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28 de abril de 2010
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Perfil

Luiz Narimatsu

A contribuição dos equipamentos para o saneamento básico

Apresentado ao país em grande estilo, o “Programa Saneamento para Todos” do governo federal, também conhecido como PAC do Saneamento, resultou no anúncio de R$ 4,5 bilhões em obras de água e esgoto em 90 municípios brasileiros. As obras relacionadas ao programa foram anunciadas recentemente, mas, para os especialistas, essas ações ainda ficam aquém das necessidades do país. Segundo avaliações da própria Caixa Econômica Federal – órgão pertencente ao governo – são necessários investimentos anuais de R$ 10 bilhões para se eliminar as carências do Brasil na área de saneamento básico.

Luiz Narimatsu, presidente da AESabesp, a associação dos engenheiros da Sabesp, concorda que a cobertura dos serviços de água e esgoto deixa a desejar no país, o que resulta em problemas sociais e de saúde pública. Em agosto, a associação dos engenheiros da concessionária paulista promoveu a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente), onde os profissionais do setor debateram as saídas para o saneamento básico no país diante do novo marco regulatório (Lei 11.445/07) em relação à prestação desse serviço.

Narimatsu ressalta que os investimentos realizados pela Sabesp ao longo do tempo permitiram elevar o nível de cobertura desses serviços nos municípios onde a concessionária atua. Mesmo assim, ele reconhece que ainda há muito por fazer. Veja, a seguir, suas opiniões sobre a situação do setor e sobre como a tecnologia de equipamentos pode contribuir com a universalização do saneamento básico.

M&T – Como está a situação do saneamento básico no estado de São Paulo?

Luiz Narimatsu – São Paulo até que apresenta uma boa situação em comparação com os outros estados do país, pois enquanto o índice de abastecimento de água no Brasil registra uma média de 94%, nós atingimos 99% da população com esse tipo de serviço. Mas é na área de coleta e tratamento de esgoto que o cenário destoa. Enquanto a coleta de esgoto atinge 49% da população no país, aqui esse índice é de 94%. Quando o assunto é o tratamento do esgoto coletado, os números deixam a desejar em todas as regiões, pois esse indicador é de apenas 61% no Brasil e de 40% em São Paulo.

M&T – Esse cenário mais favorável a São Paulo deve permanecer nos próximos anos?

Narimatsu – Sem dúvida. O estado ocupa a vanguarda em termos de cobertura dos serviços de saneamento básico graças ao trabalho desenvolvido pela Sabesp, que atua em 366 municípios do estado e investiu na oferta dos serviços de água e esgoto à população das áreas onde está presente. Esses índices de cobertura devem melhorar ainda mais, pois o governo do estado, por meio dos investimentos da Sabesp e do programa Água Limpa, coordenado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), persegue a meta de atingir 100% da população com a oferta de saneamento básico. Entre os programas coordenados pela companhia destacamos o Onda Limpa e a despoluição do rio Tietê.