A natureza do mundo dos negócios — Revista M&T
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M&T nº 254Junho 2021 Matéria 11 de 11
Sumário
  1. EditorialA era digital na construção
  2. MercadoA nova dinâmica de negócios
  3. RentalHorizonte favorável
  4. RetroescavadeirasDe volta ao topo
  5. Especial InfraestruturaComplexidade em áreas urbanas
  6. Caminhões OtrO futuro já chegou na mineração
  7. LançamentoPortfólio renovado para o mercado global
  8. A Era Das MáquinasA evolução dos pneus
  9. ManutençãoO último recurso de proteção
  10. EntrevistaMatheus Fernandes
  11. Coluna Do YoshioA natureza do mundo dos negócios
  12. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

A natureza do mundo dos negócios

"Não se deve projetar os negócios como uma linha reta em direção ao futuro, pois a alternância dos ciclos é o modelo da natureza também no mundo empresarial."

Exclusivo M&T 14 de junho de 2021 · Edição 254

Aprendemos nas escolas e na vida que os negócios são processos essencialmente cíclicos. Isto quer dizer que há momentos em que as coisas se tornam muito difíceis, por vezes desesperadoramente inviáveis. E nem sempre entendemos o que aconteceu ou porque enfrentamos essas dificuldades, que teimam em se materializar à nossa frente como uma gigantesca onda, surgida do nada.

Em outros momentos, ao contrário, os negócios fluem inesperadamente. Nessas ocasiões, tampouco percebemos plenamente tudo o que mudou e como os problemas se foram, quase que magicamente. Embora muitos possam discordar, isso acontece quando os ciclos dos negócios favorecem a atividade.

Mas estamos vivendo ambas as situações simultaneamente, dependendo do negócio em que estamos. Para alguns setores, a composição mágica tem como ingredientes os juros baixos (que fazem muitos clientes investirem em seu próprio negócio), as despesas operacionais baixas (em decorrência das limitações das atividades) e as demandas elevadas (em função de recursos extras injetados no mercado).

Os juros baixos eram esperados, mas todas as suas consequências ainda não haviam sido projetadas. Hoje, o desafio é atender à demanda e ajustar a estrutura para as novas necessidades. Do lado prejudicado, os mesmos fatores podem ser responsáveis pela miséria causada, associados a outros fenômenos inesperados – como o câmbio elevado e a dificuldade de converter a alta demanda em resultados financeiros, por escassez de componentes e matéria-prima.

Um aspecto inusitado é que as duas situações podem fazer parte de uma mesma cadeia de suprimentos para o mercado. Enquanto os negócios que estão em fase privilegiada da cadeia gozam a fortuna inesperada, os que estão na fase prejudicada sofrem agruras imprevistas.

A inusitada situação é chocante, tanto pela rapidez com que se formou como pela causa inesperada que a gerou. Resta o alento de que, como diz o ditado, não há bem que dure para sempre nem mal que nunca se acabe. Como parte da natureza dos negócios, o reequilíbrio deve ser buscado para prevenir-se para o futuro ou, ao menos, alimentar a esperança de dias melhores.

Por mais que seja desejável, não se deve projetar os negócios como uma linha reta em direção ao futuro. Deve-se antes considerar que a alternância dos ciclos é o modelo da natureza também no mundo dos negócios.

Para todos os efeitos, é de bom tom ser precavido, sempre.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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