Os riscos da negligência — Revista M&T
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M&T nº 82Abr/Mai 2004 Matéria 15 de 18
Sumário
  1. EditorialEnfoques específicos e complementares entre si.
  2. NotasSantigo & Cintra é líder em geo-tecnologias trimble na América latina
  3. AtividadesToma posse a nova diretoria da Sobratema
  4. EntrevistaMárcio Velloso Guimarães, comandante do 11°. Batalhão de Engenharia de construção quando o "Front" é uma frente de obras
  5. TreinamentoOpus inicia curso para operadores do exército
  6. EnergiaAvança a infra-estrutura do gás natural
  7. Bauma 2004Tecnologia em escala mundial
  8. DesenvolvimentoCaterpillar amplia leque de opções
  9. BritagemMetso mostra novo Barmac B7150SE
  10. MovimentaçãoKomatsu mostra sua linha européia
  11. FuturoO retorno da SFINX- estilo 2020
  12. O AnfitriãoLiebherr ocupa 11 mil m² em Bauma
  13. Peso-PesadoTerex avança no mercado
  14. ComponentesO eixo com " manutenção zero"
  15. SegurançaOs riscos da negligência
  16. MovimentaçãoMovimentação do parque nacional de equipamentos
  17. ArtigoManutenção proativa : conceitos e resultados
  18. Espaço AbertoTecnologia Hyundai nos jogos olímpicos de atenas
Segurança

Os riscos da negligência

Exclusivo M&T 1 de maio de 2004 · Edição 82

Operação nos canteiros de obras fica prejudicada com a morosidade na aprovação de alterações na norma NR18 — que dispõe sobre as condições de trabalho na indústria da construção.

último dia 27 de abril, os Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social reuniram-se em solidariedade ao Dia Nacional de Luto pelas Vítimas dos Acidentes e Doenças do Trabalho. O acontecimento foi inspirado na celebração do Dia Internacional da Segurança e Saúde no Trabalho, data instituída pela OIT em todo o mundo.

Na ocasião, em que participaram os respectivos chefes de cada pasta, o ministro Ricardo Berzoini, da Previdência Social, disse que os acidentes são um problema antigo do Brasil e que a tendência é de as empresas subnotificarem os fatos. “Muitas vezes o empresário tem a ilusão de estar economizando, mas vai gastar mais no futuro”, salientou o ministro, referindo-se a uma suposta negligência do empregador no que se refere a contribuir com medidas básicas de proteção aos funcionários.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, a cada ano cerca de dois milhões de trabalhadores morrem em função de acidentes na profissão. No Brasil, o número chegou perto de 2.900 mortes em 2002, contabilizando apenas dados oficiais, ou seja, incluem só funcionários com carteira assinada. A fim de corrigir o problema, o ministro da Previdência afirmou que o Governo Lula manterá programas de fiscalização das áreas críticas, inclusive através de um Fórum Nacional do Trabalho, que viria a ser instituído com a missão de criar um “diálogo no sentido de prevenir acidentes”.

É bem possível estabelecer um link entre o que foi citado nos parágrafos acima e o cenário atual do setor da construção civil no Brasil, ainda que de maneira genérica. O que se sabe é que a construção é uma atividade extremamente pulverizada— atinge diversas regiões e classes sociais — e que o enfraquecimento socioeconômico do país a conduz a baixos níveis de qualidade e, consequentemente, a escassos padrões de segurança ao trabalhador. E o governo não pode ficar desatento a essa realidade.

Desde 2002, está em curso no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a modificação da norma NR18, que dispõe sobre as Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Itens referentes à utilização de gruas, elevadores de carga e/ou pessoas, telhados e coberturas e redes de proteção contra acidentes, por exemplo, já tiveram a redação alterada — respeitando padrões estabelecidos internacionalmente pela OIT ou pelos próprios fornecedores, mas ainda não foram aprovados pelo governo. Todos os itens estão estreitamente ligados a práticas seguras de trabalho na construção civil. Em relação às gruas, mudanças na operacionalidade do equipamento foram concluídas pelo Comitê Permanente Regional de São Paulo (CPR-SP). Além dele, existem outros iguais no país que tratam da elaboração de estudos periódicos para acompanhamento e readequação da NR18. Os CPRs são de formação tripartite integram trabalhadores, representantes do patronato (construtoras, empreiteiras) e do governo. Também há um Comitê Permanente Nacional (CPN), cuja função é centralizar as propostas de revisão da NR 18, redistribui-las para análise dos demais comitês e encaminhá-las para aprovação. Todavia, o encaminhamento dessas propostas vem sendo dificultado há alguns meses.

“Com a mudança de governo, estamos praticamente inertes nestes últimos 16 meses. A verba, que era de R$ 12 milhões na gestão passada, caiu para um décimo nesse ano. Parece que não é do interesse desse governo fazer segurança e saúde no trabalho”, declara o Gerente Estadual do Programa da Construção Civil da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo, Antonio Pereira Nascimento. Segundo ele, as proposições inerentes à NR18 são debatidas, trimestralmente, nas reuniões do CPN. “Mas como fazer reunião sem verba de custeio. Fica difícil trazer o pessoal da área pública se o governo não financia transporte, acomodações e alimentação”, completa Nascimento.

RESPONSABILIDADE — O auditor explica, ainda, que a aprovação das revisões da NR 18 no CPN depende de 24 pessoas. São oito vinculadas aos sindicatos representantes dos trabalhadores (CUT, Força Sindical, CGT e SDS), mais oito ligadas às entidades com vínculo ao patronato. E o mesmo número de membros representantes do Ministério do Trabalho. Para que a reunião aconteça o quorum mínimo deve ser de 50% dos integrantes. “No último encontro, ocorrido em março, em São Paulo, ostavam presentes representantes dos trabalhadores e o patronato imbém veio em peso. Já na esfe- pública, os únicos a comparecer éramos nós, de São Paulo, reclamamos Nascimento.

O responsável no DRT-SP pela NR18 diz que a segurança nos canteiros de obras fica prejudicada pela morosidade da legislação. No mês de abril, quatro trabalhadores perderam a vida em acidentes na construção civil, fato que poderia ser evitado caso o trâmite de preceitos tão básicos quanto indispensáveis à segurança fossem agilizados no Brasil.

“Como auditores nos sentimos desamparados. Já que não podemos normatizar, como podemos cobrar?”. Esperamos que algo de promissor seja feito até o final de 2004, nas próximas reuniões do CPN”, finaliza Nascimento.

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