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23 de julho de 2019
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INFRAESTRUTURA

Setor da construção diz que liberação do FGTS pode aumentar déficit habitacional

Presidente de associação de incorporadoras afirma que medida pode atrasar recuperação econômica
Fonte: O Estado de S. Paulo

Antes mesmo de ser anunciada oficialmente,a notícia de que o governo pretende liberar até 35% das contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), já causa mal estar no setor da construção civil ­– o mais atingido pela crise.

Os recursos do FGTS são hoje usados para financiar programas de habitação, como oMinha Casa Minha Vida, além de obras de saneamento e infraestrutura, com juros menores do que o mercado.

“Não é que essa medida é ruim para nós (o setor), mas para os brasileiros”, disse Ronaldo Cury, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).

“A medida aquece o comércio momentaneamente e depois acaba. Mexe no consumo, maquia o PIB (Produto Interno Bruto), mas deixa de fora o setor que gera empregos e impostos”, acrescenta.

A liberação de recursos do FGTS para o trabalhador deve diminuir o total disponível para a construção, o que, segundo Cury, pode aumentar o déficit habitacional do país.

Dados daAssociação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que, para cada R$ 100 mil sacados em FGTS, uma moradia popular pode deixar deser construída....


Antes mesmo de ser anunciada oficialmente,a notícia de que o governo pretende liberar até 35% das contas ativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), já causa mal estar no setor da construção civil ­– o mais atingido pela crise.

Os recursos do FGTS são hoje usados para financiar programas de habitação, como oMinha Casa Minha Vida, além de obras de saneamento e infraestrutura, com juros menores do que o mercado.

“Não é que essa medida é ruim para nós (o setor), mas para os brasileiros”, disse Ronaldo Cury, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).

“A medida aquece o comércio momentaneamente e depois acaba. Mexe no consumo, maquia o PIB (Produto Interno Bruto), mas deixa de fora o setor que gera empregos e impostos”, acrescenta.

A liberação de recursos do FGTS para o trabalhador deve diminuir o total disponível para a construção, o que, segundo Cury, pode aumentar o déficit habitacional do país.

Dados daAssociação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que, para cada R$ 100 mil sacados em FGTS, uma moradia popular pode deixar deser construída. Se forem sacados R$ 42 bilhões, como pretende o governo, seriam 420 mil casas a menos.

Segundo o SindusCon-SP, o déficit habitacional do Brasil é de 7,7 milhões e, das famílias sem casa, 97,5% têm uma renda inferior a cinco salários mínimos.

“O trabalhador de baixa renda só consegue comprar uma casa se tiver ajuda: juro baixo e subsídio. Parte desse subsídio vem do lucro do FGTS”, afirma Curry.

O orçamento de R$ 62 bilhões do FGTS para o Estado de São Paulo neste ano foi zerado em junho, ainda de acordo com o SinduCon-SP. “O fundo já está curto. Não está sobrando dinheiro, está faltando.”

Para Luiz Antonio França, presidente da Abrainc, a liberação das contas ativas do FGTS não compromete apenas o setor da incorporação, mas também a recuperação econômica do país, dada a relevância da construção no PIB.

O executivo destacou que, quando o governo de Michel Temer adotou medida semelhante, autorizando saques de contas inativas, parte dos recursos não foi usada para consumo e acabou sendo investida no mercado financeiro.

“Cerca de 20% dos cotistas detêm 80% do valor do FGTS. Esse dinheiro saiu do fundo e foi para aplicação financeira, não foi para consumo ou pagamento de dívida”, afirma França.

O Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), estima que o PIBda construção civil de 2019 fique estável neste ano, enquanto o PIB da indústria deverá avançar 0,1%, o de serviços, 1,4% e o agropecuário, 1,2%. Esse resultado deve fazer com que o setor tenha, novamente, um dos piores resultados da economia