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14 de maio de 2014
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Gestão

RISCOS em foco

Além do impacto sobre a segurança, falta de planejamento resulta em diversos contratempos que podem atrasar ou mesmo inviabilizar o andamento das obras

Na execução de quaisquer tipos de trabalhos, o planejamento logístico é um aspecto fundamental que viabiliza o cumprimento de prazos e a operação correta, evitando acidentes, retrabalho e transtornos. E na construção civil, diga-se, isso não é diferente. Até pelo contrário, pois nesse setor invariavelmente a falta de planejamento resulta em graves problemas na execução das obras, acarretando inadequações de projetos, demora na finalização dos trabalhos, desperdício de materiais e até superfaturamento, sem falar de acidentes que, em alguns casos, podem ocasionar a morte de trabalhadores.

Segundo dados divulgados pela Sobratema, atualmente há no Brasil 8.300 obras de engenharia e construção em andamento, em projeto ou intenção de realização até 2018. Provavelmente, esse volume deve representar um recorde no país. O fato é que, com o aumento progressivo do número de obras de infraestrutura, aliado à tendência irreversível de cronogramas mais apertados, faz-se necessária uma gestão de riscos mais elaborada e eficiente, de modo a evitar implicações inesperadas, atrasos, embargos ou mesmo inviabilização da construção.

VISÃO

Motivos para preocupação não faltam. Como destaca Cosmo Palasio., diretor do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo (Sintesp), cerca de cinco mil trabalhadores morrem por dia em razão de acidentes de trabalho, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). “É preciso atentar para esses dados, sendo essencial que as organizações invistam na mudança de visão de todos em relação à questão de acidentes e doenças do trabalho”, diz ele. “Sem essa mudança, infelizmente todas as ações seguirão como meras formalidades.”

Para Hélio Flavio Vieira, professor do departamento de engenharia civil da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), a falta de logística adequada, por exemplo, pode ocasionar ausência de integração entre os diversos projetos, especialmente na construção civil. Nessa linha, o especialista também cita como problemas recorrentes a má administração, controle ineficiente de materiais e mão de obra, alterações constantes dos projetos durante o desenvolvimento da obra, tempo ocioso do equipamento por deficiência no planejamento de produção e ausência de política de manutenção, dentre outros.

Até por isso, o gerente de planejamento e gestão da


Na execução de quaisquer tipos de trabalhos, o planejamento logístico é um aspecto fundamental que viabiliza o cumprimento de prazos e a operação correta, evitando acidentes, retrabalho e transtornos. E na construção civil, diga-se, isso não é diferente. Até pelo contrário, pois nesse setor invariavelmente a falta de planejamento resulta em graves problemas na execução das obras, acarretando inadequações de projetos, demora na finalização dos trabalhos, desperdício de materiais e até superfaturamento, sem falar de acidentes que, em alguns casos, podem ocasionar a morte de trabalhadores.

Segundo dados divulgados pela Sobratema, atualmente há no Brasil 8.300 obras de engenharia e construção em andamento, em projeto ou intenção de realização até 2018. Provavelmente, esse volume deve representar um recorde no país. O fato é que, com o aumento progressivo do número de obras de infraestrutura, aliado à tendência irreversível de cronogramas mais apertados, faz-se necessária uma gestão de riscos mais elaborada e eficiente, de modo a evitar implicações inesperadas, atrasos, embargos ou mesmo inviabilização da construção.

VISÃO

Motivos para preocupação não faltam. Como destaca Cosmo Palasio., diretor do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo (Sintesp), cerca de cinco mil trabalhadores morrem por dia em razão de acidentes de trabalho, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). “É preciso atentar para esses dados, sendo essencial que as organizações invistam na mudança de visão de todos em relação à questão de acidentes e doenças do trabalho”, diz ele. “Sem essa mudança, infelizmente todas as ações seguirão como meras formalidades.”

Para Hélio Flavio Vieira, professor do departamento de engenharia civil da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), a falta de logística adequada, por exemplo, pode ocasionar ausência de integração entre os diversos projetos, especialmente na construção civil. Nessa linha, o especialista também cita como problemas recorrentes a má administração, controle ineficiente de materiais e mão de obra, alterações constantes dos projetos durante o desenvolvimento da obra, tempo ocioso do equipamento por deficiência no planejamento de produção e ausência de política de manutenção, dentre outros.

Até por isso, o gerente de planejamento e gestão da Galvão Engenharia, Carlos Marini, sugere que as empresas priorizem a questão ao, por exemplo, criar e manter um comitê de gestão de riscos, adotando metodologias e ferramentas que envolvam todos os quadros, inclusive a alta direção da organização.

MATRIZ DE RISCO

Ao fazerem isso, certamente as empresas só terão a lucrar. “A execução de uma boa logística pode contribuir para a redução da necessidade de recursos humanos e de estoques, além de facilitar e simplificar o processo de gestão”, afirma Vieira. “Desse modo, também se torna possível minimizar situações de retrabalhos, obter um controle e planejamento mais efetivos de atividades interdependentes e intervenientes, especificar a quantidade e qualidade corretas de materiais e, por fim, escolher processos e técnicas construtivas mais racionais e baseadas na industrialização dos processos construtivos.”

No entanto, a gestão de riscos na construção não é utilizada apenas para evitar surpresas, como também para resolver imprevistos, caso eles aconteçam. Nesse sentido, a matriz de risco é uma das ferramentas mais utilizadas pelos gestores, justamente por ter a valiosa função de mapear os riscos a que a obra está sujeita e propor os procedimentos para evitá-los, quando não contornar situações críticas já deflagradas. Para tanto, uma das principais ferramentas disponíveis é o seguro da obra.

Isso porque, de acordo com Carlos Eduardo Almeida, diretor da Universal RE Corretores de Resseguros, só existem quatro maneiras realistas de se enfrentar um risco: assumir, eliminar, reduzir ou transferir. “Com a contratação de um seguro, o risco da sua empresa é transferido para um terceiro”, diz ele, enfatizando ainda a importância do elemento humano e físico na contratação de um seguro, ou seja, como é importante investir nas pessoas e nos equipamentos, que são o centro nevrálgico de qualquer obra e fazem toda a diferença para seu bom andamento e segurança.

RISCOS AMBIENTAIS

Globalmente, questões ligadas a meio ambiente e licenciamento são preocupações crescentes para todas as empresas que atuam nos setores da construção e mineração, podendo desencadear dificuldades – por vezes incontornáveis – antes mesmo do início do empreendimento. Para Fernando Kertzman, diretor geral da Geotec Consultoria Ambiental, a questão da licença ambiental é de fato um desafio considerável, pois a realização de obras como rodovias, portos, aeroportos e barragens normalmente causam grande impacto e acarretam modificações significativas na natureza, além de afetar diretamente as comunidades no entorno.

Para a obtenção da licença, o executivo afirma que o mais importante é ter visão de longo prazo. “Em geral, é necessário mais de um ano para a obtenção dos documentos e autorizações, desde que – é claro – haja um bom projeto prévio e seja realizado um estudo ambiental meticuloso, que contemple os diferentes aspectos da execução e medidas efetivas de controle e compensação ambiental”, afirma o diretor.

Atreladas à licença, como explica Kertzman, as construtoras também devem ficar atentas às questões relacionadas aos riscos ambientais imediatos. Nesse rol, estão incluídos problemas como a eliminação definitiva de habitats naturais e impactos sobre a flora e a fauna ocasionados pelo corte da vegetação, erosões e enchentes provocadas pelos serviços de terraplenagem, mudança de cursos de água causada por drenagens, além de impactos em rios, matas, várzeas e outros sistemas biológicos.

“Por tudo isso, a realização de obras hoje requer uma preparação para enfrentar a maratona do licenciamento ambiental e, principalmente, muita organização para não deixar passivos ambientais no final do empreendimento”, diz Kertzman. “O que é importante atentar é que esses riscos podem ser minimizados já na fase de estudos e projetos prévios.”

Workshop debate gestão de riscos

No início de abril, a Sobratema realizou um workshop integralmente dedicado ao tema de gestão de riscos nas obras de construção civil. Durante o evento, profissionais do setor abordaram tópicos como riscos ambientais, planejamento logístico, seguros e acidentes. Os palestrantes destacaram a importância cada vez maior que a gestão de riscos vem assumindo nos canteiros de obras e a necessidade da disseminação de conhecimento técnico e metodológico aos profissionais, contribuindo para uma gestão mais eficiente de equipamentos, equipes e construções. “Trata-se do primeiro workshop focado em gestão de riscos realizado pela Sobratema”, disse Afonso Mamede, presidente da entidade. “Com isso, o evento marca a ampliação do nosso foco em diversos segmentos, com o intuito de trazer informações estratégicas para todos os envolvidos da cadeia produtiva.”