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04 de setembro de 2010
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Elas não aparecem, mas a cidade depende delas

Os subterrâneos das cidades ainda vão dar muito o que falar para as empresas envolvidas com os Métodos Não-Destrutivos (MND), rol de tecnologias que inclui desde High Directional Drilling (HDD) até o Tunnel Boring Machine (TBM). Prova disso é a iniciativa da Sabesp, concessionária de São Paulo, que deve empregar o MND em 60% dos projetos de implantação de redes de esgoto da capital paulista. Usando o TBM, a empresa é capaz de realizar perfurações de longa extensão, mesmo considerando inclinações inferiores a 2% por metro. Paulo Dequech, presidente da Associação Brasileira de Tecnologias Não Destrutivas (Abratt), avalia que a disseminação de técnicas como o TBM, capazes de implantar redes com diferentes especificações, está reduzindo a prática de abertura de valas para instalação de redes subterrâneas. E pode até enterrar, literalmente, essa prática.

M&T – Fala-se muito da inviabilidade de utilizar o HDD para a instalação de redes de esgoto. Isso de certa forma, inibiu a utilização de MND, uma vez que a perfuração direcional não é indicada para implantar redes com baixa declividade? 

Paulo Dequech – Houve muita confusão entre MND e HDD. Muitos acreditavam que a tecnologia de furo direcional era o único Método Não-Destrutivo capaz de implantar redes subterrâneas sem a abertura de valas. Tal conceito está mudando.

M&T –A mudança ocorre pela disseminação de outras tecnologias ou pela evolução do HDD?

Paulo Dequech – O que mais se fala atualmente são das opções para instalar redes de esgoto com baixa declividade e sem a necessidade de abrir valas. É preciso lembrar que o Brasil tem um enorme mercado para a instalação e manutenção de redes de esgoto, seja em ambientes urbanos ou no interior, o que rege boa parte do mercado de instalações subterrâneas. O HDD ainda não é a melhor tecnologia para isso, mas outras soluções têm despontado com eficiência, caso do TBM. Temos vastas opções de soluções capazes de implantar redes com declividade inferior a 2%, o que é necessário nas redes de esgoto.

M&T – A maior gama de opções tecnológicas para implantar redes subterrâneas por MND no Brasil alavancou o setor na mesma proporção em que crescem as alternativas?

Paulo Dequech: Sim. Em determinados processos, como a instalação de redes de gás em ambientes urbanos, os métodos não-destrutivo

Os subterrâneos das cidades ainda vão dar muito o que falar para as empresas envolvidas com os Métodos Não-Destrutivos (MND), rol de tecnologias que inclui desde High Directional Drilling (HDD) até o Tunnel Boring Machine (TBM). Prova disso é a iniciativa da Sabesp, concessionária de São Paulo, que deve empregar o MND em 60% dos projetos de implantação de redes de esgoto da capital paulista. Usando o TBM, a empresa é capaz de realizar perfurações de longa extensão, mesmo considerando inclinações inferiores a 2% por metro. Paulo Dequech, presidente da Associação Brasileira de Tecnologias Não Destrutivas (Abratt), avalia que a disseminação de técnicas como o TBM, capazes de implantar redes com diferentes especificações, está reduzindo a prática de abertura de valas para instalação de redes subterrâneas. E pode até enterrar, literalmente, essa prática.

M&T – Fala-se muito da inviabilidade de utilizar o HDD para a instalação de redes de esgoto. Isso de certa forma, inibiu a utilização de MND, uma vez que a perfuração direcional não é indicada para implantar redes com baixa declividade? 
Paulo Dequech – Houve muita confusão entre MND e HDD. Muitos acreditavam que a tecnologia de furo direcional era o único Método Não-Destrutivo capaz de implantar redes subterrâneas sem a abertura de valas. Tal conceito está mudando.

M&T –A mudança ocorre pela disseminação de outras tecnologias ou pela evolução do HDD?
Paulo Dequech – O que mais se fala atualmente são das opções para instalar redes de esgoto com baixa declividade e sem a necessidade de abrir valas. É preciso lembrar que o Brasil tem um enorme mercado para a instalação e manutenção de redes de esgoto, seja em ambientes urbanos ou no interior, o que rege boa parte do mercado de instalações subterrâneas. O HDD ainda não é a melhor tecnologia para isso, mas outras soluções têm despontado com eficiência, caso do TBM. Temos vastas opções de soluções capazes de implantar redes com declividade inferior a 2%, o que é necessário nas redes de esgoto.

M&T – A maior gama de opções tecnológicas para implantar redes subterrâneas por MND no Brasil alavancou o setor na mesma proporção em que crescem as alternativas?
Paulo Dequech: Sim. Em determinados processos, como a instalação de redes de gás em ambientes urbanos, os métodos não-destrutivos já são utilizados em 90% dos casos, como relata a Comgás. Já em rede coletora de esgoto, a alternativa também é utilizada de forma ampla sempre que há galerias com mais de 2 metros de profundidade nos centros urbanos. A Sabesp sozinha pretende investir mais de U$ 500 milhões em novas redes coletoras nos próximos anos. E revela que 40% dos seus projetos no interior do Estado de São Paulo são executados por meio de MND.

M&T – Os custos das tecnologias não destrutivas já podem ser comparados com os necessários para a abertura de valas?
Paulo Dequech – Em situações comuns, ou seja, sem a incidência de solo mole ou em terrenos de outras complexidades, o MND já é mais barato do que a abertura de valas. A comparação é válida considerando somente os custos diretos. Se relacionarmos os custos indiretos, como a menor influência no tráfego e questões ambientais, entre outras, a sua viabilidade econômica é ainda maior.

M&T – A utilização de HDD em obras de infraestrutura foi um dos impulsionadores na aplicação de Métodos Não-Destrutivos nos últimos anos?
Paulo Dequech – Sem dúvida. Hoje já não se pensa, por exemplo, em grandes obras de gasoduto sem a utilização de MND. Ano a ano, a abrangência dessas tecnologias cresce e o HDD é um impulsionador.

M&T – Em ambientes urbanos, a utilização do MND tem sofrido algum impeditivo?
Paulo Dequech – Há o aspecto cultural, pois apesar do avanço, essas soluções ainda não foram completamente incorporadas pelos empreiteiros. Outro desafio é a questão do cadastro urbano: em grandes cidades como São Paulo não há um sistema unificado dos cadastros e nem a centralização deles. O que tem ocorrido são ações isoladas. A Sabesp, por exemplo, está digitalizando e georreferenciando os cadastros de suas redes. Mas a própria concessionária deve levar alguns anos para concluir a consolidação das informações. Existe ainda a intenção da prefeitura de São Paulo em unificar os cadastros das diversas companhias que atuam na cidade, porém, sem um planejamento efetivo ainda.

M&T – E como as empresas trabalham atualmente para identificar tubulações enterradas?
Paulo Dequech – Hoje a identificação é “por demanda”. A cada necessidade de instalação ou manutenção em rede, levanta-se o cadastro de determinada região em cada uma das concessionárias. Geralmente, essa é uma solicitação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que avalia as implicações que a instalação da rede pode trazer para o tráfego da cidade.