O último recurso de proteção — Revista M&T
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M&T nº 254Junho 2021 Matéria 9 de 11
Sumário
  1. EditorialA era digital na construção
  2. MercadoA nova dinâmica de negócios
  3. RentalHorizonte favorável
  4. RetroescavadeirasDe volta ao topo
  5. Especial InfraestruturaComplexidade em áreas urbanas
  6. Caminhões OtrO futuro já chegou na mineração
  7. LançamentoPortfólio renovado para o mercado global
  8. A Era Das MáquinasA evolução dos pneus
  9. ManutençãoO último recurso de proteção
  10. EntrevistaMatheus Fernandes
  11. Coluna Do YoshioA natureza do mundo dos negócios
  12. Painel16 notas e colunas
Manutenção

O último recurso de proteção

Componentes essenciais para controle da pressão, as válvulas de segurança requerem manutenção para manter a eficácia e evitar explosões em sistemas acima de 1 kg/cm2

Exclusivo M&T 14 de junho de 2021 · Edição 254

As válvulas de segurança – também conhecidas como válvulas de alívio – são componentes obrigatórios em equipamentos que trabalhem acima de 1 kg/cm2 (como caldeiras, vasos de pressão e outros). Nos canteiros de obra, constitui um componente obrigatório em centrais de ar comprimido, por exemplo, instalado nos reservatórios de ar.

Esses dispositivos foram dimensionados e instalados de modo a só atuarem em último caso, após falharem todos os elementos de controle usados nas fases anteriores e não havendo mais possibilidade de ações que evitem o aumento da pressão.

Todavia, antes de tudo é preciso esclarecer o conceito da válvula de alívio de pressão do sistema hidráulico, que é destinada a assegurar a manutenção da pressão de trabalho através do desvio do fluxo de óleo para o tanque, sempre que a pressão do sistema atingir o valor operacional.

Neste artigo, analisaremos uma válvula que, embora possua características construtivas semelhantes, destina-se unicamente a evitar que ocorra uma explosão no sistema, ou seja, é o último recurso de segurança disponível para preservação da integridade física do pessoal e do equipamento. Para evitar confusão, usaremos sempre a expressão “válvula de segurança”.

Por se tratar de um recurso final de proteção, é importante entender que essa segurança só existirá de forma plenamente eficaz quando a válvula for adequadamente especificada, selecionada, dimensionada, inspecionada e mantida.

Também é evidente que o enfoque da manutenção deve ser preventivo. Reparar uma válvula que não funcionou quando devia é invariavelmente um serviço posterior a um acidente, cujas consequências poderiam ter sido evitadas.

INSPEÇÃO

As válvulas de segurança são dispositivos auto-operados, ou seja, que utilizam a energia do próprio fluido para executar seu ciclo operacional. Toda vez que se exceder a pressão de regulagem, o disco é empurrado contra a ação da mola através da câmara de força, abrindo o bocal de saída do fluido (confira ilustração). A pressão então cai até o valor regulado, enquanto a válvula volta a se fechar ou permanece aberta até que seja rearmada manualmente, para evitar novo acionamento do sistema sem que tenham sido feitos os reparos necessários.

A NR-13 (que condiciona a inspeção de segurança e operação de vasos de pressão, caldeiras e tubulações) estabelece prazos de inspeção que dependem do tipo, volume e temperatura do fluido. Tais prazos, estabelecidos para os vasos de pressão, representam o tempo indicado para inspeção da válvula de segurança, devendo ser reduzidos quando houver acionamento frequente, devido à possível redução de pressão de alívio ou mesmo ruptura da mola por fadiga.

Desse modo, a norma prevê inspeção, aferição e calibração a cada 12 meses, no mínimo. Contudo, fatores específicos, como ambiente agressivo ou tempo de reparo e recolocação em funcionamento, podem reduzir esse intervalo, de modo a assegurar maior confiabilidade ao processo.

Nesse ponto, é preciso esclarecer a diferença entre ‘Pressão de Operação’ e ‘PMTA – Pressão Máxima de Trabalho Admissível’, conceitos que são objeto de confusão frequente, o que faz com que muitos usuários trabalhem com pressões muito próximas da PMTA, fazendo com que a válvula de segurança seja acionada com frequência.

Toda vez que a pressão exceder a regulagem, o disco é empurrado contra a ação da mola através da câmara de força, abrindo o bocal de saída do fluido

Por falta de informação, o usuário acaba por aumentar a regulagem para um valor acima da PMTA, fazendo com que o dispositivo pare de abrir e, assim, expondo o equipamento a riscos desnecessários. Logo, recomenda-se que a PMTA (ou a pressão de regulagem, a que for menor) seja mantida ao menos 10% acima da pressão de trabalho.

TESTES

Antes de serem instaladas, as válvulas de segurança devem ser submetidas a testes em bancada para confirmação da pressão de regulagem e da vedação. Esse procedimento evitará problemas que exigirão parada da produção para correção, se a válvula já estiver instalada.

Com a válvula montada na bancada, deve-se elevar a pressão de teste até que ela se abra. Quando presente na válvula, o anel do bocal deve ficar na posição mais baixa possível. Após conseguir a pressão de regulagem, são colocados dois entalhes abaixo do contato com a face do suporte, elevando-se lentamente a pressão, até se ouvir um som característico (“pop”).

Procedimentos de inspeção e ajustes devem ser realizados conforme as instruções do fabricante

Esse procedimento deve ser repetido mais duas vezes para confirmação, posicionando-se o anel inferior conforme as instruções do fabricante. É importante não apertar excessivamente esse anel, pois isso pode antecipar a abertura da válvula de segurança e danificar as superfícies de vedação quando ocorrer o “pop”.

Correspondente à real tensão da mola, a altura da haste deve ser medida antes da desmontagem, deixando esse valor registrado. Recomenda-se medir também a altura entre a face da haste e a porca de acionamento. Após definida a pressão de regulagem e finalizado o teste, deve-se verificar a vedação da válvula.

A pressão de teste deverá estar sempre 10% (para valores acima de 50 psig) ou 5 psig (para valores inferiores a 50 psig) abaixo da pressão de regulagem. Os testes podem ser feitos com bolhômetro, água represada no flange de saída, bolhas de sabão na face de saída e outros. Os valores medidos devem estar de acordo com a literatura dos fabricantes.

VAZAMENTOS

O vazamento, quando houver, pode ser visualizado por meio de fundo negro, queda de pressão no manômetro, vazamento com água na entrada e outros. As principais causas de vazamentos em válvulas de segurança estão apresentadas no Quadro a seguir. Em sua maior parte, são relacionadas a danos ocorridos nas superfícies de vedação entre disco e bocal. Fluidos que deveriam ser limpos podem arrastar particulados sólidos, que passam em alta velocidade e acabam por danificar as superfícies de vedação.

Quanto mais crítica, mais frequente e detalhada deve ser a manutenção da instalação

Esses danos também podem ocorrer devido ao mau posicionamento dos anéis de ajuste, principalmente o inferior. Quando esse anel está posicionado corretamente, cumpre a função de “amortecer” a força transmitida pela mola, protegendo as superfícies de vedação contra eventuais impactos.

O teste on-line é uma ferramenta muito útil para a avaliação das válvulas que necessitem de manutenção preventiva ou mesmo corretiva. Destina-se a aferir ou ajustar a pressão de abertura de uma válvula de segurança já instalada. Com o teste, é possível avaliar se a válvula está abrindo na posição correta, se permanece vedando ou vazando após a conclusão do teste, se há necessidade de regulagem etc.

Necessidade de manutenção também está relacionada à segurança das pessoas que trabalham nas proximidades dos equipamentos

A necessidade de uma manutenção preventiva ou periódica está relacionada não só à necessidade de se manter a continuidade do processo, como também a preservar as pessoas que trabalham nas proximidades dos equipamentos protegidos. Portanto, quanto mais crítica for uma instalação para um processo, mais frequente e detalhada deve ser a manutenção.

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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