A saga da Ponte Rio-Niterói — Revista M&T
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M&T nº 259Novembro 2021 Matéria 10 de 13
Sumário
  1. EditorialA chegada das máquinas autônomas
  2. Conteúdo De MarcaMercedes-Benz lança extrapesado Arocs 8x4
  3. GuindastesRetomada de fôlego
  4. Britagem E PeneiramentoInteligência operacional para agregados
  5. Especial InfraestruturaO modal do desenvolvimento
  6. Gestão De FrotasControle além da telemetria
  7. EmpresaA marcha dos elétricos na intralogística
  8. TecnologiaSimulação agiliza manutenção de equipamento portuário
  9. FabricanteO ciclo digital da agricultura
  10. A Era Das MáquinasA saga da Ponte Rio-Niterói
  11. ManutençãoReforma amplia vida útil de máquinas e caminhões
  12. EntrevistaAlessandro Ramos
  13. Coluna Do YoshioFórmulas de crescimento
  14. Painel21 notas e colunas
A Era Das Máquinas

A saga da Ponte Rio-Niterói

Exclusivo M&T 11 de novembro de 2021 · Edição 259

Entregue em 1974, a ponte – vista aqui em imagem de Eurico Dantas – foi a terceira maior do mundo em extensão

A ideia de estabelecer uma ligação entre o Rio de Janeiro e Niterói sem depender de barcas ou de um percurso rodoviário de mais de 100 km, começou a se tornar realidade ainda no Império. Em 1878, dificuldades de financiamento com o governo inglês impediram o progresso da construção de um túnel ferroviário entre Calabouço (RJ) e Cragoatá (Niterói). Posteriormente, foram elaborados novos projetos de pontes, em 1932 e em 1943, e de túneis, em 1952 e 1959.

Em 1965, foi publicado um decreto constituindo a Comissão Executiva da Ponte Rio-Niterói, formada pelos governos estaduais (RJ e GB), DNER e EMFA. Dois anos depois, ao assumir o ministério, o Ministro Mário Andreazza determinou uma análise detalhada de toda a documentação e estudos de viabilidade técnica e econômica existentes. Em 1968, o governo federal, após equacionar a questão do financiamento, encaminhou projeto de lei para autorizar a execução das obras.

PROJETO

A solução de projeto unia a Ponta do Caju, no Rio, à Avenida do Contorno, em Niterói. Esse trajeto, que faz parte da BR-101, resultou em menor custo e no desvio dos centros urbanos de ambas as cidades, com evidentes vantagens quanto ao tráfego. O banco inglês N. M. Rotschild & Sons foi responsável por boa parte do financiamento.

O projeto, elaborado pela Noronha Engenharia (obras civis) e pela Howard, Needles, Tammen & Bergendorf (EUA) (vão central), foi apresentado em 14 de novembro de 1968 em cerimônia que contou com a presença da Rainha Elizabeth e do Príncipe Phillip. A licitação foi vencida pelo Consórcio Construtor Rio-Niterói (Ferraz Cavalcanti, CCBE, EMEC e Servix), que no início de 1969 assinou contrato para execução das obras civis. A parte de montagem metálica foi adjudicada a um consórcio de empresas estrangeiras (Dormann & Long, Cleveland Bridge e Montreal).

A complexidade da obra trouxe uma série de problemas, questões burocráticas, acidentes e atrasos na execução. Esses fatos levaram, em 1971, à rescisão do contrato de obras civis, que foi então confiada ao Consórcio Construtor Guanabara (Camargo Corrêa, Rabello e Mendes Jr.).

O ministro Mario Andreazza visita as obras da Ponte Rio-Niterói em 1974

Foi então criada a Empresa de Construção e Exploração da Ponte Presidente Costa e Silva (ECEX), vinculada ao DNER, que ficou responsável pela condução do empreendimento e gestão do patrimônio desapropriado. Além do consórcio citado, faziam parte da organização o Consórcio Ponte/Supervisão Rio Niterói, responsável pelo projeto e supervisão dos trabalhos (concreto e superestrutura); a Comissão Especial de Locação da Ponte, formada por pessoal do Exército, responsável pela locação da diretriz em planta, levantamento geodésico, estabelecimento de um sistema de coordenadas de referência e locação dos pilares no campo; e o Consórcio da Superestrutura Metálica, responsável pela fabricação e montagem das estruturas metálicas do vão central.

TÉCNICAS

De modo geral, as fundações foram constituídas por estacas. Na parte marítima, foram usadas “ilhas flutuantes”, plataformas equipadas com perfuratrizes e guindastes. As grandes perfuratrizes trabalhavam dentro de tubos que as protegiam da água do mar, escavando até a rocha sólida, para que pudessem ser concretados os tubulões.

Seções do vão central foram içadas até o topo dos pilares por macacos hidráulicos

Sobre um conjunto de dez unidades era construído o bloco de fundação, no qual foram encaixados os pilares. A mesoestrutura foi construída por moldagem in loco dos pilares da parte terrestre e uso de formas deslizantes nos pilares construídos no mar. Foram usadas vigas pré-moldadas de concreto nos acessos e aduelas no trecho sobre o mar, que utilizavam equipamentos especiais para manuseio (vigas de lançamento).

No topo dos pilares era instalada uma aduela de apoio, à qual se fixavam as aduelas correntes por meio de cabos de protensão. As aduelas eram fabricadas no Canteiro da Ilha do Fundão e transportadas por mar até o local de elevação.

O vão central foi trazido em módulos e montado no canteiro do Caju. Suas seções foram içadas até o topo dos pilares por macacos hidráulicos. Essa solução foi adotada para atender aos requisitos da Marinha – um vão central de 300 m com dois vãos adjacentes de 200 m e altura mínima de 60 m em relação ao nível do mar – e aeronáutica – altura máxima da estrutura de 72 m. Os segmentos eram alçados por guindastes posicionados na base dos pilares.

ADMINISTRAÇÃO

A obra foi entregue em 4 de março de 1974. Na época, era a terceira maior ponte do mundo, com extensão inferior apenas à Chesapeake Bay e à Causeway do Lago Pontchartrain, ambas nos Estados Unidos. Oficialmente, mais de trinta pessoas perderam a vida nas obras, sendo que em um único dia, em 25 de março de 1970, morreram 12 pessoas, inclusive um engenheiro.

De 1995 a 2015, passou a ser administrada em regime de concessão pela CCR Ponte, realizando-se importantes serviços de recuperação e conservação das estruturas e sistemas de controle, inclusive com reforço do vão central e substituição dos cabos de protensão, além da eliminação das oscilações verticais de grande amplitude (120 cm).

Essas oscilações, previstas no projeto, eram provocadas pelos ventos de velocidades até 60 km/h. A amplitude baixou para 4 cm através da implantação de Atuadores Dinâmicos Sincronizados.

Em 2015, a concessão foi licitada novamente, passando para a Ecorodovias por 30 anos, prevendo-se obras complementares, entre as quais ligações com a Linha Vermelha, o mergulhão da Praça Renascença e a construção da Avenida Portuária, além de pontos para apoio aos usuários e outras.

Leia na próxima edição:
A evolução da pavimentação com concreto e asfalto

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