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08 de dezembro de 2011
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Governo paulista amplia investimentos em infraestrutura

O Plano Plurianual do Governo de São Paulo prevê o aporte de R$ 118,6 bilhões em infraestrutura até 2015. Com isso, o Estado pretende assegurar a posição de liderança entre os estados brasileiros que mais investem no setor e, à frente da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, o engenheiro aeronáutico Emanuel Fernandes é um dos principais agentes do governo dedicado a essa missão. Nesta entrevista, ele traça um panorama dos investimentos previstos e em realização no Estado, com destaque para a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que será o maior investimento de São Paulo na área rodoviária, e à idealização do Ferroanel, que acompanhará o traçado do Rodoanel com o transporte de cargas sobre trilhos. A intenção de ampliar de 2km ao ano para 8km/ano a construção de linhas de metro na capital paulista é outro destaque da entrevista. Acompanhe.

M&T – O Brasil atravessa um momento interessante no que diz respeito a obras de infraestrutura. Como o senhor avalia o avanço do Estado de São Paulo comparando com o restante do País, principalmente estados do Nordeste e o Rio de Janeiro que tiveram notória ascensão em termos de investimentos no setor?

Emanuel Fernandes –

Nos últimos seis anos, São Paulo cresceu cerca de 0,5% acima do crescimento brasileiro,  alcançando níveis elevados de desenvolvimento econômico e social. Esse crescimento do Estado é equiparado ao dos países mais desenvolvidos da América Latina e mesmo a alguns europeus e asiáticos. Na minha opinião, temos hoje um cenário muito favorável do ponto de vista demográfico, econômico e social. Só para dar um exemplo, o Governo de São Paulo investiu em Pesquisa e Desenvolvimento em 2009 um total de R$ 4,2 bi, enquanto os demais Estados, em conjunto, despenderam menos de R$ 2 bi, de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Para enfrentarmos os desafios, temos hoje uma sólida capacidade de investimento. Nos próximos quatro anos, a previsão é que o governo paulista tenha a capacidade de investir R$ 118,6 bilhões em obras e ações para melhoria da qualidade de vida dos paulistas. Serão R$ 85,2 bilhões oriundos dos recursos orçamentários e outros R$ 33,4 bilhões de recursos extras com a implementação de PPPs (Parceria Público-Privadas), além de investimentos provenientes das empresas estatais.

M&T – Na malha ferroviária, o País ficou um bom tempo sem realizar investimentos significativos. Como


O Plano Plurianual do Governo de São Paulo prevê o aporte de R$ 118,6 bilhões em infraestrutura até 2015. Com isso, o Estado pretende assegurar a posição de liderança entre os estados brasileiros que mais investem no setor e, à frente da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, o engenheiro aeronáutico Emanuel Fernandes é um dos principais agentes do governo dedicado a essa missão. Nesta entrevista, ele traça um panorama dos investimentos previstos e em realização no Estado, com destaque para a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que será o maior investimento de São Paulo na área rodoviária, e à idealização do Ferroanel, que acompanhará o traçado do Rodoanel com o transporte de cargas sobre trilhos. A intenção de ampliar de 2km ao ano para 8km/ano a construção de linhas de metro na capital paulista é outro destaque da entrevista. Acompanhe.

M&T – O Brasil atravessa um momento interessante no que diz respeito a obras de infraestrutura. Como o senhor avalia o avanço do Estado de São Paulo comparando com o restante do País, principalmente estados do Nordeste e o Rio de Janeiro que tiveram notória ascensão em termos de investimentos no setor?

Emanuel Fernandes – Nos últimos seis anos, São Paulo cresceu cerca de 0,5% acima do crescimento brasileiro,  alcançando níveis elevados de desenvolvimento econômico e social. Esse crescimento do Estado é equiparado ao dos países mais desenvolvidos da América Latina e mesmo a alguns europeus e asiáticos. Na minha opinião, temos hoje um cenário muito favorável do ponto de vista demográfico, econômico e social. Só para dar um exemplo, o Governo de São Paulo investiu em Pesquisa e Desenvolvimento em 2009 um total de R$ 4,2 bi, enquanto os demais Estados, em conjunto, despenderam menos de R$ 2 bi, de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Para enfrentarmos os desafios, temos hoje uma sólida capacidade de investimento. Nos próximos quatro anos, a previsão é que o governo paulista tenha a capacidade de investir R$ 118,6 bilhões em obras e ações para melhoria da qualidade de vida dos paulistas. Serão R$ 85,2 bilhões oriundos dos recursos orçamentários e outros R$ 33,4 bilhões de recursos extras com a implementação de PPPs (Parceria Público-Privadas), além de investimentos provenientes das empresas estatais.

M&T – Na malha ferroviária, o País ficou um bom tempo sem realizar investimentos significativos. Como o senhor avalia esse modal de transporte e quais investimentos o governo paulista realiza para eles?

Emanuel Fernandes – Concordo com essa estagnação. Em São Paulo, o Governo do Estado, junto com o Governo Federal, elabora estudo para construção de 211 km de trilhos no Ferroanel. Tratam-se de vias paralelas ao traçado do Rodoanel. Serão destinados R$ 3,65 bilhões para implantação dos tramos Norte e Sul, que ligarão a região Metropolitana de Campinas à Baixada Santista e atenderão também 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. O objetivo do Ferroanel, cujo estudo ficará pronto em julho/2012, é promover a intermodalidade no transporte de cargas no Estado e, com isso, reduzir custos logísticos. Outro benefício é a redução no congestionamento rodoviário nos acessos à região metropolitana. No âmbito do governo de São Paulo temos realizado investimentos no metrô e em trens metropolitanos. Nosso objetivo é tornar a oferta compatível com o potencial de demanda e atingir um padrão de excelência de serviço. Com a modernização e ampliação da rede ferroviária, o intervalo médio entre os trens também será reduzido. Pretende-se ainda o aprofundamento dos estudos de três serviços de trens regionais: São Paulo/Santos, São Paulo/Sorocaba e São Paulo/Jundiaí. Isso permitirá o reordenamento da matriz de transporte entre as regiões metropolitanas e aglomerados urbanos do Estado. O tempo médio de viagens ficará em torno de 40 minutos entre São Paulo-Santos e São Paulo-Sorocaba e 25 minutos entre São Paulo e Jundiaí. Além disso, a construção do Ferroanel visa evitar o transporte ferroviário de carga que passa pela Região Metropolitana, eliminando o conflito com o intenso tráfego de passageiros da CPTM. Em conjunto com o Rodoanel, vamos melhorar sensivelmente a mobilidade urbana.

M&T – O senhor falou sobre investimentos em trens metropolitanos e metrô... Pode dar mais detalhes?

Emanuel Fernandes – Sim: nos últimos 30 anos, São Paulo construiu 2 km de linhas de metrô por ano. A partir de 2011, a nossa meta é entregar 8 km por ano, de modo que a cidade partirá de 70 para 102 km de linhas de metrô até 2015. Junto com a modernização e ampliação das linhas da CPTM, os investimentos na pasta de transporte ferroviário do Estado devem consumir cerca de R$ 30 bilhões, além de outros R$ 15 bilhões a serem captados via Parcerias Público-Privadas.

M&T – E na área de rodovias, quais investimentos o Estado deverá realizar nos próximos anos?

Emanuel Fernandes – Além do Rodoanel, a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que liga São José dos Campos ao Litoral Norte, será a principal obra rodoviária da atual gestão. Os investimentos em parceria com a iniciativa privada serão da ordem de R$ 4 bilhões. Vamos também continuar dando ênfase à recuperação e manutenção das estradas vicinais e a manutenção das rodovias de São Paulo. Para o orçamento de 2012, por exemplo, os investimentos nas rodovias administradas pelo DER alcançam R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,1 bilhão para a duplicação, implantação e obras conveniadas na malha rodoviária e R$ 873 milhões para a recuperação das estradas estaduais.

M&T – Aliás, como o senhor avalia o modal rodoviário do Estado hoje em dia, levando em conta, inclusive, a capital, com o excesso notório de veículos?

Emanuel Fernandes – Nosso principal gargalo, sem dúvida, é a região metropolitana de São Paulo, onde o desafio passa por uma questão de planejamento urbano. A Zona Leste é um exemplo: com população de 4 milhões de habitantes (é praticamente o país do Uruguai dentro de São Paulo) temos todo dia um ‘Uruguai vindo e voltando do centro da cidade’. Não há via que suporte. Para isso, estamos investindo na implantação de empresas mais próximas dos moradores, evitando os longos trajetos percorridos até o local de trabalho e, assim, aliviando o tráfego da cidade. Iniciativas como essas, alinhadas com a ampliação e modernização do metrô e das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), devem gerar notória melhoria para o sistema de transporte da Região Metropolitana.

M&T – Na área portuária, quais investimentos têm sido/serão realizados e o que eles representam em termos logísticos para São Paulo e para o Brasil?

Emanuel Fernandes – Para os próximos quatro anos temos a previsão de investir R$ 1,1 bilhão na gestão da logística hidroviária. Somente no Porto de São Sebastião, pretendemos investir R$ 614 milhões em obras como a pavimentação e recuperação de pátios e cais, serviços de terraplenagem e limpeza, instalação de defensas, elaboração de programas ambientais e projeto para um novo cais e uma marina pública. A ampliação e modernização do porto será combinada com as obras de duplicação da Rodovia dos Tamoios. Modernizaremos, também, a hidrovia Tietê-Paraná junto com o Governo Federal.

M&T – Alguns especialistas apoiaram a iniciativa do leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN) como uma alternativa para o gargalo aeroportuário do Brasil. Nos aeroportos de São Paulo, estuda-se algo do gênero?

Emanuel Fernandes – Essa possibilidade não está sendo discutida.