Mercado de galpões logísticos avança no país — Revista M&T
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M&T nº 285Julho 2024 Matéria 4 de 12
Sumário
  1. EditorialA disrupção no controle de máquinas
  2. DigitalizaçãoTecnologia a serviço da produtividade
  3. MotoniveladorasAderência na medida certa
  4. Especial InfraestruturaMercado de galpões logísticos avança no país
  5. FabricanteLiebherr celebra 50 anos no Brasil
  6. Usinas De AsfaltoReciclagem com alta qualidade
  7. FabricanteXCMG celebra 10 anos no Brasil
  8. FabricanteScania chega a 500 mil caminhões produzidos no Brasil
  9. A Era Das MáquinasFeiras setoriais se espalham pelo mundo
  10. ManutençãoO uso seguro de talhas e ganchos
  11. Entrevista – Luiz Marcelo Daniel"O cliente de produção não olha preço”
  12. Coluna Do YoshioOs aprendizados das catástrofes
  13. Painel18 notas e colunas
Especial Infraestrutura

Mercado de galpões logísticos avança no país

Com a exigência crescente de eficiência nas entregas, centros de distribuição se multiplicam em áreas estratégicas, reduzindo custos e tempo de transporte dos produtos

Exclusivo M&T 9 de julho de 2024 · Edição 285

O mercado de Centros de Distribuição (CDs) segue em rápida expansão no país, impulsionado especialmente pelo crescimento do e-commerce e da digitalização. Entre 2020 e 2022, a chamada Área Bruta Locável (ABL) cresceu aproximadamente 50% no segmento, atingindo cerca de 20 milhões de m².

Segundo Rafael Picerni, analista de pesquisa e estratégia da JLL, apenas entre 2021 e 2023 foram entregues 6,9 milhões de m². Em 2022, o estoque adicionado foi recorde, totalizando 3 milhões de m² no ano.

“O setor de condomínios logísticos possui uma dinâmica de construção mais rápida, e o mercado entregou um volume proporcional ao crescimento nos últimos anos”, afirma.

Entre 2021 e 2023, a absorção bruta foi de 11,2 milhões de m², enquanto a líquida ficou em 6,9 milhões de m², igualando-se ao novo estoque no período.

“Nunca houve um volume de movimentação tão grande como em 2022, quando a absorção bruta foi de 4,1 milhões de m² e a líquida, de 2,7 milhões de m²”, comenta o analista.

Segundo dados do “Brazil Data Center Market Analysis Report – Growth Trends & Forecasts Up to 2029”, compilados pela Mordor Intelligence, as gigantes globais do varejo têm expandido significativamente as redes de distribuição no país.

“A Amazon já chegou a oito centros de distribuição, enquanto a Shopee ampliou a capacidade de entrega para 1,5 milhão de pacotes diários”, detalha Jean Paolo Simei e Silva, sócio do escritório Fonseca Brasil.


Picerni, da JLL: volume de entrega
proporcional ao crescimento

Segundo ele, as expectativas indicam continuidade no crescimento em 2024, com previsão de expansão anual da ABL em torno de 15%. “Esse crescimento será impulsionado por investimentos em novas tecnologias e infraestruturas avançadas, além de aumento contínuo do comércio eletrônico”, complementa.

O gerente de leasing industrial da consultoria Cushman & Wakefield, Eric Ammirati, também espera um ano com alto volume de entrega de novos empreendimentos. “O valor esperado é inferior a 2022, que foi recorde na série histórica, mas deve se manter próximo a 1,7 milhão de m², semelhante ao registrado em 2021 e 2023”, diz.

DESENVOLVIMENTO

De acordo com Abiner Oliveira, diretor comercial na WTorre e coordenador da Associação Brasileira de Logística (Abralog), as empresas cada vez mais estão deixando a propriedade dos imóveis e passando a cuidar do core business, abrindo oportunidades para o desenvolvimento do mercado no país. “A necessidade de receber o produto no menor tempo possível se tornou uma realidade para todos os consumidores”, observa. “Dessa maneira, a presença de novos galpões logísticos é praticamente obrigatória em todas as principais capitais e centros metropolitanos do país.”


Simei e Silva, do escritório Fonseca Brasil:
avanço das gigantes do varejo

Nacionalmente, São Paulo continua a ser o epicentro do desenvolvimento imobiliário, liderando tanto em estoque quanto em projetos. “Quase 6 milhões de m² foram entregues nos últimos cinco anos no estado, o que equivale a 5,7 milhões de m²”, afirma Ammirati, da Cushman & Wakefield.

Dessa maneira, o estado mantém a ponta em número de condomínios logísticos no país, com 311 empreendimentos, totalizando 16,6 milhões de m² de área.
Em seguida vem Rio de Janeiro, com 56 condomínios e 2,9 milhões de m², seguido por Minas Gerais, com 44 empreendimentos que totalizam 2,5 milhões de m².

Recentemente, Minas Gerais tem se destacado na área, devido especialmente ao desenvolvimento das cidades mais ao sul do estado, devendo superar o Rio de Janeiro como o 2º maior mercado já nos próximos trimestres.

“Nos últimos cinco anos, Minas Gerais entregou 19% do total de área (1,8 bilhão de m²), enquanto o Rio de Janeiro ficou em 3º lugar, com 5% (506 milhões de m²)”, afirma Ammirati.


Ammirati, da Cushman & Wakefield:
mudança de comportamento das empresas

Segundo Picerni, analista da JLL, as empresas têm necessidade de estarem próximas ou até mesmo dentro dos centros urbanos para realizar as operações logísticas.

E essa disputa por espaços fez o mercado de “last mile delivery” (última etapa da entrega) valorizar-se. “No 1º trimestre, o preço médio de locação em galpões de alto padrão estava em R$ 38 por m² na cidade de São Paulo e R$ 37,5 por m² no Rio de Janeiro”, informa.

ATRATIVIDADE

De fato, as cidades que mais atraem empreendimentos geralmente estão próximas a grandes mercados, assim como de centros consumidores ou regiões com alta densidade populacional.

“Também é levada em conta a acessibilidade, ou seja, a localização em relação às rotas de transporte, facilitando a importação e exportação de mercadorias e a distribuição para outras regiões”, observa André Gavazza, diretor de desenvolvimento da GLP Brasil.

Desenvolvedora e operadora de galpões logísticos, a própria GLP é um exemplo da pujança do setor. Em 2023, a empresa alcançou 371 mil m² de novas locações, estabelecendo-se como líder de mercado em área locada no país.

“A empresa registrou um aumento de 25% em relação à área total locada no ano anterior”, posiciona Gavazza, citando dados da consultoria JLL.

A maior transação do ano foi realizada para a Shein – varejista global on-line de moda, beleza e lifestyle – com 135.000 m² no GLP Guarulhos II, o maior condomínio logístico classe AAA do país.

“No ano passado, entregamos 262 mil m² em novos galpões em um raio de 30 km de São Paulo, totalizando mais de 2,2 milhões de m² desenvolvidos desde o início das operações”, comenta.

A todo, a GLP conta com cerca de 4,1 milhões de m², sendo 1,4 milhão de m² no pipeline para desenvolvimento nos próximos anos.

“Investimos R$ 2,1 bilhões nos últimos três anos, e nossa previsão é investir a mesma soma nos próximos três anos”, revela Gavazza, destacando que o portfólio está distribuído por quatro estados, sendo 95% no eixo Rio-SP (77% em São Paulo e 18% no Rio de Janeiro), 2% no Rio Grande do Sul e 1% em Pernambuco.

“Atendemos varejistas, bens de consumo, operadores logísticos, indústria automotiva e farmacêutica, entre outros setores”, descreve.


Gavazza, da GLP: aumento
anual de 25% em área locada

Segundo Ammirati, da Cushman & Wakefiled, os setores que mais se destacam atualmente na ocupação são o comércio varejista e atacadista, seguidos por operadores logísticos.

Em 3º lugar está o setor de eletrônicos, com presença significativamente menor em comparação aos dois primeiros. “Juntas, as operações logísticas e o comércio varejista e atacadista representam cerca da metade da ocupação atual em condomínios logísticos no país”, delineia.

Em relação à locação de áreas já construídas, Picerni explica que o mercado está favorável, pois os prazos dos projetos dentro das empresas estão mais apertados.

“Imóveis prontos se destacam por prazos menores e menos riscos na aprovação e no licenciamento”, diz o analista da JLL. “Além disso, o aumento dos custos das construções também tem alavancado a busca por imóveis já construídos.”

VACÂNCIA

No que tange à taxa de vacância – índice que mede os empreendimentos que não foram alugados –, o mercado de galpões logísticos registra algo em torno de 10%, nível considerado “saudável” para o mercado imobiliário logístico.

“Uma taxa abaixo de 8% pode indicar falta de espaço e pressão por aumento nos preços dos aluguéis, enquanto uma taxa acima de 15% pode sinalizar excesso de oferta”, explica Simei e Silva, do escritório Fonseca Brasil.


Oliveira, da Abralog: vacância
controlada aumenta o preço de locação

Segundo Oliveira, da Abralog, o preço fica pressionado quando a vacância ultrapassa a barreira dos 15%, passando a ser “um mercado de inquilinos”. Já quando a vacância está muito próxima a zero, “o mercado é dos proprietários”.

“O ideal para o mercado é que essa vacância navegue na casa dos 10%”, acentua o coordenador, acrescentando que os preços de locação estão em elevação justamente porque a taxa de vacância está controlada, até “em função da disciplina do mercado”.

“Hoje, o mercado recebe novos empreendimentos alinhados com a capacidade de absorção e de locação”, pondera.

De acordo com Ammirati, da Cushman & Wakefiled, a vacância é um pouco superior (10,7%) em São Paulo, enquanto Minas Gerais registra uma taxa de 6,6%, com destaque novamente para o sul do estado, com apenas 3% de áreas vagas.

“Esse resultado demonstra alta demanda e justifica a entrega constante de novos empreendimentos”, diz.

Segundo Gavazza, a GLP fechou 2023 com uma taxa de ocupação de 92% do portfólio estabilizado, ou seja, 8% de vacância. “Ficou dentro das expectativas e razoavelmente abaixo do mercado, que atingiu cerca de 10,5% no ano passado”, ressalta.

CONSTRUÇÃO

Picerni, da JLL, comenta que a construção de galpões industriais e logísticos tem se modernizado, com as especificações convergindo para uma tipologia única, capaz de atender vários tipos de operação. “Essa convergência resulta em construções mais rápidas e econômicas”, diz ele, “com ganho em escala na aquisição de materiais”.

Nesse sentido, construções com estrutura em concreto pré-moldado, cobertura e fechamento lateral em estrutura metálica, piso em concreto com suporte mínimo de 6 t/m², modulação entre pilares de 22,5 m, pé-direito mínimo de 12 m e atendimento por sistema de sprinkler (conjunto de pequenos chuveiros hidráulicos para proteção contra incêndio) são as que têm atendido a mais segmentos.

“Essa tipologia reduz os ajustes na implantação das operações do usuário, seja logístico ou fabril”, esclarece o especialista.


Especificações de galpões logísticos convergem para tipologia única de construção

Em geral, os novos empreendimentos também contam com pisos nivelados a laser, docas elevadas para carga e descarga, iluminação e ventilação natural com boa infraestrutura (comum ou condominial). “Esses são pré-requisitos básicos que os clientes esperam encontrar em centros de distribuição modernos”, afirma Picerni.

Para Ammirati, as estruturas em pré-moldado de concreto continuam em alta, embora em alguns casos os pilares centrais também sejam erguidos com estruturas metálicas.

“O fechamento lateral e do fundo dos galpões geralmente são metálicos, enquanto as estruturas de painéis são em pré-moldados ou ainda tilt-ups”, especifica o gerente da Cushman & Wakefiled, referindo-se ao sistema construtivo em que a estrutura é composta basicamente por paredes portantes moldadas sobre a laje de piso da edificação (tilt-walls), posteriormente instaladas na posição final.

O tamanho dos empreendimentos também é variável, de acordo com o potencial dos terrenos. “Porém, empreendimentos acima de 30.000 m² de área construída podem oferecer taxas de condomínios mais competitivas do que ativos de menor porte”, avalia Ammirati.

Na GLP, os galpões geralmente são construídos com cobertura em estrutura metálica e telha com isolamento termoacústico em facefelt (feltro em lã de vidro aglomerado por resinas sintéticas), contribuindo para manter estável a temperatura interna, além de reduzir a propagação de ruído.

“Os galpões são projetados para obter a certificação LEED”, garante Gavazza, descrevendo características de eficiência energética com iluminação natural e uso de lâmpadas LED.

“Além de eficiência hídrica com sistema de captação de água pluvial, que pode reduzir o consumo em mais de 60%”, finaliza.

Saiba mais:
Abralog:
www.abralog.com.br
Cushman & Wakefield: www.cushmanwakefield.com/pt-br/brazil
Fonseca Brasil: www.fonsecabrasil.com.br
GLP: www.glp.com.br
JLL: www.jll.com.br

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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