Engenharia da qualidade — Revista M&T
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M&T nº 220Fevereiro 2018 Matéria 6 de 18
Sumário
  1. EditorialProjeções de trégua na infraestrutura
  2. CabinasConforto e segurança no comando
  3. ColheitadeirasConfiança na fronteira agrícola
  4. Transportes EspeciaisGigantes das estradas
  5. Especial Sobratema 30 AnosA ascensão dos híbridos
  6. Gestão De FrotasEngenharia da qualidade
  7. Gestão De FrotasO futuro da manutenção
  8. Transportador De CorreiasDesempenho de alta flexibilidade
  9. FabricanteFoco na marca
  10. PavimentaçãoReciclagem avança na reparação de rodovias
  11. TreinamentoLapidação de talentos
  12. EmpresaCompromisso com o mercado
  13. Momento M&T ExpoUma ponte para o sucesso
  14. A Era Das MáquinasA diversificação dos motores
  15. ManutençãoCuidados com a base de sustentação
  16. EntrevistaALESSANDRO COLUCCI
  17. Compactos & FerramentasDescarte adequado de resíduos
  18. Coluna Do YoshioA hora das oportunidades
  19. Painel16 notas e colunas
Gestão De Frotas

Engenharia da qualidade

Ainda sem poder contar com uma certificação de qualidade, as unidades de manutenção exercem um papel crucial na disponibilidade e rentabilidade dos ativos

Exclusivo M&T 16 de fevereiro de 2018 · Edição 220

Após a conclusão de um novo projeto de investimento e durante a operação de uma unidade de produção, as atividades de manutenção contribuem de forma decisiva para se atingir as metas de produtividade estabelecidas pelo negócio.

A atuação da engenharia de manutenção pode minimizar serviços emergenciais, aumentando a estabilidade da operação e a vida útil dos equipamentos. Se realizada corretamente, a manutenção torna-se uma ação crucial para manter a operacionalidade e a confiabilidade previstas no projeto de equipamentos ou de sistemas, durante todo o seu ciclo de vida, o que representa uma significativa redução de custos para a produção.

ABORDAGENS

Grosso modo, há três tipos de abordagem em relação à manutenção. A primeira delas, a manutenção preventiva, é constituída por atividades programadas e documentadas com base nas especificações técnicas e no histórico de operação dos equipamentos. Isso facilita o planejamento e a disponibilidade prévia de peças e materiais.

Uma versão mais radical desse processo é estabelecida com base no tempo de serviço, seguindo-se instruções do fabricante referentes à substituição de peças e componentes. Mas apresenta custo elevado e, por vezes, descarta componentes ainda em condições aceitáveis de uso, já que os intervalos são definidos pela média.

A seguir, temos a manutenção preditiva, que se baseia na avaliação dos resultados de testes e monitorações dos equipamentos, comparando-os a parâmetros emitidos pelos fornecedores e dados reais de operação dos equipamentos. Nesta categoria, há ainda a possibilidade de se programar reparos antes das quebras, o que facilita as ações e garante uma melhor relação custo x benefício.

Por fim, a manutenção corretiva, correspondente a operar até que ocorra a falha, deveria ser adotada apenas para componentes cujas falhas não impliquem consequências sérias de segurança e custos. Mas nem sempre é assim que acontece.

PLANEJAMENTO

As necessidades de manutenção obrigam as empresas a manter estruturas adequadas para suportar as atividades. Assim, cabe à organização definir uma liderança de manutenção, que seja identificada por todos os funcionários e colaboradores, e dispor de sistemas adequados de planejamento e controle das atividades. Também é recomendável publicar o organograma e manter uma estratégia de manutenção definida e reavaliada periodicamente, de acordo com os resultados obtidos.

As ações devem assegurar que as instalações e máquinas operem adequadamente durante todo o seu ciclo de vida, privilegiando em especial os equipamentos mais críticos. Todos os procedimentos de manutenção devem ser claramente definidos e documentados, incluindo práticas seguras de trabalho e parâmetros de qualidade do produto final, dentro da capacidade de produção das instalações e do custo orçado.

Além de pessoal qualificado para as tarefas a serem executadas, deve-se assegurar ainda que todos os componentes, peças sobressalentes, ferramentas, dispositivos e materiais de manutenção sejam adequados para garantir a eficácia dos serviços.

Como o planejamento é fator preponderante para redução de prazos e custos, é necessário programar os trabalhos por meio de ordens específicas de serviço, para minimizar os impactos da operação. Outros aspectos relevantes incluem a requisição de materiais e peças sobressalentes em regime JIT (“Just in Time”), a elaboração de procedimentos detalhados para as atividades e a prioridade aos requisitos de segurança aplicáveis. Recomenda-se que a estrutura de manutenção seja avaliada desde o início, já nas definições do projeto ou dos fluxos de processos operacionais que serão gerados. Pode-se então criar uma check-list para a aplicação.

A check-list, por sua vez, deve ser estruturada por profissionais com experiência comprovada no processo, passando por reavaliação periódica. A subdivisão por área ou subárea operacional também é indicada, bem como questões básicas a serem respondidas, uso de sistema de pontuação e estímulo à participação da equipe responsável pelas atividades. Na avaliação, também devem ser desenvolvidos planos de ação para as pendências identificadas, com a designação de responsabilidades e data limite para os itens pendentes.

CERTIFICAÇÃO

A importância da avaliação do status da manutenção não pode ser minimizada em uma busca contínua por falhas e melhoria da área. Tal estrutura possibilita a criação de planos de ação para resolução dos problemas e, ainda, funciona como um importante instrumento de gestão.

Um último ponto a considerar é que, independentemente das normas existentes sobre o assunto, ainda não há uma ferramenta de avaliação confiável dos sistemas de manutenção adotados pelas empresas. Se bem-estruturado, o processo aqui descrito pode vir a cobrir esta lacuna e estabelecer um “benchmarking” para as unidades de manutenção, podendo até mesmo tornar-se base para um necessário processo de certificação das unidades de manutenção, como ocorre em várias instituições internacionais sobre outros temas.

Uma publicação Sobratema

A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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