Sabor de realidade — Revista M&T
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M&T nº 199Março 2016 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialO desafio da indústria nacional
  2. CompactaçãoAs estrelas do roadbuilding
  3. CombustíveisA vez das tecnologias verdes
  4. Indústria FerroviáriaVitalidade sobre trilhos
  5. LocaçãoEnfrentando o turbilhão
  6. EmpresaÀ prova de choques
  7. MineraçãoFoco total na produção
  8. GuindastesNa esteira da crise
  9. Momento Constructionexpo 2016Mostra articulada
  10. FabricanteO teste do canteiro
  11. A Era Das MáquinasA tecnologia nos anos 50
  12. ManutençãoDesempenho Sem arrastes
  13. Entrevista"A retomada do crescimento será lenta"
  14. Compactos & FerramentasPorte ideal em cravações
  15. Coluna YoshioSabor de realidade
  16. Painel16 notas e colunas
Coluna Yoshio

Sabor de realidade

A indústria de máquinas particularmente mostrou-se surpresa pelas consequências imediatas da nova sistemática de recolhimento do ICMS, que aumentará as dificuldades do setor

Exclusivo M&T 14 de março de 2016 · Edição 199

Agora que o Carnaval finalmente já passou, a Quaresma antecipada de 2016 traz um amargo sabor de realidade que a ausência do circo provoca em todos nós. Como se costuma dizer, o Brasil começa a trabalhar depois do Carnaval, só que desta vez não é assim. Antes de retomar o ânimo e iniciar o cotidiano da labuta produtiva, é necessário equacionar problemas que ficaram hibernados desde meados de dezembro, quando já não tínhamos mais resiliência suficiente para pensar com objetividade. Afinal, simplesmente terminar o ano de 2015 já parecia ser uma perspectiva atrativa e produtiva.

Pois bem, encerrada a temporada de ilusões eufóricas, resta-nos debruçar sobre a realidade dos negócios e da vida profissional pelo “restinho de ano” à nossa frente. E, enquanto acordávamos da letargia do final do ano, o que já nos atropelou desde então? De saída, estamos no epicentro de uma crise global de saúde, que estarrece o planeta com o rápido avanço do vírus zika. Os meios de comunicação nos impõem reconhecer que em cidades menores, bairros menos favorecidos e ruas menos visitadas a nossa infraestrutura é quase medieval. Mostram o retrato de uma sociedade que, em pleno século XXI, vive na mesma ignorância da longínqua Idade Média. Quando matar mosquitos se torna prioridade nacional, é sinal de que seguimos muito doentes.

Mas também acordamos com mudanças na sistemática de recolhimento do ICMS, sobre a qual não havíamos dedicado a necessária atenção. A indústria de máquinas particularmente – que tem a maioria de seus clientes entre as empresas não-contribuintes – mostrou-se surpresa pelas consequências imediatas da nova sistemática.

De fato, os efeitos da mudança foram percebidos pelos fabricantes por meio de três situações distintas. Na primeira, o fabricante com unidade instalada no estado passa a ter vantagem sobre os concorrentes que não a têm. Inversamente, nos estados em que seus concorrentes têm fábrica, o fabricante passa a ter uma grande desvantagem em relação a eles. E, na terceira situação, nos estados em que nenhum fabricante tem fábrica, haverá um aumento significativo nos impostos (diferencial de ICMS) a serem pagos pelos clientes.

A confusão gera impactos para distribuidores e revendedores, que encontrarão clientes com duplos domicílios (que poderão viabilizar operações estaduais em substituição às operações interestaduais para evitar os incrementos), estados com a presença de vários fabricantes e ajustes anuais da sistemática de recolhimento, dentre outras situações.

Para o segmento, já sofrido com a forte queda de demanda desde o ano passado, esta confusão não contribuirá em nada. Apenas aumentará as dificuldades. Assim, a pausa mais breve deste início de ano parece prenunciar um ano mais duro, com menos circo, mas também com menos pão.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

 

 

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