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18 de março de 2019
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M&T EXPO

Informação no centro do palco

Alguns dos principais especialistas do país debateram na M&T Expo assuntos na ordem do dia, como os impactos da tecnologia, os avanços em equipamentos e o cenário da locação
Fonte: Da redação

Confira neste especial o complemento da cobertura dos eventos de conteúdo Summit M&T Expo 2018 e Arena de Conteúdo, realizados durante a feira, em novembro, e que reuniram alguns dos principais especialistas do setor.

TECNOLOGIA

O conceito de Indústria 4.0 traz à tona novos processos de produção e deve transformar os tradicionais modelos de negócios. Em palestra sobre o tema, o diretor da VDMA (Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais), Thomas Junqueira Ulbrich, disse que a Indústria 4.0 “não é só uma questão de tecnologia nova, mas, sobretudo, de pensar em novos modelos e produtos”.

Segundo ele, está surgindo um novo modelo de negócio que prioriza a oferta dos serviços produzidos pelas máquinas, ao contrário da simples comercialização das máquinas ou produtos, como ocorria até aqui. Como exemplo, ele citou os fabricantes de elevadores, que já entenderam que suas margens de lucro agora estão mais nos serviços de manutenção, e não mais na venda pura e simples das cabines.

“Neste novo ambiente de negócios, serviço, manutenção e operação estão cada vez mais próximos”, afirmou, destacando ainda a tendência de customização de produtos.

“Com o aperfeiçoamento dos sistemas de comunicação entre as máq...


Confira neste especial o complemento da cobertura dos eventos de conteúdo Summit M&T Expo 2018 e Arena de Conteúdo, realizados durante a feira, em novembro, e que reuniram alguns dos principais especialistas do setor.

TECNOLOGIA

O conceito de Indústria 4.0 traz à tona novos processos de produção e deve transformar os tradicionais modelos de negócios. Em palestra sobre o tema, o diretor da VDMA (Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais), Thomas Junqueira Ulbrich, disse que a Indústria 4.0 “não é só uma questão de tecnologia nova, mas, sobretudo, de pensar em novos modelos e produtos”.

Segundo ele, está surgindo um novo modelo de negócio que prioriza a oferta dos serviços produzidos pelas máquinas, ao contrário da simples comercialização das máquinas ou produtos, como ocorria até aqui. Como exemplo, ele citou os fabricantes de elevadores, que já entenderam que suas margens de lucro agora estão mais nos serviços de manutenção, e não mais na venda pura e simples das cabines.

“Neste novo ambiente de negócios, serviço, manutenção e operação estão cada vez mais próximos”, afirmou, destacando ainda a tendência de customização de produtos.

“Com o aperfeiçoamento dos sistemas de comunicação entre as máquinas, será possível individualizar produtos”, frisou. “A partir de agora, veremos uma máquina ligar-se a outras. E não se trata somente de uma nova tecnologia de operação, mas de um modelo novo de negócios que poderá ser explorado.”

Pablo Santos: tecnologia aprimora equipamentos de movimentação de terra em grandes obras de infraestrutura

O especialista também criticou a tendência dominante no Brasil de achar que a inovação depende somente das grandes empresas.

“O perfil industrial da Alemanha é basicamente marcado por empresas de médio porte, que representam cerca de 2/3 do setor, enfatizando que todos podem e devem buscar a inovação como forma de sobrevivência em um novo modelo de mercado e de conceito de negócios trazidos pela indústria 4.0”, pontuou.

Em sua fala, o coordenador de vendas de compressores da Kaeser, Marco Aurélio Fernandes, explicou que a empresa já aderiu a esse novo conceito de mercado, passando a prestar serviços de climatização, ao invés de somente comercializar os equipamentos. “Hoje, a Kaeser digitaliza o sistema, monitora o consumo remotamente e é capaz até de analisar o desempenho do consumo e oferecer soluções de otimização ao cliente”, afirmou.

A propósito, o aumento da eficiência e o melhor gerenciamento de custos de projetos são necessidades que, cada vez mais, balizam o dia a dia das empresas, tendo por trás dois pilares: a gestão Lean e a digitalização dos processos. Nesse sentido, o gerente da Porsche Consulting, Daniel Jardim, explicou como a indústria tem auxiliado o setor da construção a manter-se em dia com as novas tecnologias, como o controle de obras com tablets. “Tradicionalmente, as construtoras trabalham com estoques que acabam se perdendo ou se deteriorando”, disse. “Usando a digitalização, conseguimos melhorar muito os resultados dos clientes.”

De acordo com ele, um dos projetos mais ousados da Porsche Consultoria no país inclui a concepção do conceito de uma “fábrica do futuro”, que está sendo estruturado junto a um cliente do interior de São Paulo. “Esse cliente vai contar com um fluxo de informação totalmente digitalizado”, explicou. “Assim, trabalhará com mais flexibilidade e menos estoque.”

Renan Facchinatto: PPPs podem ser uma saída para viabilizar projetos em áreas que exigem investimentos e administração

Em relação à inteligência artificial, a evolução tecnológica aplicada ao segmento de construção de estradas também já permite obter ótimo desempenho, mesmo com uma equipe menos experiente, conforme explicou Justo Santos, responsável técnico do segmento de Road Machinery da Volvo CE na América Latina. Para o palestrante, soluções em sensores, inteligência artificial e telemetria têm contribuído muito para as obras em rodovias. “Hoje, os equipamentos guiam os passos dos operadores”, contou.

Para a compactação do asfalto, por exemplo, a indústria já oferece soluções para medir, em tempo real, a densidade do asfalto que está sendo aplicado, permitindo a correção de falhas durante a obra. Também estão disponíveis produtos que fazem o mapeamento termal da área de trabalho, cálculo do material utilizado e até previsão do tempo. “Como não dá para trabalhar com chuva, a operação pode enviar uma mensagem e parar a produção da usina”, explicou.

Ainda em relação à realidade virtual, atualmente um engenheiro pode, sem sair de seu escritório, acompanhar o andamento de uma obra em qualquer ponto do país. “A realidade virtual permite, por meio de fotos 360 graus, checar o dia a dia do canteiro sem a presença física do engenheiro na obra”, comentou Hélcio Bueno, sócio da EY (Ernest Young). Todavia, disse ele, o setor da construção precisa correr para se adaptar às novas tecnologias. “Além da realidade virtual, as indústrias já estão recorrendo à inteligência artificial, robotização, RFID, entre outros recursos”, comentou.

O consultor também ressaltou que a crise que se abateu sobre o setor resultou em custos crescentes e provocou um grande impacto na rentabilidade das empresas de construção. “As companhias do setor estão passando por um quadro de descontrole de custos, já que a inflação na construção é mais alta que o IGPM e o IPCA”, disse. “E elas ainda precisam focar na produtividade, mas as novas tecnologias estão aí para auxiliar nesse processo.”

Por falar em tecnologia embarcada, as soluções de telemetria vêm permitindo obter maior produtividade, disponibilidade e, sobretudo, baixo custo operacional nas obras. Segundo Marcus Bicudo, responsável pelas áreas de marketing, vendas e suporte ao cliente na John Deere, todos os equipamentos novos da marca saem da fábrica com cinco anos de licença gratuita da solução JDLink, além de conectividade via Wi-Fi, 3G e, como opcional, satelital. “A licença dá direito ao uso do site do sistema, ao aplicativo e a uma calculadora de manutenção integrada”, explicou. “Mas as máquinas também são preparadas para receber plataformas abertas de sistemas de controle automático de nivelamento e de balanço de carga útil.”

EQUIPAMENTOS

Sem condutores, os veículos autônomos são projetados de acordo com as necessidades de cada setor e já despertam o interesse no mundo todo. Ciente do potencial desse mercado, a Scania constituiu um braço voltado ao desenvolvimento de projetos para a viabilização de veículos autônomos, a startup “Lots Group”.

Baseado em São Paulo, o grupo tem como foco a estruturação de projetos de veículos autônomos para transporte de carga em áreas como mineração, papel e celulose, agricultura, florestal e outras. “Estamos analisando projetos de um total de 15 clientes de diferentes setores no Brasil”, disse Huber Mastelari, diretor da Lots Group na América Latina. “Inclusive, já estamos entregando protótipos para a realização de testes em alguns clientes.”

Segundo ele, o uso de combustíveis menos nocivos ao ambiente também é um grande apelo dos veículos autônomos. “No Brasil, podemos utilizar diesel, biodiesel, biometano e álcool”, descreveu. “Já na Europa, a tendência são os carros elétricos e híbridos. Ou seja, cada região tem a opção de utilizar o tipo de combustível que esteja mais à mão.”

Outra inovação que se encontra na fase de testes na Europa é a chamada “Operação Comboio”, que consiste em quatro veículos conectados por plataformas internas. “Nesse modelo, o primeiro é o carro-guia, ao qual são conectados os demais por meio de bluetooth”, descreveu. “Trata-se de um sistema que gera grande economia e tem tudo para se consolidar.”

Em guindastes, quando utilizado na construção de um prédio de 15 andares, um equipamento de ponta pode resultar em uma economia de, no mínimo, R$ 27 mil no transporte de material. A estimativa foi divulgada por Luiz Meirelles, gerente comercial da Liebherr.

O palestrante salientou que esse tipo de maquinário pode alcançar altos ganhos de produtividade no canteiro de obras. Falando especificamente do modelo 85 EC-B, o executivo informou que esse tipo de guindaste tem capacidade de movimentar até 5 toneladas. Redução de deslocamento, diminuição de estoque, melhor organização do canteiro de obras e redução do desperdício são outros benefícios que as construtoras podem obter com os equipamentos. “Outra grande vantagem diz respeito ao ganho de produtividade, já que o guindaste pode ser usado 36 h por semana”, garantiu.

No segmento de plataformas de trabalho aéreo (PTAs), o crescimento do estoque de máquinas no Brasil tem sido impressionante na última década. “Em 2006, tínhamos 1.490 unidades no país, número que passou para mais de 38 mil em 2018”, contou Rafael Antonio, supervisor de pós-venda da Genie. Segundo o palestrante, a demanda por novidades nesse segmento continua grande. “Já estão disponíveis, por exemplo, equipamentos com dois envelopes de trabalho – chamados de Xtra Capacity –, que possibilitam a operação com alturas e capacidade de cargas diferentes, além de sistemas de conexão com softwares de telemetria”, enumerou.

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Como exemplo da evolução das plataformas nos últimos 20 anos, o especialista destacou o modelo telescópico Z60-FE, capaz de atingir até 20,16 m de altura de trabalho e carregar até 227 kg. “Exemplo de eco-friendly, esse equipamento apresenta tecnologia híbrida dotada de um banco de baterias elétricas, que alimentam o módulo de trabalho e os motores”, descreveu.

Já quando o assunto é a fabricação dessas máquinas, assim como basculantes, escavadeiras, guindastes e outras, constata-se que os aços especiais estão ocupando cada vez mais espaço. A análise foi feita por Leonardo Vieira, gerente técnico da SSAB. “Voltado para caminhões, caçambas de escavadeiras e contêineres, o Hardox é um exemplo de aço de alta resistência à deformação”, citou.

Segundo ele, outro material especial (o Strenx) possui resistência três vezes maior que o aço convencional, entre 700 MPa e 1.300 MPa. “Sua capacidade permite aumentar a vida útil da caçamba da carregadeira e do basculante de mineração, mas também pode ser empregado em guindastes”, disse Vieira, informando que os aços especiais atraem inclusive consumidores finais. “Já vendemos aços para pedreiras e agricultores, entre outros”, exemplificou. “Afinal, sua atratividade reside no fato de ser uma peça com grande capacidade de proteger os equipamentos de desgastes.”

Uma inovação tecnológica permite regulagem precisa na inclinação de equipamentos voltados para terraplanagem, possibilitando uma execução até 46% mais rápida e com melhor qualidade do serviço. “Recentemente incorporada, uma série de soluções com foco em tecnologia aprimoram os equipamentos destinados à movimentação de terra em grandes obras de infraestrutura”, explicou Pablo Santos, especialista em aplicação de produtos da Caterpillar.

Nessa linha, ele citou uma carregadeira acoplada a uma balança, que racionaliza o processo de movimentação de materiais. “Essa inovação evita retrabalho na pesagem do material e também reduz a chance de multa por sobrepeso em caminhões, uma vez que se tem um peso exato permitido no trajeto a ser percorrido”, complementou.

INFRAESTRUTURA

Para reduzir a defasagem de infraestrutura no Brasil será necessário ampliar sucessivamente os investimentos dos atuais 1,7% do PIB para uma média anual de 4% nos próximos 20 anos.

O alerta foi feito por Cláudio Frischtak, consultor da Inter B Consultoria. Para o palestrante, o Estado perdeu a capacidade de ditar o ritmo dos investimentos. “O quadro é bem crítico, pois segundo um recente estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nosso estoque atual de recursos investido em obras de infraestrutura é de 36% do PIB, quando já chegou a 60% no início dos anos de 1980”, informou.

Segundo Frischtak, as principais ações para reduzir os gargalos na infraestrutura incluem a necessidade de uma política de Estado e não de governo na questão. “Além disso, precisamos de mais critério no uso dos recursos públicos, de um ambiente de negócios com segurança jurídica e horizonte de planejamento, uma carteira de projetos que leve em conta a análise de custo-benefício, um maior envolvimento do setor privado e novas formas de financiamento, com maior participação do mercado de capitais.

Na mesma linha, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) podem ser uma saída para viabilizar inúmeros projetos em áreas que exigem investimentos e administração. “Essa modalidade de investimentos é uma das soluções que os governos estão utilizando para deslanchar as áreas de saneamento, iluminação pública e rodovias, dentre outras”, afirmou o advogado Renan Facchinatto, gestor jurídico do escritório Dal Pozzo.

Segundo dados da Radar Projetos, dos 1.400 contratos de PPPs atualmente vigentes, 199 são de iluminação pública. Outra área promissora para receber investimentos nessa modalidade é a de saneamento, que já conta com 200 contratos.

“Outra área que representa um grande filão é a coleta de resíduos e drenagem urbana, assim como os presídios, nos quais as PPPs entram para administrar a chamada hotelaria desses locais”, frisou o advogado, para quem o Brasil ainda conta com uma jurisdição intrincada no setor. “É um país marcado por excessiva jurisdição”, lamentou.

Locação precisa investir em conteúdo on-line, diz especialista

Abordando o mercado online de locação, o empresário Ronaldo de Barros, diretor de marketing e vendas do Portal do Locador, afirmou em palestra na Arena de Conteúdo que as 15 mil locadoras de máquinas para construção que almejam deslanchar seus negócios precisam ir além dos recursos de visualização, investindo mais em conteúdo consistente, tanto técnico quanto jornalístico. “

Hoje, quem quiser ser referência de negócios no Google precisa ter estratégia, não basta apenas colocar fotos de equipamentos”, orientou. “A criação de newsletters, por exemplo, é um grande negócio, pois a empresa pode tornar-se referência, atraindo mais acessos ao site e, assim, gerando mais negócios.”

Quanto às redes sociais, o executivo explicou que, no caso de locadoras, essas plataformas podem não ser tão atrativas para fechar negócios. “As redes sociais são canais ideais para atrair pessoa física”, avaliou. “Já as empresas que locam não usam esse tipo de plataforma.”