Topografia: da corda ao GPS — Revista M&T
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M&T nº 187Fevereiro 2015 Matéria 12 de 16
Sumário
  1. EditorialAs novas regras do PSI
  2. RodoviasFrotas modernizam rota da integração no MT
  3. BritadoresModelos cônicos conquistam plantas de britagem
  4. MineraçãoCarretas de perfuração ganham espaço em pedreiras
  5. SustentabilidadeGestão de resíduos avança no país
  6. Rolos CompactadoresCompasso de espera
  7. Comércio ExteriorFinanciamento externo é opção para importação de equipamentos
  8. ComponentesA alma do guindaste
  9. PlataformasCiclo ou saturação?
  10. Pós - VendasSoluções genuínas
  11. Momento M&T ExpoA hora da virada
  12. A Era Das MáquinasTopografia: da corda ao GPS
  13. ManutençãoConforto e eficiência
  14. Entrevista"Tecnologia é fazer mais com menos"
  15. Compactos & FerramentasAcessório polivalente
  16. Coluna YoshioO fio tênue entre risco e sucesso
  17. Painel13 notas e colunas
A Era Das Máquinas

Topografia: da corda ao GPS

Exclusivo M&T 4 de fevereiro de 2015 · Edição 187

Considerando os parcos recursos de que dispunham, as civilizações da Antiguidade clássica alcançaram resultados incríveis em topografia. Hoje, após o desenvolvimento da instrumentação (no final do século XIX), do advento da eletrônica (na década de 70) e da tecnologia GPS (no final do século XX), as perspectivas são totalmente imprevisíveis.

Até por isso, não se pode deixar de admirar o trabalho dos primeiros topógrafos que, com instrumentos rudimentares, realizaram levantamentos e medições através dos séculos, chegando a resultados fantásticos.

De fato, a história da topografia se inicia por volta de 3000 a.C., com os babilônios utilizando cordas para a medição de distâncias. Não há muitas referências sobre o assunto até 560 a.C., quando foi criado o Gnomon, que permitiu ao astrônomo, engenheiro e matemático Méton de Atenas (460 a.C. – ?) determinar a direção do norte, assim como posteriormente ao polímata Erastóstenes (276 a.C. – 194 a.C.) a calcular a circunferência da Terra.

O passo seguinte foi alcançado com a Dioptra, um instrumento surgido no século III a.C. e baseado em um tubo em “U” com água, que servia para a medição de ângulos horizontais e verticais e para o nivelamento de plataformas.

Mais à frente, Hiparco (190 a.C. – 120 a.C.) criou o astrolábio, que pode ser considerado o antecessor do teodolito. Já no ano 150 da era Cristã, Ptolomeu (90 – 168) descreveu o quadrante, aplicando-o em observações astronômicas e na medição de ângulos verticais. Para esta última aplicação, inclusive, as réguas de Ptolomeu foram utilizadas até a Idade Média.

MEDIEVO

Durante o Império Romano, os conhecimentos gregos foram levados para a Europa. Vitrúvio (~70 a.C. – 25 a. C.) cita medições de distância baseadas em contadores de voltas de um tambor, em lugar dos passos até então utilizados. Aliás, o arquiteto, engenheiro, agrimensor e pesquisador romano também foi o criador do primeiro esquadro baseado no triângulo de Pitágoras (com lados de 3, 4 e 5 unidades).

Também os árabes não só utilizaram os conhecimentos gregos, como os aperfeiçoaram consideravelmente. Nesse sentido, criaram astrolábios divididos em 5 minutos de grau e, entre outros, um mecanismo para medição indireta de distâncias (chamado balhestilha).

A bússola, por sua vez, foi inventada pelos chineses e aperfeiçoada por Leonardo da Vinci (1452 – 1519) e Charles Augustus Schmalcalder (1781 – 1843). No mundo Ocidental, a primeira referência ao instrumento foi feita por Alexander Neckman (1157 – 1217) em 1187. Posteriormente, o matemático francês Oronzio Fineo (1494 – 1555) montou uma bússola sobre um semicírculo com duas alidades, uma sendo fixa e a outra, móvel.

Apoiando-se nos conhecimentos de Gemma Frisius (1508 – 1555), Johann Pretorius aperfeiçoou a prancheta, que durante muito tempo foi o instrumento mais avançado disponível para os topógrafos.

Embora haja referências anteriores de estudos a respeito, a primeira luneta foi produzida por Galileu e aperfeiçoada por Johannes Kepler (1571 – 1630), Christian Huygens (1629 – 1695) (que colocou uma retícula para facilitar a pontaria) e William Gascoigne (1612 – 1644), que juntou o parafuso micrométrico.

Finalmente, Jonathan Sisson (1690 – 1747) construiu em 1720 o primeiro teodolito, com quatro parafusos de nivelamento. Tobias Mayer (1723 – 1762) trocaria os fios da retícula (que eram de teia de aranha) por uma gravação na própria lente, enquanto Pedro Nunes (1502 – 1578) transportou o mecanismo de leitura para um quadrante com dois círculos concêntricos, tendo um deles uma divisão a menos que o outro. Era o nônio (também chamado de “Vernier”), base para quase todos os instrumentos analógicos de medição de precisão.

ERA MODERNA

Em 1730, o mesmo Sisson construiu o primeiro goniômetro, aperfeiçoado por Jesse Ramsden (1735 – 1800). Em 1803, Georg Friedrich von Reichenbach (1771 – 1826) inventou a primeira máquina para graduar círculos (cujo princípio é usado até hoje), seguida em 1804 pelo teodolito repetidor e, em 1810, pela centragem forçada, acoplando os fios estadimétricos em sua alidade.

Em 1823, Ignazio Porro (1801 – 1875) desenvolveu um sistema de modificação do ângulo de paralaxe, cujo resultado perdura até hoje. Em 1839, batizou seu instrumento de taqueômetro.

Em 1830, Paul Adrien Bourdaloue (1798 – 1868) fabricou a primeira mira para nivelamento, que permitia a leitura direta de grandezas como a distância reduzida, levando à criação de outros aparelhos como o taquímetro logarítmico (1893) e o taquímetro autorredutor de Hammer (1893).

Em 1862, apareceu o THEO 010, da Zeiss. Em 1908, Heinrich Wild (1877 – 1951), funcionário da mesma Zeiss, lançou a luneta de foco interno. Posteriormente, criou o nível de coincidência, o micrômetro de coincidência e a estadia invar como são conhecidos hoje.

Mais tarde, em uma sequência de invenções, surgiram o teodolito DKR (1936), o DKM3 (1939) e o DKRM (1946), da Kern. Pouco depois, em 1950, foi lançado o T3 da Wild.

O primeiro distanciômetro eletro-óptico foi fabricado na União Soviética em 1936. Sua concepção foi utilizada para produção do distanciômetro AGA, fabricado em Estocolmo em 1948. A Wild então começou a fabricar o DI10, um distanciômetro de pequenas dimensões que trabalhava acoplado a um teodolito.

O passo seguinte foi o surgimento das semiestações, constituídas por um distanciômetro montado sobre o mesmo teodolito analógico. Nessa configuração, a parte eletrônica fazia somente a leitura das distâncias, sendo necessário digitar os ângulos para que os demais cálculos fossem feitos. Com o aparecimento dos sistemas eletrônicos de captação de ângulos, essa tarefa foi simplificada significativamente, conseguindo-se uma maior precisão nos teodolitos digitais.

ELETRÔNICA

Isso levou, na década de 70, ao aparecimento dos primeiros teodolitos eletrônicos, nos quais o leitor óptico de um círculo graduado foi substituído por um sistema de captadores eletrônicos, com os resultados apresentados diretamente em uma tela, e, posteriormente, à criação das estações totais, nas quais a eletrônica executa todas as funções, decretando o desaparecimento das cadernetas de campo, que também passaram a ser eletrônicas, compilando os registros das leituras efetuadas.

Os dados podiam finalmente ser transferidos diretamente para um computador, que os processaria e emitiria os relatórios pertinentes ou mesmo passaria as informações para um plotter, para a elaboração de desenhos.

A tecnologia atual de coletores de dados e GPS abre novos horizontes, inclusive com transmissão de dados em tempo real. Mas as possibilidades são tantas que nem a livre especulação permite prever o futuro.

Leia na próxima edição: O desenvolvimento dos motores diesel

 

 

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