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30 de maio de 2011
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Perfil

"Segurança não é custo, é investimento"

O engenheiro mecânico Fernando Cézar de Mattos, professor de Engenharia e Qualidade em cursos de pós-graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), acredita que os empresários brasileiros devem analisar os custos com segurança e qualidade na operação de guindastes como um investimento lucrativo para os negócios. “O custo de um equipamento de R$ 1 milhão é insignificante em comparação com os investimentos numa grande obra de engenharia, mas sua indisponibilidade pode gerar atrasos no cronograma dessa obra, sem contar os riscos de acidentes caso o equipamento não esteja apto a trabalhar de acordo com o seu projeto inicial”, diz ele.

Especialista em projeto e fabricação de máquinas, equipamentos e estruturas, Mattos é diretor e responsável técnico da Fernando Mattos Engenharia (FCM), que presta serviços tecnológicos especializados com foco na análise de falhas, investigação de acidentes, avaliação e restituição de integridade de equipamentos, consultoria em cálculos, desenvolvimento e execução de procedimentos de manutenção corretiva. Nesta entrevista, o empresário detalha os procedimentos que ajudam a estender a vida útil desses equipamentos com segurança e maior eficiência nas operações de elevação de cargas.

M&T – Qual a sua avaliação da frota de guindastes em operação no Brasil?

Fernando Cézar de Mattos – Até 2009, a frota era preponderantemente muito antiga, com mais de 20 anos de vida útil em cerca de 90% dos equipamentos. Entretanto, diante da escassez de equipamentos de movimentação de cargas para atender à demanda das obras em execução, muitas unidades foram importadas desde então. Eu estimo que pelo menos 300 guindastes tenham chegando ao país, já contabilizando os modelos adquiridos em 2010. Esse incremento é responsável pela modernização da nossa frota e já representa cerca de 25% do total de guindastes em operação no Brasil.

M&T – Em relação aos modelos mais antigos, qual a situação dessa frota?

Mattos – Já me deparei com casos em que as empresas abusaram muito desses guindastes ao longo dos anos, pois mesmo sendo caracterizados pela robustez de projeto e construção, esses equipamentos não resistem a montagens incorretas, manuseio inadequado e à ausência de planos de manutenção corretiva e preventiva. Esse descuido acelera o desgaste dos materiais dos equipamentos, sem contar as adaptações que ocorrem nas obras, as quais vão diminuindo sua capacidade e vida útil. Além disso, os padrões de exigência e qualidade de soldagem mudaram muito nos últimos 40 anos e é preciso adequar as máquinas do passado aos critérios atuais para que elas possam continuar operando com segurança. Os reparos improvisados acabam aumentando os problemas existentes e impõem mais risco à operação do equipamento. As improvisações de obra mais rotineiras envolvem o uso indiscriminado de maçarico para auxiliar montagens ou desmontagens e para a realização de furos, quando eles deveriam ser usinados, além das soldas de má qualidade, sem nenhuma análise dos materiais unidos, o que com o tempo resultam em trincas na estrutura do guindaste.