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20 de maio de 2019
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ESPAÇO SOBRATEMA / Produtividade na construção brasileira pode crescer com o uso de tecnologia

Nobels também lembrou que o setor da construção possui atributos que precisam ser vencidos para a transformação digital, incluindo a contratação de curto prazo, falta de replicabilidade, ambiente desafiador e descentralizado, cadeia de suprimentos fragmentada e força de trabalho temporária, cadeia de valor complexa e fragmentada e falta de investimento em P&D.

“No setor da construção há várias barreiras na implementação da tecnologia, como falta de direcionamento claro, incentivos desalinhados e regulação restritiva, falta de foco ou prioridade, incapacidade da organização adotar efetivamente a transformação; sendo que muitas vezes é difícil e oneroso fazer”, complementa.

Para Nobels, para a jornada da transformação do setor da construção deve envolver toda a empresa e incorporar elementos de performance e de saúde organizacional.

E, para isso, afirma o sócio da McKinsey, são necessários três passos: direção estratégica, gestão de projetos e transformação da empresa. “É preciso definir uma estratégia de inovação a partir do entendimento de problemas que precisam ser resolvidos, desenvolver um plano de transformação digital, que deve englobar uma mudança de comportamento, a fim de envolver toda a empresa, já que uma implementação bem-sucedida requer transparência de dados e colaboração da liderança”, explicou.

No entanto, Nobels alertou que a tecnologia acelera o impacto, mas precisa ser iniciada quando de fato haja processos e uma gestão robustos. “É um erro começar a inovação antes do Lean (conjunto de técnicas desenhadas para reduzir desperdícios), porém esperar cinco ou dez anos para fazer inovação, também não é uma estratégia sustentável, já que o mundo está mudando rapidamente”, destacou.

Essa afirmação de Nobels é respaldada pela apresentação do diretor-geral da Porsche Consulting Brasil, Rüdiger Leutz, durante o Workshop Revista M&T 2019. “O Lean é o primeiro passo. Para falar em produtividade e eficiência tem que fazer a lição de casa, ou seja, é preciso diminuir e eliminar o desperdício no processo da construção”, afirmou.

Atualmente, é possível ver sete tipos de desperdícios no canteiro de obras: movimentação, estoques, área, erros, tempo de espera, transporte e superprodução.

Segundo Leutz, esses desperdícios são decorrentes da falta de excelência operacional no projeto, acarretando em erros estratégicos: o desenho do projeto é insuficiente, não há um planejamento de processos, o layout do trabalho é ineficiente em termos de fluxo do processo logístico, os processos operacionais não são sincronizados e não há um monitoramento eficiente do progresso da obra.