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28 de dezembro de 2015
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Gestão

Lições da crise

Eficiência e inovação estão entre as estratégias adotadas pelas empresas para enfrentar um cenário econômico mais restritivo (e competitivo) no país
Por Marcelo Januário (Editor)

Como mostra o Estudo de Mercado Sobratema nesta edição, o Brasil inicia um ano que – como já ocorreu nos dois últimos – deve trazer grandes desafios não só para a indústria de equipamentos pesados, uma das mais atingidas pelo turbilhão da crise, mas também para todos os setores envolvidos com áreas estratégicas como infraestrutura, transporte, logística e energia.

Com a previsão de uma nova retração do PIB, configurando um quadro de recessão em cima de recessão, as margens das empresas desapareceram e, com isso, todos os players concordam que a hora é de colocar a casa em ordem para sobreviver a um cenário que põe à prova o poder de ação das companhias. Não obstante, também há espaço para cavar oportunidades, como ressaltam algumas personagens nesta reportagem.

Para visualizar o tamanho do buraco é necessário considerar que o Brasil vive seu pior momento em duas décadas, desde o início do Plano Real, quando todas as séries históricas foram reiniciadas. Com a inflação e o desemprego se aproximando rapidamente de dois dígitos, já se cogita que a queda do PIB em 2016 fique em uma faixa de 1,5% a 3,5% – nesse caso, a pior em 25 anos –, conforme estimativa mais pessimista do Bank of America Merrill Lynch.

O fato é que os gastos públicos cresceram 3,6% nos últimos quatro anos, enquanto a dívida bruta do país pode chegar a 70% do PIB em 2016, com um déficit inédito de 30,5 bilhões de reais no orçamento. Na indústria, o encolhimento foi de 6,5% só em 2015. Se há 11 anos o segmento representava 19,2% do PIB, agora são apenas 9% e em declínio. O desempenho desabonador foi coroado com o rebaixamento do grau de investimento pela Standard & Poor’s e pela Fitch Ratings, que podem ser seguidas pela Moody’s. “Como conquistar credibilidade dos avaliadores externos assim?”, questiona-se Dony de Nuccio, editor de economia do “Jornal das Dez” (GloboNews), apontando um cenário de contingência no país, com aumento do custo de mão de obra e queda contínua da produtividade, elementos que podem levar a uma “seleção natural” do mercado. “Momentos delicados como este demandam ajustes de estratégias das empresas”, avalia. “Algumas vão morrer, mas outras vão ficar ainda mais fortes.”

OLHO DE TIGRE