A maior hidrelétrica do mundo — Revista M&T
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M&T nº 208Dez/Jan 2017 Matéria 12 de 18
Sumário
  1. EditorialSinais de mudança para o setor
  2. Estudo De MercadoChegamos ao fundo?
  3. CenárioPonto de inflexão
  4. Bauma China 2016Soluções sob medida
  5. Bauma China 2016Em busca da nova rota da seda
  6. LançamentoPortfólio dinâmico
  7. TúneisFaçanha carioca
  8. FabricanteRefinamento integrado
  9. CaminhõesSacode a poeira
  10. EmpresaÀ espera de um novo ciclo de expansão
  11. M&T Momento Peças E ServiçosFator estratégico para o sucesso
  12. A Era Das MáquinasA maior hidrelétrica do mundo
  13. ManutençãoCuidando da interface entre a roda e o chassi
  14. Entrevista"Vemos oportunidades onde outros só enxergam medo"
  15. InternacionalA tendência do momento
  16. Compactos & FerramentasUnião perfeita de materiais
  17. Coluna YoshioA nova revolução industrial
  18. Tabela Custo HorárioTabela referente ao ano de 2016
  19. Painel16 notas e colunas
A Era Das Máquinas

A maior hidrelétrica do mundo

Exclusivo M&T 16 de dezembro de 2016 · Edição 208

As obras da Usina de Itaipu foram concluídas em 1982, dobrando a capacidade de geração de energia do Brasil

A construção da Usina de Itaipu, suas idas e vindas políticas e suas características construtivas diferenciadas lhe dão um lugar de destaque na História da engenharia brasileira e mundial.

De fato, sua singularidade começa pela geopolítica. Desde o século XVIII havia um impasse diplomático entre Brasil e Paraguai, que disputavam a posse de terras na região do Salto de Sete Quedas. Em 1750, Espanha e Portugal assinaram o Tratado da Permuta, que era impreciso ao determinar os limites na margem direita do Rio Paraná. Tratados subsequentes buscaram esclarecer a questão, sem êxito.

A Guerra do Paraguai (1865-1870) reabriu a polêmica em torno dessa fronteira, pois, conforme o Tratado de Paz (1872), após o Salto os territórios deveriam ser divididos pelo cume da Serra de Maracaju, o que gerou interpretações divergentes, já que a Serra se dividia em dois ramos, um acima e outro abaixo das Sete Quedas.

Vários estudos foram realizados até os anos 60 para avaliar o potencial hidrelétrico do Rio Paraná. Os resultados reaqueceram a disputa até que, em 1962, os governos de Brasil e Paraguai resolveram juntar forças para resolver a situação.

“PEDRA QUE CANTA”

O resultado das negociações foi a elaboração da Ata do Iguaçu, assinada em 22 de junho de 1966, que manifestava a disposição de estudar o aproveitamento dos recursos hidráulicos no Rio Paraná, “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu”.

Em 1967, foi criada uma Comissão Mista para implementar a Ata do Iguaçu e, em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países.

Nesse mesmo ano, técnicos percorreram o rio em busca do ponto mais indicado para a construção da usina, escolhendo um trecho do rio conhecido como Itaipu (que, em tupi, significa “a pedra que canta”), a poucos quilômetros da confluência com o Rio Iguaçu.

Em maio de 1974 foi formada a Itaipu Binacional, para gerenciar a construção da usina. Sua criação encerrou o impasse diplomático entre Brasil e Paraguai. O entendimento dos dois países para a construção de Itaipu, contudo, estremeceu as relações de ambos com a Argentina, que temia que a usina prejudicasse seus direitos e interesses sobre as águas do Rio Paraná.

A solução veio com a assinatura do Acordo Tripartite, entre Brasil, Paraguai e Argentina, em 19 de outubro de 1979, que determinou regras para o aproveitamento dos recursos hidráulicos do Rio Paraná, desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata.

ETAPAS INICIAIS

A construção de Itaipu começou em 1974, com a chegada das primeiras máquinas ao futuro canteiro de obras. No segundo semestre de 1974, foi estruturado o acampamento pioneiro e as estradas de acesso receberam melhorias.

Entre 1975 e 1978, mais de nove mil moradias foram construídas nas duas margens para abrigar a equipe que atuaria na obra. Nessa época, Foz do Iguaçu era uma cidade com apenas duas ruas asfaltadas e cerca de 20 mil habitantes. Dez anos depois, a população era de mais de 100 mil habitantes.

Nas frentes de obra, a primeira tarefa foi alterar o curso do Rio Paraná, removendo 55 milhões de metros cúbicos de terra e rocha para escavar um desvio de 2 km de extensão, 150 metros de largura e 90 metros de profundidade.

Em 20 de outubro de 1978, 58 toneladas de dinamite explodiram as duas ensecadeiras que protegiam a construção do novo curso. O novo canal permitiu secar o trecho do leito original do rio para a construção da barragem principal, feita em concreto.

Começou então uma nova etapa da construção de Itaipu: a concretagem da barragem. Num único dia, em 14 de novembro de 1978, foram lançados na obra 7.207 metros cúbicos de concreto, um recorde sul-americano, equivalente a um prédio de dez andares a cada hora, feito obtido graças ao uso de sete cabos aéreos (blondins) para o lançamento de concreto. O volume total de concreto lançado na barragem – 12,3 milhões de metros cúbicos – seria suficiente para concretar quatro rodovias do porte da Transamazônica.

A mão de obra também registra números superlativos. Entre 1978 e 1981, foram contratadas até 5 mil pessoas por mês. No pico da construção da barragem, Itaipu mobilizou diretamente cerca de 40 mil trabalhadores no canteiro de obras e nos escritórios de apoio no Brasil e no Paraguai.

MONTAGEM

Com a concretagem quase pronta, a fase seguinte foi a montagem das unidades geradoras. O transporte de peças inteiras desde as instalações dos fabricantes até a usina tornou-se um desafio. A primeira roda de turbina, com 300 toneladas, por exemplo, saiu de São Paulo em 4 de dezembro de 1981 e chegou ao canteiro de obras somente em 3 de março de 1982, pois a rede viária e algumas pontes existentes em diversas alternativas de trajeto não tinham condições de suportar o peso, obrigando a carreta a percorrer um caminho mais longo, com 1.350 km. Esse transporte ganhou agilidade ao longo do tempo, chegando-se a 26 dias de viagem entre a fábrica e a usina.

As obras da barragem foram concluídas em outubro de 1982. O fechamento das comportas do canal de desvio iniciou a formação do reservatório da usina, cuja lâmina de água cobre 135 mil hectares, quatro vezes o tamanho da Baía da Guanabara. Foram necessários 14 dias para encher o reservatório, que levou à remoção de mais de 36 mil animais que viviam na área a ser inundada.

Em 5 de novembro de 1982, com o reservatório já formado, os presidentes do Brasil, João Figueiredo, e do Paraguai, Alfredo Stroessner, acionaram o mecanismo que levanta automaticamente as 14 comportas do vertedouro, inaugurando oficialmente a maior hidrelétrica do mundo.

Aliás, a usina praticamente dobrou a capacidade de geração de energia do Brasil. A potência instalada, que era de 16,7 mil megawatts, recebeu mais 14 mil megawatts. O primeiro teste de turbina ocorreu em 17 de dezembro de 1983, sendo que a produção de energia iniciou-se em 5 de maio de 1984, quando entrou em operação a primeira das 20 unidades geradoras do projeto. Em sete anos, foram instaladas 18 unidades geradoras, duas a três por ano.

No primeiro ano de funcionamento (1984), foram gerados 277 megawatts (MW). A venda de energia começou em 1 de março de 1985, obtendo recorde de produção em 2000, quando foram gerados 93,4 bilhões de quilowatts-hora (Kwh).

Em maio de 2007, entraram em operação as últimas duas das 20 unidades geradoras previstas no projeto original da usina. Com as 20 unidades geradoras em atividade e o Rio Paraná com chuvas em níveis normais, a geração pode chegar a 100 bilhões de Kwh, superando a capacidade da hidrelétrica chinesa de Três Gargantas, construída no Rio Yang-tsé, que fornece 85 bilhões de Kwh.

Leia na próxima edição: A mecanização da britagem

 

 

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