para pavimentação envolvia a britagem primária e secundária dos materiais. No período, a produção conseguia atingir 1.000 t/h com um britador primário de mandíbulas de 225 t e 350 hp. Inicialmente, os britadores de mandíbulas seguiam os modelos mais antigos, conhecidos como “tipo Blake”. Posteriormente, a introdução do sistema Simplex – com um segundo movimento de oscilação – permitiu aumentar a produção de agregados menores.

Na esfera industrial, aos poucos o ritmo se acelerou. Um dos principais fabricantes dessa época foi a Arbed, sediada em Luxemburgo. Na Suécia, a Lokomo produziu seu primeiro britador em 1921. Por volta de 1925, a Bergeaud lançou um britador sobre caminhão, projetado especificamente para reciclagem de pavimentos.

PIONEIRISMO

A qualidade do agregado final dependia da granulometria adequada e de um sistema eficiente de lavagem. Dessa feita, a granulometria podia ser assegurada por meio de peneiras rotativas (trommels), em uso desde o final do século XIX, ou de peneiras vibratórias, como as lançadas pela Arbed no início da década de 30. A lavagem, por sua vez, destinava-se a remover argila e materiais orgânicos. Todavia, os sistemas disponíveis nessa época – que compreendiam cilindros rotativos ou sistemas de decantação – ainda eram pouco eficientes.

Contando com uma correia para estocagem de material, o britador sobre caminhão da Bergeaud era usado em construção rodoviária para reciclagem de materiais

A evolução dos equipamentos para aplicação de produtos betuminosos ocorreu a partir de 1920, quando começaram a ser usados sistemas a ar comprimido para a deposição e espalhamento desses materiais. Em sua maioria, os primeiros espargidores de asfalto eram montados sobre caminhões, com a utilização frequente de emulsões a frio. Havia ainda modelos movidos manualmente ou por animais, que desapareceram no final daquela década.

Já um espargidor a quente era composto por reservatório, aquecedor e sistema de espalhamento. A vazão era controlada por um sistema pneumático, para evitar os frequentes entupimentos dos bicos. Barrett, Colphalt e Good Roads foram alguns dos fabricantes norte-americanos que se destacaram na época.

USINAGEM

Algumas máquinas espalhavam os agregados e o betume ao mesmo tempo, enquanto outras eram usadas somente para aquecer o betume ou, ainda, para preparar o material, que era aplicado manualmente. A partir de 1930, foram lançadas usinas de produção de emulsões asfálticas ou a óleo, compreendendo misturador, aquecedor, tanques e dispositivos calibrados de dosagem.

Os agregados eram lançados já misturados com o betume, ou sobre uma camada de material betuminoso para protegê-la e para reduzir o tempo de espera para abertura da via ao tráfego. Além de pás manuais, eram usados carrinhos, alguns com dispositivos de autocarregamento, que trabalhavam em conjunto com um elevador de canecas. A Ransomes lançou um espalhador montado sobre um rolo liso, que combinava o espalhamento e a compactação na mesma máquina.

Outra tecnologia iniciada nessa época foi a mistura do agregado e do asfalto em alta temperatura. Embora as primeiras usinas de asfalto tivessem aparecido em 1910, derivadas das centrais de concreto, o aumento da procura no início da década de 30 levou ao projeto de usinas específicas, normalmente posicionadas próximo às britagens, nas quais o agregado era revestido com material betuminoso e descarregado nos caminhões.

Essas usinas compreendiam um misturador alimentado com agregado seco (para o que foi adicionado um secador, geralmente rotativo, com uma chama na extremidade) e asfalto quente. A alimentação dos agregados era feita através de uma correia transportadora ou por um sistema de canecas (que podia ser vertical). A partir de 1915, surgiram diversos fabricantes que entraram no mercado com sistemas mais evoluídos e sofisticados, como, por exemplo, a Barber-Greene e a Haiss.

Os caminhões usados para montagem desses implementos eram derivados de modelos desenvolvidos para a Primeira Guerra Mundial (sobre rodas ou half-track). Inicialmente, possuíam rodas de borracha maciça, mas a partir do final da década de 20 começaram a ser montados sobre pneus. Nessa mesma época, passaram a ser equipados com freios a ar, proporcionando maior conforto e segurança.

DIVERSIFICAÇÃO

Desenvolvida por Robert Breinin, esta potente vassoura para rodovias foi introduzida na Alemanha em 1931

Todos esses modelos foram usados para receber guindastes, escavadeiras, bate-estacas e compressores, além de conversões para niveladoras, rolos e espargidores de asfalto. Descobriu-se então que uma camada de concreto asfáltico devidamente compactada tinha durabilidade maior que a mesma espessura de brita e uma camada de binder. Assim, nasceu a acabadora de asfalto, cuja função era lançar o concreto asfáltico pré-misturado na via.

Nessa época, foram também utilizados pavimentos em concreto, que aceleraram o desenvolvimento de betoneiras móveis, que misturavam o concreto no local, evitando os problemas decorrentes do transporte. As características desses equipamentos eram as mesmas que já vinham sendo utilizadas, agregando-se caçambas para abastecimento e pás no interior do tambor, melhorando-se os sistemas de descarga.

Posteriormente (a partir de 1920, nos Estados Unidos, e de 1930, na Europa), foram criadas centrais dosadoras maiores, com pesagem automática dos componentes. As formas laterais de madeira deram lugar a formas metálicas com trilhos, ao longo dos quais podiam se deslocar vigas transversais para acabamento. As primeiras soluções foram produzidas pela Blaw-Knox e pela Weitz.

Os primeiros caminhões betoneira também surgiram nessa época. Com capacidade de 0,75 m3, o primeiro foi produzido pela Rex, em 1922. As soluções foram variando ao longo do tempo, com portas de carga e descarga, basculamento do balão e, finalmente, abastecimento e descarga pela extremidade aberta do equipamento.

Ocorreram também aperfeiçoamentos em outros equipamentos, como as vassouras mecânicas, que passaram a ser puxadas por um caminhão ou trator, ao invés de cavalos. Foram criadas ainda algumas unidades autopropelidas menores como, por exemplo, a fabricada por Robert Breining na Alemanha, que era acionada por um motor Deutz de um cilindro.

Leia na próxima edição:

Uma ideia inovadora em escavação

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

Conheça a Sobratema →