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02 de março de 2012
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A frota não pode parar

Por Marcelo Januário (Editor)

O engenheiro mecânico Pedro Luiz Giavina Bianchi ingressou na Camargo Corrêa em 2000, onde atuou inicialmente em obras como as da concessionária AutoBAn (Rodovias Bandeirantes/Anhanguera) e, após um ano, migrou para o ambiente corporativo. Já neste setor, assumiu funções na área de manutenção, passando pela administração de frotas até chegar à gerência executiva de equipamentos. Nesta entrevista, realizada na sede da construtora, em São Paulo, Bianchi explica a filosofia que norteia uma organização que conta com mais de três mil equipamentos pesados espalhados por vários canteiros de obras no país e no exterior.

M&T: Quais são as incumbências da nova função que está assumindo?

Pedro Bianchi:

Desde agosto de 2011 sou responsável não só pela administração da frota, como por todas as demais atividades que compõem a gerência executiva de equipamentos. Neste posto, respondo pela gestão de quatro áreas principais: a manutenção, a administração de frotas, o setor de instalações e o de desempenho de equipamentos. A gerência de manutenção inclui apoio às obras, fornecendo suporte contínuo às equipes que cuidam da frota nos respectivos projetos, assim como a coordenação do pátio de Guarulhos (SP), onde os equipamentos desmobilizados ficam armazenados, e o treinamento de operadores. A gerência de administração da frota, por sua vez, envolve a mobilização e desmobilização dos equipamentos nos projetos, os estudos para novas aquisições e a gestão administrativo-financeira de toda a área de equipamentos. Já a gerência de instalações industriais reponde pelo dimensionamento e aquisição de todos os equipamentos fixos, enquanto a área de desempenho de equipamentos acompanha os custos e a produtividade do parque de máquinas.

M&T: Como a área de equipamentos atua na empresa?

Pedro Bianchi:

Atuamos como uma empresa de locação, pois cobramos uma tarifa sobre o uso do equipamento que fica temporariamente locado em algum projeto. Depois que o projeto é desmobilizado, o equipamento segue para outra obra e, em alguns casos, pode retornar para o pátio de Guarulhos se não houver um projeto no qual possa ser utilizado.

M&T: Qual o tamanho do parque de máquinas da empresa e sua distribuição?

Pedro Bianchi:

Atualmente, temos 3.200 equipamentos operando em obras ao redor do mundo. No Brasil, são 2.500 unidades, mas também te

O engenheiro mecânico Pedro Luiz Giavina Bianchi ingressou na Camargo Corrêa em 2000, onde atuou inicialmente em obras como as da concessionária AutoBAn (Rodovias Bandeirantes/Anhanguera) e, após um ano, migrou para o ambiente corporativo. Já neste setor, assumiu funções na área de manutenção, passando pela administração de frotas até chegar à gerência executiva de equipamentos. Nesta entrevista, realizada na sede da construtora, em São Paulo, Bianchi explica a filosofia que norteia uma organização que conta com mais de três mil equipamentos pesados espalhados por vários canteiros de obras no país e no exterior.

M&T: Quais são as incumbências da nova função que está assumindo?

Pedro Bianchi: Desde agosto de 2011 sou responsável não só pela administração da frota, como por todas as demais atividades que compõem a gerência executiva de equipamentos. Neste posto, respondo pela gestão de quatro áreas principais: a manutenção, a administração de frotas, o setor de instalações e o de desempenho de equipamentos. A gerência de manutenção inclui apoio às obras, fornecendo suporte contínuo às equipes que cuidam da frota nos respectivos projetos, assim como a coordenação do pátio de Guarulhos (SP), onde os equipamentos desmobilizados ficam armazenados, e o treinamento de operadores. A gerência de administração da frota, por sua vez, envolve a mobilização e desmobilização dos equipamentos nos projetos, os estudos para novas aquisições e a gestão administrativo-financeira de toda a área de equipamentos. Já a gerência de instalações industriais reponde pelo dimensionamento e aquisição de todos os equipamentos fixos, enquanto a área de desempenho de equipamentos acompanha os custos e a produtividade do parque de máquinas.

M&T: Como a área de equipamentos atua na empresa?

Pedro Bianchi: Atuamos como uma empresa de locação, pois cobramos uma tarifa sobre o uso do equipamento que fica temporariamente locado em algum projeto. Depois que o projeto é desmobilizado, o equipamento segue para outra obra e, em alguns casos, pode retornar para o pátio de Guarulhos se não houver um projeto no qual possa ser utilizado.

M&T: Qual o tamanho do parque de máquinas da empresa e sua distribuição?

Pedro Bianchi: Atualmente, temos 3.200 equipamentos operando em obras ao redor do mundo. No Brasil, são 2.500 unidades, mas também temos frotas consideráveis em países como Angola, Peru e Venezuela. Para cada país, traçamos uma estratégia específica, determinando se a permanência dessas máquinas será temporária ou não.

M&T: Como a construtora realiza o gerenciamento da frota?

Pedro Bianchi: Utilizamos um sistema chamado Ge-Web, com o qual controlamos o status de cada equipamento. Assim que disponibilizamos o equipamento, o sistema vai sendo atualizado conforme sua situação no projeto, indicando se ainda está mobilizado, se está disponível, em revisão e outras variáveis. Com isso, podemos visualizar como aquela máquina está sendo utilizada. A partir do momento em que o projeto comunica que não precisa mais desse ativo, o status muda para desmobilizado e, a partir de então, a máquina pode até permanecer fisicamente no projeto, mas na prática é como se já tivesse voltado para nós.

M&T: Em termos de manutenção, como funciona a transferência de equipamentos?

Pedro Bianchi: Quando a obra desmobiliza um equipamento, deve entregá-lo em perfeitas condições para o projeto seguinte. O canteiro que recebe o equipamento faz uma revisão para conferir seu estado de conservação e, caso ele apresente alguma avaria, executa a reforma necessária e manda o débito para a obra de origem.

M&T: Isto significa que a máquina não pode parar e deve sempre seguir de uma obra para a outra?

Pedro Bianchi: Exatamente, pois máquina parada representa prejuízo. Devido ao porte desses ativos fixos, não consigo cobrir meus custos se a frota ficar parada. Logo, o equipamento tem que rodar continuamente e tentamos sempre passar o ativo de um projeto para o outro. A utilização do pátio de Guarulhos é a última hipótese, apenas se não tivermos onde realocar o equipamento. Nossa meta de mobilização é de 75% e, além disso, precisamos ter um custo abaixo do mercado de locação e dos nossos concorrentes. É assim que agregamos competitividade à empresa.

M&T: Qual é a filosofia do grupo para aquisições e locações?

Pedro Bianchi: Se não houver disponibilidade na frota, estudamos a aquisição em função do período de permanência e do modelo do equipamento. No caso dos equipamentos que ficam pouco tempo na obra, a preferência é pela locação. Também optamos pela locação se o equipamento for muito específico, mesmo que o período de permanência seja acima de 12 meses. Mas esses casos são exceções, pois em geral alugamos equipamentos apenas para cobrir o pico dos projetos.

M&T: O que a empresa faz para evitar que os equipamentos fiquem subutilizados?

Pedro Bianchi: Como disse antes, deixar uma frota parada é custo. Então, se temos um equipamento que, apesar de ainda contar com uma boa vida útil pela frente, não terá perspectiva de utilização no longo prazo, optamos pela sua venda. No ano passado, por exemplo, vendemos em torno de 400 máquinas para readequar a frota, mas também estamos constantemente adquirindo equipamentos. Ou seja, vamos adequando a frota conforme a necessidade dos projetos.

M&T: Qual a estratégia adotada para a aquisição dos equipamentos?

Pedro Bianchi: Preferencialmente optamos pela compra de equipamentos nacionais, que são beneficiados por linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Quando necessitamos adquirir equipamentos importados, utilizamos outras linhas de financiamento, como o leasing, por exemplo. Para a aquisição do shield utilizado na obra da linha 5 do Metrô de São Paulo, o próprio fabricante nos apresentou uma linha de financiamento de um banco alemão. Quando o equipamento é muito específico, como é o caso do shield, solicitamos ao fabricante uma opção de recompra ao final do projeto, pois esse tipo de equipamento você não consegue locar. O valor de compra é um quesito importante na aquisição do equipamento, mas muito mais importante que ele é o serviço de pós-venda e a disponibilidade de peças de reposição. No final, o que interessa é o custo total do equipamento, sua produtividade e disponibilidade.

M&T: A construtora ainda faz toda a manutenção internamente?

Pedro Bianchi: A Camargo Corrêa chegou a ter a maior oficina de equipamentos da América Latina, que ia da Rodovia Dutra até a Trabalhadores. Naquela época fazia sentido manter uma oficina centralizada desse porte para a reforma dos equipamentos, pois a maioria deles era importado e os distribuidores ainda não estavam estruturados no país. Hoje, como os dealers oferecem oficinas e técnicos especializados, passou a ser inviável manter uma estrutura daquele tamanho, pois o custo é gigantesco. Assim, a oficina central foi fechada e a manutenção passou a ser feita nos próprios canteiros de obras, com a ajuda dos distribuidores. A obra recebe o equipamento em perfeitas condições e o devolve do mesmo modo para ser mobilizado no próximo projeto.

M&T: Qual é o percentual de manutenções corretivas na empresa?

Pedro Bianchi: Atualmente, cerca de 40% dos nossos custos ainda se referem a manutenções corretivas, ou seja, quando o equipamento vai para a oficina sem uma programação prévia, seja porque precisa trocar algum componente ou porque simplesmente quebrou. Para reduzirmos as manutenções corretivas, investimos nos treinamentos dos operadores e mecânicos, além de intensificarmos as ações preditivas e preventivas.

M&T: Na sua opinião, qual é o maior desafio desse setor?

Pedro Bianchi: A área de construção é muito dinâmica e você nunca tem um dia igual ao outro. Sempre há novidades, pois em cada projeto sempre ocorre um imprevisto em relação ao planejamento inicial. Algumas vezes, as decisões mudam no meio do caminho e você precisa ter flexibilidade para se adaptar às condições e exigências de cada projeto.