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14 de janeiro de 2019
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M&T Expo 2018

Setor em perspectiva

Em mais de 120 horas de conferências, palestras e debates, feira apresentou um painel de análises dos temas que mais impactam as atividades ligadas à infraestrutura no país

Como é praxe na M&T Expo desde o seu início, a 10ª edição da feira mais uma vez trouxe um programa repleto de palestras, fóruns, debates e demonstrações técnicas que levaram ao público informações atualizadas e de alto nível sobre as mais diversas facetas da indústria de bens de capital, além de análises sobre questões legais, políticas públicas, tendências tecnológicas e outros temas que impactam diretamente o setor da construção e da mineração.

Nesta edição recém-finalizada, a M&T Expo 2018 mais uma vez surpreendeu o público positivamente, cumprindo seu tradicional (e crucial) papel na democratização do conhecimento e no estímulo ao aperfeiçoamento profissional do setor. Em mais uma iniciativa inédita, o evento desta vez contou com três Arenas – de Conteúdo, de Demonstração e de Smart Construction –, que se juntaram ao Summit M&T Expo 2018, um espaço já consagrado de apresentações e debates idealizado pela Sobratema e que permite a troca de informações técnicas e mercadológicas, além de oferecer uma oportunidade de networking sem paralelos nas demais feiras do setor na América Latina. Confira alguns destaques a seguir (a cobertura segue na edição de fevereiro).

LOCAÇÃO

Realizado como parte da programação do Summit, o 6º Congresso Nacional de Valorização do Rental reuniu mais de 220 pessoas de vários estados, batendo o recorde de público dos anos anteriores. O Congresso foi aberto pelo presidente da Sobratema, Afonso Mamede, que lembrou a mudança de expectativas ocorrida desde meados de 2018. “Já vemos a aceleração das vendas de máquinas e equipamentos para o nosso segmento”, relatou. E, como não poderia ser diferente, o foco do debate que se seguiu apontou para horizontes mais promissores na atividade de locação. “Embora o setor de locação represente 0,06% do PIB nacional – percentual baixo quando comparado à média mundial de 0,20% – caminhamos para um crescimento cada vez mais acentuado, como ocorre em mercados mais maduros”, conjecturou Reynaldo Fraiha, presidente da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas (Analoc), entidade realizadora do evento.

Ele aposta que a locação tende a se tornar um hábito, seja para pessoas físicas, como para empresas, já que adquirir a máquina, ferramenta ou objeto já não é uma solução tão atraen


Como é praxe na M&T Expo desde o seu início, a 10ª edição da feira mais uma vez trouxe um programa repleto de palestras, fóruns, debates e demonstrações técnicas que levaram ao público informações atualizadas e de alto nível sobre as mais diversas facetas da indústria de bens de capital, além de análises sobre questões legais, políticas públicas, tendências tecnológicas e outros temas que impactam diretamente o setor da construção e da mineração.

Nesta edição recém-finalizada, a M&T Expo 2018 mais uma vez surpreendeu o público positivamente, cumprindo seu tradicional (e crucial) papel na democratização do conhecimento e no estímulo ao aperfeiçoamento profissional do setor. Em mais uma iniciativa inédita, o evento desta vez contou com três Arenas – de Conteúdo, de Demonstração e de Smart Construction –, que se juntaram ao Summit M&T Expo 2018, um espaço já consagrado de apresentações e debates idealizado pela Sobratema e que permite a troca de informações técnicas e mercadológicas, além de oferecer uma oportunidade de networking sem paralelos nas demais feiras do setor na América Latina. Confira alguns destaques a seguir (a cobertura segue na edição de fevereiro).

LOCAÇÃO

Realizado como parte da programação do Summit, o 6º Congresso Nacional de Valorização do Rental reuniu mais de 220 pessoas de vários estados, batendo o recorde de público dos anos anteriores. O Congresso foi aberto pelo presidente da Sobratema, Afonso Mamede, que lembrou a mudança de expectativas ocorrida desde meados de 2018. “Já vemos a aceleração das vendas de máquinas e equipamentos para o nosso segmento”, relatou. E, como não poderia ser diferente, o foco do debate que se seguiu apontou para horizontes mais promissores na atividade de locação. “Embora o setor de locação represente 0,06% do PIB nacional – percentual baixo quando comparado à média mundial de 0,20% – caminhamos para um crescimento cada vez mais acentuado, como ocorre em mercados mais maduros”, conjecturou Reynaldo Fraiha, presidente da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Máquinas, Equipamentos e Ferramentas (Analoc), entidade realizadora do evento.

Ele aposta que a locação tende a se tornar um hábito, seja para pessoas físicas, como para empresas, já que adquirir a máquina, ferramenta ou objeto já não é uma solução tão atraente. “O momento é de disseminar informação”, disse. “E a Analoc está desenvolvendo trabalhos importantes junto às associadas, criando linhas mestras, realizando ações e propondo ideias.”

Fraiha, Arena, Nogueira e Palazzo (em sentido horário): locação e perspectivas econômicas para o país

Durante o congresso, Fraiha informou que a Analoc está desenvolvendo uma pesquisa para mapear o mercado de locação no Brasil. “Queremos saber quantas locadoras existem no país, em quais segmentos atuam, quanto faturam e quantos empregos são gerados nesse setor”, salientou. “Esse é um trabalho importante para agregar cada vez mais valor à imagem da locação no mercado.”

Para ajudar a nortear os negócios, Expedito Arena, diretor da Casa do Construtor, discorreu sobre o futuro do rental e suas tendências, apontando as chances de crescimento no país. “Se o Brasil melhorar um pouquinho e o PIB subir 2%, vai faltar máquina para locação no mercado”, advertiu.

De acordo com Arena, o futuro aponta para a cultura do compartilhamento, o que vai ao encontro do que o setor de locação propõe. Para ele, alguns fatores serão preponderantes para que as empresas possam avançar no país. Nesse sentido, citou o fortalecimento do cenário macroeconômico e a retomada do crédito, além de um forte incentivo governamental que desburocratize as iniciativas dos empresários. Comparativamente ao mercado dos EUA, Arena demonstrou que há muito espaço para crescer. “O faturamento das empresas no Brasil corresponde a menos de 3% do que faturam os americanos”, destacou. “Estamos falando de um montante de US$ 1,3 bilhão ante US$ 52 bilhões.”

Na sequência, o engenheiro Sérgio Palazzo, representante no Brasil da International Society for Trenchless Technology (ISTT), discorreu sobre gestão em situações de aperto financeiro. Segundo ele, é fundamental monitorar indicadores como tempo de pátio, valor de utilização e retorno do investimento nos equipamentos. Ao empresário de locação que tem sua empresa “na UTI”, Palazzo indicou ser indispensável manter não só a saúde financeira, mas também relacionamentos, reputação e integridade. “Registre tudo. Quem não registra, não controla”, ensinou. “E porque não controla, também não gerencia.”

Já o jornalista e economista Luiz Arthur Nogueira, finalizou o Congresso com uma prospecção do cenário econômico para os próximos quatro anos, apresentando reflexões para provocar o público. “O novo governo terá apenas seis meses para gerar uma nova realidade econômica”, alertou. “Estou otimista, mas não vamos nos iludir. A questão das finanças públicas é muito grave e a economia pode não resistir somente por expectativas. Se o governo não entregar a retomada, sua popularidade vai cair muito.”

MINERAÇÃO

Mamede: mudança de expectativas para o setor

No Brasil, deve-se trabalhar de maneira customizada os projetos de filtração de uma planta de mineração, pois fatores como a temperatura ambiente têm impacto direto em seu desempenho. Essa foi uma das recomendações de Rogério Jardini, consultor técnico da Abrafiltros (Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas Automotivos e Industriais). “Aqui, a temperatura ambiente varia muito de uma região para outra”, ressaltou o consultor.

Na mineração, as tecnologias de filtração são utilizadas de forma intensiva em várias etapas e processos. Isso ocorre em sistemas hidráulicos de equipamentos de extração, por exemplo, assim como embarcações e trens utilizados na logística. “A água também é um recurso extremamente importante para a mineração, seja para utilização direta nos processos, seja para gerar energia”, lembrou Jardini. “E exige filtração.”

Como ele especificou, as membranas são empregadas em larga escala para tratar a água, em três diferentes modalidades de filtração: osmose reversa, ultrafiltração e microfiltração (também utilizada na separação de metais preciosos). “Além disso, usam-se filtros de cartuchos em processos de separação de minérios que geram poeira que não pode ir para a atmosfera”, ressaltou o consultor. “Também é necessário tratar o ar dos ambientes fechados, e aí entram filtros de placas.”

Além dessa questão, outro desafio dos fabricantes de equipamentos para obras subterrâneas é eliminar a presença humana. Isso por uma questão de segurança, mas também de produtividade. De acordo com Odilon Mendes, diretor da Normet Brasil, os clientes demandam cada vez mais novidades capazes de oferecer processos automatizados. “O desafio é operar totalmente sem trabalhadores no subterrâneo, a partir de decisões remotas”, afirmou.

Segundo Mendes, as tendências atuais da indústria de mineração incluem a demanda por tecnologias mais limpas e melhorias de segurança e automação, em um cenário no qual a mineração se dá em maiores profundidades, em altitudes mais elevadas e em locais remotos, um padrão que – segundo ele – está se tornando comum na indústria. “Trabalhamos com dois níveis de resposta: o primeiro, que pretende reduzir as emissões atmosféricas, e o segundo, que tem como objetivo retirar o pessoal das frentes de trabalho”, afirmou, destacando a solução SmartSpray, um sistema semiautônomo de projeção de concreto já disponível no mercado e que configura um exemplo de tecnologia limpa.

Ramos, Jardini, Aulicino e Mazzutti: sistemas avançados e qualificação

Como explica o especialista, os benefícios do SmartPray incluem uma sensível redução na emissão de partículas atmosféricas, além de uma redução de 10% a 15% na reflexão do material projetado. “A estrutura de concreto projetado também fica mais forte, otimizando a velocidade de movimento da lança para aumentar a homogeneidade da cobertura”, descreveu.

O engenheiro sênior da Herrenknecht do Brasil, Edson Peev, expôs a grande novidade recente em tuneladoras: as TBMs de Densidade Variável, que resolvem o problema de escavar substratos muito distintos sem que seja necessário parar o serviço para converter o equipamento. “Essas TBMs são uma evolução das máquinas conversíveis, capazes de trabalhar em modo EPB (Earth Pressure Balance) ou aberto, contanto que se façam as trocas de parafusos sem fim por correia transportadora e alguns ajustes na cabeça”, informou.

No que tange à remoção de material estéril em lavras de tiras, o uso de tratores do tipo scraper começa a ser testado no Brasil em campos de mineração de bauxita. Introduzido no mercado pela John Deere, o sistema promete baixar em 50% os custos específicos em relação aos tratores de esteira. “A redução do custo-horário é ainda maior, de 69%, em comparação aos equipamentos de esteira”, afirmou Mauricio Mazzutti, gerente de desenvolvimento da marca.

Segundo ele, os primeiros testes, realizados em Trombetas (PA), demonstraram uma produtividade média de 400 m³ por hora. O sistema, já consagrado nos EUA em sítios de carvão e caulim, funciona com um trator desenvolvido especificamente para o trabalho. Dois caixotes com 18 m³ de capacidade coroada cada um são tratorados em uma planta, subvertendo o processo em “V” típico do trator de esteira. Ao invés de descer profundamente no terreno, que pode chegar a 12 m de profundidade, para recolher o material estéril e depois retornar até a área de bota-fora, o scraper trabalha em circuitos de 30 m, entre a área de corte, uma vala vazia no meio (para a drenagem) e a área de transbordo, economizando combustível. “O ideal é aplicar um sistema híbrido, que também se valha do trator para remover as camadas de plantação e, depois, as mais próximas da reserva de bauxita”, afirmou.

TREINAMENTO

Além de aumentar a produtividade e reduzir as perdas, a certificação de trabalhadores que operam máquinas de movimentação de cargas permite baixar as despesas com seguros, ao mesmo tempo em que estimula o cumprimento de normas de segurança. Estes são os principais benefícios apontados por Antônio Luís Aulicino, gerente de relações institucionais da Abendi (Associação Brasileira de Ensaios não Destrutivos e Inspeção).

Mendes, Reis, Tauil e Peev: novas tecnologias a serviço da produtividade

Segundo ele, os benefícios para os trabalhadores incluem aumento da empregabilidade pela diferenciação profissional, alinhamento aos padrões internacionais e maior segurança na execução da atividade. “Para ser certificado, o profissional passa por um sistema definido de créditos estruturados, que leva em conta desde a experiência até os cursos que o operador venha a fazer”, disse. “O sistema atende a profissionais que atuam no segmento de içamento e movimentação de cargas, mas já estão em desenvolvimento certificações para operadores das linhas amarela e branca.”

Aliás, quando se levam em conta questões comportamentais dos operadores, a telemetria tem vários aspectos relevantes, ligados diretamente ao desempenho das máquinas. A ideia foi defendida por Silvimar Reis, vice-presidente da Sobratema, para quem o perfil do trabalhador e seus hábitos ao operar a máquina podem ter um impacto imenso na operação. “Dependendo da severidade da aplicação, após treinamento e mudança de comportamento é possível reduzir o consumo de combustível em até 25%”, disse. “Os gastos com vícios de marcha lenta também podem baixar em 85%.”

A seu ver, apenas por perceber que está sendo monitorado, “um operador pode melhorar sua performance entre 5% e 8%”. Entre os cases que apresentou, Reis mostrou a aplicação de mapas de calor que revelam os lugares onde, por exemplo, os motoristas têm realizado freadas bruscas. “A informação não é dispensada pelo gestor, que pode tomar providências para mudar o layout de uma pista em uma mina e resolver a questão”, garantiu Reis. Segundo ele, a telemetria também ajuda a identificar os “sinais vitais” de um equipamento, alertando preventivamente o supervisor de que uma manutenção é necessária para evitar a quebra do caminhão.

Outro fator é o ganho para o meio ambiente, que em muitos casos permite à empresa pleitear certificações ambientais. Reis demonstrou ainda a utilidade do Mix Smart, software que mostra o operador na frente de trabalho. “A ferramenta é excelente para medir a produtividade de cada trabalhador, pois revela desde a posição do equipamento até sua velocidade, acelerações, temperaturas e pressões”, contou. “Com isso, a empresa pode organizar um ranking e fazer treinamentos para melhorar o desempenho dos colaboradores.”

Melo, Drigo, Amaral e Silvia Ferreira: ética, segurança e inovação

A Norma de Desempenho ABNT NBR 15.575 tem exigido mais conhecimento dos profissionais de construção, sobretudo no que se refere a projetos. A análise é de Carlos Alberto Tauil, consultor da BlocoBrasil (Associação Brasileira de Blocos de Concreto), que se prepara para a realização de ensaios técnicos adicionais do sistema de paredes de bloco de concreto. Segundo ele, os testes poderão corroborar as chamadas FADs (Fichas de Avaliação de Desempenho), que o Ministério das Cidades promete adotar para facilitar a aprovação de projetos do Minha Casa, Minha Vida. “Estamos à frente desse processo”, afirmou Tauil, revelando que os novos ensaios abrangem choque térmico, desempenho acústico gesso-gesso e corpo mole em paredes de 10 cm. “E devemos aprová-lo antes dos demais sistemas.”

TECNOLOGIA

Passando para os canteiros, a crescente aplicação de drones em projetos vem permitindo racionalizar as operações no setor. “Os drones estão revolucionando várias áreas”, afirmou Silvia Ferreira, diretora de projetos da Mapear com Drones. “A utilização de drones pode tornar um projeto 2,5 vezes mais barato e 60% mais rápido em comparação aos sistemas convencionais, como o uso de croquis.”

Segundo ela, os drones já estão sendo adotados maciçamente no país pelos setores de indústria, mineração, oleodutos e prefeituras, sendo empregados até mesmo no cálculo do IPTU. “Atualmente, todas as grandes empresas de construção estão trabalhando com drones”, atestou. “Até mesmo os processos de licitações encurtaram, reduzindo os prazos de construção de estradas de seis meses para 90 dias, dada a praticidade e rapidez dos drones.”

Além dos drones, o uso de softwares avançados para medição e controle em obras de terraplenagem também vem avançando, representando ganhos de 30% a 60% ao reduzir o retrabalho ou permitir cálculos mais precisos. De acordo com Franco Brasílio Ramos, gerente regional de contas da Trimble, os novos recursos superam problemas decorrentes de erros de projeto, levantamento topográfico e cálculo de volume, além de atrasos na operação. “Normalmente, falta uma conexão entre quem está elaborando o projeto e a execução da obra”, ressaltou. “Com isso, o projeto é feito sob uma premissa errada e necessita ser revisado.”

Até mesmo problemas com referências topográficas ou no volume de material são contornados. “As máquinas carregam as informações dentro dos softwares e não precisam de referência física”, comentou. “A máquina chega ao campo e já começa a trabalhar, pois dispõe de todas as informações necessárias.”

GESTÃO

As construtoras e empresas de engenharia brasileiras ainda dão pouca importância à área de compliance. A avaliação deriva de uma pesquisa feita entre 2017 e 2018 pela KPMG, englobando 50 empresas de todo o país. “Verificamos que boa parte das empresas tem maturidade nível 2 no que diz respeito ao compliance, ainda distante do nível 3, que seria o ideal em termos de governança corporativa”, resumiu Emerson Melo, sócio da empresa.

Apesar de a operação Lava Jato já ter completado cinco anos de existência, o comportamento em relação à área de compliance ainda deixa a desejar no país, reforçou Melo. “O cenário não é bom”, constatou. “Embora existam organizações interessadas, ainda há muito a ser feito.”

Como exemplo, ele citou o descaso de funcionários que ocupam cargos de alto escalão. “Detectamos que, por exemplo, 47% dos executivos sêniores desconhecem os programas de compliance da empresa que administram, mas que, apesar disso, 65% dos executivos reconhecem que a governança corporativa e o compliance são essenciais.”

O especialista contou o caso de uma empresa de médio porte que o chamou para uma apresentação sobre as etapas de implantação de uma área de compliance. “Após a exposição, o empresário concluiu que a empresa não iria precisar do serviço”, relatou, acrescendo que alguns dias depois a Polícia Federal acionou a companhia, informando que estava sob investigação. “O fato é que se a empresa contar com área de compliance, fica mais fácil averiguar documentação, apresentar provas etc.”, afirmou.

SEGURANÇA

Para o engenheiro José Félix Drigo, da divisão técnica de engenharia de incêndio do Instituto de Engenharia de São Paulo, a falta de estatísticas confiáveis sobre incêndios em edifícios no Brasil é preocupante. “Hoje, uma das lutas é introduzir uma disciplina voltada a incêndio nas escolas de engenharia”, observou.

O engenheiro também chamou a atenção para o fato de que os incêndios atuais envolvem materiais mais tóxicos, quando comparados a épocas em que o mobiliário era composto basicamente por madeira. “Atualmente, há muitos itens em cianeto de hidrogênio, que causa tragédias como a da boate Kiss, cujo incêndio vitimou 242 pessoas”, apontou.

Para mostrar a importância de estar bem equipado para emergências, Drigo citou o incêndio do Memorial da América Latina ocorrido em 2013, afetando sete bombeiros, que receberam imediatamente o antídoto contra o HCN e tiveram alta em uma semana. “O diferencial, nesse caso, é que o país se preparou para a Copa do Mundo”, disse. “Então, essas vítimas se beneficiaram dessa precaução.”

Confira a continuação da cobertura do Summit M&T Expo 2018 e da Arena de Conteúdo na edição de fevereiro da Revista M&T.

INVESTIMENTOS ESBARRAM NA FALTA DE BONS PROJETOS", DIZ MINISTRO

Os investimentos em infraestrutura poderiam ser maiores no Brasil se existissem mais projetos à disposição, sobretudo em áreas carentes como saneamento. Há recursos disponíveis no Ministério das Cidades, por exemplo. Empresas de grande porte, como a Sabesp, conseguem acessar esses recursos. Mas as prefeituras, em geral, não dispõem de pessoal técnico capacitado e, por isso, não apresentam projetos adequados. E assim perdem a oportunidade de aproveitar essas linhas de financiamento já previstas no Orçamento da União. A constatação é do atual ministro das Cidades, Alexandre Baldy, feita durante o fórum “E Agora Brasil? Infraestrutura”, organizado por meio de uma parceria entre a M&T Expo e os jornais “O Globo” e “Valor Econômico”. “Há recursos disponíveis, tanto para saneamento básico, quanto para obras habitacionais”, assegurou Baldy. “Mas, por parte dos estados e municípios, não temos projetos consistentes em número suficiente.”

Evento debateu os obstáculos para destravar as obras na área de infraestrutura

Além disso, seguiu o ministro, há outros obstáculos para a paralisia de obras na área de infraestrutura. Um exemplo recorrente são as questões regulatórias relacionadas à abertura de licitações. “Há casos de dotações orçamentárias em que os municípios dispunham de 90 a 120 dias para se candidatar aos recursos para uma determinada obra. Mas como, muitas vezes, os gestores municipais não têm estrutura suficientemente ágil para elaborar um projeto, perdia-se o prazo”, destacou o ministro. “Mas nós mudamos isso no início deste ano e, agora, os municípios terão até um ano para se qualificar e receber o recurso.”

Para Jorge Luiz Macedo Bastos, presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), a avaliação do ministro vai direto ao ponto. “Com a atual defasagem de infraestrutura que o Brasil apresenta, é fundamental contar com um bom planejamento e, por consequência, bons projetos”, ponderou Bastos, acrescentando que a falta de planejamento impede que o Brasil atraia mais investimentos do exterior em infraestrutura.

NÚCLEO JOVEM ANUNCIA O DESTAQUE OPERADOR"

Com certificado, troféu e curso de aprimoramento, a premiação foi feita no último dia da feira

Em parceria com fabricantes, o Núcleo Jovem anunciou no último dia do evento o “Destaque Operador do Brasil 2018”. Profissional há 35 anos, o operador Valdecir Barbetti trabalha há 12 anos na Pedreira Carrascoza, em Cravinhos (SP), e arrebatou certificado, troféu e um curso de aprimoramento. Em mais uma atração inédita para o público, ele superou uma prova prática na Arena montada na área externa da M&T Expo, executando manobras precisas em uma escavadeira de 32 toneladas. “O principal objetivo desse projeto é destacar a importância da classe e incentivar os profissionais na busca por conhecimento”, destacou Alisson Daniel, coordenador do Núcleo Jovem da Sobratema.

 

 

 

 

PALESTRANTE RESGATA A HISTÓRIA DAS MÁQUINAS

Veloso: avanços históricos dos maquinários para construção

Na perspectiva de evolução das máquinas de construção, o período atual é de um expressivo aperfeiçoamento buscando maior eficiência dos produtos, mas sem rupturas conceituais, sugeriu o engenheiro Norwil Veloso, consultor da Sobratema e autor da coluna “A Era das Máquinas” na Revista M&T, durante palestra na Arena de Conteúdo. “Sem dúvida, o momento é de máquinas mais confiáveis”, afirmou. “No entanto, não vemos o surgimento de novos conceitos.”

Segundo Veloso, desde a invenção da polia pelos gregos em 600 a.C. o avanço do setor passou pelo surgimento de seus três pilares evolutivos: o pneu (1890), a hidráulica de baixa pressão em motores (1920) e os motores a diesel (1930). Todavia, o engenheiro ressaltou que grande parte do desenvolvimento de máquinas para construção – sobretudo guindastes e escavadeiras – está mesmo ligado à intensificação da atividade portuária a partir da Revolução Industrial. “A obra do Porto de Manchester, em 1875, foi a primeira na história a se valer da mecanização em larga escala”, ressaltou.

Para o especialista, o último grande impulso ocorreu nos anos 1950, década que considera “a de maior avanço tecnológico do setor”. Naquela época, disse ele, surgiram as primeiras escavadeiras e houve uma rápida evolução dos scrapers, depois substituídos pelo conjunto escavadeira/caminhão, visto como mais versátil e produtivo. “Outro registro interessante se deu no pós-guerra nos EUA, quando usaram escavadeiras sobre caminhões, reduzindo o tempo de montagem e desmontagem do equipamento a vapor, que exigia 280 homens/hora para o serviço”, detalhou.

SOBRATEMA FECHA NOVA PARCEIRA DE MÍDIA

Acordo visa troca de informações e fortalecimento editorial das publicações da Sobratema e da Route One

Durante a M&T Expo 2018, a Sobratema selou um acordo de parceria de mídia na América Latina com a Route One Publishing, casa editorial britânica responsável por publicações especializadas como “World Highways”, “Aggregates Business International” e outras. Inicialmente, a parceria – firmada pelo (a partir da esquerda na foto) diretor da Route One Americas, Roger Adshead, pelo diretor da Route One Publishing, James Howard, pelo presidente da Sobratema, Afonso Mamede, e pelo diretor executivo da Sobratema, Claudio Schmidt – inclui o intercâmbio de conteúdo técnico e jornalístico entre a Revista M&T e a revista “Construcción Panamericana”. “Essa parceria tem por objetivo fortalecer a atuação desses importantes títulos do setor nas Américas, facilitando o fluxo de informações de mercado e sobre novas tecnologias na nossa região”, pontuou Schmidt.

 

Saiba mais:

M&T Expo: www.mtexpo.com.br

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